Fiesp e Agência Espacial Brasileira discutem acordo de salvaguardas tecnológicas dos EUA

Aline Porcina, Agência Indusnet Fiesp

Representantes da Agência Espacial Brasileira (AEB) e da Comissão de Coordenação e Implantação de Sistemas Espaciais (CCISE) estiveram na Fiesp nessa quinta-feira (11/4) para a reunião devolutiva da Agenda Espacial EUA-Brasil. A missão tem o objetivo de discutir avanços e iniciativas bilaterais, como a assinatura do acordo de salvaguardas tecnológicas para a participação dos Estados Unidos (EUA) em lançamentos a partir do Centro Espacial de Alcântara, localizado no Maranhão. Atualmente, o centro está preparado para fazer lançamentos suborbitais e lançamentos de pequenos lançadores e satélites.

Desde que se iniciaram as discussões sobre a utilização de Alcântara por outras nações, o acordo de salvaguardas vem dividindo opiniões. A empresários e representantes de entidades do setor, o presidente da AEB, Carlos Augusto Teixeira, afirmou que o centro é um dos mais bem localizados do mundo e pode conquistar uma fatia interessante do mercado, o que traz desenvolvimento não só para o Maranhão, mas também para o programa espacial brasileiro.

“Alcântara foi prevista para ser uma base para lançar os veículos de interesse do programa espacial brasileiro, mas também para servir a outros mercados internacionais”, afirmou, ressaltando que uma das prioridades do governo é fazer com que o espaço chegue à realidade do brasileiro e com que a indústria seja sustentável: “Fica a pergunta: precisamos continuar investindo em um programa espacial? ”, questionou Teixeira.

Vice-presidente da CCISE, o coronel Cláudio Olany afirmou que “temos que enxergar este acordo de salvaguardas como um acordo comercial que traz benefícios para a nossa indústria”. Segundo ele, as diretrizes não preveem exclusividade de utilização, mas sim proteção da tecnologia americana, além de envolver interesses geopolíticos. “Precisamos reestabelecer uma relação de confiança com os EUA. Na medida em que este e outros acordos forem sendo assinados, eles vão confiar que vamos respeitar a proteção de tecnologia para evitar a proliferação para ações indevidas”, completou.

Ao final do encontro, as entidades se propuseram a criar novos momentos para continuar discutindo o tema.

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Reunião devolutiva da Agência Espacial EUA-Brasil do Departamento de Defesa e Segurança e Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp. Foto: Everton Amaro


Em reunião com empresários na Fiesp, governador do Maranhão pede investimentos no agronegócio

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Inaugurado oficialmente nesta segunda-feira (10 de julho), o Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram) do Porto de Itaqui, em São Luís, já movimentou 1,7 milhão de toneladas de março a junho deste ano. E o governador do Estado, Flávio Dino, estima que até o final de 2015, as movimentações de carga devem atingir as 20 milhões de toneladas.

“O nosso diferencial competitivo é a logística. Não há nenhum Estado do Norte e Nordeste que tenha a logística que o Maranhão possui: modal rodoviário, o Porto de Itaqui e a estrada de ferro de Carajás”, afirmou Dino em reunião nesta terça-feira (11/8) com membros do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Se há duas locomotivas que podem tirar o Brasil desse momento difícil é, sem dúvida nenhuma, a exportação e o agronegócio”, completou.

Com capacidade estática para 500 mil toneladas de grãos e quatro armazéns independentes, o Tegram recebeu investimentos de R$ 578 milhões.

Acompanhado de uma delegação de secretários da Agricultura, Indústria e Comércio, e do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Maranhão, Dino veio à Fiesp em busca de investimentos em seu Estado.

“Temos terra, água, gente, governo ajustado e sério, que sabe o que está fazendo, que tem planejamento. Agora, não vamos conseguir substituir o mercado”, disse.

Outro diferencial, segundo ele, é a matriz energética, que deve ser ampliada a partir da 13ª rodada de concessões de blocos para exploração de gás, prevista para 7 de outubro.

Redefinição

À frente do governo estadual há pouco meses de sete meses, Flávio Dino afirmou, durante a reunião na Fiesp, que o Maranhão enfrenta um “momento de redefinição” da economia e da sociedade.

“Estamos no momento de novas bases para organização da economia e da sociedade. É impossível melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano sem que antes haja riqueza para que depois possa se transformar em arrecadação e oferta de serviços públicos melhores para todos”, argumentou.

Segundo Dino, há 2.000 quilômetros de obras em curso ou que começarão até o primeiro semestre de 2016 nas estradas do Estado. Ele informou ainda que outras 300 obras públicas estão sendo conduzidas no Maranhão, “desde escolas até hospitais”. Uma das unidades hospitalares deve ser entregue em Balsas, importante região produtora de soja que integra o território Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).

De acordo com o governador, há mais de 1.000 escolas de taipa e barro no Maranhão, e o governo deve licitar projetos para pelo menos 200 novas unidades.

Ritmo do Agronegócio

Ao conduzir a primeira parte da reunião do Cosag, o diretor do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp, Mário Cutait, afirmou que, apesar da crise, o setor continua mantendo o ritmo de sua atividade.

