Cultura é investimento nas pessoas, afirma Skaf após reunião com o ministro da área

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira (10/6), depois de reunião com o ministro da Cultura, Marcelo Calero, e com artistas e empresários da área, o presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, destacou a importância dada ao setor pela indústria paulista. Cultura é investimento nas pessoas, disse Skaf, e também é expressiva na geração de empregos e de riqueza.

A indústria, com o Sesi-SP e o Senai-SP, cumpre a missão de investir nas pessoas, lembrou Skaf, que também preside as duas instituições. Destacou que há mais de 1 milhão de matrículas no ensino regular e no profissional nas escolas do Sesi-SP e do Senai-SP.

Skaf ressaltou também o papel da indústria na cultura, com programas de música, cinema e teatro do Sesi-SP, que gratuitamente oferece espetáculos por todo o Estado de São Paulo. E há projetos como Fiesp/Sesi Domingo na Paulista e a Galeria de Arte Digital SESI-SP, instalada na fachada da sede da Fiesp, que ajudam a democratizar a cultura.

Sobre a Lei Rouanet, Skaf disse que será positivo se for possível aprimorá-la. No mundo inteiro há estímulo à cultura, lembrou. Se houver irregularidades, é o caso de corrigi-las, não derrubar tudo, declarou.

O ministro Marcelo Calero tem opinião semelhante. Disse que é preciso fazer ajustes na Lei Rouanet e que é importante debater o tema. “Não podemos demonizar esse mecanismo”, afirmou, lembrando que ele é a base do financiamento da cultura no Brasil, com mais de 3.000 projetos. “Não podemos tratar a Lei Rouanet como a Geni da vez.”

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Calero agradeceu a Skaf pela oportunidade de discutir na casa da indústria diversos temas ligados a sua pasta. Calero disse que o ministério foi prestigiado e conseguiu aporte extra de recursos. Há compromisso muito claro de Temer, afirmou, de priorizar a cultura em seu governo.

Momento econômico

Na entrevista, Skaf também comentou a situação da economia brasileira. A sensação após o afastamento da presidente, disse, é de que a economia já parou de cair. “Hoje creio que a queda do PIB ficará em 2% a 3%” em 2016, disse, em vez dos 5% antes previstos.

O presidente da Fiesp e do Ciesp citou os cinco pontos de curto prazo propostos por líderes empresariais para ajudar a recuperar a confiança, o que levaria à retomada do investimento e do consumo. São o não aumento de impostos, a redução dos juros, o destravamento do crédito, o desengessamento dos investimentos em infraestrutura e o estímulo à exportação. A resposta é rápida a partir do momento em que for percebida a virada, afirmou.

Skaf mencionou a ida a Brasília, para encontro com o presidente interino, Michel Temer, de 200 líderes de múltiplos setores, para expor essas medidas emergenciais e para destacar a necessidade de separar o trilho da política do trilho da economia, porque “o povo brasileiro não pode ficar marginalizado nessa história”. Nossa sensação é que há uma oportunidade para a retomada da economia, afirmou. “Estou no trilho da economia”, disse, para explicar por que não comentaria política. “Esta crise política é verdadeira e tem que ser resolvida, mas tem seu próprio tempo e não podemos esperar por ela.”

Não ao aumento de impostos

Skaf destacou o fato de o governo não ter aumentado impostos. “Não há hipótese nenhuma de aceitarmos nenhum aumento de impostos”, frisou. “Nossa posição não mudou”, disse, lembrando que a campanha do pato, contra o aumento de impostos, continua. “A sociedade já mostrou diversas vezes que é forte o bastante para derrubar propostas de aumento de impostos. E vou estar lá para apoiar.”

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À esquerda de Paulo Skaf, o ministro da Cultura, Marcelo Calero, que se reuniu com empresários do setor na sede da Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp