Entrevista: Como incluir um programa de ecoeficiência em sua empresa

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Por Karen Pegorari Silveira

Segundo o escritor Alcir Vilela Júnior Jacques Demajorovic, as empresas ecoeficientes são aquelas que obtêm benefícios econômicos, agilidade em seus processos e qualidade de seus produtos, com redução nos custos associados aos desperdícios de água, energia e materiais; à medida que obtêm benefícios ambientais por meio da redução progressiva da geração de resíduos sólidos, efluentes líquidos e emissões atmosféricas, introduzindo em seu processo gerencial o conceito de prevenção da poluição e de riscos ocupacionais.

Mas como introduzir, na prática, a ecoeficiência em sua empresa?

Perguntamos ao especialista Marcus Nakagawa*, que é sócio-diretor da iSetor e Mestre em Administração com foco em Sustentabilidade na Estratégia de Negócios das Empresas, quais as ações básicas para iniciar um programa de ecoeficiência.

Leia na íntegra a entrevista:

Quais os primeiros passos para uma empresa incluir ações de ecoeficiência em sua rotina?

Marcus Nakagawa – O primeiro passo para qualquer ação de ecoeficiencia na empresa é realizar um bom diagnóstico com todos os dados e números disponíveis na organização. Geralmente, nesta fase é importante já ir relacionando com que colaborador e departamento fica cada documento e dado. E já ir aos poucos engajando cada um deles, explicando para que servem estes dados e este trabalho, pois, na visão desta pessoa será mais um trabalho a realizar. Um segundo passo seria tabular os dados, buscar a razão financeira deles. Por exemplo, se o dado for água, o quanto está se gastando em quantidade e financeiramente quanto está custando a conta. Outro exemplo seria com os resíduos. Geralmente as empresas pagam para retirarem os resíduos, o que se pode fazer é a famosa separação e reciclagem e a venda de materiais. Estes são exemplos mais comuns, mas podemos levantar também os gastos de energia, ruídos, calor etc. O terceiro passo é preparar um plano de ação para aumentar a eficiência e a economia de dinheiro. Neste plano de ação podem entrar soluções modernas e inovadoras como uma pequena central de geração de energia solar ou eólica. Ou ainda, utilizar o lixo orgânico para fazer composto orgânico para uma horta para a cozinha dos funcionários. O quarto passo é mobilizar a todos os envolvidos e seus superiores para que as metas e as ações sejam cumpridas. Muita comunicação interna e alta direção da empresa motivadas e sendo porta vozes do projeto. O quinto passo é controlar os números e as economias financeiras e celebrar as vitórias. Isso mesmo celebrar as metas alcançadas e superadas com festas, brindes, homenagens, fotos na intranet e todas estas ferramentas de motivação. O sexto passo é divulgar internamente e externamente para que seja benchmarking de outras áreas das empresas e de outras empresas.

Como engajar os colaboradores?

Marcus Nakagawa – O engajamento dos colaboradores tem que começar desde o primeiro passo, ou seja, desde o diagnóstico. É necessário um evento de lançamento do projeto oficial e muitas ferramentas de comunicação da alta direção destacando a importância dos trabalhos, fazendo, dessa forma, com que colaborador tome conhecimento da mobilização. O outro momento é engajar a todo instante todas as áreas e departamentos envolvidos no diagnóstico, no desenho do plano de ação, no controle, na divulgação e principalmente na celebração das vitórias.

Quais ações não podem faltar em um plano de ecoeficiência?

Marcus Nakagawa – A elaboração do diagnóstico, o desenvolvimento do plano de ação, a mobilização de todos os envolvidos, o controle, a celebração e a divulgação dos resultados do plano.

É preciso criar um grupo interno que fique responsável ou é dever do RH?

Marcus Nakagawa – Sim, criar um comitê de ecoeficiência seria o modelo ideal, sendo ele um time multidepartamental com gestores, assistentes e estagiários. Um time engajado que acredite realmente na sustentabilidade e que, de preferência, pratique isso em casa também. Se caso isso não for possível, antes de iniciar o projeto será necessário uma capacitação do time para poder mostrar o porquê deste plano.  E assim, sensibilizar os funcionários e motivá-los a participar ativamente em vez de simplesmente ser uma atividade a mais que não estava no job description de cada um. A causa também tem que ser utilizada como ferramenta de motivação e engajamento, afinal o tema é muito interessante e está na “moda”.

Como medir os resultados de cada ação

Marcus Nakagawa – Na fase do diagnóstico é fundamental parametrizar todos os dados a serem buscados e controlados. Dados como controle de água, resíduos, energia, materiais, ar, solo, entre outros, são fundamentais. Para isso existem especialistas ambientais e de sustentabilidade para cada segmento de mercado e de atividade de negócio. No comitê ou time de ecoeficiência a soma de conhecimento também será fundamental para a coleta de informações e definição de indicadores e metas. Com isso, fecha-se uma periodicidade que pode ser trimestral, semestral ou anual, sempre com coletas de dados mensais, e assim medimos os resultados e os indicadores. Dentro da ecoeficiência, o dado que mais faz sentido para as empresas é a economia de dinheiro, porém existem outros dados como conhecimentos adquiridos, trabalho em equipe, motivação por trabalhar na empresa, trabalho interdepartamental, clima organizacional, além de outros não podem ser esquecidos na hora da mensuração.

* Marcus Nakagawa, é Mestre em Administração com foco em Sustentabilidade na Estratégia de Negócios das Empresas pela PUC-SP, sócio-diretor da iSetor – empresa de gestão administrativa e financeira e idealizador e presidente do conselho deliberativo da Abraps (Associação Brasileira dos Profissionais de Sustentabilidade).