“Mudar é complicado, mas se acomodar é perecer”, diz Mario Sergio Cortella no encerramento do Congresso da Micro e Pequena Indústria

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Mudança é processo, a única coisa permanente da vida”. A necessidade de acompanhar as mudanças do mundo, cada vez mais aceleradas, esteve no centro do debate que encerrou o 11º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), no Hotel Renaissance, em São Paulo, na tarde desta segunda-feira (23/05). A discussão foi conduzida pelo filósofo e escritor Mario Sergio Cortella, sendo coordenada pelo diretor titular adjunto do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp Marco Antonio dos Reis.

Para Cortella, é preciso lembrar de uma das mais famosas reflexões do filósofo Heráclito: “Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio, pois na segunda vez o rio já não é o mesmo, nem tão pouco o homem”. “Mudar é complicado, mas se acomodar é perecer”, disse. “Não há perigo maior do que a acomodação”.

E isso mesmo em tempos de crise. “É na crise que você vê quem é bom. Para nadar rio abaixo é só soltar o corpo”, afirmou.

Em se tratando de iniciativa, da necessidade de buscar diferenciais em todas as situações, Cortella explicou que a trilha sonora mais perigosa a ter como referência hoje é o samba Deixa a Vida me Levar, de Zeca Pagodinho. “É preciso seguir Geraldo Vandré quando ele canta que ‘quem sabe faz a hora, não espera acontecer’, na música Para não dizer que não falei das flores”, disse. “Esse é o princípio do empreender”.

Sobre sorte e coragem

Dentro desse espírito de atitude diante da vida e dos negócios, o filósofo citou uma reflexão dos romanos sobre sorte e coragem. “Eles diziam que a sorte segue a coragem”, disse. “E lembrando que coragem não é a ausência de medo, mas a capacidade de enfrentá-lo”.

Por isso mesmo, Cortella diz se sentir mais seguro, ao entrar num avião, de ouvir do piloto que ele teme pela segurança do voo, o que seria um sinal de maior cuidado e dedicação. Foi o caso de uma viagem aérea recente, saindo de São Paulo para Minas Gerais, atrasada em uma hora e meia por conta de um problema na aeronave. “O comandante pediu desculpas a todos e disse que, se aquele avião tivesse alguma falha grave, seria o primeiro a sair dali”, disse. “Ele tinha medo, mas também tinha coragem para lidar com a situação”, contou. “É assim que um líder age na hora da crise, põe a cara”.

Seria o medo, também, um impulso para que oportunidades não sejam perdidas. “Para não perder uma oportunidade, é preciso ter medo de perdê-la”, destacou. “É a coragem que nos leva a não perder a oportunidade”.

A armadilha do possível

Ao encerrar a sua participação no MPI, Cortella lembrou aos empreendedores que “a coisa mais perigosa num mundo de mudança é cair na armadilha da ‘síndrome do possível’”. “É o mecânico que diz que vai fazer o possível para consertar o carro, o médico que diz que vai fazer o possível pelo paciente e assim por diante”, disse. “A gente tem que ter mais iniciativa, agir como os americanos que dizem ‘I will do my best’ ou vou fazer o meu melhor”, afirmou. “Não é uma simples diferença de idioma: nas nossas atividades, nós estamos fazendo o possível ou o melhor?”, questionou. “A gente tem que fazer o melhor, nas condições que tem, não pode se contentar com o possível”.

Mario Sergio Cortella no encerramento do 11º Congresso MPI. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Empresas preparadas para gerir gases de efeito estufa terão vantagens competitivas, afirma diretor da Fiesp em seminário

Ariett Gouveia e Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Foi realizado nesta quarta-feira (04/09), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o seminário “Gestão dos gases de efeito estufa: um novo mercado para pequenas e médias empresas”.  O encontro foi mediado por Mario Hirose, diretor da divisão de Mudanças Climáticas do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da instituição.

 

Hirose abriu o seminário realizado na Fiesp

Hirose abriu o seminário realizado na Fiesp. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Durante seu discurso, Hirose ressaltou a importância do tema.  “A Fiesp  sabe que questões relacionadas à gestão dos gases de efeito estufa são de extrema importância para a competitividade de um novo mercado que está surgindo”, afirmou.

Segundo Hirose, já em 2014 muitas empresas vão exigir a contabilização dos efeitos dos gases estufa por parte de empresas fornecedoras. “Sendo assim, as empresas preparadas para essa demanda serão diferenciadas e terão vantagens competitivas”.

De acordo com o diretor do departamento, países como China e Estados Unidos começam, nesse momento, a dar mais atenção a esse tema, que “está muito próxima de toda a cadeia produtiva da indústria”.

Para ele, todas as cadeias produtivas precisam estar preparadas para o novo mercado que está nascendo. “A gestão do gás é uma das ações estratégicas das grandes empresas. Entretanto, sua implantação e difusão é ainda um desafio para as empresas de menor porte”, afirmou.

Hirose falou também sobre as ações realizadas DMA/Fiesp. “Preparar os empresários e empresas para uma atuação melhor na questão ambiental é um dos focos. A questão ambiental é uma questão de sobrevivência e competitividade para algumas empresas”.

Ao participar do seminário, Marco Antonio dos Reis, diretor titular adjunto do Departamento de Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp, explicou a atuação do departamento.

“Noventa e nove por cento  das indústrias, das 100 mil que existem no Estado de São Paulo, são pequenas e médias. Trabalhamos para representar esse setor tão importante da economia. Capacitamos empresas e sindicatos. Realizamos salas de crédito e, anualmente, fazemos o Congresso das Pequenas e Médias Indústrias, que acontece dia 10 de outubro”, disse.

Em seguida, Júlio Jemio, consultor do projeto da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) de fomento e gestão dos gases de efeito estufa, explicou o funcionamento do projeto. “O projeto do ABNT/BID visa conscientizar as pequenas e micro empresas sobre a importância da gestão consciente dos gases de efeito estufa.”

Jemio: projeto do ABNT/BID visa conscientizar pequenas e micro empresas. Foto: Julia Moraes.

Jemio: projeto do ABNT/BID visa conscientizar pequenas e micro empresas. Foto: Julia Moraes.

 

Jemio detalhou objetivos da empreitada: “preparar a ABNT para ser o primeiro organismo para a validação e verificação de gases de efeito estufas na indústria brasileira, disseminar informações e conhecimentos do projeto e, por fim, desenvolver a implantação do Programa de Gestão dos Gases do Efeito Estufa em pequena e média empresa”.

No fechamento do encontro, Stefan Jacques David, consultor de sustentabilidade e meio ambiente da Abividro e gerente de negócios da MGM Innova, trouxe um pouco da sua experiência nas duas instituições para alertar os empresários sobre a necessidade de “fazer a lição de casa” com relação às emissões de carbono. “Muitos disseram que as mudanças climáticas eram balela, interesses de determinado país, mas isso é passado, ficou para trás. Não se discute mais isso, é irreversível. A questão, agora, é como se preparar para o cenário regulatório e para a competição internacional, em que o carbono já faz parte”, declarou.

“Se eu quiser me preparar para o futuro, eu preciso aprender a gerenciar as emissões de carbono. Não adianta só pensar em eficiência energética e melhoria de processos. Se não trabalhar na gestão do carbono, provavelmente, vai ter problemas”, concluiu.