Brasil só tem a ganhar com a exploração do pré-sal, afirmam debatedores do 14º Encontro de Energia da Fiesp

Adriana Santos, Agência Indusnet Fiesp

No primeiro dia do 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), no painel “Pré-sal: A nova era do petróleo no Brasil” todos os participantes concordaram num ponto: o Brasil só tem a ganhar com a exploração do pré-sal. O debate foi coordenado por Marcos Nascimento, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, tendo sido realizado na tarde desta segunda-feira (05/08), no Hotel Unique, em São Paulo. O Encontro segue até esta terça-feira (06/08).

O pré-sal é uma parte do subsolo localizada sob uma camada de sal nas profundezas do mar, com alto potencial de exploração de gás e óleo.

“Primeiro veio o desafio tecnológico, depois os regulatórios e, em seguida, a coordenação de políticas setoriais”, explicou Helder Queiroz Pinto Jr, diretor da ANP, apresentando uma linha do tempo do pré-sal.

Pinto Jr apresentou uma linha do tempo do pré-sal em debate no 14º Encontro de Energia. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Pinto Jr apresentou uma linha do tempo do pré-sal em debate sobre o assunto. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Nos últimos 15 anos, o mercado de energia passou por uma grande transformação, com ampliação do horizonte para exploração. Nessa mesma linha de análise, Helder mostrou a evolução financeira arrecada pela União por meio dos royalties de gás e óleo. Para se ter uma ideia, em 1998 foram arrecadados US$ 200 milhões, valor que saltou para US$ 30 bilhões no ano passado.

Uma nova era

O pré-sal colocou o Brasil no caminho da inovação desde o princípio. As técnicas de perfurações das estruturas, inclusive, foram os primeiros desafios a serem enfrentados com o uso de tecnologia. A avaliação é de  outro painelista do debate, Armando Guedes, conselheiro do IBP. Segundo ele, em dez anos o pré-sal será responsável por quase 50% da produção de óleo no Brasil.“Esse crescimento e a demanda internacional fará com que a nação busque ainda mais inovação, para, por exemplo, criar ilhas artificiais que facilitem o transporte do petróleo do fundo do mar para a costa”.

Segundo ele, o horizonte aponta para um futuro promissor.“A utilização do gás e petróleo como grandes geradores de energia ainda deve predominar até o final do século, quando outras formas – como a energia solar – começarão a conquistar seu espaço”.

Competitividade 

Para Arthur Ramos, sócio da Booz Company, que também participou do painel, “a inovação transformou o Brasil em posição de líder em águas profundas”.  Arthur acredita que a discussão sobre o pré-sal deve percorrer toda a cadeia produtiva e a competitividade deve ser o foco, uma vez que essa é uma indústria geradora de muita renda.

O empresário ressaltou a pertinência e importância do tema para a Fiesp, uma vez que esse mercado necessita de capacitação de recursos humanos e tecnologia. Ele também destacou, assim como seus companheiros de debate, que a indústria naval teve a oportunidade de renascer com o advento do pré-sal.