Natação do Sesi-SP faz balanço do projeto e apresenta metas ambiciosas

Agência Indusnet Fiesp

A natação de alto rendimento chegou ao Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) em janeiro de 2009. E, desde então, colecionou títulos estaduais e nacionais em diversas categorias – da base até a absoluta. Em apenas quatro anos, a equipe que começou apenas com a categoria infantil pulou do 32º para o 4º lugar no ranking nacional, mudando o cenário da natação brasileira.

Hoje, com um parque aquático em expansão, atletas de seleção em diversas modalidades e coleções de pódios, o Sesi-SP é uma potência no esporte. E não só nas piscinas. Ana Marcela Cunha brilha nas Maratonas Aquáticas e é uma das maiores esperanças de medalhas nos Jogos do Rio-2016.

Além dela, Daynara de Paula, Etiene Medeiros, Jéssica Cavalheiro e o recordista de medalhas no Pan, Thiago Pereira, também abrilhantam o time Sesi-SP, liderando um grupo de jovens talentos e fornecendo nomes competitivos para a seleção brasileira. Tudo sob o comando dos técnicos Fernando Possenti (maratonas) e Fernando Vanzella (piscina), que também é o treinador da Seleção, e com a coordenação de Nilson Garbarz, supervisor de natação do Sesi-SP.

Em entrevista ao site da Fiesp, Possenti, Garbarz e Vanzella falaram sobre o projeto, os resultados obtidos, a chamada “pedagogia do exemplo”, os planos para 2014 e das ambiciosas metas para o ranking nacional e a seleção brasileira.

Como começou o projeto da natação do Sesi-SP e quando decidiram investir em uma equipe mais forte, como a atual?

Fernando Possenti – A natação, como rendimento esportivo do Sesi-SP, começou em 2009. Naquela época, nós não tínhamos a estrutura que temos hoje. Já existiam todas as categorias, mas quem trabalhava com elas era um técnico apenas. Não tinha um técnico para cada categoria, como é o indicado.

Nilson Garbarz – A ideia de investir mais forte veio após o José Finkel [agosto 2012]. A realização do Finkel [no Centro de Atividades do Sesi-SP] na Vila Leopoldina foi uma forma de mostrar para a casa e para o país o que o Sesi-SP pode fazer. Mostrar nossa capacidade de realização. Ninguém sabia da qualidade da piscina, das instalações, equipamentos e foi tudo muito elogiado.

Fernando Vanzella – Disputamos o Open de Porto Alegre com 19 atletas e 10 profissionais da área técnica. Basicamente um profissional para cada dois atletas. Isso demonstra a atenção que o Sesi-SP mostra para o nadador. Não podemos ter uma equipe muito inchada, pois acaba perdendo qualidade. Esse foi um dos pontos fortes do trabalho, que favorece o rendimento e a atenção do treinador com o atleta. Tem psicólogo e nutricionista, tudo para o atleta. Isso é o diferencial do Sesi-SP para qualquer clube da natação brasileira.

O time é composto basicamente por meninas. Há um motivo para isso?

Nilson Garbarz – Foi uma recomendação da casa, que quer ajudar o esporte nacional, e a natação masculina já está mais consolidada [no país]. Então nós pensamos em montar a equipe feminina.

Fernando Vanzella – Escolhemos meninas até 23 anos, exatamente por saber que tinham muito a aprender e melhorar, não só para 2016, mas para o futuro mesmo. Inclusive, já renovamos com todas as nadadoras. Elas falaram que não querem sair daqui. Que querem continuar com a gente.

As expectativas do projeto foram alcançadas?

Nilson Garbarz – Foram ultrapassadas. Boa parte dos atletas não acreditava em si, tinha problemas com seus clubes. Todos conseguiram dar a volta por cima e evoluíram muito esse ano. Os que já eram bem posicionados estão melhores ainda hoje.

Fernando Vanzella – Estamos falando de atletas que já haviam sido finalistas em campeonato mundial, mas não acreditavam neles mesmos. Hoje já falam em medalha olímpica. Isso é resultado do trabalho aqui no dia a dia.

Fernando Possenti – Tenho um estudo que fiz no ano passado. O que cada categoria que foi sendo agregada mudou no ranking nacional. Até o ano passado, a gente só tinha uma categoria, a infantil. No ano seguinte, chegou a juvenil, depois a júnior e assim foi. A gente começou em 32º, pulou para 17º, depois 12º, em 2012 terminamos em 7º e agora estamos em 4º. Uma coisa é você sair de 32º para 18º, em que brigamos com clubes médios. Mas hoje, que estamos entre os clubes grandes, com todas as categorias, pular de 7º para 4º é um baita salto.

Vocês chegaram a projetar resultado? O Sesi-SP está em quarto no ranking. Pensam em subir logo, ou o trabalho é mais a longo prazo?

Nilson Garbarz – A preocupação do Sesi-SP não é ser o primeiro no ranking nacional. O objetivo é colocar o maior número possível de atletas nas Olimpíadas. Nossa meta, bem agressiva, é ter oito atletas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

Fernando Vanzella – Não adianta ter oito atletas para viajar, fazer turismo. O legal é ir para competir e ganhar medalhas. Ter atletas competitivos, que cheguem nas finais e disputem de verdade.

Para 2014, qual é o objetivo?

