‘Vamos oferecer mais alternativas’, diz presidente do BNDES em evento na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Estamos cheios de dinheiro e cheios de vontade de emprestar”. A boa notícia foi dada pelo presidente do BNDES, Dyogo Oliveira, na abertura do seminário Desafios e Oportunidades do BNDES para o crédito, realizado na manhã desta sexta-feira (18/05), no Teatro do Sesi, no prédio da Fiesp, em São Paulo. O debate teve a participação do segundo vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho e do diretor titular do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da federação, Sylvio Gomide.

“Nossa economia está em estado grave, mas nós estamos pensando nas ações certas e numa postura de transparência e diálogo”, disse Oliveira. “Vamos entrar numa nova era: a era dos juros baixos”.

Para o presidente do BNDES, as empresas vivem hoje “um processo de desalavancagem”. “Sabemos da necessidade de melhoria das condições de financiamento”, disse. “Estamos fazendo a digitalização do banco, que vai ser mais ágil e mais flexível”, explicou. “Vamos oferecer mais alternativas”.

Oliveira citou como exemplo uma linha com taxa fixa de 10% ao ano, segundo ele algo sem “semelhante no mercado”. “Temos o BNDES Garagem, para investir em jovens promessas, empreendedores com boas ideias”.

Segundo ele, é importante lembrar que as linhas tradicionais do banco “continuam disponíveis”. “Estamos cheios de dinheiro e cheios de vontade de emprestar”, disse. “Não se assustem se o BNDES ligar para vocês para oferecer alguma oportunidade”, afirmou. “Estamos montando uma ação pró-ativa nesse sentido”.

Outro alvo da atenção do banco, conforme Oliveira, envolve os prazos de financiamento. ”O nosso prazo de financiamento à inovação foi ampliado de 12 para 20 anos”, disse. “Estamos sempre pensando na ampliação dos prazos para não comprometer o fluxo de caixa das empresas”.

Na sequência, Roriz Coelho apresentou a “Pesquisa sobre acesso ao BNDES”, realizada pela Fiesp e feita com 500 indústrias no estado.

“A indústria é um setor crucial para a economia”, disse. “A estimativa é a de que 1% de crescimento na manufatura responda por 1,1% de crescimento na economia”.

Além disso, o setor é o que mais produz e difunde inovações, respondendo por 70% dos gastos com pesquisa e desenvolvimento no setor privado.

Mesmo diante de tanto potencial, o ambiente de negócios é desfavorável para as indústrias. “O Brasil está em primeiro lugar no ranking das maiores taxas de juros reais, spread bancário, volatilidade cambial e burocracia tributária, entre outras variáveis”, disse.

Já o chamado “custo Brasil” responde por 26,5% do total do preço dos produtos.

“Entre 1995 e 2016 a indústria chegou a representar apenas 11,9% do PIB brasileiro”, disse Roriz Coelho. “A maior queda entre os  20 países com  mais de 40 milhões de habitantes que juntos representam 76% do PIB mundial”.

E as perspectivas não são mais otimistas a curto prazo. “O PIB brasileiro deve crescer menos de 3% em 2018”, afirmou. “Temos um cenário de Incerteza política, um lento aumento de crédito acompanhado de uma pequena redução da taxa de juros, o desemprego elevado”.

Assim, de acordo com a pesquisa, 49% das médias empresas industriais nem tentaram operar com o BNDES.

“Alguns países têm políticas ambiciosas para o desenvolvimento da indústria 4.0, como França, Alemanha, Estados Unidos”, explicou Roriz Coelho. “No Brasil, investir não dá retorno”.

Ouça o boletim de áudio dessa notícia:

Fiesp renova associação com Organização Nacional da Indústria do Petróleo

Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp renovou, no início de abril, a sua associação com a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip). A indústria nacional de bens para o setor de óleo e gás natural representa 3,7% do PIB brasileiro e emprega 700 mil pessoas, o que significa 0,7% dos empregos existentes no país. As informações são de levantamento realizado pelo Departamento de Economia, Competitividade e Tecnologia – (Decontec) da federação.

“A Fiesp tem muita importância na Onip:  49% das empresas, 57% da força de trabalho e 51% do faturamento dessa indústria estão localizadas no estado de São Paulo”, apontou o 2º vice-presidente da federação, José Ricardo Roriz Coelho, que integra o corpo de conselheiros da Onip.

Roriz lembra também que São Paulo já é o terceiro maior produtor nacional de petróleo e o segundo maior de gás natural. “E essa participação só vai crescer com o aumento da produção da Bacia de Santos”, disse.

A Onip passou por uma reestruturação e inicia sua atividade com foco na competitividade.

O objetivo é ser um fórum neutro de articulação e cooperação entre as companhias de exploração, produção, refino, processamento, transporte e distribuição de petróleo e derivados, empresas fornecedoras de bens e serviços, além de organismos governamentais e agências de fomento.


Workshop de Inovação Tecnológica: Finep, Desenvolve SP e FAPESP celebram Dia Nacional da Inovação na FIESP

Foi realizado no último dia 19 de outubro na FIESP o Workshop de Inovação Tecnológica na FIESP   A Finep, a Desenvolve SP e a FAPESP trouxeram suas equipes de especialistas à Fiesp que apresentaram as linhas de ação e programas a empresas paulistas interessadas em construir Planos Estratégicos de Inovação.

O objetivo do evento foi celebrar o Dia Nacional da Inovação na Fiesp com o setor industrial e fortalecer ainda mais o Sistema Paulista de Inovação além de impulsionar investimentos privados em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) neste momento em que a economia brasileira começa a dar sinais de retomada do crescimento. A Finep possui recursos de R$ 7 bilhões disponíveis para projetos privados na área.

Neste encontro foi apresentado o recém-lançado programa Finep Conecta vai além: o prazo de retorno do empréstimo chega a 16 anos. Ao todo, esta iniciativa vai disponibilizar R$ 500 milhões para projetos desenvolvidos em parceria entre empresas e Instituições de Pesquisa Científica e Tecnológica (ICTs). Ocorreu também a Assinatura do acordo de cooperação FINEP e FAPESP O presente Acordo destina-se a estabelecer a cooperação técnica entre os partícipes para promover a atuação conjunta destas instituições com vistas ao desenvolvimento tecnológico, científico e socioeconômico do Estado de São Paulo e do país

Além das linhas de financiamento correntes a FINEP ainda apresentou três novas ações, que serão detalhadas durante o evento: o Finep Startup (cuja primeira chamada vai destinar até R$ 50 milhões a 50 empresas em estágio inicial), o novo programa de telecomunicações (linha de financiamento exclusiva para aquisição de equipamentos de 100% nacionais) e o seguro garantia financeira (alternativa menos custosa para operações de crédito: até 60% inferior ao custo da fiança bancária).

