Equipe feminina de vôlei do Sesi-SP é vice no Campeonato Paulista 2015

Amanda Demétrio, Agência Indusnet Fiesp

O time feminino de vôlei do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) entrou em quadra na manhã deste domingo (25/10) no ginásio José Liberatti, em Osasco para enfrentar o Vôlei Nestlé em busca do título inédito do Campeonato Paulista Feminino 2015. Em uma partida rápida, na qual as donas da casa garantiram o placar de 3 sets a 0 (25/16, 25/18 e 25/20), o time do técnico Talmo de Oliveira ficou com o vice-campeonato e agora volta as atenções para a temporada 2015/16 da Superliga. A estreia está marcada para o dia 14 de novembro, contra o São Bernardo Vôlei, na Vila Leopoldina.

Com um desempenho melhor em 2015 do que na edição passada, quando caíram na semifinal, Sesi-SP e Vôlei Nestlé reeditaram a final de 2013, quando a equipe de Osasco também se sagrou campeã. Neste ano a decisão já começou melhor para as adversárias. No primeiro jogo entre as equipes, o Sesi-SP recebeu o Vôlei Nestlé em casa e ficou na desvantagem após perder por 3 a 1. Neste domingo, com o ginásio lotado, as meninas da Vila Leopoldina não conseguiram imprimir um bom jogo dentro de quadra e acabaram superadas mais uma vez.

Na avaliação do técnico Talmo de Oliveira, o time não conseguiu desenvolver seu jogo. “Mesmo com alguns momentos de reação, a gente não teve o domínio do jogo, e essa foi nossa dificuldade. Tentamos equilibrar um pouco a partir do segundo set, mas não tivemos o domínio. O mérito é da equipe adversária, que jogou muito bem”, comentou.

A central Bia e a ponteira Jaqueline, foram as maiores pontuadoras do Sesi-SP com 10 pontos cada. Bia acertou quatro bloqueios. Ivna, oposta do Osasco, liderou a pontuação do jogo com 15 acertos. O time entrou em quadra com Fabiana, Ellen Braga, Carol Leite, Andreia, Jaqueline, Bia e a líbero Suelen. Entraram Dayse, Pri Heldes e Sabrina.

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Sesi-SP na segunda partida da final do Paulista 2015. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O jogo

A equipe do Sesi-SP abriu o marcador após um ataque fora do Vôlei Nestlé. Na sequência foi a vez das donas da casa pontuarem e abrirem vantagem no placar. Sem dar muitas chances para o time de Talmo, a equipe de Osasco abriu cinco pontos de vantagem na primeira parada técnico do jogo (8/3). Com o bloqueio bem posicionado, impedindo a efetivação do ataque do Sesi-SP, ampliou um pouco no segundo tempo técnico (16/9). Com a entrada de Dayse, Pri Heldes e Sabrina no lugar de Jaqueline, Andreia e Carol Leite a equipe voltou a aparecer no jogo. Após uma sequência de quatro saques bem colocados da ponteira Ellen, sendo um deles ace, o time da Vila esboçou uma reação, mas não conseguiu superar o Vôlei Nestlé, que fechou o set com 25/16.

Diferentemente do começo da partida, o segundo set começou equilibrado. Mesmo com o adversário abrindo 3 a 0, as meninas da Vila não se deixaram abater. Com a entrada de Dayse no lugar de Ellen e a permanência da levantadora Pri Heldes, a equipe jogou de igual para igual, ficando atrás na primeira parada técnica do set por apenas um ponto (8/7). Na volta, mais uma vez Adenizia e companhia voltaram a ditar o jogo e com mais facilidade garantiram a segunda parcial técnica do set com 16/11. Um pouco melhor do que no começo da partida, o Sesi-SP chegou a virar bolas boas com Dayse, mas, mais uma vez ficou atrás (25/18).

No terceiro set, mais uma vez o equilíbrio no placar foi visto. Houve empate até os 5 a 5, quando o Vôlei Nestlé abriu três pontos e chegou na frente no primeiro tempo técnico do set (8/5). Dayse voltou a aparecer no jogo com três saques bem colocados e ficaram faltando dois pontos para empatar (15/13). Com a possibilidade de crescer no jogo, as meninas do Sesi-SP acabaram desperdiçando alguns pontos, e com a torcida empurrando as donas da casa, mais uma vez o time de Osasco garantiu o set e o título do campeonato.

Campanha:

SESI-SP 3 x 0 CONCILIG/VÔLEI BAURU

SESI-SP 3 x 0 UNIARA/AFAV

SESI-SP 3 x 0 E.C. PINHEIROS

SÃO CRISTOVÃO SAÚDE 0 x 3 SESI-SP

SESI-SP 0 x 3 VÔLEI NESTLÉ

RENATA VALINHOS/ 0 x 3 SESI-SP


FASE QUARTAS-DE-FINAL

RENATA VALINHOS/COUN           0 x 3 SESI-SP

SESI-SP 3 x 0 RENATA VALINHOS/COUN


FASE SEMIFINAL

CONCILIG/VÔLEI BAURU 1 x 3 SESI-SP

SESI-SP 3 x 0            CONCILIG/VÔLEI BAURU


FASE FINAL

SESI-SP 1 x 3 VÔLEI NESTLÉ

VÔLEI NESTLÉ 3 x 0 SESI-SP

Torcedor do Sesi-SP que sofre de paralisia realiza sonho de conhecer campeãs olímpicas de vôlei

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Henrique Machado é um dos pacientes mais antigos do Instituto de Ortopedia e Traumatologia (IOT) do Hospital das Clínicas (HC), em São Paulo, um prédio feito originalmente para a paralisia infantil. Ele representa uma das últimas vítimas do surto de paralisia infantil que ocorreu no Brasil, no início da década de 1970.

