Brasil precisa de estratégia educacional para espírito empreendedor, diz professor da FGV

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Uma das grandes lições do pensamento do austríaco Joseph Schumpeter, economista da primeira metade do século 20, é que o estímulo à inovação deve ser cultivado desde a fase pré-escolar.

E o Brasil, na opinião do professor Marcos Fernandes, da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), precisa de uma mobilização para políticas educacionais que visem o empreendedorismo.

Fernandes foi um dos convidados da reunião desta sexta-feira (14/11) do Conselho Superior de Inovação (Conic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Para professor da FGV, espírito empreendedor deve ser estimulado desde cedo. Foto: Hélcio Nagamine/Fiesp

“Temos que ter política industrial, que é uma política de inovação, com transbordamento de conhecimento e de capital humano para o mercado. Precisamos também de uma estratégia educacional que desenvolva o espírito empreendedor”, opinou o docente. “Desafio para a indústria é se aproximar da universidade, completou.

Ao explicar o pensamento de Schumpeter, o professor disse que a economia evolui por ciclos e é instável por natureza. E que períodos de crise nem sempre são negativos – podem ser decorrentes de processos de inovação tecnológica, que destroem “tecnologias antigas, coisas e profissões”.

Na visão schumpeteriana, nas palavras do professor, o empreendedor – criador de soluções e tecnologias destruptivas – é uma “pessoa louca, inconvivivel, insuportável”, cujo objetivo final é prestigio, não poder.

“O empresário quer marcar seu nome através de grandes inovações, que são aquelas que criam grandes paradigmas. O empreendedor nada contra a corrente e ama a incerteza”, afirma.

Brasil-União Europeia

Outro convidado, Paulo Lopes, representante no Brasil da rede Euraxess, projeto que promove a mobilidade de pesquisadores na Europa, relembrou o evento “Brasil-União Europeia: Cooperação em Inovação Tecnológica”, realizado na Fiesp em maio deste ano.

O objetivo do encontro, segundo Lopes, foi buscar identificar formas para a melhoria do sistema brasileiro de inovação e entender como a cooperação com a Europa pode ajudar a evolução dos processos inovadores dentro das empresas, indústrias e unidades de ensino no país.

Na visão de Lopes, é preciso criar um ambiente e uma política de desenvolvimento de inovação, orientado pra a geração de conhecimento e inovação já nas fases iniciais da educação.

“Além disso, foi identificado a necessidade de aperfeiçoar os programas de inovação existentes, com diminuição de barreiras burocráticas. E incentivar a criação de programas de capacitação em empresas. E melhorar o ambiente de empreendedorismo e inovação das startups no Brasil”, avaliou.

Por sua vez, Venturi destacou o programa de inovação europeu Programa Innovation Union, iniciado em 2010. Segundo o conselheiro, o objetivo do projeto é “atacar” cinco pontos para 2020: emprego, pesquisa e inovação, clima e energia, educação e pobreza. “Consideramos a inovação um conceito horizontal, que envolve tecnologia e sociedade.”

O debate teve mediação de Roberto Paranhos do Rio Branco, vice-presidente do conselho.

Roberto Paranhos mediou o encontro desta sexta-feira (14/11) Foto: Hélcio Nagamine

Roberto Paranhos mediou o encontro desta sexta-feira (14/11) Foto: Hélcio Nagamine