Veja as apresentações Abaixo:

caf fiesp leonardo roriz

decomtec roriz

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finep – diretor ronaldo

finep – diretoria de inovacao 2

finep – diretoria inovacao 1

finep conecta – marcos cintra

 

Spread Bancário: Evolução de seus Componentes e Agenda do Banco Central

O Brasil possui a mais alta taxa de spread bancário do mundo. Este trabalho mostra que, em 2015, o spread médio brasileiro foi de 31,3 p.p., enquanto o spread médio de países comparáveis foi de 1,9 p.p.

Ou seja, o spread brasileiro foi 16,4 vezes maior. A inadimplência, que geralmente é apontada como causa do spread também não justifica essa diferença: a Itália, por exemplo, possui inadimplência 3 vezes maior que o Brasil e spread 8 vezes menor.

Além da inadimplência, outros componentes do spread como tributos e custos administrativos são analisados e, por fim, a agenda do Banco Central para redução do spread é avaliada.

‘A Petrobras é uma empresa pública, não pode fazer o que quer’, diz Skaf em debate sobre conteúdo local na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

As oportunidades já foram melhores. Por isso mesmo o momento é de retomar os espaços perdidos nos últimos anos. Essas foram as principais conclusões de um debate com empresários durante o lançamento do Movimento Produz Brasil, realizado na manhã desta sexta-feira (16/12), na sede da Fiesp. O presidente da federação, Paulo Skaf, foi um dos participantes da discussão, junto com o vice-presidente e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da entidade, José Ricardo Roriz Coelho.

Na ocasião, sete executivos apresentaram o trabalho de suas empresas, fazendo um panorama do mercado e das oportunidades com a política de conteúdo local no Brasil.

“Temos custo e qualidade de engenharia”, disse Skaf. “Vamos levar esse debate adiante e mudar a situação”, afirmou.

A análise do presidente da Fiesp foi feita após ouvir os relatos dos representantes das empresas sobre como os ganhos a partir da produção com conteúdo local diminuíram depois da crise financeira da Petrobras nos últimos anos. “A Petrobras é uma empresa pública, não pode fazer o que quer”.

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Skaf em debate com os empresários: “Temos custo e qualidade de engenharia”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Diretor de Operações da Doris Engenharia, Thiago Franco contou que a empresa francesa de engenharia chegou ao Brasil em 2006, “muito sob incentivo das oportunidades de conteúdo local”. “Temos 200 funcionários hoje, mas já chegamos a ter 350”, contou. “Em 2010 tivemos um boom com contratos da Petrobras”.

A Doris opera em áreas como engenharia submarina e nas áreas naval e de estrutura. “Temos uma engenharia competitiva e de qualidade no Brasil”, disse. “E ninguém nos supera em preço”.

Assim, segundo Franco, “é preciso combater o risco de perder a engenharia inteligente no país”. “Precisamos pensar em medidas de proteção para a engenharia local”, disse.

Presidente da Asvac Bombas Industriais, Cesar Prata tem opinião parecida. “Precisamos fazer a coisa certa e estimular a geração de empregos no Brasil”, afirmou.

Representantes da Dresser-Rand, os diretores de Serviços e de Projetos, respectivamente Eduardo Ramos e Christian Schook, também relataram que a produção da marca, no país, já foi muito maior. A companhia tem sede nos Estados Unidos.

“Já tivemos mais de 300 funcionários no auge do pré-sal”, disse Ramos. “Hoje, temos 180”.

A empresa tem uma fábrica em Santa Bárbara d’Oeste, no interior paulista. “Acreditamos nos planos da Petrobras de expansão das plataformas de petróleo e investimos por isso”, explicou Schook.

De acordo com o executivo, a exclusão do conteúdo local e o não lançamento de novos projetos fazem com que as empresas se questionem se vale a pena investir no Brasil. “Precisamos de plano de conteúdo local de longo prazo”, disse.

Falta de continuidade

Gerente de Infraestrutura da Saipem do Brasil, Ricardo von Hombeeck citou a “falta de continuidade” nos planos e projetos como um dos problemas nacionais. “Para trabalhar num país de forma sustentável, precisamos ter conteúdo local”, disse.

Participaram do debate ainda o gerente comercial da Caterpillar, Victor Santiago, e o diretor comercial da Tenaris/Confarb, Idarilho Nascimento.










‘Os bancos têm uma dívida social com o país’, afirma desembargador em seminário na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de falar sobre crédito, juros e formas de voltar a crescer. Dentro do Seminário Propostas para o Saneamento Financeiro de Empresas, realizado nesta terça-feira (13/12), na sede da Fiesp, na capital paulista, foi organizado um painel sobre quais medidas na área de crédito podem destravar a economia. A discussão foi moderada pelo presidente do Sindicato da Indústria de Móveis de Junco e Vime e Vassouras e de Escovas e Pinceis do Estado de São Paulo (Simvep), Manoel Canosa Miguez. E teve a participação, entre outros nomes, do vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da federação, José Ricardo Roriz Coelho e do presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo (Sinditêxtil), Alfredo Emílio Bonduki.

Desembargador da 14ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Carlos Henrique Abrão apresentou experiências de apoio à recuperação financeira das empresas mundo afora. “Em momentos de crise, o governo alemão chegou a desonerar pequenas empresas, que depois pagaram o que deviam”, afirmou. “No Brasil, o governo é perdulário e tributário”.

Na França, segundo Abrão, existe um setor de fiscalização que acompanha as empresas e as convida para conversar em caso de endividamento. “Lá, eles chamam esse trabalho de negociação econômica do plano”, disse.

Outro ponto importante: conscientizar os banqueiros de que “eles têm uma dívida social com o país, não podem praticar taxas tão altas de juros”. “Todo banco tem um papel social, taxas de juros de 250% ao ano é algo que não existe”, afirmou. “Precisamos acabar com essa mentalidade de que banqueiro só ganha, banqueiro também tem que perder”.

De acordo com Abrão, conviver com uma Selic de 13,75% ao ano para pequenas e médias empresas é a mesma coisa “que decretar a taxa de óbito de todas elas”. “Temos que repaginar toda a história da dívida pública”, disse. “Hoje são 19.563 empresas em recuperação judicial no país, a nossa economia começou a enfrentar problemas em 2013”.

Vice-presidente de Serviços, Infraestrutura e Operações do Banco do Brasil, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, o custo de crédito no Brasil é alto. “Temos juros reais acima de 5% ao ano, o problema é a baixa oferta de poupança na economia”, explicou. “O setor público no Brasil é deficitário e esse um problema estrutural, que precisa ser resolvido”.

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Roriz Coelho foi um dos debatedores do painel: para destravar a economia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Para Araújo, o acesso ao crédito é dificultado pelos juros elevados. “É preciso adotar ações para tornar o custo do crédito mais baixo”, disse. “O Banco Central não tem ferramentas para corrigir os problemas estruturais do Brasil”, afirmou.

Medidas de apoio

Segundo o chefe do Departamento de Classificação de Risco do BNDES, Luis Inácio Senos Dantas, essa é mesmo uma equação difícil, com níveis de endividamento inéditos das empresas. “Temos que agir de forma diferente para fazer essa travessia e é importante colocar os bancos nesse contexto”, disse.