Fernando Vanzella – Que as meninas, que nem falavam em campeonato absoluto, pensem em chegar às finais de campeonatos. Como a Giovana Diamante, por exemplo: ela disse que seu objetivo em 2013 era ganhar um campeonato de categoria e fazer índice para o Mundial Júnior. Mas ela ganhou uma medalha em campeonato adulto,  foi além dos objetivos! Também queremos chegar ao Maria Lenk e disputar o título no feminino. Na maratona já somos bicampeões brasileiros, queremos ser tricampeões. Mas, mais do que vencer, queremos colocar o máximo de atletas na seleção. Se isso acontecer, significa que nadaram bem no Lenk e na seletiva. Então, vai ser consequência. O objetivo é esse: fazer a equipe evoluir e subir cada etapa.

E a projeção dos resultados? Superou a expectativa?

Nilson Garbarz – Em quase todos os campeonatos importantes, nós tivemos as melhores nadadoras e os melhores índices técnicos. Etiene ganhou o Maria Lenk; Giovana ganhou o juvenil brasileiro, no Chico Piscina; no Paulista a Stephany ganhou o juvenil; no Sudeste ganhamos o infantil.

Com os atletas novas que chegaram, mudou a rotina e a forma de treinar dos atletas na Vila Leopoldina?

Nilson Garbarz – A escola aqui da Vila Leopoldina era a quarta ou quinta da rede no Enem. Agora é a primeira. Tenho certeza de que essa convivência com os atletas mudou isso.

Fernando Possenti – Os alunos olham os atletas treinando e se focam nisso. Como a gente escolheu a dedo as pessoas que viriam, elas sabiam de sua importância na pedagogia do exemplo. Não apenas ser cobradas pelo resultado, mas também ser exemplos no dia a dia. O Lucas Cortini [atleta da categoria de base de Maratonas Aquáticas do Sesi-SP], quando renovou, falou “aprendi muito esse ano com a Ana Marcela ao meu lado, como treinar, como me comportar…”.

Fernando Vanzella – E o processo inverso também existe. Elas chegaram com alguns vícios, mas se espelharam nos mais novos e mudaram seu comportamento. É a pedagogia do exemplo, para todos os lados.

Como o projeto da natação mexeu com o número de alunos praticantes do esporte no Sesi-SP?

Nilson Garbarz – A natação é o segundo esporte mais praticado da rede do Sesi-SP, com 5.600 alunos, contra 10.500 do voleibol. Foi o que mais cresceu, mais do que o vôlei, desde que começou o esporte de rendimento.

As evoluções na piscina e na maratona andam lado a lado ou em ritmo diferente?

Fernando Possenti – Diferente. Hoje, o Brasil é campeão mundial de maratona, é referência. Nossos atletas são muito fortes, no masculino e no feminino. A maratona tem uma competitividade grande no Brasil. O Lucas tem uns cinco ou seis no nível dele, e está no nível dos melhores. E, ao contrário da piscina, na maratona o atleta está o tempo todo competindo em alto nível. A Ana Marcela está o tempo todo competindo com o pessoal que vai encontrar no Mundial e nas Olimpíadas.

Fernando Vanzella – O Sesi-SP ajudou muito nisso. Fomos para o Arizona e para o Japão para dar oportunidade para as meninas competirem mais.

Essas viagens colaboraram com o Sesi-SP ?

Fernando Vanzella – Desenvolvemos um networking importante. Temos contato no Japão, conhecemos como eles fazem a gestão dos projetos, das equipes e é uma forma de desenvolver e trazer ideias para o Sesi-SP, não só para a natação, mas para toda a estrutura. Para o atleta, ele se sente em condições de competir de igual para igual e quando volta ao Brasil está mais preparado.

Nilson Garbarz – Todos os esportes do Sesi-SP que fizeram viagens internacionais concluíram que, além de tecnologia e espaço, o grande ganho é a troca cultural, o contato com os atletas dos outros países, a cultura do esporte.

Fernando Vanzella – E vai disseminando. O atleta que vai passa sua experiência para os outros que ficaram e esses esperam a próxima oportunidade de estar dentro. Isso estimula quem está aqui para trabalhar e, na próxima, estar entre os convocados do grupo que vai viajar.

Quais as principais competições para 2014?

Fernando Possenti – Na maratona, tem o circuito brasileiro, que terá de cinco a seis etapas de qualidade. Mais sete etapas da Copa do Mundo, com competições batendo datas com outras, mas no caso da Ana priorizaremos a Copa (10km) e ela deverá estar presente nas sete etapas, porque é com atletas que disputam Mundial e Olimpíadas. Ainda tem os Grand Prix, provas de 32, 36 km, que ela quer fazer para não ficar muito tempo sem provas de longa distância.

Fernando Vanzella – Nas piscinas, temos Maria Lenk, Finkel e Open, os brasileiros de categoria, infanto, infantil e juvenil e os paulistas de categoria. O Pan Pacífico pela seleção, em agosto, os Jogos Olímpicos da Juventude, na China, o Mundial de Curta em Doha, no final do ano. Jogos Sul-Americanos nos dois semestres. Enfim, 2014 será um ano de preparação, não só de resultados. É um ano de ranqueamento, buscar melhores posições, treinamentos, para o atleta chegar em 2015 melhor ranqueado para tentar uma medalha em 2016.