Aproximação entre empresas e universidades é tema do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

José Eduardo Krieger, pró-reitor de Pesquisa da USP, explicou nesta sexta-feira (7 de abril) em reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp (Conic) o Mapa da Ciência de São Paulo, que idealizou durante seu período na presidência da Academia de Ciências do Estado de São Paulo.

O Mapa da Ciência de São Paulo se baseia nas 15 mesorregiões do Estado e se propõe a mostrar onde está o conhecimento e sua evolução, com indicadores como número de citações de artigos. É uma foto, comparou Krieger, que mostra instantes, e a ideia é transformá-lo num filme, tornando-o dinâmico.

A melhor maneira de agregar valor é ter os centros de P&D das empresas se aproximando das universidades, disse Krieger. O estoque de conhecimento das universidades, afirmou, precisa ser colocado à disposição das empresas, o que ainda é dificultado por problemas regulatórios.

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), segundo seu diretor, Gonçalo Pereira, não enfrenta os problemas regulatórios das universidades públicas e consegue fazer acordos rapidamente com a iniciativa privada, recebendo um prêmio, depois reinvestido em pesquisa, caso o produto seja bem-sucedido no mercado.

Comparando os rankings de produção acadêmica e de inovação, a conclusão, disse Pereira, é que o setor privado não conversa com as universidades. A Fiesp, disse, é a instituição que pode ajudar a mudar essas coisas. “Tem que haver a força econômica para fazer essa pressão.”

Pereira fez apresentação sobre a ponte entre a ciência e o setor produtivo. Começou destacando o potencial do Brasil, graças à biomassa, de capturar e transformar CO2. Explicou que a cana-de-açúcar tem alta eficiência na conversão de fótons em açúcar. E a seleção de variedades levou à criação de cana-energia, altamente produtiva. Com sua cultura e sistemas de segunda geração de produção de etanol, é possível aproveitar áreas degradadas e aumentar enormemente a produção.

Defendeu que as termelétricas atualmente queimando combustível fóssil usem biomassa. Outra tecnologia para a qual é preciso prestar atenção, segundo Pereira, é a de células a combustível, para geração de eletricidade.

Para fazer projetos como o da usina de segunda geração da Granbio, que ajudou a fundar, é preciso que o setor privado atue junto com a academia, disse Pereira.

Rodrigo Loures, presidente do Conic, destacou que os temas da reunião se alinham com a bioeconomia, principal interesse do Conic, em sua preparação para os grandes eventos programados para este ano, entre eles o que vai discutir a sustentabilidade do agronegócio na Amazônia.

Loures explicou também o conceito São Paulo 4.0. Ele surgiu a partir da constatação de que três áreas podem mover a retomada da economia: o agronegócio, a área de saúde e as cidades inteligentes. Pensou-se especificamente na região metropolitana de São Paulo. Se o ecossistema de inovação e empreendedorismo da região se tornar de classe mundial, disse, seu crescimento teria o poder de fazer avançar a economia brasileira como um todo.

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Reunião de 7 de abril do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp