MDIC anuncia na Fiesp extensão do programa Brasil Mais Produtivo para indústria da saúde

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Ao abrir nesta sexta-feira (11/11) o seminário de lançamento do Programa Brasil Mais Produtivo, o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, afirmou que é bom sinal o interesse das pessoas pelo programa, evidenciado pela plateia lotada. “Há expectativa de recuperação do Brasil”, disse. “O que precisamos agora é dar competitividade”, afirmou Skaf, por meio de juros mais baixos, crédito, agilidade, menos burocracia. Ele ressaltou também a importância de valorizar mais as micro, pequenas e médias indústrias.

Skaf lembrou que um dos maiores patrimônios do Brasil é a indústria, que cria os melhores empregos e paga um terço de todos os impostos no país. “”Não é possível mais aumento de impostos”, disse, destacando que o governo se sensibilizou quanto a isso.

Skaf citou os vários pontos abordados pelo programa, essenciais para o aumento da competitividade. Explicou que o Brasil Mais Produtivo já está em andamento, com 79 empresas tendo passado pela consultoria e já aplicando as ações recomendadas. ‘Vamos pegar esta corda e puxar o máximo possível”, afirmou, lembrando que essas empresas são o início.

Skaf destacou a importância de se preparar para o fim da crise. “Temos que administrar o dia a dia, mas temos que ter o olhar para o futuro também”, afirmou, “para não perder o bonde mais uma vez quando passar o atual período de dificuldade”. Exemplo desse olhar para a frente está nas “ferramentas tecnológicas, criativas da Fiesp”, o Hackathon (maratona de desenvolvimento de aplicativos) e o Concurso Acelera Startup.

Marcos Pereira, ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, anunciou no evento – devido, explicou, à importância da Fiesp para o Estado e para o país – uma extensão do programa de manufatura enxuta para um quinto segmento, o de equipamentos médicos e odontológicos. Serão 300 empresas a mais, com R$ 4 milhões vindos do Ministério da Saúde. Haverá também um programa de aumento da eficiência energética, com piloto de 6 setores com 8 empresas cada, com R$ 1 milhão em recursos. Outro programa a ser lançado é o de manufatura avançada, com R$ 1,5 milhão do Senai para atender 8 a 10 empresas no projeto piloto.

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Pereira explicou que o Brasil Mais Produtivo foi lançado nacionalmente em abril, e agora há uma rodada de apresentação nos Estados. Abrange empresas de 11 a 200 funcionários e visa a atender 3.000 companhias nesta primeira fase, com R$ 50 milhões. São quatro cadeias produtivas, com empresas preferencialmente em Arranjos Produtivos Locais (APLs). Para São Paulo são 340 vagas, em áreas escolhidas em consenso com a indústria. A consultoria dura 120 horas.

A expectativa, segundo o ministro, era aumentar a produtividade em no mínimo 20%. Chegou em média a 56%, com casos de 80%, disse Pereira. Lean manufacturing (manufatura enxuta) é a base, com a busca de eliminação de desperdícios.

Estamos empenhados em avançar, disse, citando a fala de Skaf. Somos maiores que esta crise, afirmou, destacando o espírito lutador e empreendedor do brasileiro. “Precisamos rediscutir o Brasil. Onde estamos e onde queremos chegar.” Um dos pontos destacados por Pereira como precisando de mudança é a área tributária, que impõe pesadas obrigações para as empresas.

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Marcos Pereira anunciou na Fiesp extensão do programa Brasil Mais Produtivo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O programa

O Brasil Mais Produtivo tem como objetivos aumentar a produtividade das empresas brasileiras e fortalecer o desenvolvimento regional do país. O programa prevê a utilização de técnicas de manufatura enxuta com a eliminação de desperdícios e melhoria contínua. As intervenções são rápidas, de baixo custo, com ganhos expressivos de produtividade.

“Para nós da Fiesp, que rotineiramente buscamos melhorar as condições do investimento industrial, é muito valioso saber que, apesar das adversidades, o interesse e o investimento em produtividade continuam prioritários. Isto reforça que estamos no caminho certo e aumenta a expectativa com relação ao sucesso do Programa Brasil Mais Produtivo, explica o diretor do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho”

As bases do sistema são: trabalho em equipe, rapidez, eliminação de desperdícios e melhoria contínua. Em linhas gerais, a consultoria pretende eliminar produtos defeituosos, excesso de produção, estoques, movimentos desnecessários, transportes, esperas e processos desnecessários.

O programa Brasil Mais Produtivo é uma realização do Senai, do MDIC, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), com a parceria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No Estado de São Paulo, o programa é operado pelo Senai-SP.

