‘Professores’, Serginho e Marcelinho lideram jovem time do Sesi-SP

Lucas Dantas, Agência Indusnet Fiesp

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Equipe prestigia o ponteiro Composto (camisa 6). Foto: Lucas Dantas/Fiesp

Sem poder contar com atletas como Lucão, Lucarelli e Murilo, todos a serviço da Seleção Brasileira que vai disputar o Mundial de Vôlei, o técnico Marcos Pacheco, comandante da equipe masculina de vôlei do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), está recorrendo a jogadores muito jovens em posições-chave nesse começo de temporada.

Foi o que aconteceu no sábado (16/08), na vitória por 3 sets a 1 sobre o Santo André, na estreia pelo Campeonato Paulista. Na maior parte do jogo entraram em quadra o central Aracaju (21 anos) e o ponteiro Composto (19), e a equipe teve ainda o levantador Thiaguinho (21) e o oposto Rafael Araújo (23), na inversão. Um grupo bem jovem e com a responsabilidade de vestir a camisa do atual tricampeão paulista.

Para efeito de comparação, Eduardo Matheus, o Composto, tinha apenas 10 anos quando o líbero Serginho ganhou a medalha de ouro olímpica em Atenas-2004. E foi o próprio Serginho o primeiro a dar apoio e cumprimentar o jogador após um erro de recepção do ponteiro  na partida diante do Santo André.

Serginho, 38 anos, e o levantador e também medalhista olímpico Marcelinho, 39, são os  “professores” que guiam os garotos nesse início de temporada, muitas vezes com conselhos e palavras que ajudam a conter a ansiedade e a prepará-los para a dureza dos campeonatos.

“Eles estão passando por um processo normal de aprendizado. Eu passei por isso, todo mundo passa. O Aracaju era juvenil no ano passado. Esse ano já está no adulto. O Fabio também, o Douglas, Alisson, todos estão aprendendo ainda. Não tem como tirar a ansiedade deles. Isso eles não vão perder. Eu e o Marcelo precisamos ajudar˜, resume Serginho.

“Eu falo que eles precisam aproveitar a chance. Depois que acabar o Mundial da Seleção, os principais vão voltar e aí serão só 12 na quadra. Eles entram e jogam bem, têm que aproveitar, e a gente ajuda, passa calma. Mas a ansiedade sempre vai existir”, prossegue Serginho, que também lembra que as mudanças técnicas no esporte facilitam para os jovens hoje em dia.

“Eu comecei como ponteiro passador e tinha muita gente para me ajudar, mas era uma geração muito forte. O voleibol era muito diferente, de muito mais força física mesmo, o saque era mais forte. Hoje é muito saque flutuado, é diferente, os caras erram um saque e já começam a flutuar, com medo de errar de novo. Perdeu a força”, completa o líbero.


Marcelinho: transmitir tranquilidade

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Aracaju (camisa 5) recebe palavras de incentivo do experiente Marcelinho. Foto: Lucas Dantas/Fiesp

O outro “mestre” da equipe, o capitão do time Marcelinho, também ressalta a idade dos companheiros e lembra que sua experiência em jogos mais difíceis é fundamental para passar tranquilidade para o elenco.

“É um grupo muito jovem mesmo. Mas eu também já fui jovem, como eles são. Eu acho que esse Campeonato Paulista é muito importante para eles vivenciarem esses momentos difíceis, essa ansiedade de sacar num 24/24 e saber o que fazer sem errar”, afirma o levantador.

“Eu e o Serginho já passamos por momentos tensos, os mais tensos possíveis. Então a gente acalma. Eu tenho que escolher o cara para quem vou levantar. Se tem um jogador num momento ruim, eu não vou dar a bola pra ele. E o Escada, no fundo, tem que cobrir o cara que ele sente mais inseguro também. Tem que dar força o tempo todo. Para nós é sensacional também. Ter a jovialidade deles nos motiva. E tenho certeza de que lá no futuro eles vão agradecer pelo que estão passando.”

Tal como seu companheiro na medalha de prata em Pequim, Marcelinho também acredita que hoje está mais “fácil” para os garotos e que a concorrência não é tão cruel quanto no seu início.

“Eu não tinha um Marcelinho do jeito que eu sou não. Naquela época era mais rígido, mais duro, mais quartel mesmo. Hoje é bem diferente. Na minha época eu tinha que ir na marra, o nível era muito alto, o mais velho queria te pegar, senão a gente tomava o lugar dele. Hoje tem muito mais conversa e paciência. Eles têm sorte de ser assim”, diz o levantador que, com a seleção brasileira, subiu ao lugar mais alto do pódio nos mundiais de 2002 e 2006.

Quem agradece muito os conselhos do levantador é Leandro Aracaju. O meio de rede de 21 anos teve o saque do jogo no último sábado e antes de soltar o braço, ouviu longos conselhos do capitão sobre como e onde deveria mandar a bola. Seguiu a dica e o time fechou a partida com vitória logo em seguida. Aracaju comemora a oportunidade de jogar com os “mestres” e aproveita para agarrar a chance, já que o central Lucão volta em questão de semanas.

“A experiência deles em quadra ajuda muito. Eles são calejados, dão toques, dicas e assim fica tudo muito mais fácil. Eu não esperava esse entrosamento tão bom com o Marcelinho no início da temporada. A gente conversa muito, eu vi alguns vídeos dele e estamos treinando para melhorar ainda mais. Mas ele já achou minha bola e isso é ótimo. Eu jogo para agarrar a oportunidade com as duas mãos, fazer o melhor possível, para quando o Lucão voltar, eu ficar ali no banco para ajudar. Tenho que dar o meu máximo agora”.

Pelo Campeonato Paulista, o Sesi-SP volta à quadra na próxima sexta-feira (22/08), contra o Rio Claro, às 19h, no Sesi-SP de Piracicaba.