14º Encontro de Energia: painel debate operação do Sistema Integrado Nacional

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

A operação do “Sistema Integrado Nacional (SIN) frente às mudanças da matriz elétrica” foi tema de painel que reuniu especialistas de grandes empresas no segundo e último dia (06/08) do 14º Encontro Internacional de Energia realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O encontro foi mediado por Carlos Faria, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da instituição.

Antes de passar a palavra para os convidados, Faria iniciou o debate afirmando que o consumidor tem assistindo à expansão do sistema energético com diminuição da capacidade de armazenagem e da geração hídrica, a “fonte mais barata que temos”.

Os debatedores do painel. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Os debatedores do painel sobre o SIN no 14º Encontro de Energia da Fiesp. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Após o mediador, João Carlos Mello, presidente da Thymos Energia, falou sobre matriz energética brasileira, que, em sua opinião, está mudando. “O setor elétrico atravessa um momento de transição estrutural importante de sua matriz. A presença de projetos termelétricos é uma realidade.”

Segundo Mello, os novos projetos de geração hidráulica e eólica com produção intermitente farão com que as térmicas sejam despachadas com maior frequência para assegurar suprimento. “As novas regras do setor buscam priorizar a segurança do suprimento energético, o que resultará num despacho térmico mais significativo”, disse.

Mello garantiu que o Brasil verá uma evolução da matriz até 2020. “A geração hidrelétrica vai baixar para 67% do total. Enquanto as térmicas se manterão em 17%. Já as renováveis saem de 9% para 16%, até o fim da década”, afirmou. “A complementação térmica é necessária”, acrescentou.

Leontina Pinto, diretora da consultoria Engenho, também abordou a operação do sistema brasileiro. “Sem geração e sistema, não tem abastecimento. E o sistema precisa ter modicidade, segurança e sustentabilidade”, iniciou.

Para atingir esse modelo, para Leontina, é necessário levar em consideração os recursos naturais existentes no Brasil. “O modelo adotado foi o de leilões. O perigo do planejamento energético atual é que não temos recursos para atender e, assim, faltará energia. A segurança do sistema deve ser considerada”, alertou.

“Precisamos de um serviço que contenha modicidade e segurança. Segurança é um produto a ser precificado. Uma usina eólica no Nordeste não trará certeza de abastecimento para o Sudeste”, encerrou.

Hermes Chipp, diretor geral do Operador Energético do Sistema Elétrico (ONS), compartilhou dados recentes sobre o sistema nacional. “No último ano, as regiões Sudeste e Centro-oeste, grandes produtoras energéticas, tiveram que transferir altos montes de energia para as regiões Norte e Nordeste. O que nos faz olhar com mais cuidado essa expansão energética, já que temos um problema de integração”, disse.

De acordo com o diretor, a grande previsão de expansão térmica será proveniente de usinas hidráulicas, com aumento de 20,1% e crescimento de produção de 17 mil Megawatts, sendo mais de sei mil provenientes da Usina Hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira, em Rondônia.

Para Chipp, expansão térmica é a saída para o desenvolvimento.

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