‘A Falecida’ no Centro Cultural Fiesp: peça de Nelson Rodrigues mostra sordidez das relações humanas

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Foto: João Caldas

Maria Luiza Mendonça (Zulmira) e Rodrigo Fregnan (Tuninho), em "A Falecida". Foto: João Caldas

Considerada um marco na obra de Nelson Rodrigues, a peça A Falecida, em cartaz no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, retrata em três atos a vida de Zulmira, uma pobre mulher frustrada, doente e sem perspectivas em sua vida. Mesmo tuberculosa, ela ainda consegue alimentar sua ambição por um funeral de luxo.

Sua pretensão é resultante do ódio que sente pela sociedade abastada e por sua prima e vizinha Glorinha, por quem é ignorada. Tendo-a como adversária, Zulmira chega a ficar feliz ao saber que a seriedade de sua prima decorre de um câncer.

Tuninho, marido de Zulmira, é um desempregado que passa o tempo no bar bebendo e falando sobre futebol com amigos. Incumbido pela esposa de arrecadar o dinheiro para seu enterro, ele demonstra que seu interesse pelo time do coração, somado à boemia, vai além do amor por Zulmira.

O enredo é essencialmente uma amostra irônica e debochada da vida como ela é, bem como a sordidez humana e sua capacidade de inventar verdades e ocultar mentiras.

Projeto Nelson Rodrigues 100 anos
Peça “A Falecida”, com Maria Luiza Mendonça
Temporada, data e horários: 6 de julho a 2 de dezembro
Julho – estreia em 06/07 (sexta-feira), às 20h30. Durante o mês, as apresentações serão aos sábados, às 20h30, e domingos, às 20h.
Setembro – todos os sábados, às 20h30, e domingos, às 20h.
Outubro – todas as quintas e sextas, às 20h30.
Novembro – todos os sábados, às 20h30, e domingos, às 20h. Nos dias 24 e 25 não haverá espetáculo. As apresentações acontecerão na semana seguinte nos dias 29 (quinta) e 30 (sexta), às 20h30.
Dezembro – 1º/12 (sábado), às 20h30, e 2/12 (domingo), às 20h.

Entrada: quintas e sexta-feiras – entrada gratuita
Sábados e domingos – R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia)
Local: Teatro do Sesi-SP | Av. Paulista, 1313 (Metrô Trianon-Masp)
Capacidade: 456 lugares
Informações: 11 3146-7405 / 7406
Fale Conosco: 11 3528-2000 capital e Grande São Paulo | 0800 55-1000 outras localidades

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Maria Luiza Mendonça: ‘É uma honra muito respeitosa fazer parte da homenagem a Nelson Rodrigues’

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Foto: João Caldas

Em "A Falecida", Maria Luiza Mendonça interpreta Zulmira, uma mulher frustrada e sem perspectivas

Começa nesta sexta-feira (06/07), em São Paulo, a temporada da peça ” A Falecida “, de Nelson Rodrigues. A montagem ficará em cartaz até o dia 2 de dezembro no Teatro do Sesi São Paulo, no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso.

O espetáculo faz parte do projeto do Sesi-SP – Nelson Rodrigues 100 Anos, que desde maio conta com debates, leituras dramáticas, espetáculos teatrais inéditos, uma exposição e oficinas sobre a vida e a obra do polêmico autor.

Protagonizada por Maria Luiza Mendonça, que interpreta a personagem Zulmira, a pré-estreia realizada na noite de quinta-feira (05/07) – apenas para convidados – reuniu atores consagrados como Malu Mader, Karen Rodrigues, Fúlvio Stefanini, Gabriela Alves Toulie, entre outros.

Minutos antes de subir ao palco, Maria Luiza falou rapidamente com a reportagem: “Estou com um grande time, e a expectativa para a temporada é a melhor”, afirmou, destacando que fazer parte desta homenagem “é uma honra muito respeitosa”.

“Todo esse movimento do Sesi-SP em relação ao Nelson Rodrigues é muito pontual, porque há um registro disso tudo que vai ficar para sempre, não só as duas montagens [A Falecida e Boca de Ouro], como as leituras dramáticas de todas as peças, uma parceria com o diretor Marco Antonio Braz e toda a equipe”, completou Maria Luiza, que a partir do dia 8 de setembro será substituída por Lucélia Santos até 2 de dezembro.

Maria Luiza reconheceu também a importância do Sesi-SP nas manifestações culturais: “O Sesi-SP é incrível, pois dá enormes condições de se fazer um trabalho artístico que se aprofunda. Além de ser aberto ao público e praticamente de graça, é um acesso à formação de plateia e de profissionais, o que é muito importante.”

Após a pré-estreia que lotou o Teatro do Sesi São Paulo, Nelson Rodrigues Filho, um dos herdeiros da obra do dramaturgo, destacou a qualidade do diretor da peça, Marco Antonio Braz.

“Estamos acompanhando o centenário de Nelson Rodrigues e, aqui em São Paulo, o Braz está dando um belo exemplo do que foi esse autor maravilhoso, esse pai que eu adorava”, declarou Nelson Filho, ao revelar que o roteiro do documentário sobre o autor está sendo desenvolvido. “Digo sempre que o velho clamou sempre por sua alma eterna, e ele conseguiu ser eterno”, finalizou.

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