Segundo consultor, redução do desemprego contribui com o crescimento do varejo no Brasil

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Marcos Gouvêa de Souza: mais chances de sobrevivência para quem usar melhores instrumentos de operação e de gestão do negócio. Foto: Everton Amaro

A expansão do mercado de consumo no Brasil cria uma oportunidade e um desafio, segundo Marcos Gouvêa de Souza, sócio-presidente da GS&MD Consultoria.

Se de um lado o varejo apresenta taxas de crescimento acima do Produto Interno Bruto (PIB), de outro cresce a atração do interesse global pelo mercado brasileiro, com novos players.

“E o setor de varejo não é protegido da entrada de operadores internacionais, o que faz com que só os fortes sobrevivam, ou seja, aqueles que passem a usar os melhores instrumentos de operação e de gestão do negócio”, ressaltou o consultor ao participar do seminário A Indústria Frente à Necessidade e Conhecer seu Mercado, realizado nesta quinta-feira (18/10) na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Enquanto as estimativas apontam um crescimento ode PIB ao redor de 1,5% até o final do ano, o varejo brasileiro deve crescer bem mais. “Em termos reais, algo próximo a 8%, num intervalo que deve se situar em torno de 7% e 8,5% dependendo do que acontecer nos próximos meses”, afirmou Gouvêa de Souza.

Segundo o sócio-presidente da GS&MD Consultoria, a participação se divide entre os diversos segmentos de varejo, incluindo  supermercados, móveis, eletrodomésticos e materiais de construção.

“Ao longo de cada ano isso se altera porque os estímulos pontuais podem fazer com que haja ênfase maior em um ou outro segmento”, justificou, ao destacar os quatro fatores que determinam o comportamento do consumo: renda, emprego, crédito e confiança do consumidor.

“Se olharmos a história recente do Brasil, esses quatro pontos atuaram de forma muito positiva para uma evolução do consumo no país, vale dizer uma evolução do varejo”, lembrou Marcos Gouvêa de Souza. O primeiro fator é a redução do desemprego, a maior da história recente.

De acordo com o consultor, a renda média do trabalhador brasileiro – acumulada com este crescimento do emprego – fez aumentar a massa salarial e o aumento da oferta do crédito para pessoa física de 722% nesse período.

“Esse crescimento de confiança, aliado aos outros elementos, propiciou o consumo e fez com que o varejo brasileiro se posicionasse dentre os cinco maiores do mundo nos últimos anos, aproximando-se dos países emergentes como China e Índia”, apontou.

No entendimento de Marcos Gouvêa de Souza, a economia mundial se volta aos países emergentes – dentre eles o Brasil, que tem situação particularmente privilegiada. “É uma economia estável com população jovem, e a abertura por novo é muito grande. Estamos vivendo uma transformação que tem ajudado a expansão do mercado de consumo, com ascensão das classes mais baixas. Trouxe quem era cidadão para ser consumidor”, concluiu.