Mercado voluntário de carbono surge de debate sobre mudanças climáticas

Agência Indusnet Fiesp

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Marco Fujihara, diretor da Key Associados. Foto: Vitor Salgado

Hoje as discussões sobre as mudanças climáticas não integram apenas a agenda do meio ambiente, mas englobam também a comercial. O alerta foi feito pelo consultor Marco A. Fujihara, diretor da Key Associados, durante debate sobre mudanças climáticas do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na última terça-feira (27).

A Fiesp não só debate as questões climáticas em Comitê próprio, como tomou a frente para o estabelecimento de regras próprias para o mercado voluntário de carbono, ainda não estabelecidas, em parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

O Brasil é baixo emissor de carbono, líder em Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL), aposta em energias renováveis e tem oportunidades ampliadas quando o assunto é mercado voluntário.

Para o consultor, a necessidade de se criar esse tipo de mercado – também conhecido como mercado balcão – surge “em função das deficiências do Sistema Nações Unidas, que se mostrou absolutamente deficiente e burocrático em termos de gestão do negócio que pudesse ser regulado a partir dos requisitos do Protocolo de Kyoto”.

O mercado voluntário, que vem crescendo muito, não precisa da aprovação do governo e de registro junto a Comitê Executivo. Mas, é preciso ter reputação para se entrar nele. De 2006 para 2007, saiu da cifra de US$ 58 milhões para US$ 258 milhões.

Há vários modelos internacionais estabelecidos, especialmente por parte de ONGs, como a WWF. Fujihara alerta que para atuar no Brasil é preciso seguir os normativos de algum país do Norte.

O ISO 14064 é o único standard reconhecido globalmente. “O estabelecimento de padrões para o mercado voluntário de carbono pela ABNT faz frente aos que as ONGs impõem. É preciso um padrão brasileiro, independente do já existente”, explica.

O que motiva os compradores desse mercado, além do gerenciamento de impactos ambientais, são os projetos – de silvicultura e energias renováveis, por exemplo -, em geral de pequena escala, que contribuem com comunidades carentes.

Os interessados são, em sua maioria, empresas localizadas na Europa e nos Estados Unidos, inclusive a Fundação Bill Gates, operando no Brasil com diversos projetos. O mercado também atrai ONGs, governos e indivíduos que entendem esse negócio como investimento.

Um dos mercados voluntários mais eficientes é o Chicago Climate Exchange (CCX), baseado no meio oeste norte-americano, trabalhando fortemente com a redução de emissões voluntárias por parte das corporações americanas. Na América Latina, o mercado voluntário de carbono ainda é tímido, mas o maior participante é o Brasil.