Vencedores do Acelera Startup comemoram expansão e reconhecimento do mercado

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A vida deles nunca mais foi a mesma. E o que importa: mudou para melhor depois que eles decidiram se inscrever no Concurso Acelera Startup, maior competição de empreendedores do Brasil, organizada pelo Comitê Acelera Fiesp (CAF) desde 2012. Vencedores na disputa, viram seus negócios deslancharem e suas redes de contatos cresceram numa velocidade jamais imaginada antes. E estimulam todos os interessados em empreender a fazerem o mesmo. A oitava edição do evento começa nesta terça-feira (05/07), na sede da Fiesp, na capital paulista, se encerrando na quarta (06/07), com a divulgação dos resultados.

Além de incentivar o empreendedorismo, o Acelera Startup aproxima projetos e empresas de investidores.

“Não tivemos crise em 2016”, conta Valmir Valverde Júnior, da Carrega +, que fornece carregadores portáteis de celulares e tablets para eventos e empresas. O empresário ficou em segundo lugar na quarta edição do Acelera, em 2014. “Crescemos mais de 300% ao ano desde que participamos do concurso”.

Hoje membro do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp, Júnior diz que o maior ganho foi o reconhecimento trazido pela conquista. “O mercado passou a nos respeitar”, conta.

Além de fornecer os carregadores para eventos, a Carrega + ainda disponibiliza esses objetos para estabelecimentos como restaurantes, vendendo espaço publicitário nas peças, atividade que já responde por 80% do faturamento da empresa.

Não menos animado, Sergio de Andrade Coutinho Filho, da Sayou, de tecnologia de capina elétrica, diz que o primeiro lugar na 3ª edição do Acelera, em 2013, “abriu uma nova rede de contatos e despertou o interesse dos investidores”.

Nesse embalo, a linha de produtos da empresa cresceu e hoje tem produtos de capina elétrica para os mercados agrícola, urbano e florestal, com o lançamento de opções para uso residencial no varejo em 2017.

“O Acelera é uma das melhores iniciativas de empreendedorismo existentes no Brasil hoje”, diz. “Crescemos 100% ao ano, sou muito grato à Fiesp”.

Quase um noivado

Campeão na categoria Energia na 6ª edição do evento, em 2015, o responsável pela área de Investimentos da Somatec, Paulo Morais, diz que a vitória acabou com o “ceticismo de mercado” em relação aos produtos da marca. O carro-chefe da linha da empresa é o retentor eletromagnético, que ajuda as indústrias a consumirem menos energia, entre outros benefícios.

“Existimos desde 1999, mas foi só depois do concurso que nos tornamos conhecidos e reconhecidos”, explica ele. “Agora crescemos 80% ao ano”.

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Morais, da Somatec: “Só depois do concurso nos tornamos conhecidos e reconhecidos”. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Com mais de 2 mil equipamentos instalados em indústrias de todo o país, a Somatec está em fase de negociação com alguns investidores. “Passamos a ser procurados e ouvimos algumas propostas”, conta. “Posso dizer que estamos namorando sério e caminhando para um noivado”, brinca.

Por isso, a gratidão com a disputa de empreendedores promovida pelo CAF é eterna. “O Acelera é um dos eventos mais importantes do Brasil e da América Latina na área, tem um peso imenso”.

Nas últimas edições do evento, foram recebidas mais de 11.500 inscrições de todo o Brasil e participaram mais de 400 mentores e mais de 250 investidores, sendo anjos, representantes de fundos de investimentos e empresas que trabalham com inovação aberta. Somando as edições anteriores (2011, 2012, 2013, 2014 e 2015), o evento já gerou investimentos de mais de R$ 5 milhões.

Confira a programação completa na página do concurso: http://hotsite.fiesp.com.br/acelera/

 Serviço

Concurso Acelera Startup

Data: 5 e 6 de julho

Local: Edifício-sede da Fiesp.

Endereço: Avenida Paulista, 1313. São Paulo

Para viajar no tempo e relaxar entre clássicos, musas e figurinos

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Não é preciso ter interesse especial por moda ou por cinema para gostar de 101 filmes para quem ama moda, escrito pela jornalista Alexandra Farah e publicado pela Senai-SP Editora, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo. Por reunir tantos bastidores, fotos de encher os olhos e lembranças de bons momentos da sétima arte, a leitura flui e informa de forma leve, divertida.

Dividido em quatro blocos temáticos (Estilistas, Documentários, Cinema Brasileiro e Musicais), o livro faz um passeio por épocas variadas, citando os mais diferentes estilos e propostas de figurinos.

Começando pelos estilistas, estão lá, entre outros, Coco Chanel, Hubert de Givenchy e Yves Saint Laurent.

Na obra, ficamos sabendo que Chanel reclamava que as atrizes eram “enfeitadas demais”. E que a revista The New Yorker escreveu que “Chanel faz uma mulher parecer uma mulher, e Hollywood quer que uma mulher pareça duas”. De todo modo, a francesa assinou os figurinos de Esta noite ou nunca, A Regra do Jogo e Ano passado em Marienbad.

Dono eterno da admiração dos fashionistas por ter vestido Audrey Hepburn em clássicos como Sabrina e Bonequinha de Luxo, Givenchy encheu os olhos do mundo com clássicos como o tubinho preto e a combinação de calça justa com sapatilha. Simples e chique demais.

Já Saint Laurent assinou trabalhos do porte de A Pantera Cor de Rosa e A Bela da Tarde, esse último um clássico com Catherine Deneuve linda e jovem no papel da mulher que, entediada no casamento, se prostituía escondida do marido.

