Comissão especial começa criar norma para mercado voluntário

Agência Indusnet Fiesp

Sob o número 146, foi constituída nesta quarta-feira (7), na sede da Fiesp, a Comissão de Estudo Especial de Mercado Voluntário de Carbono pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

“Hoje temos um mercado incipiente, regulado por padrões internacionais”, explicou o especialista em Mudanças Climáticas e consultor da Fiesp, Marco Antonio Fujihara. Daí a necessidade de se criar regras adaptadas à realidade do País para compradores e vendedores do mercado de carbono. “Mercados bons são aqueles regulados”, defendeu o especialista.

Nomeado coordenador da Comissão, Fujihara informou que o grupo se reunirá duas vezes por mês até finalizar o processo de criação da norma que irá reger o mercado voluntário.

O segundo vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, reforçou que o setor privado brasileiro está consciente das transformações que as mudanças climáticas estão provocando no panorama global. “Por isso a Fiesp, em conjunto com a ABNT, está tomando a inédita iniciativa de criar normas para regulação do mercado voluntário de carbono”, justificou.

Ele acredita que a criação de uma norma voltada para a estruturação de um mercado de carbono interno pode trazer inúmeros benefícios ao País. “Existe uma tendência de que indústrias e empresas de grande e médio portes sigam normas credenciadas e certificadas pela ABNT, pois entende-se que estas estão trazendo credibilidade para as corporações”, completou.

Norma

Maurício Prado Alves, da ABNT e membro do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp (Cosema), acredita que a norma deverá estar pronta em um ano. Segundo ele, o trâmite precisa envolver distintos setores da sociedade.

“Este é um daqueles assuntos que desafiam o mundo empresarial, e a criação da norma é importante para ordenar o mercado voluntário. Temos consciência de que podemos participar desta nova economia de baixo carbono”, defendeu.

Na bolsa

Coincidindo com a criação da Comissão, a BM&FBovespa realiza nesta quinta-feira (8) o primeiro leilão de créditos de carbono do mercado voluntário, ainda com normas internacionais.

O gerente de produtos ambientais da bolsa, Guilherme Fagundes, lembrou que este será um ano interessante para o País e ressaltou que “a criação de norma brasileira será muito significativa para o mercado”.

Ele acredita que a Comissão poderá atuar como plataforma de discussão das partes relacionadas ao tema. “Hoje temos muitas iniciativas que não se conversam, e a Comissão será esta ponte”, explicou.

Representando o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o secretário de Tecnologia Industrial, Francelino Gandro, destacou que “o desenvolvimento no Brasil tem quer ser sustentável”.

Para o coordenador da Secretaria de Energia e Saneamento do Estado de São Paulo, Jean Negri, a iniciativa da Fiesp e da ABNT vai ao encontro do que o Estado está fazendo no que se refere à Política Estadual de Mudanças Climáticas.