Nessa linha, Dantas destacou que o BNDES tem em sua carteira uma série de ações de suporte aos empreendimentos, como o apoio ao capital de giro e à renegociação de dívidas para empresas de todos os portes. “O BNDES está à disposição”, afirmou.

Também preocupado com a atual conjuntura econômica, o economista chefe do Instituto para o Desenvolvimento Industrial (IEDI), Rafael Cagnin, disse que a recessão continua e isso atrapalha a capacidade de geração de caixa das empresas.  “A estrutura financeira atual mais drena recursos que os alavanca”, explicou.

Carnaval

De acordo com o sócio da Troster & Associados,  Roberto Luis Troster, é preciso ainda “mudar a visão da indústria”. “Temos que pensar em propostas para o saneamento financeiro e para o crescimento das empresas”, afirmou. “A gente tem que começar a pensar o Brasil mais a fundo”.

Como exemplo de organização ao melhor estilo brasileiro que deu certo, Troster citou a maior festa popular do país.  “A gente organiza escolas de samba, desfiles”, disse. “Até mesmo de forma amadora em alguns casos, mas sempre temos lucro”.


Estudo da Fiesp aponta que dívida da indústria vai subir 200% até 2020

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp 

Em 2020, a dívida financeira líquida das maiores empresas da indústria de transformação deve chegar a R$ 594,2 bilhões, o que significa uma elevação de 207% no endividamento entre 2010 e 2020. No mesmo período, o Ebitda – o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortizações – deve ter alta de 28%. Com isso, a relação dívida/Ebitda no período deve passar de 1,95 para 4,69. As projeções são do estudo “Deterioração financeira nas grandes empresas da indústria de transformação”, produzido pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp.

Segundo o diretor do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho, o objetivo da pesquisa foi analisar a evolução do endividamento e a capacidade de pagamento das maiores indústrias de transformação. “A evolução da dívida foi projetada de acordo com a atual tendência média de crescimento, e a geração de caixa (Ebitda), teve por base as perspectivas de juros e crescimento do boletim Focus de 21 de outubro”.

Os dados foram dessazonalizados pelo IPCA e foi suposto que o câmbio é constante. Foram analisadas demonstrações financeiras de 114 empresas de capital aberto e 155 empresas fechadas entre 2010 e 2015.

A dívida financeira bruta das empresas do universo pesquisado no estudo aumentou 59% reais de 2010 para 2015, de R$ 317,4 bilhões para R$503,5 bilhões. Somente entre 2014 para 2015 a elevação foi de 17,2%. “Isso é resultado da combinação de crise, câmbio desfavorável e juros altos”, ressalta Roriz.

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Roriz: combinação de crise, câmbio desfavorável e juros altos. Foto: Tamna Waqued/Fiesp


A pesquisa focou predominantemente nas grandes empresas, com maior acesso ao crédito bancário e ao mercado de capitais. Ou seja, um universo que tende a ter um nível de endividamento maior do que as empresas de pequeno porte.

Roriz enfatiza que “caso continue a atual tendência, a expectativa é de que a grande maioria das empresas se encontre em situação bastante preocupante de endividamento e geração de caixa nos próximos anos, comprometendo, dessa forma, um dos únicos vetores restantes de crescimento para o país: o investimento”.

Nesse sentido, o estudo propõe um plano de desalavancagem corporativa que permita a recuperação da solvência das indústrias, para mantê-las em condições financeiras de operar e evitar a desnacionalização acelerada das principais empresas industriais brasileiras.

De acordo com Roriz, as reformas em discussão devem ajudar no médio e longos prazos. “Ainda assim, precisamos de um planejamento para curto prazo. Caso contrário, as empresas não conseguirão se manter no mercado”, concluiu.

Para ler a íntegra do estudo, só clicar aqui.



 

Informações sobre as linhas de financiamento do BNDES

Caros,

No dia 25 de outubro, o Departamento de Competitividade e Tecnologia – DECOMTEC – realizou o Seminário “Informações sobre as linhas de financiamento do BNDES”, que também contou com a participação do Diretor Titular do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria, Sr. Milton Antonio Bogus, e com especialistas do BNDES, que tiraram dúvidas sobre o funcionamento do BNDES-Progeren, Refin-PSI, Programa de Revitalização de Ativos Produtivos e outras linhas de financiamento do BNDES.

No primeiro bloco do seminário, os especialistas, Carlos Alberto Vianna Costa e Tiago Luiz Cabral Peroba, discorreram sobre as formas de Apoio do BNDES ao Setor Industrial:

  • Apoio ao Capital de Giro
  • Apoio à Renegociação de dívidas
  • Apoio ao Setor Industrial
  • Credenciamento de Fabricantes e Produtos

No segundo bloco do seminário, os especialistas, Roberto Julio da Trindade Junior e Tatiana de Oliveira Lemos, explicaram o funcionamento do Programa de Incentivo à Revitalização de Ativos Produtivos.

Por fim, foi efetuado um último bloco com perguntas da plateia aos palestrantes do BNDES. Oportunidade para sanarem eventuais dúvidas, como para apresentarem as dificuldades enfrentadas pelas empresas na busca pelo crédito.

O evento é mais uma realização da FIESP para apoiar as empresas da indústria a buscarem soluções para o enfrentamento da mais grave crise econômica de nossa história.

Para acessar as apresentações do BNDES efetuadas no seminário, basta clicar nos links ao lado.

Atenciosamente,

José Ricardo Roriz Coelho

Vice-Presidente da FIESP

Diretor Titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da FIESP

‘Somente com a redução dos juros poderá haver recuperação da atividade econômica’, afirma vice-presidente da Fiesp em seminário

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O custo é alto para a sociedade e para o crescimento econômico. Para debater a problemática dos juros no Brasil, foi realizado, na manhã desta segunda-feira (3/10), na sede da Fiesp, em São Paulo, o seminário “É possível reduzir a taxa de juros”. O evento foi aberto pelo vice-presidente da federação e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da instituição, José Ricardo Roriz Coelho, que apresentou um estudo sobre o assunto.

“A taxa real de juros do Brasil é muito alta”, disse. “Entre 2005 e 2015, foi, em média, de 5,63%. Nos demais países da América Latina, a média foi de 1,7%”.

E porque a taxa é tão elevada? “O descontrole fiscal influencia a taxa de juros real”, explicou Roriz. “E mais: resultado primário insuficiente, elevado nível da dívida pública e elevada parcela da dívida pública atrelada à Selic”.

Segundo Roriz, a “Fiesp entende que se ajuste fiscal não for feito de forma contundente, teremos mais uma década perdida”.

“Países como Uruguai, Índia e Egito têm dívida bruta do governo maior do que a brasileira, mas taxas de juros reais mais baixas”, explicou Roriz. “São R$ 4,21 trilhões de dívida pública no Brasil, o que equivale a 69,5% do PIB”.  E tem mais: “43% da dívida pública é atrelada à Selic, isso afeta e eficácia da política monetária”.