No item documentários, há indicações de filmes que inclusive trazem críticas à indústria da moda, como O Verdadeiro Custo, que denuncia algumas práticas da chamada fast fashion, produção em série de roupas em escala semanal, com peças produzidas em países pobres e em condições desumanas de trabalho.

Made in Brazil

Entre as produções locais destacadas no livro, estão películas como O Cangaceiro, com figurinos de ninguém menos que o artista plástico Carybé. Uma informação luxuosa e desconhecida por muita gente que viu o filme. Para que a equipe de gravação pudesse visualizar a posição das peças em cena, ele fez uma série de desenhos cenográficos que mostravam os cenários, um trabalho apurado de produção.

Vai mais uma referência clássica aí? Em Todas as mulheres do mundo, declaração de amor de Domingos de Oliveira à musa Leila Diniz, algumas das peças saíram do acervo pessoal da atriz, como o biquíni de Maria Alice e o tubinho branco.

Para fechar, dicas de musicais muito fashion, como Entre a Loira e a Morena, estrelado pela diva Carmem Miranda e seus turbantes, e Os homens preferem as loiras, com ninguém menos que Marilyn Monroe brilhando de tomara que caia rosa e cantando que os diamantes são os melhores amigos de uma garota.

Diversão garantida ou o seu ingresso de volta.

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O livro da Senai-SP Editora com dicas de filmes para quem ama moda: leitura leve e repleta de bastidores. Reprodução: Everton Amaro/Fiesp

Senai-SP Superação: ‘Cabe a cada um enfrentar os desafios’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Não dá para ficar sentada lamentando”. Não é preciso mais de cinco minutos de conversa com a instrutora do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) Gilvani Tavares Costa para ter certeza de como essa postura diante da vida é seguida à risca. Funcionária da Escola Senai Orlando Laviero Ferraiuolo, no Tatuapé, na capital paulista, especializada em construção, ela dá aula de pedreiro/assentador e também no curso de Construtor de Edificações. E tem a sua história pessoal de superação ligada a tudo o que viveu nos corredores da unidade, onde ingressou em 2007, como aluna.

Hoje com 27 anos, Gilvani sempre se imaginou trabalhando com mecânica. Mas achou boa a dica de uma amiga de tentar uma vaga no curso de Construtor de Edificações da escola da instituição no Tatuapé. Um ano depois, já estava treinando para participar da Olimpíada do Conhecimento, em 2008, ficando em terceiro lugar na modalidade de Jardinagem e Paisagismo da competição.

Foi a escolha certa, até porque, participando da disputa, ela teve o apoio do Senai-SP com o pagamento das passagens de ônibus para os deslocamentos por conta dos treinos. “Meu pai nunca teria condições de pagar um curso como o que eu fiz no Senai”, conta. “Aliás, ele não tinha dinheiro nem para as passagens, que eu consegui por conta da Olimpíada”.

Gilvani é filha de um ex-cortador de cana de Pernambuco, mais precisamente da cidade de Barreiros. Com a saída da mulher de casa, ele se viu sozinho com três crianças para cuidar. Terminou indo viver com o trio na capital paulista, onde estão até hoje. E onde foram, aos poucos, progredindo. Atualmente morando no Parque Ermelino, na Zona Leste da maior cidade do Brasil, a família vai se mudar, em dezembro de 2017, para um apartamento novo que está para ser entregue no bairro da Penha, também na Zona Leste.

Além de dar aulas no Senai-SP, Gilvani se forma, no final deste ano, em Arquitetura. Sua irmã, Giselle, também ex-aluna e instrutora da instituição, cursa Engenharia. O irmão, Gabriel, trabalha com o pai, prestando serviços de pintura automotiva. “Sempre fomos uma família muito unida”, diz. “Ele nunca teve a ajuda de ninguém para nos criar, um cuidava do outro”.

Com o senhor Isaías, ela aprendeu valores que ajudaram a escrever a sua história de superação. “O meu pai me ensinou a respeitar os outros, a amar o próximo e a correr atrás dos nossos objetivos”, explica. “Incentivou e ainda incentiva os nossos estudos”.

Em casa 

É também em família que Gilvani diz se sentir nos corredores e salas de aula do Senai-SP. “Aqui cresci do ponto de vista profissional e pessoal”, conta. “Me capacitei, consegui um trabalho, tive a chance de proporcionar uma vida melhor para o meu pai e para os meus irmãos”, diz. “Me sinto amparada, em casa”.

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Gilvani na escola do Senai-SP no Tatuapé: "Me sinto amparada, em casa".


Diretor da escola no Tatuapé, Abilio José Weber retribui o carinho. E a admiração. “A Gilvani sempre chamou a atenção pela garra”, afirma. “É muito bom poder acompanhar uma transformação assim na vida de alguém”, diz. “E contar com profissionais que dão o máximo pela instituição”.

Para Gilvani, é tudo uma questão de aproveitar as chances que são oferecidas a cada um. “O Senai-SP te dá oportunidades”, conta. “Cabe a cada um se superar e enfrentar os desafios”.




Indústria 4.0 exige, e Senai-SP forma profissionais capazes de interagir com novas tecnologias e processos de produção

Isabela Barros e Alex de Souza, Agência Indusnet Fiesp

É preciso estar atento, forte e, principalmente, preparado. A indústria 4.0, na qual ferramentas digitais integram todas as etapas da produção, permitindo a automação e a integração de modo nunca visto antes, pede trabalhadores flexíveis, qualificados e, principalmente, abertos a novos aprendizados o tempo todo. Num cenário em que os bancos de dados de todas as plantas industriais podem ser acessados a qualquer hora, de qualquer ponto, a formação profissional na área também precisa mudar, se adaptar. Não à toa essa é uma das discussões mais importantes atualmente no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

O assunto foi tema do Workshop “Indústria 4.0”, realizado nesta quinta-feira (23/06), na Escola Senai Armando de Arruda Pereira, em São Caetano do Sul, na Grande São Paulo.

