Experiências em responsabilidade social do Brasil e da Coreia são tema de seminário na Fiesp

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Com o objetivo de compartilhar as boas práticas de companhias coreanas e brasileiras, o Comitê de Responsabilidade Social da Fiesp (Cores) realizou nesta quarta-feira (12 de abril) o Seminário Internacional de Responsabilidade Social Corporativa Brasil-Coreia.

Para a diretora titular do Cores, Grácia Fragalá, “as empresas podem e devem ser um importante eixo de mudança social”. De acordo com Grácia, atualmente vemos cada vez mais pessoas comprometidas com essa pauta, das práticas transparentes e saudáveis como chave do desenvolvimento econômico e social em todo o mundo. Grácia defende ainda que “é dessas organizações que devem partir os exemplos que desejamos ver na sociedade”.

Na visão do cônsul-geral da Coreia, Young Jong Hong, e do secretário da Câmara de Comércio, Indústria e Cultura Brasil-Coreia (Kocham), Jin Hong Kim, suas atividades no país envolvem um trabalho permanente de apoio e parcerias às empresas coreanas, principalmente na solução de problemas locais e, em especial, na área social.

Coreanos no Brasil

Da Hyundai, que possui a sétima maior planta da fábrica em Piracicaba (SP), o diretor administrativo Ricardo Martins contou que entrou no país com o HB20, exclusivamente produzido no país em 2012. No entanto, mesmo antes da fábrica ficar pronta, a empresa possuía projetos de cunho social na cidade. “Nossos projetos de responsabilidade social têm duas grandes vertentes: da construção moral e ética das pessoas. Queremos levar uma mensagem nesses sentidos”, afirmou.

Segundo ele, a Hyundai é a única montadora do país com certificado de “Trabalho Decente” reconhecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) brasileiro. A cada seis meses essa auditoria sobre as condições de trabalho na companhia é atualizada. Martins citou ainda as ações da fabricante sobre conscientização no trânsito, saúde dental para crianças, doações para entidades sociais e clínicas de futebol.

No caso da Samsung, o gerente de recursos humanos José Adalberto Nocete destacou a criação de uma escola, em que as aulas são ministradas via televisão aos alunos, em tempo real, e um centro comunitário no Estado do Amazonas, para que as pessoas da região tenham acesso à educação, além de um concurso para estudantes de escolas públicas e ações fortes voltadas ao esporte em variadas instituições. “Nós também procuramos falar muito sobre voluntariado, para incentivar nossos colaboradores sobre a importância de ajudar o próximo”, explicou.

Experiências de Brasil e Coreia em responsabilidade social foram tema de seminário na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Outras experiências

Já a segunda maior processadora global de cana-de-açúcar, a Biosev, chamou a atenção do público pela extensão dos seus projetos. A consultora de responsabilidade social da empresa Rachel Carneiro de Sousa contou como sua equipe teve que estruturar um intenso levantamento de informações sobre os impactos sociais e econômicos causados pelo negócio em cada região.

Presente no Brasil e em mais de 30 países, a Biosev realizou um planejamento de pesquisa, atividades para engajamento interno, entrevistas externas e painéis de diálogo até chegar a um plano de ação concreto, tudo para compreender como a companhia era vista pelo público externo. Os resultados desses dados se refletiram em ações de educação ambiental, atividades informativas e preventivas de saúde, aproximação e inclusão da comunidade.

O Instituto Algar, por sua vez, trouxe ao evento a experiência no ramo social de uma companhia familiar tradicional do Triângulo Mineiro com 23.000 colaboradores. Segundo a coordenadora executiva da entidade, Carolina Toffoli Rodrigues, a área destinada ao trabalho social agrega apenas quatro pessoas, mas é responsável por uma atuação pujante. Carolina apontou como principais frentes de atuação: cultural, educacional e ambiental, como o uso constante de leis de incentivo à cultura nos âmbitos municipal, estadual e federal. Só no ano passado, o instituto atuou em 27 cidades, 2.710 voluntários, 163 escolas, 11.990 alunos e 445 educadores.

Do setor bancário, o diretor do Itaú Eduardo Saron compartilhou detalhes das ações efetuadas nos últimos 30 anos pelo Instituto Itaú Cultural. De acordo com ele, mais de 730 mil pessoas já passaram pelas atividades promovidas pelo banco. A instituição também tem o maior acervo da América Latina e a terceira maior exposição de mídia do grupo Itaú em 2016, atrás apenas da área institucional e do Itaú BBA.

Finalmente, a analista de projetos de responsabilidade social do Sesi-SP, Cláudia Moreira, apresentou os pilares que norteiam o trabalho na entidade, assim como os projetos que transformam o cotidiano de colaboradores e usuários do sistema. Questões como comunicação e relacionamento, liderança, motivação e educação financeira são incentivadas por meio de ações de educação ambiental e a responsabilidade socioambiental com comunidades próximas às escolas.

Pequena e responsável

E não são apenas as grandes empresas que atuam com responsabilidade social. O presidente da microempresa Contents 360, Bruno Lee, contou como promoveu a divulgação de conteúdos educativos para crianças pensando na comunidade em que a empresa estava inserida, material que hoje é reproduzido pela TV Cultura, pelo Discovery Kids e pela Netflix. Lee detalhou que em alguns casos contou com ajuda da Lei Rouanet, de incentivo à cultura.

O evento realizado na Fiesp contou com a presença de companhias como Hyundai Motor Brasil, Samsung Eletronics do Brasil, Contents 360, Instituto Algar, Itaú, Biosev, além da Câmara de Comércio, Indústria e Cultura Brasil-Coreia (Kocham), do consulado da República da Coreia em São Paulo e do Sesi-SP.