Desenvolvimento e inclusão em debate no lançamento do Prêmio ODM Brasil, nesta terça-feira (02/07), na Fiesp

Alice Assunção, Ariett Gouveia  Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O lançamento da 5ª Edição do Prêmio ODM Brasil – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, realizado na sede da Federação das Indústrias do estado de São Paulo (Fiesp), na manhã desta terça-feira (02/07), promoveu uma série de debates a respeito do desenvolvimento social no Brasil e no mundo. O evento contou com a presença de autoridades do governo estadual e federal, além de representantes da sociedade civil. A Fiesp foi representada pelo presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da entidade (Conic), Rodrigo Rocha Loures, que também é secretário executivo do Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade.

Para abrir os trabalhos, o secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou, por meio de uma gravação, que os municípios envolvidos com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, oito metas definidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) para solucionar os principais problemas da humanidade, foram responsáveis pela inclusão econômica, social e política de 40 milhões de brasileiros nos últimos anos.  “Vocês fazem parte dessa grande vitória que tivemos que é o resgate de mais 40 milhões de brasileiros de uma vida de exclusão”, disse.

Carvalho apresentou um balanço do programa de desafios humanitários a serem cumpridos até 2015 e convidou representantes de cidades a inscreverem projetos de inclusão social na iniciativa da ONU.

Loures fez a abertura oficial do lançamento e Seminário da 5ª Edição do Prêmio ODM Brasil. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Loures fez a abertura oficial do lançamento da 5ª Edição do Prêmio ODM Brasil. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

A abertura oficial do lançamento em São Paulo foi feita pelo secretário executivo do Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade, e presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp (Conic), Rodrigo Rocha Loures.

Capacitação profissional

Para mostrar um exemplo de prática premiada, foi apresentado o programa de reabilitação profissional realizado pela Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência (Avape), que recebeu o prêmio ODM em 2007. O gerente de capacitação e inclusão da entidade, Marcelo Vitoriano, falou sobre os resultados do programa.

A Avape começou a trabalhar na capacitação de jovens com deficiência em 1994, época em que ainda não havia uma grande abertura do mercado de trabalho para essas pessoas. Mas de acordo com Vitoriano, havia também uma falta de preparo das pessoas atendidas, não só com relação à capacitação profissional, mas também de habilidades sociais, importantes no ambiente de trabalho.

Com uma equipe formada por profissionais de serviço social, psicólogos e orientadores profissionais, monitores de oficina, médicos e auxiliares administrativos, a Avape chega a atender cerca de 300 pessoas nesse programa, em todas as suas unidades no país. “Se somarmos o trabalho realizado desde a criação da Avape até hoje, foram cerca de 23 mil pessoas encaminhadas ao mercado de trabalho.”

Brasil, China e Índia

Para completar o debate, o coordenador-residente do sistema ONU no Brasil, Jorge Chediek, falou sobre a diminuição, pela metade, da extrema pobreza no mundo nos últimos 20 anos. A informação é do relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre os avanços dos Objetivos do Milênio, divulgado na segunda-feira (1/07). A meta do programa global foi atingida antes do prazo, 2015, e o Brasil, a China e a Índia se destacaram no cumprimento desse objetivo.

“Países como a China, a Índia e o Brasil ajudaram muito a atingir os objetivos a nível global”, afirmou Chediek.  Segundo o Relatório Objetivos de Desenvolvimento do Milênio 2013, a pobreza extrema no mundo diminuiu de 47% em 1990 para 22% em 2010, o equivalente a 700 milhões de pessoas a menos em condições de extrema miséria.

Compromisso mundial

Em 2000, Organização das Nações Unidas (ONU), depois de analisar os maiores problemas mundiais, estabeleceu oito Objetivos do Milênio – os ODM, que devem ser atingidos por todos os países até 2015. O compromisso foi firmado por 189 nações, entre elas o Brasil. E também foi alvo das discussões durante o seminário de lançamento da 5ª edição do Prêmio ODM Brasil.

Com muitas metas cumpridas, o Brasil é considerado um exemplo na redução da pobreza e da desigualdade social. O presidente da Fundação Perseu Abramo, Márcio Pochmann, acredita que um dos motivos do êxito brasileiro é a cooperação e o envolvimento dos municípios. “Nosso país é singular na construção de políticas públicas em que o município tem um papel soberano, do ponto de vista da construção do seu orçamento e de várias outras ações”, disse Pochmann.

