Atividade industrial paulista cai 1,4% em março

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540027229A indústria de São Paulo registrou desempenho negativo de 1,4% na passagem de fevereiro para março, na leitura livre de influências sazonais, divulgaram a Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) nesta quinta-feira (30/04).

Na avaliação do diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Paulo Francini, apesar de negativo, o resultado de março incorporado ao desempenho do primeiro trimestre do ano sinaliza um pessimismo menor com relação ao setor. Segundo apurações do Depecon, a atividade industrial paulista melhorou 1,8% nos primeiros três meses de 2015 ante o quarto trimestre de 2014.

“Parou de piorar. Já começamos a ter alguma reação motivada pela alteração da taxa de câmbio, o que é positivo. Ainda olhando para um 2015 difícil, talvez a nossa previsão de 5% de queda da indústria de transformação de São Paulo não se verifique, ou seja atenuada”, afirma Francini.

A melhora da atividade industrial no primeiro trimestre do ano interrompeu uma sequência de dois trimestres consecutivos de queda do desempenho do setor.

Na comparação com o mês do ano anterior, a atividade industrial registrou melhora de 0,8%, na série sem o ajuste sazonal. Mas no acumulado de 12 meses, o INA caiu 5,1%, na leitura sem ajuste sazonal.

Todas as variáveis apuradas pelo indicador apresentaram queda na passagem de fevereiro para março, na série livre de efeitos sazonais. O componente Total de Vendas Reais se destacou com queda de 1,9% na comparação mensal, enquanto as Horas Trabalhadas na Produção recuaram 1,6%. E o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (NUCI) perdeu 0,1 ponto percentual passando de 78,9% para 78,8% em março.


 

Setores em março

A indústria automobilística continua entre os destaques negativos do INA. Em março, o segmento apresentou queda de 6,5% da atividade, pressionado pela diminuição de 6,6% no Total de Horas Trabalhadas na Produção.

O setor químico registrou baixa de 3,1% no mês. O resultado do setor foi influenciado principalmente pela retração de 3,2% da variável Horas Trabalhadas na Produção.

A indústria de móveis também registrou queda na atividade em março, de 2,5%, com relação a fevereiro. A variável Total de Vendas Reais exerceu a principal influência negativa com baixa de 5,9%.

Percepção

A percepção geral dos empresários diante do cenário econômico, medida pelo Sensor Fiesp, melhorou 3,2 pontos para 49,2 pontos em abril ante 46,0 pontos em março, na leitura com ajuste sazonal.

O componente Mercado também apresentou alta, de 44,3 pontos em março para 47,5 pontos no mês corrente. Enquanto o item Vendas manteve-se estável a 50,6 pontos em abril contra 49,3 pontos em março.

A variável Estoque melhorou para 46,8 pontos em abril ante 44,3 pontos no mês anterior.  E a percepção quanto ao Emprego também melhorou para 48,7 pontos contra 43,7 pontos em março.


De acordo com o levantamento, a percepção quanto ao componente Investimento ficou estável a 51,3 pontos contra 50,5 pontos em março.

Resultados do Sensor em torno dos 50 pontos indicam percepção de estabilidade do cenário econômico. Abaixo dos 50,0 pontos, o Sensor sinaliza queda da atividade industrial para o mês, acima desse nível, expansão da atividade.

No caso da variável estoque, leituras superiores a 50,0 pontos indicam estoque abaixo do desejável, ao passo que inferiores a 50,0 pontos indicam sobrestoque.

“Houve defasagem entre implementação e marco legal do setor de transporte no Brasil”

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

O economista Eduardo Augusto Guimarães, em encontro do Grupo de Estudos de Direito Concorrencial da Fiesp/Ciesp

O economista Eduardo Augusto Guimarães, em encontro do Grupo de Estudos de Direito Concorrencial da Fiesp/Ciesp

Em infraestrutura, o setor que mais contribui com o custo Brasil é o de transporte. E há razão histórica para isso, de acordo com o engenheiro civil e economista Eduardo Augusto Guimarães: o modelo baseado no investimento público e estatal esgotou-se e levou a uma transição para maior participação da iniciativa privada.

“Houve defasagem entre implementação e marco legal”, avaliou Guimarães, ao participar na última quinta-feira (10) do encontro do Grupo de Estudos de Direito Concorrencial da Fiesp/Ciesp, que debateu a Concorrência e Regulação em Transporte, no Brasil.

Guimarães, que já atuou como secretário do Tesouro Nacional e publicou diversos trabalhos sobre o assunto, apontou problemas que vão da lentidão e deficiência em termos de gestão à politização das agências reguladoras e ineficiência do Ministério dos Transportes e da Secretaria Especial dos Portos.

Segundo ele, o setor rodoviário apresenta menos problemas no campo regulatório, mas não se pode dizer o mesmo quanto à malha ferroviária e aos portos. O setor ferroviário, exemplificou o economista, necessita de interconexão entre redes, formação de corredores de transportes e direitos de passagem, mas há trechos não explorados e outros que foram abandonados.

De acordo com Guimarães, o marco regulatório é insuficiente para ampliação e melhoria da malha já concedida e de novos trechos. Uma opção, indicou, seria voltar um pouco aos modelos estatais.

O especialista destacou um ponto sensível na legislação atual: foram estabelecidas metas de produção, volume mínimo a ser transportado por trecho, em um período de cinco anos. “Isto poderá provocar movimento de devolução de trechos não utilizados por parte das concessionárias”, alertou.

Engenheiro civil, com doutorado em Economia pela University of London, Eduardo Augusto Guimarães presidiu a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/ IBGE (1985-1988 e 1990-1992), o Banespa (1999-2000) e também o Banco do Brasil (2001-2003).