Capacitação dos empreendedores são fatores para crescimento de empresas

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

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Wilson Nobre Filho, da FGV-SP, moderou painel. Foto: Everton Amaro/Fiesp

As experiências de ecossistemas regionais de empreendedorismo de alto impacto foram debatidas no seminário “Estratégias para a Inovação e Empreendedorismo”, realizado nesta terça-feira (07/10) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O painel foi moderado pelo professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV-SP), Wilson Nobre Filho, e teve rápidas apresentações de empreendedores e profissionais ligados ao tema.

Um deles foi o diretor de operações do programa Startup Brasil, do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação (MCTI), Felipe Matos, que afirmou para quem, nos últimos anos, houve melhora no ambiente para investimento e financiamento das empresas startups. Contudo, observou Matos, há ainda a necessidade de formar empreendedores capazes de enfrentar esses desafios.

Matos informou que 62% dos entrevistados em uma pesquisa da Endeavor afirmaram ter o sonho de abrir um negócio, porém não têm nenhum contato com um ambiente de empreendedorismo e as ferramentas necessárias para isso.

Outro fator importante – além de educação, cultura e investimento – é o ambiente regulatório, item em que o Brasil evoluiu pouco, segundo ele.  “O sistema tributário é complicado e há falta de incentivos para empreendedores de alto impacto e de base tecnológica. Esse é um ponto onde o Brasil está mais atrasado.”

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Milton Mori, diretor executivo da Inova Unicamp: polo tem três empresas que podem ser consideradas de classe mundial. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O diretor executivo da Inova Unicamp, agência de inovação da Universidade de Campinas, Milton Mori, apresentou um panorama da atual situação da agência. “Existem hoje 240 empresas filhas, gerando 11 mil empregos e 1,5 bilhão de reais por ano. Dessas empresas, três podem ser consideradas de classe mundial.

Segundo Mori, essas “empresas filhas” foram criadas tanto por alunos, ex-alunos ou profissionais da Unicamp, e atendem a várias áreas de negócios, desde Tecnologia da Informação, Consultorias, Alimentos, E-commerce, Fashion design, entre outros.

Ele citou ainda exemplos de empresas incubadas na Unicamp bem sucedidas, como a Griaule Biometrics, que fechou contrato para implementar a biometria no sistema eleitoral brasileiro.

Mori também citou os obstáculos encontrados para alavancar as empresas incubadas: marco regulatório, “pesada carga de impostos” e burocracia. Outras dificuldades são: a falta de especialistas de negócios e marketing nas empresas incubadas e encontrar investidores. “Nos Estados Unidos, o investidor acompanha e ajuda as empresas incubadas nessa área de marketing para viabilizar o negócio”, comentou.

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Patrícia Leal Gestic, diretora de Propriedade Intelectual da agência Inova Unicamp: importância do setor privado. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A diretora de Propriedade Intelectual da agência Inova Unicamp, Patrícia Leal Gestic, ressaltou a importância de transparência da política de propriedade intelectual das universidades para atrair parceiras. “A universidade que não encontra o parceiro privado dificilmente vai conseguir encontrar um ponto para mostrar sua inovação”, afirmou.

Patrícia explicou o trabalho realizado pela Unicamp junto às empresas em incubadoras. “Antes de a incubada começar a trabalhar, a gente a ajuda a se situar sobre sua marca ou inovação. A universidade entende que deve dar suporte e compartilhar dos riscos e dos ganhos de forma a retroalimentar o sistema.”

Experiências dos empreendedores

O consultor e professor do Instituto de Ensino Superior e Pesquisa Insper, Marcelo Nakagawa, falou de sua experiência em relação ao estímulo de novos empreendedores. “Hoje, minha preocupação é menos no “start” e mais no “up”, afirmou sobre a melhora das oportunidades de negócios.

O consultor comentou ter sido procurado pelo Bradesco, que estava interessado em criar um programa voltado com as aceleradoras de empresas. “Daí nasceu o programa Inova-Bra, para oferecer o ‘up’ para as ‘starts’, ou seja, vai oferecer mercado para essas empresas”, explicou.

Uma das ideias é o uso de aplicativos de serviços de táxis não só para as empresas, mas para seus clientes. “Vamos acertar e errar muita coisa, mas o interessante é que o banco está preparado também para o risco de errar.  E o banco está usando a Lei do Bem para esse projeto”, destacou.

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Cassio Spina, fundador da Anjos do Brasil: “Procure mentores, conselheiros. Ache pessoas experientes que vão agregar valor e ajuda com você como empreendedor.” Foto: Everton Amaro/Fiesp

Cassio Spina, fundador da Anjos do Brasil, falou de sua experiência como empreendedor. “O que que deu certo não foi o que eu imaginei, mas foi aquilo que alguém me pediu. Hoje eu me assusto quando alguém vem me apresentar uma ideia genial.”

Com sua própria experiência, Spina aconselhou os novos empreendedores. “Todos os negócios que deram me impulso foram quando eu vi que podia atender uma necessidade de alguém. Portanto, não reinvente a roda, olhe ao seu lado que vocês vão encontrar.”

Ele também destacou a importância da capacitação. “Empreender é uma experiência prática, mas se não buscar a informação e conhecimento, não dá certo. Procure mentores, conselheiros. Ache pessoas experientes que vão agregar valor e ajuda com você como empreendedor.”

A diretora executiva e sócia fundadora da Gentros Biotecnologia, Taíla Andrade, concordou com a importância da capacitação dos empreendedores. “Startup não precisa de dinheiro. A gente precisa de conhecimento.”