O prazo da dívida pública é outro ponto a ser debatido, com elevado percentual da dívida concentrado no curto prazo no País. “Hoje, temos 18,4% da dívida sendo rolada em um ano, há um esforço de rolagem com juros no Brasil”.

>> Ouça reportagem sobre a queda dos juros

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Roriz no seminário: 43% da dívida pública atrelada à Selic. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


“Os argumentos não são suficientes para explicar a discrepância do juro real brasileiro frente às demais economias em desenvolvimento, já que muitas delas enfrentam situações semelhantes e têm juro real inferior”, disse Roriz.

De acordo com Roriz, temos atualmente R$ 430 bilhões ou 7% do PIB ligado ao pagamento de juros da dívida pública. “O custo é alto para a sociedade e para o crescimento”, afirmou. “Para que investir em atividade produtiva se o setor financeiro parece tão mais convidativo?”.

Como reflexo disso, o mercado financeiro fica concentrado em ativos de curto prazo, sem foco no financiamento de longo prazo. “E o crédito para o setor privado tem taxas muito elevadas”.

E isso não é tudo. “O Custo Brasil e o desalinhamento cambial são responsáveis pela desindustrialização, pois geram um diferencial de preços desfavorável ao produto industrializado nacional”, afirmou Roriz. “É preciso reduzir a taxa básica de juros”.

Proposta

Em 2017, conforme das projeções elaboradas pelo Boletim Focus, do Banco Central, a inflação será de 5,1% e, a Selic, de 11%, com juro real de 5,9%. “Propomos cortar a Selic em três pontos percentuais em 2016 e em 1,75 ponto percentual em 2017”, afirmou Roriz.

“Destacamos ainda o corte de gastos de curto prazo, a aprovação da PEC do teto dos gastos e a aprovação da reforma da previdência”, disse. “Somente com a redução dos juros poderá haver recuperação da atividade econômica e da arrecadação tributária, condições fundamentais para o ajuste fiscal.

O seminário contou ainda com as participações do professor da FGV Fernando de Holanda Barbosa, do economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, do diretor da Mauá Capital Luiz Fernando Figueiredo e do diretor da FGV-EESP e professor de pós-graduação e graduação da instituição Yoshiaki Nakano.

“É preciso que exista o compromisso do governo com as contas do país”, disse Barbosa. “Ver como aprimorar o mercado de câmbio para que riscos diminuam. Só assim poderemos baixar os juros”.

Para o professor, é preciso “usar o chapéu da responsabilidade fiscal e deixar as aventuras de lado”.

Indústria de transformação influencia pior déficit da balança comercial em 16 anos

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

A balança comercial brasileira apresentou déficit de US$ 3,96 bilhões em 2014, pior saldo desde 1998. Esse resultado foi influenciado pelo déficit de US$ 58,86 bilhões da indústria de transformação, o maior de sua história. Os demais setores (agricultura, indústria extrativa e outros) apresentaram superávit de US$ 54,90 bilhões, aponta levantamento elaborado pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A análise do Decomtec apura ainda que desde 2007, o saldo comercial brasileiro vem apresentando tendência de queda, puxado pelo mau comportamento do setor industrial. “Isto decorre dos problemas enfrentados pela indústria, como o elevado Custo Brasil e a taxa de câmbio sobrevalorizada, que foram agravados a partir de 2008, período no qual o resultado comercial do setor se tornou deficitário, ampliando [o saldo negativo] com o passar do tempo”, afirma o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf.

A participação da indústria de transformação na pauta exportadora brasileira caiu de 78,2% em 2006 para 61,6% em 2014. “Isso evidencia a reprimarização da pauta exportadora brasileira, com a consequente perda de participação da indústria de transformação nas exportações”, diz o diretor-titular do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho. “Esta reprimarização torna o país dependente dos preços externos das commodities e mais vulnerável a choques negativos externos”, acrescenta.

Saldo industrial

O estudo do Decomtec analisa separadamente o saldo comercial da indústria de transformação em 10 categorias que combinam o uso dos fatores produtivos e a intensidade tecnológica.

As importações da indústria de transformação (US$ 122 bi), que aumentaram cerca de quatro vezes mais do que as exportações no período de 2007 a 2014, se concentraram principalmente nos setores intensivos em escala de média-alta tecnologia.

A análise destaca que esses setores apresentavam um saldo comercial ligeiramente positivo em 2006, de US$ 0,9 bilhão, em oposição ao déficit de US$ 44,1 bilhões em 2014, maior déficit dentre as categorias analisadas. O resultado reforça a já sabida substituição no consumo brasileiro de produtos nacionais por mercadoria importada.

Por outro lado, a categoria de setores intensivos em recursos naturais de baixa tecnologia se destacou com saldo comercial positivo de US$ 43,7 bilhões. Em 2014, esse segmento representou 38,4% da pauta exportadora da indústria, um acréscimo de nove pontos percentuais sobre a participação de 2006.

Embora as exportações da indústria de transformação tenham registrado um aumento de 28,7% (US$ 31 bi) em 2014 em relação ao registrado em 2006, 69,7% (US$21,6 bi) desse incremento corresponde aos setores intensivos em recursos naturais de baixa tecnologia.

“Portanto, a pauta exportadora da indústria de transformação está ficando menos diversificada, com o avanço de setores intensivos em recursos naturais de baixa tecnologia e retração da maioria das demais categorias. Isso significa um deslocamento relativo em direção a atividades com menor produtividade e menores salários”, afirma Roriz.

“Para que haja a recuperação da indústria, é fundamental que a taxa real de câmbio brasileira se ajuste em um nível compatível com nossa realidade econômica”, completa o diretor de Competitividade da Fiesp.


Retirada do IPI sobre importado diminui consumo de bem nacional em 1,1%

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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José Ricardo Roriz Coelho, diretor da Fiesp: não incidência do IPI sobre a comercialização de importados restringe o investimento na indústria brasileira. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

A liberação da cobrança do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) na comercialização de bens importados no Brasil reduziu o preço desse tipo de mercadoria em 4,2%, mas custou uma queda de 1,1% no consumo de bens produzidos em território brasileiro.

Os números são resultado de uma simulação feita pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na análise “A não Incidência do IPI na comercialização da mercadoria importada e seu reflexo sobre a indústria”, o Decomtec avalia o “choque” sobre a produção nacional provocado por uma possível liberação da cobrança do IPI na comercialização de mercadoria importada, processo que foi analisado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em junho desse ano e que ainda aguarda publicação oficial da decisão, aparentemente favorável à não cobrança do imposto.

No modelo, a equipe de Competitividade da Fiesp considerou variáveis como o valor da mercadoria nacional contra o valor do produto importado, suas margens de comercialização, a alíquota média do IPI, a alíquota média nacional do Imposto de Importação, o ICMS interno em São Paulo, o PIS e a Cofins.

