‘A sustentabilidade não é um artigo de luxo, mas uma necessidade’, diz coordenador adjunto do BioBrasil em simpósio na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A palavra de ordem é convergência. Isso em nome do desenvolvimento sustentável. Essas e outras ideias foram debatidas no Simpósio Internacional de Bioeconomia, realizado nesta sexta-feira (09/12), na sede da Fiesp, em São Paulo. E com direito à análise de como o país se encontra diante da discussão em painel sobre “O Brasil e o Panorama Global da Bioeconomia”.

O debate foi moderado pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), João Carlos Basílio da Silva. E teve a participação de personalidades como o coordenador adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria da Fiesp (BioBrasil), Eduardo Giacomazzi.

“A grande questão colocada pela União Europeia é como usar melhor os recursos disponíveis, descobrindo ainda usos para aqueles recursos que a gente não utiliza atualmente”, explicou Giacomazzi.

Isso num cenário de “convergências tecnológicas em nome do futuro”. “Convergência é a palavra de ordem”, disse. “Estamos falando de práticas como a substituição de combustíveis e a adoção do carbono neutro até 2050”.

Para Giacomazzi, alguns temas importantes dessa agenda do futuro, como o uso da nanotecnologia, ainda estão “soltos dentro da indústria”. “São grandes os desafios para uma transição de modelo econômico”, afirmou. “Precisamos rever os subsídios aos combustíveis, por exemplo. A sustentabilidade não é um artigo de luxo, mas uma necessidade”.

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Giacomazzi: “São grandes os desafios para uma transição de modelo econômico”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Nesse contexto, entre os temas que vão ganhar espaço mais adiante estão os novos sistemas alimentares, as cidades com bio princípios, a cultura sustentável, a fotossíntese artificial, as biorefinarias e a maior participação dos cidadãos nessas discussões.

“O Brasil tem duas plantas de etanol de segunda geração, por exemplo, com 120 milhões de litros por ano de produção”, disse Giacomazzi. “O desafio não é ter a planta, mas estabelecer uma cadeia sustentável para dar vazão ao que é produzido”.

Manifesto de Utrecht

Consultor de Ciência, Tecnologia e Inovação do Consulado da Holanda em São Paulo, Ernst Jan Bakker apresentou as linhas gerais do Manifesto de Utrecht, elaborado num evento na cidade de mesmo nome em seu país em abril, o Bioeconomy Utrecht 2016.

“O manifesto foi elaborado em quatro capítulos que destacam a necessidade de agir já em nome da transição para a bioeconomia, enfrentando os desafios para tanto e estabelecendo formas de agir nesse sentido”, afirmou. “O foco está na educação, treinamento e comunicação, integração, diálogo e conscientização da população, com monitoramento dos impactos ao meio ambiente”.

De acordo com Bakker, é preciso explicar o que é bioeconomia às pessoas.

Inovação

Também debatedora do painel, a sócia-diretora da 14Bisness, Diana Jungmann, destacou que a bioeconomia “é a economia do século 21, baseada em inovação e voltada para a sustentabilidade”.

“Teremos cada vez mais gente no mundo, com a expectativa de 9,6 bilhões de habitantes em 2100”, explicou Diana.

Mais: em 2030, mais de 60% da população viverá nos centros urbanos, com menos suprimentos de água. “Já somos um planeta sedento por energia e diante do aumento da mobilidade urbana e da degradação dos recursos naturais”, afirmou.

Assim, a pressão é grande “para acharmos soluções baseadas na ciência e na tecnologia”. “Temos que produzir mais alimentos, mas de forma sustentável, usar formas renováveis de energia”.

Diana citou ainda pesquisa realizada em 2014 pela Confederação Nacional da Indústria que aponta que a imagem sobre a bioeconomia é positiva para 92,2% dos brasileiros entrevistados. “Por outro lado, 76,9% discordam que o Brasil aproveita o potencial da bioeconomia”, explicou.