Depois de falar sobre a história e as regras do Prêmio ODM, Geraldo Magela da Trindade, secretário-geral adjunto da Presidência da República, falou sobre iniciativas exemplares no campo social que encontrou pelo Brasil. “No Espírito Santo, em Vargem Alta, o prefeito encontrou um indicador de 22 mortes de crianças para cada mil nascidos vivos. Inconformado, desenvolveu políticas públicas e reduziu as mortes para quatro. Muitas vidas foram salvas”, destacou. “Em Ubiratã, no Paraná, o prefeito tem técnicos para planejar economicamente o município, mas para o desenvolvimento social ele integrou secretários de todas as áreas e envolveu a sociedade, avaliando o que cada um podia fazer para melhorar seus índices.”

Para falar dos objetivos do milênio no estado de São Paulo, Maria Helena Guimarães de Castro, diretora executiva da Fundação Seade, apresentou as estatísticas sobre os 645 municípios paulistas em duas ODMs: erradicação da extrema pobreza, da fome e redução da mortalidade infantil.

A diretora falou também sobre os índices desenvolvidos pela Fundação Seade: o Índice Paulista de Responsabilidade Social (IPRS) e o Índice Paulista de Vulnerabilidade Social (IPVS). “Esses indicadores foram criados em 2001, muito inspirados pelas metas do milênio. Eles nos ajudam a ter um monitoramento próximo aos municípios e às políticas do estado de São Paulo, para ver onde é preciso investir mais fortemente e as áreas de intervenção prioritárias.”

Em nome da solidariedade

Loures: desenvolvimento passa pela solidariedade. Foto:Helcio Nagamine/Fiesp

Loures: desenvolvimento passa pela solidariedade e pela soma de ações. Foto:Helcio Nagamine/Fiesp

Ao encerrar as atividades do lançamento da 5ª Edição do Prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), o presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Fiesp, Rodrigo da Rocha Loures, falou sobre o trabalho do Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade, no qual é secretário executivo.

“É um movimento que visa facilitar o processo de desenvolvimento da organização social, cujo norte é o alcance dos Objetivos do Milênio, uma agenda transparente e global. A solidariedade é o que anima esse movimento. É a soma de ações assim que faz a diferença”, disse.

Ganhadora do Prêmio ODM, Avape tem programa de reabilitação profissional para pessoas com deficiência

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Para mostrar um exemplo de prática premiada, foi apresentado, durante o seminário de lançamento da 5ª Edição do Prêmio ODM Brasil, na manhã desta terça-feira (02/07), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o programa de reabilitação profissional realizado pela Associação para Valorização de Pessoas com Deficiência (Avape), que recebeu o prêmio ODM em 2007. Na ocasião, o gerente de capacitação e inclusão da entidade, Marcelo Vitoriano, falou sobre os resultados do programa premiado.

A Avape começou a trabalhar na capacitação de jovens com deficiência em 1994, época em que ainda não havia uma grande abertura do mercado de trabalho para essas pessoas. Mas de acordo com Vitoriano, havia também uma falta de preparo das pessoas atendidas, não só com relação à capacitação profissional, mas também de habilidades sociais, importantes no ambiente de trabalho.

Vitoriano: abertura de mercado de trabalho para pessoas com deficiência. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Vitoriano: abertura de mercado de trabalho para pessoas com deficiência. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

“O grande diferencial do nosso programa é que ele faz a ponte entre o mundo doméstico e o mundo do trabalho, cada vez mais exigente e competitivo”, explica o gerente. “Temos três objetivos: desenvolver competências para o início ou retorno a vida profissional, trabalhar com habilidades pessoais e sociais e incluir essas pessoas em alternativas de trabalho.”

Com uma equipe formada por profissionais de serviço social, psicólogos e orientadores profissionais, monitores de oficina, médicos e auxiliares administrativos, a Avape chega a atender cerca de 300 pessoas nesse programa, em todas as suas unidades no País. “Se somarmos o trabalho realizado desde a criação da Avape até hoje, foram cerca de 23 mil pessoas encaminhadas ao mercado de trabalho.”

Para Vitoriano, o prêmio ODM é motivo de orgulho para a instituição, que busca cumprir seu papel para melhorar os índices sociais do País. “Para que a gente melhore nosso IDH e tenha um Brasil melhor, precisamos de todos os atores. E as ONGs têm papel fundamental no atendimento das populações vulneráveis.”