Plano de modernização do IPT custará R$ 172 milhões

Agência Indusnet Fiesp 

O presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), João Fernando Gomes de Oliveira, anunciou que R$ 172 milhões estão sendo investidos para por em prática planos de modernização da instituição, em discussão desde 2008. Eles incluem aumento da qualidade da infraestrutura, novos equipamentos e recursos humanos.

Durante reunião do Conselho Superior de Tecnologia e Competitividade (Contec) da Fiesp, nesta sexta-feira (14/5), Oliveira disse que o objetivo da medida é fortalecer projetos de maior valor agregado em pesquisas avançadas, na tentativa de ingressar em novas áreas. O engenheiro explicou que a iniciativa é resultado da forte demanda do pré-sal, das tecnologias sustentáveis e do desenvolvimento da bionanotecnologia.

Do total investido, 80% provêm do governo de São Paulo e o restante, de outras instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Petrobras.

“Somente no ano passado, o governo colocou R$ 57 milhões; metade foi para importação de equipamentos e a outra metade para obras civis”, revelou o presidente do IPT. De acordo com ele, entre as obras, está prevista a construção de três laboratórios – um para ensaios pesados, que serão aplicados nas plataformas usadas no pré-sal; um voltado à bionanotecnologia; e o outro para testar a compatibilidade eletromagnética de produtos.

“Só em nanotecnologia, que é 100% financiada pelo estado, o investimento é de R$ 46 milhões. São 8.000 metros quadrados de obra e mais os equipamentos, caros e de alta complexidade tecnológica”, informou. A inauguração dos projetos está prevista para dezembro de 2010.

Pioneiro

Junto à Embraer e universidades estaduais, o IPT vai concluir, ainda este ano, a instalação do primeiro Laboratório de Estruturas Leves (LEL) do País, em São José dos Campos. O polo aeronáutico foi escolhido para sediar a unidade de R$ 90,4 milhões porque seu principal objetivo é a construção de peças que reduzam o peso de aeronaves.

“Mas o laboratório será capaz de desenvolver tecnologias transversais, que poderão ser aplicadas nas indústrias automobilísticas e de autopeças, petróleo e gás, naval, bélica, construção civil. E em muitas outras frentes”, ressaltou Oliveira.

Segundo ele, o BNDES já liberou R$ 27,6 milhões para viabilizar a instalação de equipamentos e financiamento de pesquisas, e a área foi cedida pela prefeitura da cidade.

União instável

Na opinião do engenheiro, o Brasil já possui o necessário para deslanchar na produção tecnológica e, assim, conquistar fatias maiores do mercado internacional. Contudo, para o especialista, isto ainda não aconteceu devido à falta de sintonia entre as universidades e as empresas.

“O projeto de modernização do IPT também pretende mudar esse quadro, pois vamos começar a fazer essa mediação entre as partes. Faremos papel de conectores, para tirar esse monte de ideias boas das universidades e aplicá-las conforme a prioridade das indústrias”, garantiu.

O desdobramento disso, prosseguiu, será a formação de um “exército” de mão de obra especializada, que terá de dominar tanto a parte business, para saber negociar, quanto o conhecimento técnico dos projetos. “É um novo mercado de profissionais, pois é uma prática ainda pequena no Brasil e com muito potencial”, concluiu.