O resultado é um aumento de 3,5% do consumo de mercadorias importadas, uma queda de 1,1% do consumo de produtos nacionais (provocada pela substituição desses pelo importado), o equivalente a perdas de R$ 19,8 bilhões em vendas da indústria brasileira e um impacto no emprego de 68 mil trabalhadores do setor manufatureiro, ou 0,8% do mercado de trabalho total.

A simulação aponta ainda que o barateamento do preço do produto importado pode ser ainda maior quanto maior é a alíquota do IPI. No caso de um produto com alíquota de IPI de 25%, o preço pode cair até 8,1%.

Na avaliação do diretor do Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho, a não incidência do IPI sobre a comercialização de importados restringe o investimento na indústria brasileira, que perde espaço no mercado.

“O ideal é que isso não acontecesse, uma vez que as empresas perdem a possibilidade de investir para ganhar mercado e atender à demanda absorvida pelos importados”, defende Roriz.

Ainda segundo ele, a não cobrança efetiva do IPI é mais um reflexo da forte penetração de importados que têm ocorrido nos últimos 10 anos.

“No Brasil, a cada 4 produtos transformados consumidos, um é importado e isso se deve à perda de competitividade”, afirma Roriz.

Arrecadação menor

A legislação atual garante a incidência de IPI, ICMS, PIS e Cofins na venda de mercadoria importada. Nesse caso, no entanto, o varejista é passível de crédito do IPI, ICMS, PIS e da Cofins da operação anterior, enquanto o Imposto de Importação não é passível de crédito e torna-se custo embutido no preço. É essa operação que o STJ analisou e considerou que não deve haver a incidência do IPI, o que a desonera do imposto e, consequentemente, reduz o seu preço ao consumidor. Nessa situação, o importador não pode se creditar do IPI pago no desembaraço aduaneiro e assim torna-se custo, assim como é o imposto de importação.

No que se refere à revenda de mercadoria nacional, a legislação atual garante a incidência de ICMS, PIS e Cofins, sendo o varejista passível de crédito do ICMS, PIS e da Cofins da operação anterior. Nesse caso, o IPI, objeto do estudo, não é passível de crédito, tornando-se custo embutido.

A não incidência do IPI na revenda de mercadoria importada pode provocar uma importante redução de na arrecadação do imposto pela Receita Federal, de acordo com a análise do Decomtec, comprometendo ainda mais a frágil situação orçamentária do governo.

Roriz insiste na redução do Custo Brasil, conjunto de entraves estruturais à produção brasileira, além da manutenção da cobrança do IPI sobre a comercialização dos importados, para que a indústria volte a competir com produtos internacionais no mercado doméstico.

“Eu acredito que, no que diz respeito a atenção que deveria ser dada a indústria, a primeira coisa a ser feita deveria ser diminuir o Custo Brasil, e também que houvesse aumento de imposto [ao importado]”.

Roriz: baixa participação da indústria no BNDES reflete cenário ruim ao investimento

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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José Ricardo Roriz Coelho: “Diminuindo investimento haverá, obviamente, menos empresas pedindo dinheiro para que possam realizar seus próprios planos de investimento”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Caiu de 28% (no ano de 2013) para 25% (no primeiro semestre de 2014) a participação da indústria de transformação nos desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – um percentual que chegou a 46% em 2010.

Essa trajetória de queda, no entanto, não significa necessariamente a indisponibilidade do banco, mas é reflexo de um cenário econômico adverso nos últimos anos. A avaliação é do diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz Coelho.

Os dados são do levantamento “Efeitos do Ambiente Macroeconômico e das Expectativas nos Investimentos e nos Desembolsos do BNDES à Indústria de Transformação”, elaborado pelo Decomtec.

De acordo com o estudo, a participação da indústria nos recursos do BNDES no primeiro semestre de 2014 também é inferior à fatia registrada em 2008 e 2009, período de auge da crise financeira mundial, de 39% e 44%, respectivamente.

A redução do investimento do banco ao segmento de máquinas e equipamentos foi ainda mais acentuada: um recuo de 7,2% este ano.

“Eu não culpo o BNDES por essa queda de participação na indústria. Até porque o banco teve um papel fundamental para que o investimento do Brasil não caísse mais do que já caiu. E hoje, com essas taxas de juros no Brasil, sem o BNDES é quase que inviável fazer investimentos em infraestrutura ou em projetos de longo prazo de maturação no país”, esclarece Roriz.

A taxa de investimento na economia também apresenta uma rota de queda desde 2011. Em 2008, a taxa de investimento, ou seja, o percentual de Formação Bruta de Capital Fixo no Produto Interno Bruto (PIB), era de 19,1%, caindo para 18,1% em 2009, recuperando-se em 2010 para 19,5% e mantendo-se em 19,3% em 2011.

Em 2012, a taxa de investimento caiu para 18,2% e manteve o patamar em 2013. O Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp projeta, no entanto, uma queda para essa taxa para 17% do PIB em 2014.

“Diminuindo investimento haverá, obviamente, menos empresas pedindo dinheiro para que possam realizar seus próprios planos de investimento”, complementa Roriz.

Ritmo menor

Segundo o levantamento do Decomtec, a queda da participação da indústria de transformação nos desembolsos do BNDES foi influenciada pela desaceleração das empresas de grande porte, as quais respondiam por 36% dos desembolsos totais do banco em 2008, caindo para 21% em 2013 e chegando a 19% no primeiro semestre de 2014.

Já as empresas de porte micro e médio-grande aumentaram sua participação nos recursos do banco de 0% em 2008 para 2% em 2013 e no primeiro semestre de 2014. Enquanto as indústrias de pequeno e médio porte continuam este ano com a mesma participação de 2013, 1% e 2%, respectivamente.

A fatia da agropecuária nos recursos do BNDES também caiu no primeiro semestre deste ano, para 9% contra 10% em 2013. E o fôlego da indústria extrativa para investimentos também diminuiu. Em 2013, o setor representava 2% dos desembolsos, nos primeiros seis meses de 2014, a participação caiu para 1%.

Brasil é o 39º de 43 países em ranking internacional de competitividade

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil ficou na 39ª posição em uma lista com 43 países em um ranking que avalia os países de acordo com as condições sistêmicas de concorrência internacional. Os dados foram apurados na pesquisa Índice de Competitividade das Nações, desenvolvida anualmente pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com 83 variáveis quantitativas abrangendo temas como economia, comércio internacional, política fiscal, crédito, tecnologia, produtividade e capital humano.

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Paulo Skaf: “Brasil se manteve numa posição muito ruim. Isso significa que estamos sem competitividade com relação a outros países do mundo.”. Foto: Tamna Waqued/Fiesp

O resultado, de acordo com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, é um sinal de que o Brasil não vem fazendo a lição de casa. “Nós podemos ter até melhorado, mas os outros melhoraram muito mais. Em 13 anos, por exemplo, a China subiu 11 posições e a Coreia 10posições. O Brasil se manteve numa posição muito ruim. Isso significa que estamos sem competitividade com relação a outros países do mundo.”

