Para incentivar jovens lideranças, Ciesp realiza 11º Congresso de Empreendedorismo

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp 

Com organização do Núcleo de Jovens Empreendedores (NJE) do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), teve início nesta quinta-feira (04/09), o 11º Congresso Estadual de Empreendedorismo, realizado na cidade de Santo André, no ABC paulista.

O objetivo do evento é reunir jovens lideranças para debater temas ligados à gestão e ao empreendedorismo, além de promover o intercâmbio entre os profissionais, por meio da troca de informações e experiências.

“O principal problema do nosso país para construir a visão de futuro é a instabilidade das regras”, disse Fausto Cestari, vice-presidente do Ciesp, na abertura oficial do evento. “Apesar disso, o Brasil tem demonstrado ser um campeão de empreendedorismo. Seria ótimo se todos empreendedores transformassem suas ideias em empresas sólidas.”

Palestras

Na ampla programação do congresso foi realizada a palestra “Empreendedorismo, oportunidade e inovação”, com o especialista em comércio eletrônico e marketing digital, João Kepler. Em sua apresentação, ele deu dicas de como empreender com criatividade.

“Muitas vezes a gente bate na porta errada e por isso encontra essa porta fechada. E muitos não querem continuar. No entanto, são nos fracassos que descobrimos quão forte e quão resiliente a gente é”, alerta Kepler, que conta que já quebrou duas vezes. “Só deve empreender quem estiver disposto a ter tudo mas também perder tudo”, afirmou.

O palestrante também falou que o desconforto tem que mover o empreendedor. “Só vence quem tem a cabeça fora do lugar, quem não é acomodado. Se você tem atitude para criar, inovar, refazer e reinventar, qualquer coisa pode mudar a situação”, disse ele, que destacou a necessidade de mudar a perspectiva e o modo de observar as coisas.

“O que queremos hoje são coisas menos tangíveis do que antigamente. Ninguém quer comprar um CD ou ter um aparelho de DVD, mas quer ouvir a música e ver um filme. Antes a gente buscava um computador potente, com mais capacidade. Hoje quer um tablet com Google Drive resolve o problema”, comentou.

“As tecnologias que vão mudar as nossas vidas já existem. A mudança agora é social e de valores, com novas formas de pensar, novas profissões e novos modelos de negócios. Por isso é fundamental ter novas perspectivas de mundo e formas de pensar diferentes”, concluiu Kepler.

Depois de Kleper, quem subiu ao palco foi seu filho, Davi Braga, que aos 13 anos já é empreendedor. Ele apresentou a palestra “Não existe idade para empreender”, onde pontuou alguns problemas do Brasil e do mundo, como a fome, a violência e as doenças.

“Quem tem que resolver os problemas da sociedade é a nossa geração”, disse o adolescente, que vê o empreendedorismo como uma saída para os problemas atuais. “Empreender é ter vontade de crescer, oportunidade de liderar e mudar o mundo.”

Davi contou a história da sua start-up, em que contou o investimento do pai, mas assumiu o compromisso de pagar tudo, “uma questão de honra”, segundo ele. Foi em uma viagem aos Estados Unidos que ele teve seu primeiro insight de empreendedor.

“Comprei uma máquina de chicletes e várias bolinhas de chiclete. Mas como todo empreendedor, enfrentei dificuldades e o inspetor me proibiu de vender chiclete na escola. A saída que encontrei foi dar chicletes para o inspetor fazer vista grossa”, conta o menino.

Ele conseguiu fazer a empresa crescer, comprou outras máquinas e contratou vendedores, mas acabou falindo sua primeira empresa por não ter planejado a demanda. Mas não desistiu e em sociedade com a irmã começou um negócio de cupcakes, que eram vendidos na escola.

Proibido de vender na escola novamente, agora pela diretora, Davi encontrou outra saída. Criou um grupo no aplicativo whatsapp para receber os pedidos de cupcakes e apenas fazia a entrega na escola – e não a venda. O resultado foi a compra de uma smart TV 32 polegadas com o dinheiro das vendas. “Foi quando eu disse: eu quero trabalhar, quero continuar fazendo isso.”

Atualmente, Davi trabalha na plataforma List it, que é voltada para a compra de material escola online. “Sou uma criança normal, gosto de brincar, de aplicativos e telefone. E quero ser feliz e mudar o mundo”, avisa o jovem empreendedor, que convidou o público para empreender também.