“Nosso anseio por resultados positivos é elevado”, declarou Roriz, “pois acreditamos que a produtividade é fator determinante para a permanência das empresas no contexto da Quarta Revolução Industrial. E o fato de ser um programa de capacitação de empresas em escala, aumenta ainda mais as chances de o Brasil conseguir participar das oportunidades trazidas pela Indústria 4.0.”

Para mensurar a efetividade dos resultados, os indicadores de produtividade serão medidos no início e no final do programa e todo atendimento será executado em 120 horas, divididos nas seguintes etapas: fase de preparação (24 horas), fase de intervenção (60 horas), fase de monitoramento (20 horas) e fase de encerramento (16 horas) distribuídos em três meses de consultoria.

Casos de sucesso

Osvaldo Maia, gerente de inovação e de tecnologia do Senai-SP, fez apresentação antes de três empresas mostrarem os ganhos obtidos graças ao programa. Maia destacou que a ampliação do programa, anunciada pelo ministro Marcos Pereira, tem o apoio do Senai-SP, que tem todo o interesse nisso. A qualidade das ferramentas aplicadas pelos consultores é alta, e tiveram aprimoramento que permitiu grande aceitação pelas empresas, destacou. A ideia é tornar isso um produto de prateleira, incorporado ao portfólio do Senai-SP.

O primeiro caso de sucesso veio do setor de alimentos. É a empresa Twin Peaks, de alimentos congelados, de Valinhos, com apresentação da sócia Juliana Cunha. O programa, aplicado à produção de esfirras, permitiu ver a produção como um todo e eliminar gargalos. Foi possível redistribuir tarefas, diminuindo sobrecargas e subutilizações de mão de obra. Houve também mudança de lay-out na fábrica, diminuindo a movimentação (de 24 metros para 2,4 m) e permitindo grande ganho. De 164 peças por hora para 450, com os mesmos funcionários, aumento de 169% na produtividade. O índice de defeitos caiu para zero. O retorno do investimento veio em pouco mais de um mês. Um dos pontos que Juliana destacou foi o atendimento sob medida do Senai-SP.

O caso do setor de calçados (empresa D’Milton) foi apresentado por João Batista de Souza, que destacou a participação de funcionários e colaboradores. O valor investido pela empresa foi quase insignificante frente aos ganhos – e se pagou em 4 meses. A empresa conseguiu 39% a mais de produtividade, o que Souza considera surpreendente. A movimentação foi reduzida em 2.400 metros.

Do setor metalomecânico, o exemplo veio da Carhej, de São Bernardo. Segundo Daniel Carajiliascov, sócio da empresa, proprietário, o engajamento no programa foi a melhor coisa que fizeram. O estoque de matéria-prima caiu de R$ 350.000 para R$ 60.000, para a mesma produção. O ganho de produtividade foi de 177%. Movimentação caiu 85%, graças a novo lay-out. Na qualidade, ganho foi de 87%. E o retorno do investimento veio em menos de um mês – incluindo, além do custo do programa, reforços na infraestrutura.

‘É fundamental retomar o crescimento industrial a curto prazo’, diz ministro da Indústria, Comércio e Serviços em seminário na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Em debate sobre como recuperar o crescimento econômico, na manhã desta segunda-feira (19/09), no seminário “Perspectivas para a economia brasileira nos próximos anos”, na sede da Fiesp, em São Paulo, o ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Marcos Pereira, destacou a importância de investir em produtividade.

Pereira afirmou ainda que estão em andamento quatro reformas no país: trabalhista, tributária, previdenciária e política. “A previdenciária e a política são as mais urgentes, devem ser aprovadas com mais agilidade”, disse. “Estamos investindo em desburocratização”.

Entre essas ações, o ministro citou o programa “Brasil mais produtivo”, tocado em parceria por um conjunto de 22 órgãos públicos ou privados para dar consultoria para pequenas empresas. “Ajudamos essas empresas a rever seus processos produtivos e fazer uma manufatura enxuta”.

Para Pereira, tudo o que eleva o chamado custo Brasil atrapalha a produtividade das empresas. Entre as ações para minimizar esses problemas, ele citou o novo portal único de comércio exterior, criado para facilitar os processos de exportação e importação. “Precisamos elevar a eficiência também dos entes que trabalham com atividades de fiscalização e regulação”, afirmou. “É nessa linha que nós precisamos avançar”.

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Pereira: desafio de aumentar a eficiência em todas as esferas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Ainda no que se refere às relações internacionais, o ministro citou as negociações de acordos bilaterais de comércio com a Colômbia e o Chile, um acordo automotivo com a Argentina e o aprimoramento do programa Reintegra, que prevê a reintegração de valores tributários.