Uma das saídas, afirma Skaf, é a redução de impostos e dos gastos públicos. “Os impostos no Brasil precisam ser reduzidos. E, em hipótese nenhuma, serem aumentados porque já há uma grande carga tributária. No atual cenário, de baixo crescimento econômico, somente a redução dos gastos públicos, principalmente as despesas de custeio, possibilitaria a folga necessária no lado fiscal para a redução da carga tributária.”

>> Veja o estudo na íntegra

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Fonte: estudo Decomtec/Fiesp

 

De acordo com José Ricardo Roriz Coelho, diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, o persistente arrefecimento da economia brasileira em 2014 é um agravante que pode influenciar em uma piora da colocação brasileira.

“Não são animadoras as perspectivas para melhora do índice em 2014. Até porque não há uma agenda e um conjunto de ações que indiquem um aumento da competitividade brasileira na comparação com a desses outros países. No ano de 2014, provavelmente, nossa situação vai piorar diante dos dados de 2013. Mas isso é uma avaliação preliminar”, esclarece Roriz.

Roriz Coelho fez a abertura do evento na Fiesp nesta quinta-feira (05/12). Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

José Ricardo Roriz Coelho: “Quando se mede, percebe-se que os outros países estão andando numa velocidade maior que a nossa”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Elaborado anualmente pelo Decomtec/Fiesp, o Índice de Competitividade das Nações identifica os principais avanços e restrições ao crescimento da competitividade brasileira. A pesquisa separa 43 países em quatro quadrantes: competitividade elevada, satisfatória, média e baixa. O Brasil se encontra no grupo de baixa competitividade.

“Quando se mede, percebe-se que os outros estão andando numa velocidade maior que a nossa”, complementa Roriz.

Em 2013, os Estados Unidos permaneceram no topo do grupo de competitividade elevada com a primeira colocação e 86,6 pontos, seguido pela Suíça com 78 pontos, Coreia do Sul com 77,1 pontos e Cingapura com 72,9 pontos.

A nota do Brasil em 2013 – 21,5 pontos – só não foi pior que a de quatro dos 43 países avaliados: Turquia (20 pontos, 40º lugar), Colômbia (19 pontos, 41º lugar), Indonésia (17,4 pontos, 42º lugar) e Índia (10,3 pontos, 43º lugar).

Roriz acredita que comparações como a do Índice de Competitividade são uma boa referência. “Podem nos nortear até para saber se o Brasil está evoluindo de uma maneira positiva com relação a competitividade e também ver o que os outros estão fazendo, principalmente aqueles estão evoluindo numa velocidade maior. E através dessa análise ajudar o país a ficar cada vez mais competitivo.”

Embora os Estados Unidos permaneçam na liderança, Cingapura, Áustria, Hungria e Israel foram os países que, segundo o levantamento, ganharam mais competitividade entre 2012 e 2013.

Cingapura avançou três posições no ranking, chegando ao 4º lugar, com 72,9 pontos, no quadrante de competitividade elevada. A Áustria também subiu três posições, passando a 60,7 pontos, na 14ª colocação, ficando no grupo de competitividade satisfatória.

Israel e Hungria ascenderam duas posições. A nação do Oriente Médio passou a 66,5 pontos, no 11º lugar, na faixa da competitividade elevada. Já o país da Europa Central ficou com 45,6 pontos, na 26ª colocação, no grupo médio.

“Se a gente olhar a maioria dos países que avançaram com velocidade grande com relação a sua competitividade, todos esses países tiveram um plano e disciplina de execução para fazer isso. Não foi por acaso que isso aconteceu”, analisa Roriz.

Urgência

O estudo da Fiesp identifica seis prioridades na agenda de políticas públicas para que o país retome a rota de crescimento. Como urgência, o departamento da Fiesp aponta a simplificação e a redução da carga tributária para o setor produtivo, a redução no custo do financiamento e o alinhamento cambial.

Outras condicionantes que merecem atenção são os investimentos em infraestrutura, Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e educação.

No entanto, Roriz pondera que o efeito positivo dessas medidas – mesmo se tomadas de imediato – leva algum tempo para ser percebido. “Dificilmente uma decisão começa a ser implementada no dia seguinte. E mesmo que seja implementada, suas consequências na economia demoram um tempo. Agora, mais do que a urgência de implementar, nós precisamos de uma política, de uma estratégia, de uma agenda e daí partirmos rapidamente para a sua execução”, reivindica o diretor.

Se o Brasil fizer as várias reformas que precisa, argumenta Roriz, os indicadores de 2015 podem até ser ruins, mas a tendência é que o Índice de Competitividade melhore no anos seguintes.

Inflação

No combate à inflação, a indústria brasileira precisa de condições para poder aumentar a oferta de produtos. Segundo Roriz, a última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de elevar a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual para 11,25% ao ano “foi uma decisão absurda e improvisada”.

“Para frear a inflação, que foi o objetivo anunciado, é totalmente absurdo, até porque o país já está parado e com baixa demanda. O país precisa ter mais concorrência, principalmente em insumos e matérias primas. Não é aumentando juros que a gente vai frear a inflação hoje”, avalia Roriz.

Roriz: Brasil vem tendo avanços no apoio às startups, mas é importante minimizar riscos

Agência Indusnet Fiesp

Impossibilitado de participar do seminário “Estratégias para a Inovação e Empreendedorismo”, realizado nesta terça-feira (07/10), o diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz Coelho, enviou uma mensagem para a ocasião. O texto foi lido pelo diretor secretário da entidade, Mario Frugiuele.

Na mensagem, Roriz destaca que para Fiesp é gratificante realizar essa discussão sobre as startups. “Pois elas simbolizam o que existe de mais moderno na economia mundial.”

Roriz Coelho fez a abertura do evento na Fiesp nesta quinta-feira (05/12). Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Roriz Coelho: projeto de lei do Senado, que prevê isenção por quatro anos dos impostos federais das startups, pode ser um divisor de águas. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O discurso foi centrado na falta de capital para a inovação. “No Brasil, o acesso ao mercado de capitais ainda é muito restrito para a maioria das empresas”, observou, citando cálculos do Centro de Estudos do Mercado de Capitais do IBMEC [Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais], em que 43% dos investimentos privados no Brasil são financiados com recursos próprios dos empresários – poupanças e lucros retidos.

“Nos Estados Unidos, impossível não citá-lo quando o assunto é capital de risco, os investimentos de Private Equity e Venture Capital se tornaram um dos principais responsáveis por alavancar negócios que atualmente representam as empresas de maior valor no mercado mundial. Google, Apple, Microsoft, eBay, e Amazon são exemplos desses investimentos.”

De acordo com Roriz, não por acaso, 48% das novas empresas fecham suas portas em três anos por falta de recursos de natureza financeira e gerencial, segundo dados de pesquisa divulgada em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Ele ressalta que números mostram que existe uma grande oportunidade para que os investimentos na modalidade de capital de risco desenvolvam seu potencial de geração de emprego e renda na economia brasileira.

