Caminhos para um ‘ecossistema’ de inovação em SP são debatidos na Fiesp

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

O que precisa ser feito para que os investimentos em ciência, tecnologia e inovação no país sejam convertidos em aumento da produtividade e competitividade das indústrias?

Rio Branco: apoio do Ciesp à pesquisa nas empresas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Roberto Aluisio Paranhos Rio Branco, vice-presidente do Conic da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Essa reflexão esteve no centro dos debates da 71ª Reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O evento, realizado na manhã desta sexta-feira (05/09), contou com a presença do subsecretário de Ciência e Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Marcos Cintra, e do chefe da Divisão de Competitividade e Inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), José Miguel Benavente.

A importância do tema para o país foi destacada pelo vice-presidente do Conic, Roberto Aluísio Paranhos do Rio Branco. “Quando se fala de inovação e progresso tecnológico se fala de desenvolvimento econômico”, afirmou, relembrando que em 7 de outubro a Fiesp irá realizar outro evento para discutir as políticas públicas para ecossistemas regionais de inovação.

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Marcos Cintra, Subsecretário da Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo Foto: FGV/Divulgação

O subsecretário de Ciência e Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, Marcos Cintra, apresentou os eixos estratégicos da política paulista de Tecnologia e Inovação. O primeiro deles é o Conselho de Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo (Concite) que assessora o governador na definição das diretrizes de políticas de desenvolvimento cientifico e tecnológico do Estado. “O Concite é presidido pelo governador, mas é composto por secretários de estados, os reitores das universidades e também representantes do setor produtivo convidados pelo governador”.

Outro Conselho – o das Instituições de Pesquisas do Estado de São Paulo (Consip) – tem o desafio de reestruturar as várias instituições científicas e tecnológicas paulistas (as ICTESP’s), para ampliar sua eficiência e a até buscar a reformulação jurídica de tais instituições. Segundo Marcos Cintra, o objetivo principal é estimular o desenvolvimento de novos negócios a partir das pesquisas, tecnologias e inovações geradas.

O subsecretário também apresentou a extensa e diversificada rede voltada à inovação existente no estado de São Paulo. Ao todo, são 28 parques tecnológicos (o SPTec), uma rede de incubadoras de base tecnológica (RPITec), os centros de inovação e tecnologia e os núcleos de inovação tecnologia (NIT’s). “Esses últimos funcionam como escritórios, instalados dentro dos institutos, para apoiar a formulação de políticas para comercialização de transferências de tecnologia gerados nessas instituições”.

Integrar esses diferentes ambientes de pesquisa cientifica, tecnológica e inovativa num ambiente único é a missão do Sistema Paulista de Ambientes de Inovação (Spai). Esse eixo estratégico também tem por missão promover intercâmbios com iniciativa privada e organismos internacionais.

Propostas para o Plano Diretor

O último plano estratégico apresentado por Marcos Cintra foi o futuro Plano Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação. No encontro, o subsecretário distribuiu exemplares do folheto “Termo de Referência – Insumos para o Plano Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação”, documento para o qual ele espera receber contribuições dos empresários. Segundo ele, o governo hoje não sabe o que fazer todo o aparato que possui e, por isso, está sendo criado esse plano diretor. “Estamos propondo um Plano Diretor para 20 anos, mas que será reavaliado a cada três anos”.

Os empresários e conselheiros destacaram alguns pontos de atenção, como a necessidade de aumentar a velocidade das mudanças e de se melhorar a comunicação do que é feito e produzido nos centros de pesquisas. E também a importância de se ouvir as necessidades dos empresários e de se ampliar a sinergia com os núcleos de tecnologia já existentes.

Outro desafio citado pelos empresários foi a resistência das instituições às mudanças, dificultando e impedindo que o setor privado cumpra o que está na Constituição Federal que é de gerar e criar riquezas.

Marcos Cintra concordou com os obstáculos apresentados e afirmou: “A grande dificuldade não é quanto à falta de conhecimento dos instrumentos. O grande problema é a trajetória, pois tem gente jogando areia. É esse passado que precisamos mudar”.

Diagnóstico de Inovação na América Latina

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Jose MiguelBenavente, do BID. Foto: Divulgação

O chefe da Divisão de Competitividade e Inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), José Miguel Benavente, apresentou um breve diagnóstico sobre investimento de inovação nos países da América Latina e Caribe.

Segundo Benavente, nos últimos dez anos, houve crescimento em investimento em inovação por todos os países, sendo que Panamá e Peru foram os que registraram taxas de crescimento bastante acelerados em relação aos demais. Ele destacou também que é uma característica em vários países da região, incluindo o Brasil, com economias voltadas mais ao fornecimento de recursos naturais e commodities.

No ranking de Produtividade Total de Fatores (um dos índices avaliados pelo BID), o Brasil esteve em quarto lugar e o Chile em primeiro.

Benavente esclareceu que o fator “Inspiração”, que pode ser compreendido como ciência, tecnologia e inovação, é o item que aumenta o índice de Produtividade Total.

No mundo real, segundo ele, isso significa esforço e que é preciso refletir sobre a máxima. “Ciência e tecnologia não são hobbies de países ricos, e sim parte da explicação do por que esses países são ricos.”

Em seguida, Benavente concluiu o raciocínio. “O porquê desses países crescerem é resultado de esforço, e é um esforço que se vê depois, independente dos problemas políticos.”

O executivo do BID ressaltou ainda que inovação é um mecanismo de criação de valores, tanto privados como públicos. “A inovação prospera quando todo o sistema de inovação funciona, isto é, setor privado, público e o mundo científico. Deve-se haver interação.”

