Atletas do Sesi-SP conquistam seis ouros no Open Paralímpico de São Paulo

Lucas Dantas, Agência Indusnet Fiesp

Os atletas paralímpicos do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) participaram neste fim de semana (25 e 26/4) do Open Caixa Loterias, em São Paulo, de onde saíram com 14 medalhas no total, sendo seis de ouro, cinco de prata e três de bronze.

Logo no início do último dia, dobradinha do Sesi-SP no pódio, com Maira Xavier e Ana Claudia em primeira e segunda, respectivamente, no arremesso de peso F34. Maira, jogou o peso a 4m27, apenas sete centímetros a mais que sua companheira, mas o suficiente para ficar em primeiro lugar e com a medalha de ouro.

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Maira Xavier garante o ouro no arremesso de peso. Foto: Lucas Dantas/Fiesp


No salto em distância, Renato Cruz pulou 5m32 para ficar na segunda colocação na categoria T44. Já no arremesso de disco, Marco Aurélio, o Marcão, não deu chances aos rivais, alcançando 45m12, bem à frente do segundo colocado, o também brasileiro Lucio Mauro (31m70), e conquistando mais um ouro para o Sesi-SP. Mais cedo, na mesma modalidade, mas na categoria F11, Luciano dos Santos também arremessou muito bem para garantir a prata, com 30m45.

Mas o melhor ficou para o final. Verônica Hipólito conseguiu sua melhor marca nos 400m livres (01m04s37) e bateu o recorde das Américas na modalidade T37/T38, o que lhe valeu também a liderança no ranking mundial dos 400, além da quinta colocação geral do Open Caixa, e mais uma vaga para o Para-Pan de Toronto e o Mundial de Doha. A convocação definitiva sai nesta quinta-feira (30/4).

Atletas olímpicos e técnicos do vôlei participam de evento sobre a Pedagogia do Exemplo

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Dedicação, garra, perseverança, espírito de equipe, responsabilidade, disciplina. São todos valores relacionados com o esporte e, com base neles, o Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) criou a Pedagogia do Exemplo. Por meio dela, atletas de alto rendimento vestem a camisa do Sesi-SP e se transformam em modelo para as crianças e jovens.

No evento de lançamento, duas palestras reforçaram a importância da Pedagogia do Exemplo. No bate-papo olímpico, mediado pelo gestor do vôlei do Sesi-SP e medalhista olímpico em 1984, José Montanaro Junior, quatro atletas do Sesi-SP que já participaram de Jogos Olímpicos falaram sobre suas experiências no esporte e na vida.

O primeiro conselho veio do próprio Montanaro, que defendeu a seleção brasileira em 304 jogos. “Quando a gente ama aquilo que faz, a gente não desiste, a gente corre atrás. A sorte é muito subjetiva. Mas quando você se dedica, você consegue se capacitar e buscar uma oportunidade e vai encontrar”, declarou. “Não desista nunca. Vá atrás dos seus sonhos.”

Ex-aluno do Sesi-SP de Descalvado, sua cidade natal, o triatleta Reinaldo Colucci, contou que seu primeiro esporte foi a natação. Mesmo não tendo bons resultados, ele continuou praticando, até ser convidado para participar de uma prova que juntava natação e corrida. Na prova de natação, ele não se saiu muito bem, mas quando passou para a corrida, superou todos os competidores e acabou em primeiro.

Depois dessa prova, ele não parou mais. Com 18 anos venceu a primeira prova na categoria elite e aos 22 participou da primeira Olimpíada. “Representar uma nação em um evento tão grandioso foi a realização de um sonho. Quando você veste o uniforme e vê, no meio de um monte de bandeiras, um torcedor brasileiro com a bandeira do Brasil, é um orgulho muito grande”, disse.

“Melhor ainda é poder estar hoje transmitindo as experiências positivas que o esporte trouxe para minha vida aos jovens.”

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Os olímpicos (da esquerda para direita): Colucci, Marcão, Montanaro, Murilo e Tony Azevedo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Do Atletismo Paralímpico, Marco Aurélio, conhecido como Marcão, falou sobre a mudança de trajetória que ele teve que fazer depois de perder uma perna em um acidente de moto.