“Estudo realizado pela Associação Nacional de Venture Capital dos Estados Unidos (2009) observou que no período de 1970 a 2008, em média, para cada US$ 1 investido em Venture Capital, US$ 6,3 em receita foram gerados nas empresas investidas. Nossa expectativa é de que resultados semelhantes passem a acontecer no Brasil.”

Em seguida, a mensagem de Roriz menciona os programas de apoio pelo governo federal às empresas inovadoras como o Startup Brasil, sob a gestão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em que a meta é investir R$ 40 milhões para acelerar 150 startups de software e serviços de Tecnologia da Informação até o fim de 2014.

A mensagem assinala ainda que a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também têm contribuído para o fortalecimento das pequenas empresas inovadoras. “Até novembro de 2012, a incubadora de Fundos Inovar da Finep realizou 13 chamadas públicas, aprovou investimentos em 27 fundos e consolidou uma carteira composta por 100 companhias. Por sua vez, o BNDES está operando os fundos de capital semente Criatec II, que tem disponível R$ 186 milhões, quase o dobro da primeira versão, e o Criatec III, que terá no mínimo R$ 200 milhões.”

Segundo Roriz, o Projeto de Lei do Senado número 321 de 2012, do senador José Agripino, pode ser um divisor de águas. “Prevê isenção por quatro anos dos impostos federais das startups, período de maior fragilidade dessas empresas, e também considera um incentivo adicional de mais um ano de desconto de 50% em todos os impostos componentes do Simples.”

Na opinião do diretor da Fiesp, é notório que estão acontecendo avanços no apoio às startups. “Mas é importante não esquecer o problema das garantias. Se a empresa tem um nível de risco maior, vai precisar ter garantias que minimizem este risco, o que na maioria das vezes não acontece”, pondera Roriz.

Uma solução, sugere ele, é estudar a possibilidade de ampliar o uso dos fundos garantidores do BNDES, do Banco do Brasil e do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

“O Brasil tem feito a sua parte ao fortalecer o financiamento a essas empresas, semelhante ao que vem sendo feito em outros países, e, com isso, esperamos que resultados promissores sejam alcançados no longo prazo, como por exemplo maior nível de agregação de valor a nossa economia”, conclui o diretor titular do Decomtec/Fiesp.

Empresário ‘está perdendo o jogo da competitividade’, diz diretor da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Roriz: “Normalmente um país com baixo crescimento faz é baixar a taxa de juros para promover o investimento. No Brasil estamos numa posição contrária. Temos uma das mais altas taxas de juros do mundo”,

Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) destinados à indústria de transformação em 2013 chegaram a 28% do total de financiamentos realizados pelo banco de fomento.

A taxa, que já chegou a 46% em 2010, manteve-se em 29% em 2011 e 2012, aponta um levantamento do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Para acessar a pesquisa na íntegra, clique aqui.

A trajetória de queda desses desembolsos reflete a falta de perspectiva otimista do empresariado com o cenário econômico, avalia o diretor titular do Decomtec/Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho.

“Quando analisa as projeções e as possibilidades de aumento de vendas, de exportações e vendas no mercado interno, o empresário fica com receio porque ele está perdendo o jogo da competitividade aqui no Brasil”, afirma Roriz.

Para o produzir no Brasil, lembra Roriz, os empresários sofrem uma desvantagem de 34,7% nos custos comparado com outros países.

O diretor da Fiesp pede por uma estratégia de crescimento para o país, em que a indústria ocupe um papel central. Roriz também defende uma política de juros que incentive o investimento no país, contrária às medidas atuais, segundo ele.

“Normalmente um país com baixo crescimento faz é baixar a taxa de juros para promover o investimento. No Brasil estamos numa posição contrária. Temos uma das mais altas taxas de juros do mundo”, avalia. “É difícil crescer com essas taxas de juros.”

Segundo o levantamento “Implicações do Desempenho da Rentabilidade e da Margem de Lucro nos Investimentos da Indústria de Transformação”, elaborado pelo Decomtec/Fiesp, empresários que investiram na indústria de transformação entre 2008 e 2012 tiveram um rendimento de 47%, enquanto as aplicações financeiras renderam, durante o mesmo período, embolsos de 62% do valor total investido.

Em valores reais, de R$ 1 bilhão investido na indústria entre 2008 e 2012, houve retorno de R$ 469 milhões em rendimentos líquidos, já descontado o imposto de renda. Enquanto isso, o mesmo montante aplicado em uma aplicação financeira sem risco, como Renda Fixa, rendeu R$ 624,3 milhões no mesmo período.

“A indústria produz, investe, está gerando emprego, desenvolvendo inovação e tecnologia, enquanto na aplicação financeira o dinheiro está lá parado”, argumenta Roriz.

Futuro

Uma preocupação para o setor industrial, de acordo com Roriz, é a falta de uma estratégia clara para combater o arrefecimento da economia e, principalmente, o fraco desempenho da indústria.

“Então, a pergunta que se para o próximo presidente da República: qual é a sua estratégia para sairmos dessa situação ruim que o país está enfrentado hoje?”, questiona.

Para Roriz, impulsionar o investimento na indústria é “incentivar um investimento produtivo e não deixar o dinheiro parado no mercado financeiro rendendo mais.”

>> Folha de S. Paulo destaca estudo da Fiesp sobre investimento na indústria de transformação

Na avaliação de diretor da Fiesp, PNPC representa uma iniciativa ímpar no país

Agência Indusnet Fiesp

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José Ricardo Roriz Coelho: desafio, agora, é atrair empresas e pesquisadores para as plataformas do conhecimento a serem lançadas. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), afirma que o anúncio do Programa Nacional de Plataformas do Conhecimento (PNPC), instituído em decreto assinado na quarta-feira (25/06) pela presidente da República, Dilma Rousseff, é ambicioso por tentar resolver um problema de difícil solução e antigo do país.

Segundo Roriz, o  programa representa uma iniciativa ímpar no país não só pelo montante de recursos que se espera investir – mais de R$ 20 bilhões em 10 anos –, mas também porque considera aspectos operacionais capazes de fazer a diferença no sucesso do programa.

Para ele, o governo federal foi realista, uma vez que o desafio tecnológico é grande. Nesse sentido, o programa terá desta vez uma perspectiva de longo prazo para desenvolvimento dos projetos; destaque de áreas estratégicas e onde o Brasil já possui relevância científica e tecnológica; criação de um sistema de avaliação por metas para continuidade do funding dos projetos; e, o principal, a exigência de que ao final das etapas da pesquisa e desenvolvimento (P&D) se tenha produtos e/ou processos inovadores que atendam às necessidades do país.