“Sabemos das nossas dificuldades, mas costumo dizer que, se o mundo vai produzir entre 1% e 1,5% a mais de alimento, o Brasil vai produzir 2% a 4% a mais”, afirmou Cutait.

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O governador do Maranhão, Flávio Dino, durante reunião do Cosag da Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Brasil terá safra recorde de soja 2012/13, aponta estudo Rally da Safra

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

O desempenho histórico das lavouras do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul contribuíram para que o Brasil registrasse uma safra recorde de soja 2012/13. O volume alcançará 84,4 milhões de toneladas de soja – contra 66,4 milhões de toneladas em 2011/12, totalizando um aumento de 27,7%. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (26/03) durante a coletiva do estudo Rally da Safra 2013, em evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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André Pessôa, coordenador geral do Rally da Safra: 'Logística mais cara é aquela que não existe. Estamos no limite do uso da que temos. Precisamos de medidas emergenciais para não penalizar o setor pelo nosso sucesso'. Foto: Julia Moraes/Fiesp

A expedição técnica percorreu mais de 60 mil quilômetros entre os dias 28 de janeiro e 13 de março, coletando amostras nas lavouras de milho e soja em 12 unidades da federação: Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins. Estas unidades representam 96,6% da área cultivada da soja e 72,3% da área de milho no Brasil.

Com o registro de uma colheita recorde, o Rio Grande do Sul foi o destaque desta edição. De acordo com André Pessôa, coordenador geral do Rally da Safra e diretor da Agroconsult, apesar da estiagem do mês de dezembro, o estado produziu 49 sacas por hectares de soja e safra de 13,5 milhões de toneladas. “Este número é espetacular. É mais do que o dobro da produção da temporada passada [6,5 milhões de toneladas]. Tanto na colheita de soja quanto na de milho, o estado teve uma safra muito boa. O desempenho do sul do país contribuiu para que a gente tivesse uma safra de soja acima do esperado”, avaliou Pessôa.

Já o Paraná registrou a maior produtividade do Brasil, com 56 sacas por hectares e produção de 15,8 milhões de hectares – em 2011/12 foi de 10,9 milhões de toneladas. Santa Catarina chegou a 54 sacas por hectares e 1,6 milhões de toneladas.

Na região centro-oeste, o destaque positivo é Goiás, com 54 sacas por hectares. Mato Grosso ficou pouco abaixo do esperado, com média de 52 sacas por hectares. Um dos motivos, apontados por Pessôa, foi o excesso de chuvas no processo da soja tardia.

A região nordeste registrou uma queda significativa na colheita, com destaque para Piauí, que teve a pior produtividade no país, em função da estiagem de 45 dias, totalizando 31 sacas por hectares. A Bahia também teve um desempenho abaixo do esperado, com uma produção de 42 sacas por hectares.

Outro problema que assolou as lavouras brasileiras, de acordo com o coordenador geral do Rally da Safra, foi a incidência de pragas, que aumentou os custos da produção de soja e milho brasileira.

Milho verão

O milho verão alcançou 36,7 milhões de toneladas na safra 2012/13, com produtividade média de 85 sacas por hectares. Na safra 2011/12 o número foi de 75 sacas por hectares. Com destaque para o Paraná, cuja produção recorde chegou a 145 sacas por hectares. Santa Catarina registrou 120 sacas por hectares e o Rio Grande do Sul atingiu 97 sacas por hectares. Goiás de também apresentou uma ótima produtividade, com 144 sacas por hectares, seguido por Minas Gerais, que registrou 102 sacas por hectares.

Década de crescimento

De acordo com Pessôa, o Brasil registrou um crescimento significativo no setor do agronegócio nos últimos 10 anos. Segundo coordenador geral do Rally da Safra, neste período a área de plantio de soja brasileira cresceu 50% – de 18,5 milhões de hectares em 2002/03 para 27,8 milhões de hectares em 2012/13, uma expansão de 4,1% ao ano. Neste mesmo período, a produção aumentou 62%, de 52 milhões de toneladas (2002/03) para 84,4 milhões de toneladas (12/13).

No caso do milho, a área plantada foi ampliada em 18% – de 13,2 milhões de hectares em 2002/03 para 15,6 milhões de hectares em 2012/13, uma elevação de 1,7% ao ano.

Porém, no entendimento de Pessôa, a falta de investimento em logística e o apagão da mão de obra no setor agrícola são grandes empecilhos para o crescimento da agricultura brasileira.

Segundo o coordenador do Rally da Safra, apenas 16% do volume de exportações de soja e milho brasileiro é realizado pelos portos do nordeste, o que, no seu entendimento é pouco funcional, tendo em vista que a região norte/nordeste é responsável por 83,5% da produção de soja e milho do país.

De acordo com Pessôa, os custos para exportação do produto pelos portos da região sul/sudeste provocam morosidade e ônus para os produtores da região norte/nordeste, com um custo médio de US$ 100 por frete.

“A logística mais cara é aquela que não existe. E nós estamos no limite do uso da que temos. E precisamos de medidas emergenciais para não penalizar nosso setor pelo nosso sucesso”, alertou.