‘Se algum empreendedor disser que só tem sucesso, algo está errado’, afirma diretor de Projetos da Universidade do Texas na Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Empresas startups são aventuras que podem ou não dar certo. Mas, mesmo diante do risco, desde que as falhas do projeto sejam assimiladas pelo empreendedor, o processo de criação é produtivo, avaliou o diretor de projetos do IC2 Institute da Universidade do Texas em Austin, nos Estados Unidos, Marco Ricardo Bravo da Silva.  Para ele, insucessos em novos negócios geram “cicatrizes” que são valorizadas no exterior.

“Tive muitos insucessos. E se algum empreendedor disser que só tem sucesso, algo está errado porque essa não é a realidade de 99% das pessoas”, afirmou Bravo da Silva, ao falar nesta sexta-feira (23/08) para membros do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) “Temos que mostrar que aprendemos com os erros”.

Bravo Silva: aprendizado com os erros. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Bravo da Silva: lição do aprendizado com os erros aplicada às empresas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Startups podem ser desde pequenas empresas em seu período inicial, organizações com custos de manutenção baixos, mas que consegue crescer rápido, até um grupo de pessoas à procura de inovação e tecnologia em um negócio.

Em visita à São Paulo, o engenheiro industrial se colocou à disposição do Conic para trocar informações e experiências sobre inovação com os membros do conselho. “O diálogo enriquece muito nossa experiência. Estou aqui para conversar, ajudar e aprender também. Espero de uma forma muito modesta poder ajudar naquilo que for capaz”, afirmou.

Uma nova cultura

Em sua avaliação, o Brasil e o mundo precisam de uma nova cultura no que diz respeito a startups: a participação efetiva de seu idealizador. Esse aprendizado, no entanto, não acontece “de um dia para o outro”, afirma Bravo da Silva. “Fazer incubadoras, isso não é difícil. O que é difícil é criar a cultura, a atitude de acompanhar de perto os processos, ir a mercado levantar capital”, alertou.

Outra cultura que precisa ser modificada, segundo Bravo, é a limitação da atuação do profissional à área em que ele se especializou. “Em Portugal temos muito a cultura de a pessoa que tem um curso trabalhar sempre naquela área, mas o mundo está mudando”, disse. “É importante ter uma formação de base, mas é preciso sair da zona de conforto, ir onde estão as oportunidades”, explicou.

Segundo Bravo, Portugal registrou um aumento de 20% de patentes internacionais aprovadas, um crescimento de 132% de novas empresas em universidades portuguesas em três anos, que resultou em uma alta de 28% do emprego no ano.

Reindustrialização

Para o presidente do Conic, Rodrigo Rocha Loures, manter diálogos e troca de experiências sobre startups com o exterior deve ser uma estratégia obrigatória para que a indústria brasileira finalmente inicie seu ciclo de recuperação.

Loures: mais informações sobre as startups. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Loures: mais informações sobre as startups para ajudar as empresas brasileiras. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

“A reindustrialização do país passa por uma geração de empreendedores, requer uma agenda bastante complexa e abrangente, mas, com toda certeza, uma das estratégias obrigatórias está relacionada com as startups”, afirmou Loures.