Especialistas debatem importância dos parques tecnológicos no Brasil

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Durante o seminário “São Paulo: cidade da inovação”, que aconteceu na manhã desta segunda-feira (21/10), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foi debatido o tema “Parques Tecnológicos e Incubadoras”.

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Marcos Cintra: mão de obra qualificada é a base da pirâmide da inovação. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

O subsecretário de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, Marcos Cintra, lembrou que, atualmente, o Brasil ocupa a sétima economia mundial e tem um “peso econômico muito significativo em todo o mundo”.

“O Estado de São Paulo tem uma participação notável dentro da economia brasileira e, embora corresponda apenas a 3% do território brasileiro, movimenta 22% do PIB [Produto Interno Bruto] do país”, destacou Cintra, ressaltando que São Paulo é um “diferenciado” em todos os sentidos, mas principalmente em investimento em pesquisa e desenvolvimento.

O subsecretário disse que a cidade de São Paulo é responsável por 12,5% do PIB do país, possui o maior mercado consumidor da América Latina e detém a mão de obra qualificada. “Mão de obra qualificada é a base da pirâmide da inovação e, por esses motivos, São Paulo está a frente dos outros estados no Brasil”, explicou.

O subsecretário destacou que o Estado de São Paulo detém 51% de toda produção de pesquisa tecnológica nacional, com 19 institutos de pesquisa, 28 iniciativas de parques tecnológicos e três universidades que realizam pesquisas científicas de notabilidade mundial.

Na opinião de Cintra, há uma desigualdade muito grande no campo do desenvolvimento da tecnologia de inovação nos estados brasileiros. “Há a necessidade de uma política de redistribuição desse setor, para que o país trabalhe em sinergia. A inteligência do ser humano não depende de infraestrutura e investimentos e pode existir em qualquer país e em qualquer região”, alertou.

Embora o Estado de São Paulo seja destaque nessa área, Cintra alertou para o fato de que ainda faltam diretrizes e programas. “O governo está reinstalando dois conselhos: o primeiro, para definir um plano diretor; e o segundo para reunir todos os institutos de pesquisa do estado”, explicou.

Cintra falou ainda do chamado “Pro-parque”, um projeto de incentivo fiscal para todas as empresas que investirem em parques tecnológicas, liberando os créditos acumulados de ICMS. “Esse é um instrumento muito poderoso e deve atrair as empresas para investirem nesse segmento.”

Ao concluir, o subsecretário afirmou que é papel do governo convencer a sociedade paulista de que a inovação é fundamental e que o investimento em ciência e tecnologia é o fomento para o crescimento do país. “Hoje, é o conhecimento que faz com que um país se distancie dos demais em termos de crescimento econômico.”

Investimento em inovação e tecnologia

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Roberto Astor Moschetta, diretor do Parque Tecnológico da PUC-RS. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

O diretor do Parque Tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), Roberto Astor Moschetta, explicou que a instituição optou por ser um centro de pesquisa de inovação.

“Optamos por ser um agente de desenvolvimento regional”, afirmou Moschetta ao destacar que, atualmente, a PUC-RS ocupa a segunda posição (entre as universidades privadas), no ranking das universidades que mais investem em inovação no país.

Moschetta informou que, antigamente, a universidade não realizava relações de contato espontânea com a comunidade empresarial. “Era preciso construir mecanismos para que isso acontecesse”, disse. Para melhorar essa relação, a PUC-RS criou a Agência de Gestão tecnológica. “Esse é o elo de aproximação do mundo acadêmico com o mundo empresarial.”

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Eduardo Cicconi, do Parque Tecnológico de Ribeirão Preto e da Fipase. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Eduardo Cicconi, gerente de Novos Negócios do Parque Tecnológico de Ribeirão Preto e da Fundação Instituto Pólo Avançado de Saúde (Fipase), apresentou o parque tecnológico da cidade, habitualmente conhecida como a capital do agronegócio e do chope. “Gostaríamos que Ribeirão Preto ficasse conhecida também como a capital da inovação”, afirmou.

“O nosso parque tecnológico é uma materialização da iniciativa privada e do poder público estadual e local e será inaugurado no final de 2013, com sede dentro do campus da Universidade de São Paulo (USP)”, afirmou.

Cicconi explicou que o polo educacional da região era focado quase que exclusivamente no setor de saúde, mas que hoje atuação é mais abrangente. “Temos oito unidades de ensino e pesquisa, com 25 cursos de graduação e mais de 38 programas de pós. O nosso objetivo é trabalhar de maneira mais organizada e incentivar a criação de novas empresas de parque tecnológico”, afirmou.

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Manuel Leonardo Neves Guimarães, diretor-executivo do Porto Digital. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

O diretor-executivo do Porto Digital, Manuel Leonardo Neves Guimarães, fez uma comparação entre Recife e São Paulo e ressaltou: “tudo em Recife é dez vezes menos do que é em São Paulo, mas o que a gente é capaz de construir é independente dos recursos que a gente tem”, afirmou ao explicar que o parque tecnológico está meio da cidade e não tem um campus próprio.

Guimarães ressaltou que o destaque de Pernambuco é que hoje, o estado conseguiu espalhar sua economia e não apenas concentrá-la na capital.

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Claudio Rodrigues, diretor-presidente do Cietec. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

O diretor-presidente do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), Claudio Rodrigues explicou que a instituição se envolve em inovação e empreendedorismo, no sentido de que a sua medida de valor é identificada no seu sucesso no mercado. “Seus agentes são empreendedores e seus produtos são empresas competitivas. Apoiamos a criação e fortalecimento de empresas, ajudando-as a se tornarem competitivas e aumentando a renda da região.”