Em palestra sobre “A Indústria 4.0 e o futuro dos empregos”, o gerente de inovação e de tecnologia do Senai-SP, Osvaldo Maia, destacou que tantas mudanças têm reflexos na mão de obra que a instituição forma e que essa nova “revolução industrial” veio para mudar tudo. “O chão de fábrica vai mudar muito a partir dessa interação proporcionada pela tecnologia”, explicou. “Os profissionais precisam se adaptar”.

E como será essa adaptação? “Os alunos e trabalhadores da área precisarão ser mais críticos, flexíveis, aptos a usar as novas mídias e dispostos a aprender sempre”, disse Maia.

Segundo ele, a estimativa, nesse contexto de mudança, é de que, num prazo de cinco anos, 35% de todo o conhecimento assimilado seja descartável. “Quem faz Engenharia, por exemplo, já se forma tendo que descartar 35% daquilo que aprendeu no início da faculdade”, afirmou.

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Maia durante a palestra sobre a indústria 4.0: "Os profissionais precisam se adaptar". Foto: Divulgação


E tem mais: a estimativa é de que, em todo mundo, entre 2015 e 2020, 7 milhões de vagas de trabalho sejam eliminadas por conta da expansão da indústria 4.0.

Entre os novos conhecimentos que passarão, cada vez mais, a fazer parte do dia a dia das empresas do setor, estão a inteligência artificial, robótica, nanotecnologia, impressão 3D e biotecnologia.

Aos gestores e responsáveis por recursos humanos na área, Maia recomenda atenção a alguns pontos, como o incentivo ao aprendizado contínuo. “É preciso repensar os sistemas educacionais, integrar conhecimentos antes separados, como os de exatas e humanas, estimular a colaboração entre o público e o privado e a integração entre as indústrias”.

Segundo Maia, “a sobrevivência das empresas depende disso, porque o mundo está mudando, e a forma de fabricar e comercializar produtos também. Somente por meio da educação profissionalizante será possível preparar o futuro profissional para o novo mercado de trabalho.”

As ações do Senai-SP

O que o Senai-SP tem feito no sentido de formar profissionais para a indústria 4.0? Pelo menos três ações: a oferta, a partir de julho, de uma pós-graduação em Internet das Coisas na Escola Senai Mariano Ferraz, na Vila Leopoldina, em São Paulo; a abertura, em 2017, de um Centro de Tecnologia da Ciência da Computação em São Caetano do Sul e a inauguração de uma nova sede para a escola de Mecatrônica da instituição, também em São Caetano do Sul, no segundo semestre de 2016.

“Temos uma base forte em eletrônica e mecatrônica, áreas muito importantes da indústria 4.0”, explicou Maia. “Queremos estar no centro da discussão desse processo de mudança.”

O workshop teve apresentações também a cargo de representantes da Siemens, Lincoln, Festo e TecnoHow, além do diretor do Senai de São Caetano, Osvaldo Luiz Padovan.


Congresso de Segurança na Indústria debate boas práticas na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Destacando temas que não podem ser ignorados no dia a dia das empresas, foi aberto, nesta terça-feira (21/6), na sede da Fiesp, em São Paulo, o Congresso de Segurança na Indústria.

A abertura foi feita por Ricardo Lerner, vice-presidente da Fiesp e diretor de seu Departamento de Segurança (Deseg). “É uma oportunidade de avançar nos grandes temas da área de segurança”, afirmou. “Trabalhamos para contribuir não só com a indústria, mas com a sociedade em debater iniciativas que visam a segurança”.

Segundo Lerner, após o evento será elaborado um guia de boas práticas para as corporações. “Também temos diversos grupos de trabalho em andamento abordando assuntos de gestão de riscos e incêndio, entre outros”.

Para o presidente da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança (Abseg), Tácito Leite, falar em gestão de riscos organizacionais é “uma decisão inteligente e produtiva”.

Presidente do Fórum Nacional Contra a Pirataria, Edson Luis Vismona, também destacou ser “oportuna a discussão de como enfrentar as ameaças internas e externas”.

Após a abertura do Congresso, foi apresentada a “Contextualização do cenário político e econômico do Brasil”, análise feita pelo diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp, Paulo Francini.

Francini destacou o processo de desindustrialização pelo qual passou e ainda passa o país. Nos anos 1980, a indústria respondia por 20% do Produto Interno Bruto brasileiro. Com a queda iniciada no Governo Collor, chegou-se, em 2015, a apenas 11,4% de participação no PIB. “Foi uma queda de 40%, o Brasil deixou de ser um país industrializado”, disse.

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Francini (o primeiro à direita), com Lerner à esquerda: início da retomada do crescimento em 2017. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Reflexo desse processo, a participação da indústria na população ocupada caiu de 21,9% entre 1975 e 1992 para 16,5% em 2014. “Tivemos ainda fatores como o avanço da tecnologia, a globalização e fenômeno China: o valor agregado da indústria no mundo caiu”.

Entre os fatores do chamado “Custo Brasil”, Francini apontou fatores como a tributação, o custo de capital de giro, custo de energia e matérias-primas, custo de infraestrutura e taxa de câmbio, entre outros. “O Brasil deixou de ser competitivo”.

Para o futuro, disse Francini, a perspectiva é de “redução no ritmo de queda”, um sinal de que “a reversão da atividade econômica está se aproximando”. “O recuo do PIB no primeiro trimestre foi de 0,3%, acima das expectativas de 0,8% de queda. Piorou, porém menos do que se esperava”.

Para o diretor do Depecon, 2016 será “mais um ano perdido”, mas, em 2017, “podemos enxergar o início da retomada”.