“Sempre soube que o esporte ia me abrir oportunidades. Por meio dele, me formei em dois cursos universitários, fui a diversos países. Daqui a um mês, vou pra Tunísia e poderei dizer que já competi em todos os continentes do mundo”, contou ele, que disputou a Paralímpiada de Pequim, em 2008. “Meu objetivo era aproveitar tudo que o esporte podia me oferecer, principalmente a educação, por meio das bolsas de estudos.”

Nascido no Brasil, Tony Azevedo foi muito cedo para os Estados Unidos. E foi lá que ele começou a praticar polo aquático. “Lembro dos Jogos Olímpicos de 1996, vi a final do polo aquático entre Croácia e Espanha e, quando a Espanha venceu, eu disse para o meu pai que eu queria jogar uma Olimpíada. Ele me ajudou muito e disse que eu tinha que começar com objetivos pequenos e ir conquistando até chegar ao maior.”

E Tony chegou. Em 2000, foi o atleta mais jovem de polo aquático a chegar em uma Olimpíada. Ele participou de mais três Jogos Olímpicos. “Espero jogar minha quinta olimpíada no Rio de Janeiro”, afirmou.

Irmão mais novo de Gustavo, outro grande jogador de vôlei, Murilo contou que, desde cedo, eles sempre foram incentivados no esporte pelos pais e pelos tios. “Tudo que eu conquistei foi uma consequência do que eu comecei quando eu era criança. Quando eu assisti a geração de 92 ganhando uma medalha olímpica e tive o sonho de vestir a camisa da seleção brasileira de vôlei”, lembrou Murilo, que já disputou duas olimpíadas e ainda busca a medalha de ouro.

“Daqui a 10 anos talvez vocês sejam os profissionais que estejam sentados aqui, falando sobre a carreira de vocês”, disse Murilo para as crianças. “Querendo ser um profissional do esporte ou não, a atividade física é fundamental para que a gente seja uma pessoa saudável e um cidadão de valor.”


Técnicos

A segunda palestra do dia juntou no palco dois técnicos campeões: Talmo de Oliveira, da equipe feminina, e Marcos Pacheco, da equipe masculina, ambos do Sesi-SP. Com o tema “Em busca do sonho”, eles lembraram o caminho que os levou à posição que ocupam hoje.

“Meu sonho era participar de uma seleção, como jogador de vôlei. Mas não deu, tive minhas limitações, minha realidade”, contou Pacheco. “Hoje eu sei que os sonhos podem ser alcançados de maneira diferente. Mesmo não sendo um grande atleta, tenho a oportunidade de estar aqui hoje, como técnico, convivendo com jogadores de alta qualidade.”

O técnico da equipe masculina do Sesi-SP também comentou a felicidade por trabalhar pela entidade. “Quantos clubes tem essa gama de modalidades, de atletas, de possibilidades? Quantos sonhos e quantos exemplos as crianças e jovens do Sesi-SP têm estando em um lugar como esse?”

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Pacheco (à esq.) e Talmo: em busca dos sonhos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Já Talmo fez parte da equipe olímpica que conquistou a medalha de ouro em 1992, mas também compartilhou as dificuldades que atravessou nessa trajetória. “Só nós sabemos o quão difícil é ser a gente mesmo.”

Depois de muitas tentativas de tentar ser jogador profissional, Talmo, aos 19 anos, pensou em desistir e chegou a se inscrever para trabalhar na mesma empresa em que o pai dele trabalhava. “Foi quando meu pai me chamou e perguntou: ‘filho, qual é o seu sonho?’. Eu olhei pra ele e falei que meu sonho era ser jogador de vôlei”, lembrou.

“Ele me disse, então, para lembrar sempre de duas coisas: fazer sempre o meu melhor e nunca passar por cima de ninguém. ‘Se você fizer essas duas coisas eu tenho certeza que você vai conquistar seus sonhos’. Foi ali que eu comecei minha caminhada”, contou Talmo, emocionado, que aproveitou para deixar um recado aos pais.

“Muitas vezes queremos que nossos filhos sejam perfeitos. Mas nem sempre plantamos essa sementinha, para que eles sejam o que desejamos”, aconselhou. “Faça sempre o melhor para o seu filho, queira sempre o melhor para ele.”