Segundo a executiva, a Gentros Biotecnologia está desenvolvendo três vacinas veterinárias, que, em breve, poderão ser comercializadas.

Ela também enfatizou a importância de pensar de forma global.  “A troca de experiência foi que fez com que a minha empresa desse certo.”

Taíla comentou que em visita ao México foi questionada sobre o porquê de o Brasil não ter uma política de colaboração entre as startups ou até entre os países da América Latina. “Acho que tem que ter governança em todas as áreas, deve haver transparência, conhecimento, monitoria, e criar proximidade de startup com o mercado e comportamento empreendedor”, destacou.  “O Brasil vai crescer quando o país criar inovação de alto valor agregado”, afirmou.

Durante o painel também foram ouvidas as experiências e opiniões de Felipe Baeta, co-fundador da Ofélia Bebidas; Fernando Reinach, gestor do Fundo Pitanga; João Barion Neto, cofundador da Sabora (sal sem sódio); Pierre Ziade, cofundador da Eco-X Usina de Reciclagem de RCD; Fernando Reinach, gestor do Fundo Pitanga; e Antonio Carlos Teixeira Alvares, professor da FGV-EAESP, presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Estamparia de Metais (Siniem) e CEO da Brasilata.

‘Poucos realmente inovam’, afirma professor do Insper em painel do VIII Congresso da Micro e Pequena Indústria

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

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Marcelo Nakagawa, professor e coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper. Foto: Renan Felix/Fiesp

O painel “Inove e não dependa do desconto para vender”, parte da agenda do VIII Congresso da Micro e Pequena Indústria, realizado quinta-feira (10/10), no Hotel Renaissance, em São Paulo, contou com a participação de Marcelo Nakagawa, professor e coordenador do Centro de Empreendimento do Insper.

O Congresso é uma iniciativa do Departamento de Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Segundo Nakagawa, a ideia da inovação está sendo mais debatida do que nunca. “Empresas só evoluem através da inovação. Hoje ela é fundamental, devido à alta competitividade e os custos altos”.

Para ele, a inovação deve ser vista como uma vantagem competitiva. Entretanto, segundo Nakagawa, poucas empresas realmente são inovadoras.  “Existe uma confusão quando falamos de inovação”, explica.

O que é inovação?

“Muitos falam de inovação. Mas, de verdade, poucas empresas são inovadoras”.  A razão principal para isso, segundo Nakagawa, é a falta de disciplina. “O problema é saber o que de fato é inovação”.

Nakagawa explica que, para uma corporação, é preciso “haver inovação na estratégia da empresa, inserida em um contexto corporativo”. “Inovação na captação de recursos, dentro de um contexto nacional, e na inovação jurídica, no contexto legal”, explicou.

De acordo com o acadêmico, o principal aspecto da inovação é que ela tem que se tornar prática, ser implantada. Nesse sentido, a inovação transformacional, por exemplo, é a criação de um produto que não existia e cria um mercado totalmente novo.

“Precisamos saber por que queremos inovar. Qual o interesse real do esforço? Tem que ser mensurado, imaginado dentro de um processo maior”, completou.

Melhorias de processos e produtos

Nakagawa chamou a atenção para uma importante característica da inovação: a cópia. Para ele, qualquer processo inovador, passou, em algum momento, pela observação de produtos ou serviços já entregues.

“Alguns afirmam que todas as inovações foram copiadas, curiosamente. As empresas não têm que ver a cópia como algo negativo. Isso faz parte do processo evolutivo. Mas não copie de pessoas ou empresas próximas”, alertou.

Buscar situações distantes, disse, pode ser benéfico para as corporações. “A Apple fez isso durante muito tempo e hoje tem uma capacidade criativa imensa”, opinou.

Caminho para a superação de obstáculos

O encontro foi mediado por Carlos Bittencourt, diretor do Dempi na Fiesp.

“Existem formas de sobreviver diante da alta tributação e da dificuldade de gestão. Precisamos de inovação para superar todas essas barreiras”, afirmou. “Pensar na sobrevivência de uma empresa é pensar em inovação e buscar a excelência”, disse.

Inova Senai

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Ricardo Terra, diretor técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Foto: Renan Felix/Fiesp

Participou também do painel Ricardo Terra, diretor técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP). Ele falou sobre os movimentos voltados para inovação dentro da instituição, ressaltando o papel do programa Inova Senai, de estímulo a projetos inovadores dentro das escolas  e centros da rede.

“O Inova Senai promove o pensamento da inovação. Para entrar no campo da inovação, precisamos saber gerir, dando atenção ao aporte de recursos e à propriedade intelectual”, afirmou Terra.

No Senai-SP, explicou ele, “olha-se para o mundo e procura-se entender como a inovação está sendo organizada, sabendo que é importante trabalhar a formação de um empreendedor tecnológico”.

“Além disso, nossa infraestrutura foi modificada para apoiar o processo de inovação junto às indústrias e para investirmos em pessoas que se dedicam exclusivamente ao nosso modelamento inovador”, concluiu.

Marcos Cintra, sub-secretário de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento do Governo do Estado de São Paulo, e Eugenia Regina de Melo, superintendente nacional de Micro e Pequeno Empreendedorismo da Caixa Econômica Federal, também participaram do painel.

Milton Luiz de Melo Santos, presidente da Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP), fechou o debate. “Para competitividade, precisa de produtividade e isso passa pela ação dos inovadores e daqueles que pensam na inovação e no aprimoramento de produtos e serviços”, disse.