Entre os pontos condutores dessa retomada estão a redução do risco fiscal e o retorno das exportações.

Senai-SP Superação: Melhor do mundo na WorldSkills é exemplo de força de vontade em Bauru

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Pai de quatro filhos, Luis Carlos Sanches Machado não pensou duas vezes quando decidiu ampliar a sua jornada como mototaxista em Bauru, no interior paulista. E passou a trabalhar das 7h à 0h para aumentar a renda da família e assim permitir que o filho Luis Carlos Sanches Machado Júnior seguisse com os estudos na escola do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP). Isso  após o fim da bolsa do jovem como aprendiz numa empresa local. Em retribuição ao esforço do pai, o estudante, hoje com 21 anos, chegou onde nenhum outro brasileiro conseguiu ir até hoje: foi escolhido o melhor do mundo na última edição da WorldSkills, maior competição do ensino profissionalizante no mundo, realizada em São Paulo, em 2015. Isso além de garantir a medalha de ouro na modalidade Tecnologia Automotiva.

“Como eu não tive oportunidade de estudar, quis que ele tivesse”, conta o pai. “Vi que ele tinha vontade e potencial de crescer. O Luis trabalhou muito para ser o melhor do mundo na área dele”.

Estudante do Senai-SP desde os 14 anos, quando entrou no curso de aprendizagem industrial em Mecânica Automobilística, Júnior fez também o curso técnico em Manutenção Automotiva. Hoje, faz faculdade de Engenharia Mecânica. E trabalha como trainee (auxiliar) na Escola Senai João Martins Coube, em Bauru, emprego que conseguiu logo após a WorldSkills, em agosto do ano passado.

“Passei quatro anos treinando para a WorldSkills”, diz o campeão. “Nos últimos três meses antes da competição, ficava no Senai das 8h às 22h, de domingo a domingo”, lembra.

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Luis no pódio da WorldSkills 2015: medalha de ouro em Tecnologia Automotiva e melhor do mundo. Foto: Helcio Nagamine/Divulgação


Prova de que a disposição para o trabalho é uma marca de sua família, Júnior ainda conseguia trabalhar na oficina de um amigo depois dos treinamentos. “Ficava até meia-noite ajudando nos consertos”, diz.

O empenho foi recompensado com a honraria máxima na WorldSkills e com a melhoria na renda familiar, hoje mantida por um comércio de gás em Bauru.

E por falar em honraria máxima, o título de melhor do mundo na disputa é dado ao competidor cujo desempenho mais se distanciou do segundo colocado na modalidade, ou seja, aquele que mais se destacou. “A meta era conseguir o primeiro ouro na minha modalidade para o Brasil”, diz. “Cheguei lá porque tive o apoio da minha família e do Senai-SP”.

Para ajudar os outros

Agora treinador de jovens talentos, Júnior diz se sentir revigorado com a missão de ajudar outros alunos a brilharem mundo afora. “No Senai-SP existe essa cultura de ajudar, de dividir o trabalho para treinar os estudantes seja quando for”, explica.

O esforço pelos outros é confirmado pelo diretor da escola do Senai-SP de Bauru, Ademir Redondo. “O Júnior tinha o compromisso de ser o melhor para honrar a dedicação do pai dele”, afirma Redondo. “Sempre trabalhou com vontade e hoje aplica essa determinação como trainee”.

Após a vitória no WorldSkills, o vencedor foi recebido com festa em Bauru junto com os outros destaques da escola na competição. Além de uma carreata pelas ruas da cidade, os campeões ainda foram cumprimentados pelo prefeito local, Rodrigo Agostinho, entre outras autoridades. “Ele virou um exemplo para os outros alunos, uma prova da qualidade do ensino no Senai-SP”, conta Redondo.

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Luis (o primeiro a partir da esquerda), os outros dois vencedores de Bauru na WorldSkills e Ademir Redondo. Foto: Divulgação


Exatamente por ser um exemplo, Júnior foi convidado para fazer uma palestra na escola pública em que estudou, também em Bauru. “Os professores, que enfrentam muitas dificuldades para motivar os alunos, acharam ótimo tê-lo como um exemplo de que a educação é o melhor caminho para prosperar”, afirma Redondo.

Nesse sentido, Júnior não tem planos de parar de estudar. “Quero concluir a faculdade e seguir trabalhando no Senai-SP”, diz ele. “Acordo todos os dias com objetivos a vencer”.




Acordo de Paris: nova revolução industrial passa pela menor emissão de carbono

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O debate sobre o Acordo de Paris, que prevê ações para a redução das emissões de carbono, encerrou a 18ª Semana do Meio Ambiente, realizada desde a terça-feira (07/06), na sede da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), em São Paulo. Participaram do workshop a presidente da Indústria Brasileira de Árvores (IBA), Elizabeth de Carvalhaes, o ambientalista Fábio Feldman, o engenheiro e professor da USP Luis Gylvan Meira Filho e o diplomata Everton Lucero.

O Acordo de Paris foi estabelecido na 21ª Conferência das Partes (COP21), em Paris, em 2015, com o objetivo de dar uma resposta global às mudanças no clima, principalmente no que se refere ao aumento da temperatura. A iniciativa foi aprovada por 195 países e visa reduzir as emissões de gases que provocam o efeito estufa.

“Temos aqui na Fiesp um comitê interno de mudanças do clima”, explicou Nelson Pereira dos Reis, vice-presidente da federação e diretor titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da federação. “O Acordo de Paris estabelece que os países signatários possuem a mesma responsabilidade sobre a emissão de carbono”, disse. “Uma responsabilidade vinculada às capacidades nacionais nesse momento de tomada de decisões”.