Sua mãe faleceu no parto e sua avó cuidou dele até adoecer e também falecer. O hospital passou a ser a residência fixa de Paulo desde os dois anos de idade, quando ele foi diagnosticado com o vírus da poliomielite. A doença tirou dele muitas coisas, como o movimento das pernas e a capacidade de respirar sozinho, que o tornou dependente de um equipamento de respiração de ar comprimido. Mas a poliomielite não conseguiu tirar de Paulo a capacidade de sonhar.

Aos 45 anos de idade, o grande sonho de Paulo era simples: conhecer três atletas campeãs olímpicas em Londres-2012 do time de vôlei feminino: Dani Lins (Sesi-SP), Jaqueline e Thaísa (Sollys/Nestlé). “Depois das Olimpíadas de Londres-2012, em que o time feminino ganhou medalha de ouro, eu publiquei no meu Facebook que gostaria de ter a oportunidade de conhecer as jogadoras da seleção, mas acabou não dando certo. E eu entendo, porque sei que é muito complicado e muito difícil”, explicou.

Dani Lins e Paulo Henrique Cardoso. Foto: Lucas Dantas/Fiesp

Paulo ao lado de Dani Lins: "É tanta alegria, que não tenho nem como transmitir essa sensação. É maravilhoso poder sentir essa felicidade que estou sentindo”. Foto: Lucas Dantas/Fiesp

Mas na noite desta terça-feira (05/02), o cenário do já conhecido ginásio do Sesi Vila Leopoldina transformou-se em um pedaço do HC para receber Paulo. Depois do clássico Sesi-SP x Sollys/Nestlé, vencido pela equipe de Osasco por 3 sets a 1, ele recebeu a tão esperada visita de Dani Lins, Jaqueline e Thaísa. Ao encontrar as jogadoras, Paulo confessou: “elas são mais bonitas pessoalmente do que na televisão”. E quando questionado por elas para quem torceu, Paulo foi elegante e brincalhão: “Não torci para nenhum dos dois. Eu torço para o Brasil”.

“Esperávamos a visita dele há um mês e é maravilhoso tê-lo aqui”, afirmou a levantadora do Sesi-SP, Dani Lins, que acredita que a história de Paulo é uma lição: “serve para pararmos de reclamar um pouco de vida. É de arrepiar”. Na opinião dela, a vida dele é um aprendizado. “Saber que uma pessoa que está há 40 anos num hospital, é fã do vôlei e conhece a gente… é uma lição de vida”, afirmou a levantadora.

Jaqueline, ponteira da seleção brasileira, também ficou emocionada. “Olhei para ele e ele começou a rir. As lágrimas começaram a escorrer [no meu rosto]. A gente sabe o trabalho que dá, pegar a ambulância e ele vir até aqui [na Vila Leopoldina]. E ele fez tudo isso por amor”, disse a atleta.

Emocionado e feliz, Paulo agradeceu à equipe do Sesi-SP pela oportunidade. “É tanta alegria, que não tenho nem como transmitir essa sensação. É maravilhoso poder sentir essa felicidade que estou sentindo”, declarou.

Logística

Paulo Henrique Machado com com as atletas de vôlei Jaque, Thaisa e Dani Lins. Foto: Lucas Dantas/Fiesp

Paulo com Jaque, Thaisa e Dani Lins. Foto: Lucas Dantas/Fiesp


Embora sair do Hospital das Clínicas não seja algo inédito para Paulo, a logística envolve um planejamento antecipado. “É dificultoso de ele sair do hospital”, explicou a assistente social Ligia Marcia Finetto, que acompanha Paulo há muitos anos.

Segundo ela, graças ao avanço tecnológico e ao desenvolvimento de um novo aparelho de ar comprimido, que funciona apenas conectando-o a uma tomada, tudo o que ele precisa para sair do hospital é do transporte de uma ambulância, a maca onde fica deitado, o aparelho de ar comprimido, o aspirador e um enfermeiro para acompanhá-lo.

A assistente social explicou também que quando algum paciente portador de paralisia deseja sair do hospital, ela tem que entrar em contato com os responsáveis pelo estabelecimento onde ele quer ir, para organizar o passeio.

Superação

Embora as limitações sejam inúmeras, Paulo completou o Ensino Fundamental e o Ensino Médio por meio de aulas realizadas no próprio hospital. “O HC foi o primeiro hospital a ter uma classe de escola, pois percebemos que as crianças estavam crescendo e não podíamos deixá-las sem escola”, explica Ligia.

Porém, ele ainda deseja cursar uma faculdade a distância. “A maior dificuldade é que ainda são exigidas algumas aulas presenciais e, no caso dele, é muito complicado”, afirmou Ligia.

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