Experiência do polo tecnológico de Austin, no Texas, é apresentada em Seminário

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Marcos Bravo, diretor do instituto de inovação IC², da Universidade do Texas. Foto: Divulgação

Dulce Moraes, Agência Indusnet

O Seminário Estratégias para a Inovação e Empreendedorismo, realizado nesta terça-feira (07/10) na Fiesp, contou com a palestra do pesquisador Marco Bravo, diretor do instituto de inovação IC², da Universidade do Texas. A palestra foi  transmitida por videoconferência, direto da cidade de Austin.

Marco Bravo explicou como a capital texana, Austin, se transformou em uma verdadeira “Tecnópolis”, com a concentração de grandes empresas de tecnologia.

Segundo o especialista, Austin está em uma condição econômica bastante favorável, muito diferente da década de 1980, quando dependia exclusivamente das atividades da Universidade e ajuda do governo e era conhecida como cidade provinciana e não muito avançada.

Contudo, nos últimos anos, a cidade viveu um boom econômico e está no topo da inovação e da criatividade. “Hoje há o registro de cerca de 3.600 patentes todos os anos”, afirmou o especialista.

Marco Bravo destacou que, diferentemente do Vale do Silício,  a prosperidade econômica vivida por Austin não aconteceu de forma natural. Ela foi planejada e induzida por vários planos. “Foram colocados todos os stakeholders trabalhando juntos, desde incubadoras, agentes de fomentos, universidades, governo”.

Um fato interessante sobre a capital do Texas, é que a influência criativa sempre esteve presente na cidade que viveu uma efervescência cultural nas décadas de 1960 e 1970. “Já na década de 1990, a cidade mudou o seu slogan para ‘capital mundial de produção musical’”.

De acordo com Bravo, a Universidade do Texas teve um papel fundamental para transformar a cidade no que é hoje. Além de formar pessoas e criar conhecimento, a Universidade tem o objetivo também de gerar riquezas. “Para cada dólar que o Estado investe na Universidade, através dos impostos dos cidadãos, ela [Universidade] retorna 21 dólares para a sociedade”.

Bravo também citou outra cidade norte-americana que viveu um boom econômico interessante, porém,  não teve o mesmo bom destino que Austin: Detroit.  Segundo ele, o motivo disso é que Austin teve um plano e uniu a universidade, governo e empresa para esse fim.

Para criar polos de inovação, como o de Austin ou do Vale do Silício, Marcos Bravo destacou dois ingredientes necessários. “Um deles é o que chamo de ‘hardware’ da sociedade, isto é, o talento das pessoas, a infraestrutura e as boas políticas. Naturalmente em São Paulo já se tem isso. O difícil é trabalhar o ‘software’ das pessoas, ou seja, a cultura das pessoas, a confiança e a forma como as pessoas conseguem trabalhar juntas. Se vocês conseguirem fazer com que a parte social funcione, tudo o mais acontece”.

Outras características importantes apontadas foram: a confiança entre as pessoas; a diversidade de áreas e de pessoas de diversas experiência; e a criação de talentos.

Em termos de política públicas, Marcos Bravo, destacou a necessidade de que os impostos e a burocracia sejam menores, e que o governo tenha uma visão progressista. Também ressaltou a necessidade de colaboração entre as instituições, dos processos de desenvolvimento e a cultura de risco. “Temos que nos concentrar em atitudes, trabalhar juntos e não ter medo de se arriscar”, afirmou.