Moderador do debate, o diretor executivo de Projetos da Fiesp e tenente brigadeiro do Ar Aprígio de Moura Azevedo, destacou que o tema “entrou de forma definitiva na agenda”. “O mundo passou a dar atenção à mudança do clima”.

Segundo Meira Filho, as implicações da assinatura do Acordo de Paris é que são importantes. “Vamos precisar de mudanças mais profundas do que aquelas a que estamos acostumados”, afirmou. “Temos que reduzir em mais de 70% as emissões de dióxido de carbono, é necessário que a indústria se prepare”.

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O workshop sobre o Acordo de Paris que encerrou a 18ª Semana do Meio Ambiente da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Para Feldman, a mudança na discussão representada pelo Acordo de Paris traz o desafio de colocar na agenda de cada país uma nova governança de clima. “Nem sempre esse foi um tema prioritário no Brasil”, disse. “Precisamos pensar em como isso vai repercutir aqui, em como estabelecer políticas públicas nesse sentido”.

O envolvimento nesse sentido, para viabilizar uma “nova revolução industrial”, deve incluir o “presidente da república” e esferas como o “Itamaraty e ministérios variados, como o de Ciência e Tecnologia”, entre outros. “Que modelo de governança nós vamos ter para cumprir as nossas metas, para viabilizar essa nova revolução industrial feita com baixa emissão de carbono?”, questionou.

Uma única árvore

A implementação imediata do Código Florestal no Brasil também foi citada no workshop. “Isso é fundamental para o cumprimento das metas no Acordo de Paris”, disse Elizabeth. “O Código trata da agricultura, da energia”, afirmou. “É o maior benefício para essa nação dentro do que foi estabelecido pela Conferência do Clima, o Código seria um reforço importante para a recuperação de áreas”.

Conforme Elizabeth, a indústria precisa de políticas de longo prazo para se preparar para esse cenário novo, de novos mercados. “Precisamos migrar todos para esse conceito de indústria sustentável, que só vai se desenvolver se houver demanda”, explicou. “O consumidor tem que querer consumir dessa forma, dizer que não paga por aquilo que pode atrapalhar o meio ambiente”.

Entre as formas de chegar lá, ela citou opções como o investimento em nanotecnologia, que é aquela que trabalha em escala manométrica, produzindo dispositivos com as dimensões de átomos ou moléculas, entre outras opções. “Acredita-se que uma árvore pode oferecer ao homem mais de 5 mil usos pelo simples fato de existir”, disse. “Esse é um desafio maior do que reduzir em dois graus celsius a temperatura no planeta”.

Nessa linha de preparação, Lucero destacou que o momento é de “facilitação” para a implementação das medidas que vão garantir o cumprimento do Acordo de Paris, em 2020. “Muitos aspectos do acordo ainda precisam ser regulamentados”.

Entre os destaques do Acordo, Lucero citou o artigo 6º, que prevê “mecanismos de mercado, de desenvolvimento sustentável”. “Isso envolve definir regras, modalidades de crescimento dos países”, afirmou.

Para isso, “regras de transparência são relevantes para a implantação de mecanismos de mercado”. “Precisamos de uma conjunção de esforços, ouvir representantes dos governos e da sociedade civil”.

Indústria em busca da sustentabilidade nos debates da 18ª Semana do Meio Ambiente da Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Sempre em defesa de uma “indústria sustentável”, foi aberta, na manhã desta terça-feira (07/06), a 18ª Semana do Meio Ambiente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Realizada na sede da entidade, na Avenida Paulista, a iniciativa recebeu, em sua abertura, a secretária estadual do Meio Ambiente, Patrícia Iglecias.

“A Fiesp foi a primeira entidade empresarial do Brasil a ter uma área com esse tema, em 1976, dez anos antes da criação da secretaria estadual de Meio Ambiente”, afirmou o vice-presidente da Fiesp e diretor titular do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da federação, Nelson Pereira dos Reis. “Para a Fiesp, a participação do setor produtivo nesse debate é condição fundamental para alcançar a sustentabilidade, hoje uma questão de negócio e competitividade”.

Segundo Reis, a semana, sempre realizada perto do Dia do Meio Ambiente (05/06), tem por objetivo “identificar melhorias e observar o que pode ser melhorado”. “Isso dentro do espírito de ampliar o debate, o diálogo e o conhecimento para caminharmos em busca do crescimento sustentável”, disse. “Não nos recusamos a debater nenhum tema”.

Classificando a Fiesp como “protagonista dos debates ambientais”, Patrícia Iglesias destacou que o evento confirma a ligação da indústria com a área. “Isso afasta a ideia de que o desenvolvimento econômico é inimigo do meio ambiente”, afirmou. “Não é possível implantar as políticas que nós queremos só com o apoio do poder público, esse trabalho precisa ser feito conjuntamente”.

Para a secretária, é ótimo ver “representantes da indústria paulista se debruçando sobre temas como a sustentabilidade ou o manejo de resíduos sólidos”, por exemplo.

Nesse sentido, Patrícia explica que a Lei de Resíduos Sólidos “considera a viabilidade técnica e econômica, as tecnologias disponíveis”. “Não adianta impor, é por isso que o Brasil sofre com leis que não pegaram. É preciso ver o que é viável e o que é possível fazer”.

Entre as ações realizadas pelo governo paulista na área, Patrícia destacou a reversão do estado de poluição em Cubatão, o trabalho de reflorestamento da Serra do Mar, com a realocação das famílias retiradas das áreas de risco e a expansão das áreas protegidas, com mais unidades de conservação. “Aumentamos a proteção da mata atlântica no estado mais industrializado do Brasil e criamos as primeiras áreas de proteção ambiental marinhas do país”, contou.

Patrícia recebeu da Fiesp uma placa em homenagem aos 30 anos da secretaria.

A 18ª Semana do Meio Ambiente segue até a próxima quinta-feira (09/06). Para conferir a programação completa, só clicar aqui.

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Nelson Pereira dos Reis e Patrícia Iglecias: placa em homenagem aos 30 anos da secretaria estadual do Meio Ambiente

Robótica muda vidas nas escolas do Sesi-SP

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Ele só queria saber de jogar futebol. E inclusive estava participando de testes para tentar ingressar num time profissional. Tudo mudou quando começou a estudar na escola do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), em Ourinhos, no interior paulista. Ao descobrir a robótica, Luiz Felipe Carvalho descobriu também a sua verdadeira vocação.

“Foi a robótica que definiu a minha carreira”, conta ele, hoje estudante de Engenharia Elétrica na Universidade Tecnológica Federal do Paraná. “Valeu a pena gastar cada minuto do meu tempo com isso, uso o que aprendi na faculdade”, diz. “Tive facilidade com algumas disciplinas por já ter um raciocínio lógico mais desenvolvido, que consegui com os treinos e competições das quais participei na época do Sesi”.

E isso não foi tudo: “Acho que me tornei uma pessoa melhor”, diz Carvalho. “Aprendi a trabalhar em equipe e a falar em público, habilidades que vou levar para a vida”.

Assim como Luiz Felipe, muitas outras crianças e jovens têm e para sempre terão as melhores lembranças em relação à robótica nas escolas do Sesi-SP. Para começar, todas as 172 unidades da rede oferecem a prática para os seus alunos, estimulados a ingressar nas equipes e a participar de competições dentro e fora do Brasil.

Prova desse empenho, sete equipes da instituição ocuparam os sete primeiros lugares no Torneio Nacional da área em 2016, sendo o primeiro lugar do time da unidade de Americana. “Desde o primeiro ano do fundamental os nossos alunos têm vivências de ciência e tecnologia”, explica o assessor da Superintendência do Sesi-SP Mario Eugênio Simões Onofre. “O objetivo é estimular o conhecimento, aprender formas diferentes de estudar matemática e física, por exemplo”.

De acordo com Onofre, entre o primeiro e o quinto ano do ensino fundamental os estudantes já começam a montar blocos e ter acesso a conceitos de mecânica como o uso de alavancas e engrenagens. Uma espécie de ensaio para o ingresso nos times de robótica por quem tiver interesse na área, a partir do sexto ano. “Nossos alunos sabem que podem ir longe caso se empenhem”, afirma.

E eles vão longe sim. Com direito a passaporte carimbado. Somente em 2016, 56 jovens já viajaram para dois campeonatos internacionais: o World Festival, em Saint Louis, nos Estados Unidos, e o Open European Championship, em Tenerife, na Espanha. No país de Barack Obama, a equipe da escola de Americana ficou em primeiro lugar na categoria Trabalho em Equipe, com o grupo de Jundiaí em terceiro em Programação do Robô. Já na Espanha o primeiro lugar geral foi para a unidade do Sesi-SP de Ourinhos, com a equipe de Boituva em primeiro no quesito “Gracious Professionalism” (ou profissionalismo gracioso em tradução livre).

Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Sesi-SP, Paulo Skaf, o investimento nas viagens internacionais é prova do empenho da indústria paulista no que se refere à educação. “Sabemos que o momento do país não é fácil, isso atingiu fortemente a indústria de São Paulo. Mas, devido ao resultado extraordinário alcançado por vocês, as sete equipes que conquistaram uma vaga terão a oportunidade de disputar as competições no exterior”, disse Skaf em encontro com os participantes da robótica realizado em São Paulo, em abril.

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Skaf e representantes do Sesi-SP durante encontro com os competidores da robótica: apoio da indústria. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Na ocasião, Skaf ressaltou o esforço da indústria de São Paulo para continuar investindo em educação e pediu aos alunos que se dediquem aos estudos e que assumam o compromisso de ser bons cidadãos. “Sabemos que uma nação forte se faz com bons brasileiros, e isso é o que esperamos de cada um de vocês”, disse o presidente aos estudantes.

Para ajudar a equipe

Vencedor na Espanha, Gabriel de Oliveira Rodriguez, do time de Boituva, tem uma razão ainda mais especial para ter orgulho de seu primeiro lugar. Aos 15 anos, ele descobriu um câncer de testículo. Como já era integrante do time de robótica de sua escola, não quis abandonar os treinos e os planos de participar das competições.

“Eu só queria me cuidar logo, estar bem para ajudar a minha equipe”, diz Rodriguez. “A robótica mudou a minha vida”.

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Gabriel de Oliveira Rodriguez: “A robótica mudou a minha vida”. Foto: Arquivo Pessoal


Com planos de entrar na faculdade de Automação Industrial, ele já viajou para competir em Brasília, em Joanesburgo, na África do Sul, e em Tenerife, na Espanha. “Foram viagens das quais eu vou lembrar para sempre”, conta.

Testemunha desse entusiasmo, a mãe do adolescente, Paula Rodriguez, conta que o seu filho “não teve muito tempo de pensar na doença”. “Quando íamos fazer quimioterapia, em Sorocaba, ele já ficava ansioso querendo voltar para treinar”, lembra. “O foco dele estava na robótica, não no câncer. Sou muito grata ao Sesi-SP”.

Homenageados

Supervisor técnico educacional do Sesi-SP, Ivanei Nunes conta que a trajetória vitoriosa da instituição na área começou em 2007, com a primeira participação em um torneio estadual em 2009. “Em 2013 tivemos o nosso primeiro prêmio importante, com o time de Ourinhos em segundo lugar no World Festival, nos Estados Unidos”, lembra.

Após as disputas, segundo Nunes, todos os estudantes são recebidos e homenageados na sede do Sesi-SP e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “A robótica é uma atividade enraizada na rede”, diz. “A vontade de participar e vencer atinge a todos”.

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Newton Moreno: “Adoro desconstruir personagens”

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Mesmo morando em São Paulo há mais de 20 anos, o recifense Newton Moreno ainda esquece que está na capital paulista e cumprimenta seus interlocutores com dois beijos no rosto em vez de um. O fato de não economizar carinho com quem acabou de conhecer diz muito sobre o dramaturgo, que se define como um curioso capaz de se sensibilizar diante de pessoas, histórias e temas variados nos palcos, sendo o tradicional diante do contemporâneo, a sexualidade, a homoafetividade e o espaço do sagrado os mais recorrentes. Na entrevista abaixo, Moreno fala do workshop que comandará no Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council, sobre os seus próximos projetos e sobre aquilo que chama a sua atenção no Brasil hoje: “O clima está incendiário”.

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Newton Moreno: "Fico muito feliz em contribuir para o Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council". Foto: Everton Amaro/Fiesp


Você participou da Mostra de Dramaturgia Contemporânea do Sesi-SP em 2002, com o espetáculo Dentro, de sua autoria. Foi o seu primeiro contato com a instituição?

Foi. Foi uma mostra organizada por nomes como o Renato Borghi (ator, autor e diretor de teatro) e a ideia era mapear um pouco a dramaturgia contemporânea feita em São Paulo nessa virada de século. Quando conheceu o meu trabalho, o Renato me perguntou se eu não queria produzir um texto para essa iniciativa. Até digo que ele foi um dos padrinhos que eu tive nesse começo de carreira. Ele e o Marcio Aurelio, um diretor renomado que depois dirigiu a minha peça Agreste.

Você também apresentou espetáculos no Espaço Mezanino do Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso, certo?

Sim, o primeiro foi Santa Luzia passou por aqui com seu cavalinho comendo capim, cuja autoria do texto eu dividi com o Antonio Rogério Toscano. Pegamos a ideia do mito da Santa Luzia, que doou os olhos, para falar sobre as maneiras de ver, de perceber o outro. O segundo espetáculo foi o Fronteiras, que eu escrevi com o Alessandro Toller e dirigi.

O que você vai apresentar aos alunos do Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council no workshop que começa no dia 13 de junho?

Fico muito feliz em contribuir para o Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council. Eu como dramaturgo autodidata sei como é difícil começar sem orientação. Quero ajudar dando ferramentas para que jovens dramaturgos possam se desenvolver. Esse tipo de trabalho me alimenta, me ajuda a renovar o meu olhar. É muito bom acompanhar os diálogos, os comportamentos, as ideias desses jovens. Para mim é uma retroalimentação. Pretendo apresentar exercícios, dinâmicas para criarmos histórias juntos.

Como você definiria o seu trabalho no teatro?

A minha natureza é curiosa. Gosto de pessoas, tenho curiosidade pelo outro e isso com relação a temas diversos, adoro descontruir personagens. Mas na minha obra há diálogos que sempre voltam, como o do tradicional diante do contemporâneo, a sexualidade, a homoafetividade, o espaço do sagrado e da religião. O Nordeste me deu tudo, tenho essa memória.

Você costuma dizer que o dramaturgo tem a função de provocar uma nova cena, de ser um olhar atento sobre as questões da sociedade. Que temas chamam a sua atenção hoje?

A reorganização política do Brasil. O atual momento dificilmente não vai virar tema de alguma peça. Está todo mundo voltando a conversar sobre política, com toda a tensão sobre como vamos construir esse diálogo. O clima está incendiário.

Agreste é a sua peça de maior repercussão. Esse foi um trabalho especial para você?

Foi sim. Ter o Marcio Aurélio na direção chamou a atenção para o meu trabalho. É como se as pessoas pensassem: se o Marcio Aurélio dirigiu, é porque alguma coisa boa tem aí. Isso atraiu muitas atenções para mim. E a peça resume os principais elementos da minha obra.

E Assombrações do Recife Velho, foi marcante para você do ponto de vista da memória afetiva de pernambucano?

Acompanhamos o percurso que o Gilberto Freyre fez, no Recife, por lugares tidos como mal-assombrados. Por isso Assombrações é uma viagem de volta às minhas origens, aos meus fantasmas, uma trajetória que dialoga com as minhas memórias. Moro em São Paulo, mas vou ao Recife duas ou três vezes por ano, sempre que estou lá uma pista nova se abre, volto com alguma referência. Recife me inspira.

Quais são seus próximos projetos?

Tenho uma peça pronta e com estreia marcada para 30 de setembro, no Centro Cultural São Paulo: Berço de Pedra. São cinco histórias sobre mulheres, com uma mãe em todas elas. Reflete um pouco o atual momento também, com a potência do feminino se impondo.

O outro trabalho, Os Imortais, ainda está em processo de produção. É uma peça baseada numa tradição chamada “coberta da alma”, ainda encontrada no Sul do Brasil, por meio da qual, em caso de falecimento, alguém da família ou próximo dela é escolhido para personificar a identidade do falecido, para interpretar a pessoa que morreu. Assim, esse ritual é, no espetáculo, o ponto de partida para uma série de conflitos entre o tradicional e o contemporâneo.

Tem vontade de encenar uma peça sua no Teatro do Sesi-SP, que está em reforma nesse momento?

Eu quero muito fazer uma peça no Teatro do Sesi-SP. Estive lá recentemente para ver A Madrinha Embriagada e O Homem de La Mancha. Estou tendo muito prazer em participar do processo de formação de dramaturgos do Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council.