“O nosso ministério quer construir uma política industrial realista, feita com as entidades de representação das indústrias, melhorar o ambiente de negócios e as exportações”, afirmou. “É fundamental retomar o crescimento industrial a curto prazo, aumentar o nível de emprego e de renda”.

Seminário da Fiesp discute meios de financiamento para a indústria de pescado

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Roberto Imai: investir em projetos por parte da indústria extrativa e esportiva da pesca podem ser alternativa para obter investimentos e financiamentos de instituições de fomento. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A falta de comunicação e de projetos da indústria da pesca pode ser o principal entrave ao financiamento do setor por parte dos investidores, de acordo com Roberto Imai, coordenador titular do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca (Compesca) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Estou há 22 anos trabalhando na indústria de pesca e em todos os fóruns fala-se muito que faltam linhas de financiamento. Mas a gente tem de olhar para o nosso lado. O quê estamos fazendo para que as instituições que têm o dinheiro se interessem por quem precisa de dinheiro”, observou Imai nesta sexta-feira (15/08) na abertura do seminário “Meios de Financiamento para a Pesca e Aquicultura” .

O evento, destacou o coordenador do Compesca, tem como um de seus objetivos justamente chegar a uma conclusão do quê a indústria pode fazer para atrair investimentos para esse segmento.

Uma das possibilidades, segundo Imai, é a criação de projetos por parte da indústria extrativa e e do segmento da pesca esportiva.

“O próprio BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] solicitou uma reunião dentro da Fiesp porque ele tinha uma linha de financiamento, mas não havia projetos [inscritos]. Temos que nos preparar para isso”, completou.

Políticas

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Helcio Honda: Brasil precisa investir mais na pesca esportiva. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Presente na abertura do encontro, o coordenador adjunto do Compesca, Helcio Honda, chamou a atenção para a falta de políticas de incentivo à produção de pescado no país.

“Vemos a pesca extrativa, por falta de políticas adequadas, praticamente se extinguindo e o objetivo do Compesca é discutir e levar aos agentes públicos as demandas para que o Brasil possa crescer neste segmento”, afirmou Honda.

Pescador esportivo, Honda também defendeu a o crescimento da indústria de pesca esportiva, segmento que, de acordo com ele, ainda carece de atenção do país.

“Eu represento o outro elo da cadeia e sou consumidor da pesca esportiva. Há um grande mercado para isso. Nós temos a indústria de hotéis, pousadas e de material de pesca. E infelizmente o país dá pouca atenção para esse mercado que é bilionário em outros países”, disse.

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Marcos Pereira, superintendente do Ministério da Pesca e Aquicultura, sugeriu novo encontro com presença do Ibama e da Marinha do Brasil para discutir entraves ambientais à produção de pescado. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O superintendente do Ministério da Pesca e Aquicultura, Marcos Alves Pereira, também participou da abertura do seminário e ouviu as primeiras reinvindicações e sugestões dos coordenadores do Compesca.

Pereira sugeriu a realização de um novo encontro com a presença de órgãos como o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) e da Marinha para discutir os entraves ambientais à produção de pescado.

“Um evento como esse é importante para enxergar a dificuldade que o setor enfrenta e que precisa da ajuda e união dessas forças”, disse.

Caso de Rondônia

Outro objetivo do seminário do Compesca é apresentar casos de empresas bem sucedidas no segmento de pescado. Segundo o coordenador Roberto Imai, a intenção é procurar adotar e adequar práticas de empresas que deram certo em outros estados na produção de São Paulo.

“Estamos trazendo uma experiência de Rondônia para avaliar se podemos ou não ir por esse caminho”, disse.

A diretora de marketing e comércio exterior da Biofish Aquicultura, uma empresa de Rondônia, Janine Bezerra de Menezes, apresentou os ganhos da companhia com projetos de áreas de cultivo de peixe na região amazônica.

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Janine Bezerra de Menezes: caso de sucesso de empresa que utilizou linha de financiamento no Norte do país. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Um dos projetos apresentados por Janine é uma área de 110 hectares, considerada de médio porte pela companhia, com lâminas de água para produção primordial da espécie de tambaqui.

“Na Amazônia utilizamos a linha de crédito do FNO (Fundo Constitucional de Financiamento do Norte). Foi um investimento de R$ 8,6 milhões para os 110 hectares entre construção e primeiro ano de custeio da produção”, explicou Janine.

De acordo com a diretora da Biofish, a produção de tambaqui na área pode chegar a 800 mil quilos por ano.

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