O desafio, agora, na análise de Roriz, é atrair empresas e pesquisadores para as plataformas do conhecimento a serem lançadas. “Por isso, é importante garantir uma fonte estável para os recursos e definir melhor quais serão os mecanismos de incentivo, como, por exemplo, se haverá incentivo fiscal, linhas de subvenção econômica ou de financiamento reembolsável a taxas mais favoráveis, dentre outras modalidades de apoio.”

Ministro da Economia de Portugal convida empresários brasileiros a conhecerem o país

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

O ministro da economia de Portugal, António Pires de Lima, esteve na manhã desta segunda-feira (16/06) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O objetivo era apresentar a atual situação econômica de seu país e as oportunidades de negócios e investimentos.

Além dos representantes do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, participaram do encontro Leonardo Mathias, secretário de Estado Adjunto e da Economia, membros da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) e empresários portugueses e brasileiros.

“Quando se pensa em diversificar investimentos em diferentes áreas geográficas do mundo, Portugal é um país muito interessante”, afirmou o ministro, ressaltando que Portugal fica entre a Europa, a África e a América.

Para ele, entre outras vantagens aos investidores no país estão a boa formação de jovens em áreas como engenharia, ciência e administração, as condições fiscais para quem vem de fora e o custo de vida mais barato com relação aos outros países da Europa. “Portugal está no topo do mundo na classificação de rapidez em criar uma nova empresa e somos o país mais avançado da Europa em e-government”, destaca Lima.

Lima: boas condições fiscais e baixo custo de vida. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Lima: boas condições fiscais e baixo custo de vida. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O ministro apresentou um panorama recente da economia portuguesa. O país entrou no euro há 15 anos e, segundo Lima, o governo da época não tomou ações adequadas para as exigências de uma moeda única, mantendo taxas de juros baixas, muito consumo e muito investimento. O resultado foi um baixo crescimento da economia, gerando dívidas para estado, empresas e famílias e tornando necessário um pedido de assistência financeira em maio de 2011.

Precisando cumprir um programa muito exigente, Portugal corrigiu déficits importantes, como o externo e o das contas públicas e ajuste fiscal. Em 2013, o país conseguiu apresentar uma balança comercial positiva, além de outros benefícios para a economia, como o aumento da competitividade e a redução do desemprego. “Passamos da condição de penúltimo da escala de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) para oitavo e queremos chegar aos três primeiros.”

Ponto de partida 

O vice-presidente da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, afirmou que o encontro é um ponto de partida para que sejam feitos investimentos nos dois países e também investimentos conjuntos de Brasil e Portugal, por exemplo, em países africanos.

A reunião na Fiesp com os portugueses: oportunidades para os dois países. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A reunião na Fiesp com os portugueses: oportunidades para os dois países. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


“Portugal e Brasil podem se complementar dentro das suas cadeias produtivas, associando o que o Brasil tem de competitivo com o que Portugal tem, depois das reformas que fez”, disse Roriz. “Os laços culturais entre Brasil e Portugal vão facilitar muito para que esse processo seja mais rápido.”

Investimento da indústria de transformação deve cair 4,7% em 2014

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Em meio ao abalo da confiança do empresário e incertezas com a política econômica em ano de eleições presidenciais, o investimento da indústria de transformação em máquinas, equipamentos e instalações, gestão, inovação e pesquisa e desenvolvimento (P&D) deve cair 4,7% esse ano com relação ao ano anterior.

As informações são de um levantamento do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), depois de ouvir 1.204 empresas –539 de pequeno porte, 355 de médio e 310 de grande – no estado de São Paulo entre 6 de fevereiro e 24 de abril deste ano.

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José Ricardo Roriz Coelho: falta de investimento resulta no aumento do custo de produção e da ausência de condições para competir no mercado externo. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A pesquisa revela que a parcela de empresas que não devem realizar investimentos em 2014 corresponde a 33,5% das companhias consultadas, enquanto a taxa de investimento da economia com relação ao Produto Interno Bruto (PIB) também deve cair este ano e chegar a 17,9%. Em 2013, a parcela de investimento do PIB correspondeu a 18,4%.

O percentual está muito abaixo até do projetado pelo Plano Brasil Maior para o ano de 2014, que seria de uma taxa equivalente a 22,4% do PIB.

“Além de não atingirmos o valor que esperávamos naquele momento em que foi feito o Plano, ele deve ser menor que foi no ano passado isso nos preocupa porque quando olhamos para frente a situação é de sinal amarelo porque as perspectivas de crescimento são quase nulas”, avalia José Ricardo Roriz Coelho, diretor titular do Decomtec, departamento responsável pela Pesquisa Fiesp de Intenção de Investimento 2014.

Roriz explica ainda que a falta de investimento resulta no aumento do custo de produção e da ausência de condições para competir no mercado externo. Outro efeito colateral extremamente nocivo da falta de investimento é a redução da oferta de emprego por parte da indústria.

“O não investimento significa que nós não estamos melhorando nossa competitividade. Significa menos emprego. E, principalmente, menos empregos de boa qualidade porque investimento implica agregar tecnologia e inovação. E, para fazer frente a esses novos investimentos, procura-se pessoal qualificado”, afirma.

Cabe ao próximo presidente da República, de acordo com o diretor da Fiesp, reverter o atual modelo econômico com base no consumo para estimular o crescimento da indústria e a consequente intenção de investir.

“O próximo presidente, seja ele quem for, vai ter de fazer modificações bastante profundas. Está esgotado esse modelo voltado ao consumo. E esses ajustes devem ser feitos no próximo ano. Então, não dá para esperar um ano de 2015 com números expressivos relativos ao crescimento de mercado no Brasil”, diz Roriz.

Segundo ele, as empresas de médio porte foram as que mais apresentaram uma intenção menor de investir. O diretor esclarece que essas empresas não têm escala como as de grandes e nem mesmo custo menor das pequenas.

“E muitas vezes, no investimento, a maior parcela é de capital próprio. E essas empresas têm dificuldade em acessar bancos e mercado de capitais. Então, dentro do que foi mostrado pelas respostas, elas investiriam menos”, acrescenta. “Mas o cenário no caso de máquinas e equipamentos é que todos teriam queda.”

A pesquisa da Fiesp mostra que somente o investimento da indústria em máquinas, equipamentos e instalações deve apresentar um recuo de 7,2% em 2014. Este ano, as projeções apontam para investimentos da ordem de R$110,7 bilhões, contra R$119,3 bilhões em 2013.


Investimento defensivo

A demanda por financiamentos públicos para investir em inovação e P&D, no entanto, deve aumentar ao menos 75% em 2014 ante 2013.

Mas Roriz explica que se trata de um “investimento defensivo”.

“As vendas atuais também ficam ameaçadas. A tendência é tentar melhorar a gestão e as condições de produção de uma maneira mais barata”, diz Roriz.

A demanda por instituições de financiamento público deve crescer sustentada na gestão para destravar vendas atuais e não em aumento da produção.

“O empresário vai tentar produzir de uma maneira mais barata ou ter produtos mais inovadores com os equipamentos que se tem. Isso se chama investimento defensivo. É uma ação de defesa de mercado”, conclui.