Não vamos propor racionamento, diz ministro Edison Lobão sobre consumo de energia

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O setor de energia elétrica deve receber investimentos de até R$ 260 bilhões até 2022, sendo 77% do aporte destinado à geração e 23% para transmissão. Além disso, há projetos de expansão da oferta que devem garantir um volume de 6 a 8 mil megawatts, dos quais 2,8 mil megawatts já entraram em operação nos primeiros meses do ano. Esses e outros fatores devem tranquilizar a sociedade e o setor produtivo do país sobre um possível racionamento de energia, segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.

“A situação de 2001 [quando houve um racionamento] não se repetirá porque a situação do sistema elétrico é totalmente diferente do daquela época”, disse Lobão.

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Ministro Edison Lobão: país desfruta das condições necessárias para o seu completo abastecimento energético. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Segundo ele, o sistema elétrico sofreu uma expansão de 60% em 11 anos. “Nós temos segurança de que não haverá problema no setor elétrico porque estamos investindo maciçamente nele”, acrescentou, ao participar na noite desta segunda-feira (12/05) de uma reunião com empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em encontro conduzido pelo presidente da entidade, Paulo Skaf.

Lobão afirmou que, graças ao planejamento e aos investimentos nos últimos anos, o país desfruta das condições necessárias para o seu completo abastecimento energético. Ele comentou ainda a crise de abastecimento da água em Paulo e os baixos níveis no Sistema Cantareira. “Decorre um pouco da falta de investimento.”

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Márcio Zimmermann, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia: abastecimento de energia “está garantido até 2015". Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O ministro tem liderado um grupo de técnicos do governo para conter os temores de diversos setores sobre um possível racionamento. Integrante desse comitê, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, disse logo após reunião com empresários na Fiesp que o abastecimento de energia “está garantido até 2015”.

Lobão afirmou que embora tenha enfrentado uma “prova de fogo” no começo do ano, o sistema elétrico “não se abalou”.

“No sudeste as condições não foram favoráveis. A falta de chuva comprometeu o abastecimento de água potável em São Paulo. Nem por isso o sistema se abalou”, garantiu Lobão. “Agora, todo consumidor que quiser evitar desperdício, terá meu aplauso, mas nós não vamos propor uma racionalização.”

Estrutura

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, também integra o comitê do governo. Na reunião com empresários na Fiesp, ele reconheceu que o sistema elétrico nunca enfrentou uma situação como a enfrentada em janeiro e fevereiro deste ano. “Mas por que não estamos apavorados? Porque temos uma situação estrutural completamente diferente.”

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Maurício Tolmasquim, presidente da EPE: participação de todas as térmicas subiu para 29% na matriz energética brasileira. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Segundo Tolmasquim, a evolução do consumo de energia até 2001 crescia 7% a mais que a capacidade instalada. A partir deste período, a capacidade passou a crescer mais de 40% em relação ao consumo.

Ainda de acordo com ele, a participação de todas as térmicas, inclusive as de bagaço da cana, subiu de 16% para 29% na matriz energética brasileira.

“Se somarmos aos 2% de participação da eólica, estamos falando de 31% que complementam a [fonte] hidrelétrica”, explicou.

A expansão de transmissão de energia no país também mais que dobrou desde 2001. Na ocasião, a região sul, por exemplo, poderia demandar 2.600 megawatts do sudeste do país. Agora, a demanda pode chegar a 5.800 megawatts, acrescentou Tolmasquim.

“Temos muita tranquilidade para dizer que hoje temos um equilíbrio estrutural entre oferta e demanda. Conseguiremos passar por esse ano conjunturalmente difícil”, garantiu Tolmasquim.

O diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Carlos Cavalcanti, também participou da reunião. “Não é nessa casa que vocês vão encontrar o arrefecimento da tese de que hidrelétricas devem continuar sendo a principal fonte de energia elétrica do país”, alertou Cavalcanti, sem deixar de manifestar apoio a diversas observações do ministro e dos integrantes do comitê.

Durante a Rio+20, em 2012, a Fiesp e o Sistema Firjan divulgaram posicionamento em que defendem o amplo aproveitamento dos recursos hídricos disponíveis no mundo, “considerando seu baixíssimo nível de emissão de GEE, asseguradas as ações de compensação ambiental e social”.

Brasil precisa de energia para sustentar crescimento, diz Skaf

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Paulo Skaf, presidente da Fiesp, durante entrevista coletiva: 'Tendo crescimento, Brasil precisa de energia.' Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Em entrevista coletiva logo após a solenidade de abertura do 14º Encontro Internacional de Energia, no final da manhã desta segunda-feira (05/08), o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, comentou a afirmação do secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, feita durante o evento, de que o país precisa dobrar a capacidade energética pelos próximos 15 anos.

“É claro que se não houver crescimento, as necessidades são menores. Mas o Brasil não pode aceitar uma situação sem crescimento. Todos os anos são quatro milhões de jovens que entram no mercado de trabalho”, afirmou o presidente da Fiesp e do Ciesp.

Skaf disse que o Brasil deve “pegar o ritmo” de crescimento ao longo desses 15 anos e “tendo crescimento, precisa de energia”.

Em seu discurso de abertura, o diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Carlos Cavalcanti, afirmou que a federação defende hidrelétricas com reservatórios entre as alternativas de expansão da oferta de energia elétrica, já que é a única fonte que combina segurança, preço módico, baixa emissão de gases de efeito estufa, além de ser uma matriz cujo Brasil domina a tecnologia.

“A Fiesp coloca essa discussão. E se alguém nos convencer de que outra alternativa seja melhor para o interesse do Brasil, podemos até mudar nossa posição. Mas acho ser bem difícil”, afirmou Skaf.

Papel das hidrelétricas no desenvolvimento econômico em destaque na conferência de abertura do 14º Encontro de Energia da Fiesp

Isabela Barros,Agência Indusnet Fiesp

O papel das hidrelétricas como fator de desenvolvimento social e econômico do Brasil esteve no centro das discussões da conferência de abertura do 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O debate teve como tema “A importância das hidrelétricas para um Brasil Competitivo”. O evento começou nesta segunda-feira (05/08), no Hotel Unique, na capital paulista, e segue até esta terça-feira (06/08).

Sob a coordenação da embaixadora Maria Celina de Azevedo Rodrigues, a diretora-titular-adjunta do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra), a conferência teve como participantes o secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia, Márcio Zimmermann, o presidente do Conselho Mundial da Água (WWC) e o professor da UFRJ Jerson Kelman.

Em sua apresentação, Márcio Zimmermann destacou que, num país como o Brasil, com áreas desenvolvidas e outras não, as hidrelétricas podem estimular o crescimento social e econômico. “Os municípios com hidrelétricas apresentaram Índice de Desenvolvimento Humano (IDH ) acima dos outros da região”, disse.

Zimmermann defendeu que esses sistemas de geração de energia elétrica são “imprescindíveis para países em desenvolvimento”. “Uma hidrelétrica é feita hoje e vai durar, com poucos investimentos, centenas de anos”, disse. O secretário-executivo do Ministério das Minas e Energia explicou ainda que as usinas com reservatórios não são “achismos”, mas projetos feitos com “engenharia por trás”.

“A grande discussão a respeito da energia elétrica no Brasil é aquela em que a sociedade, cada vez mais, começar a cobrar a respeito do uso múltiplos da água”, afirmou. “São pontos importantes para o país pensar”.

Em defesa da segurança hídrica

Segundo debatedor da conferência, Benedito Braga destacou a importância do conceito de segurança hídrica num cenário em que ainda existem 1,8 bilhão de pessoas sem acesso à água potável no mundo. E mais 1,3 bilhão que não usam eletricidade. “O desenvolvimento econômico e social é essencial para garantir um meio ambiente favorável para o trabalho e a vida”, disse.

Braga: uso do "capital ambiental" de forma menos "impactante". Foto: Everton Amaro/Fiesp

Braga: uso do "capital ambiental" de forma menos "impactante" é desafio. Foto: Everton Amaro/Fiesp


De acordo com o presidente do Conselho Mundial da Água (WWC), os capitais “ambiental, econômico, humano e social” devem conviver em equilíbrio nos países. “O desafio é usar o capital ambiental de forma menos impactante”, explicou.

Dessa forma, a chamada segurança hídrica existiria sempre que todos os habitantes de determinada nação tivessem acesso à água em quantidades suficientes. “Existe uma correlação entre infraestrutura hídrica e crescimento econômico”, afirmou Braga.

Para ele, a água e sua gestão devem fazer parte da agenda política mundial. “O tema da água é essencialmente de natureza política”.

Veja a apresentação completa de Braga.

Rigor nos licenciamentos

De acordo com o terceiro debatedor da conferência, Jerson Kelman, o licenciamento ambiental de novas usinas tem ocorrido “em doses homeopáticas”. “O rigor ambiental nos licenciamentos tem provocado um paradoxo ambiental”, explicou. “É burocraticamente mais simples produzir energia elétrica queimando derivados de petróleo ou carvão, que contribuem para o efeito estufa, do que usando água”.

Kelman: “Não dá para dizer apenas que não pode”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Kelman foi um dos três debatedores: “Não dá para dizer apenas que não pode”. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Assim, para Kelman, é preciso “priorizar os interesses da maioria”. “Não dá para dizer apenas que não pode”, colocou. “É preciso dizer o que pode também”.

Diante desse quadro, segundo o professor, não haveria outro caminho que não o “diálogo baseado no conhecimento e na boa fé”.

Para conferir a apresentação de Kelman na íntegra, só clicar aqui.

Discussão sobre hidrelétricas não pode ser ‘manipulada por aspectos ideológicos’, diz Zimmermann

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Marcio Zimmermann, secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A Alemanha utilizou 100% de seus recursos hídricos para gerar energia, enquanto a França usou 80% e os Estados Unidos (EUA), 60%. E todos os demais países desenvolvidos exploraram o seu potencial hidrelétrico. No caso do Brasil, a discussão sobre o aumento da capacidade instalada deve preceder o debate sobre eficiência energética, afirmou o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann.

“É uma discussão que não pode ser simplesmente manipulada por aspectos ideológicos, até externos aos interesses da sociedade brasileira”, afirmou o secretário ao participar do 14º Encontro Internacional da Energia, realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Em seu discurso de abertura do encontro, o secretário afirmou que reservas de gás não convencional no país, sobretudo no Paraná, devem assumir um papel energético importante apesar de sua dificuldade de extração. Mas ele ponderou que ainda é preciso responder a demandas de um país em desenvolvimento.

“Eu tenho demandas a responder típicas de um país em desenvolvimento. Em 15 anos vamos dobrar a necessidade de energia elétrica no país. Sabemos que dobrar significa fazer tudo o que fizemos desde o início da energia elétrica do Brasil até hoje” afirmou Zimmermann.

Segundo o secretário, o Brasil tem um consumo per capta de até 2.400 KW/H por ano.

“Não é difícil entender por que vale a pena e por que o setor elétrico brasileiro foi um dos setores elétricos mundiais que mais recebeu investimento estrangeiro nos últimos anos”, completou.