Comércio exterior é oportunidade e alternativa às oscilações do mercado interno para pequenas empresas

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

As oportunidades de comércio exterior para as micro e pequenas empresas foram debatidas no primeiro painel da tarde desta segunda-feira (23/5) no 11º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), no Hotel Renaissance, em São Paulo. Isso para destacar o que as vendas para o exterior podem significar para os empreendedores brasileiros.

De acordo com o diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) e vice-presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, Thomaz Zanotto, é consenso que, para vencer a crise, é preciso investir principalmente em duas áreas: infraestrutura e comércio exterior. “O primeiro passo é oferecer acesso ao mercado externo e não acumular impostos na cadeia de exportação”, disse. “Ninguém exporta imposto”.

Zanotto destacou o desafio de vender para o exterior com a “economia mundial andando de lado, esvaziada”. “Temos que aumentar as exportações em um ambiente hostil, lotado de produtos”, afirmou.  “Vivemos mais que uma guerra comercial”.

Para ajudar quem quer carimbar o passaporte com as melhores oportunidades nos próximos anos, ele lembrou que o Derex e o Coscex trabalham “assessorando os sindicatos e as empresas individuais no que se refere ao comércio exterior”.

Especialista em exportações e mestre em Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Francisca Grostein destacou que a internacionalização começa com a formação do capital humano e o fechamento de parcerias estratégicas.

A partir daí, é preciso prestar atenção em variáveis como os regimes aduaneiros especiais, ou seja, se é possível adiar o recolhimento de impostos ao vender para esse ou aquele país. “Depois de um primeiro estudo de mercado, o empresário precisa se perguntar se o seu produto atende às exigências desse mercado”, explicou. “E isso não só do ponto de vista dos hábitos de consumo, mas também de normas técnicas”.

O próximo passo é refletir sobre como conseguir potenciais compradores. E avaliar se o preço oferecido é competitivo para o mercado externo ou não. “Muitas empresas param nas primeiras barreiras desse caminho”, disse.

Nesse ponto, Francisca indicou o site Aprendendo a Exportar  como uma referência de informação para quem quiser dar esses passos iniciais. “No portal há simuladores de preços para vender no exterior, por exemplo.”

Por que você não?

Terceiro convidado do MPI no debate, o professor da Fundação Getulio Vargas em São Paulo e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Fabio Gallo Garcia, ressaltou que as exportações podem ser lucrativas para empresas de quaisquer tamanhos. “A pergunta que eu faço é: por que você não?”, questionou. “Exportar é uma questão de mentalidade, não de tamanho.”

Assim, a chamada mentalidade global é a habilidade de ajuste rápido às mudanças. “Mais do que estar preparados para as mudanças, precisamos ser as mudanças.”

De acordo com Garcia, exportar exige informação e qualidade por parte das empresas, mas ajuda a reduzir riscos. “As empresas ficam menos sujeitas às oscilações do mercado interno, podem fazer o escoamento de sua capacidade ociosa”, disse.

Um saco de farinha de milho

Nessa linha de oportunidades, Renata Dunck, consultora empresarial em comércio exterior da Dunck Gestão de Negócios, destacou em sua palestra no MPI que “o comércio exterior tem regras para que negociações sejam feitas sem nenhum problema”. E que os empreendedores nacionais não devem ter medo de vencer essa etapa.

“Não dá para pensar que vai ser como aqui no Brasil, que quem o procura no exterior está só especulando”, disse. “Não precisa ter medo”.

Para tanto, é preciso observar atentamente a demanda, entender o que é pedido. E ter no cuidado com a divulgação um “princípio básico”, com portfólios bem elaborados e escritos em inglês e espanhol, por exemplo. “Conseguimos um potencial comprador estrangeiro para um cliente nosso que produz farinha de milho”, conta Renata. “Pedimos a esse cliente o seu material de divulgação para mandar para o exterior e recebemos um saquinho de farinha de milho onde estava escrito apenas ‘farinha de milho’”, contou.

Em outro caso semelhante, um fabricante nacional de doces do tipo torrones perdeu a oportunidade de vender seus produtos numa rede de supermercados dona de 70% do mercado africano. “Eles também entregaram apenas uma embalagem dos doces”, disse. “Perderam a oportunidade de negociar por uma simples questão de apresentação”.

Na direção oposta, outro cliente de Renata, um fabricante de ventiladores de teto personalizados, fez um material de divulgação impecável e fechou sete contratos em dois meses no exterior. “Eles incluíram nesse material a voltagem necessária para usar o produto no Brasil e no exterior, fotos dos ventiladores em todos os ambientes, a informação de como surgiu a ideia de produzir os ventiladores”, contou.

Além da divulgação, o tempo de resposta na hora de negociar com os estrangeiros também é um diferencial. Nesse aspecto, Renata citou o exemplo de uma fabricante nacional de calçados que perdeu a chance de vender seus produtos numa rede de varejo com 43 lojas no Oriente Médio. “Eram sapatos de ótima qualidade, mas os donos da empresa duvidaram do tamanho da encomenda e levaram quatro meses para apresentar os preços”, disse. “Resultado: os interessados na compra qualificaram uma empresa no Peru e outra na China para a produção dos calçados”, contou. “É preciso lembrar que o mercado internacional não é especulativo, tem que ter timing”.

O sonho de exportar

Fechando o debate sobre as oportunidades lá fora, Gisele Gomes, diretora comercial da Manola Importadora e Comércio LTDA, falou sobre a sua experiência bem sucedida nesse campo. A Manola é uma marca de roupas femininas comercializada na internet, em diferentes sites parceiros da empresa, criada há três anos.

“Sempre tive sonho de exportar”, disse Gisele. “Sempre pensei em onde eu quero estar e o que preciso fazer para chegar lá.”

Com esse foco, a empreendedora entrou no site da Fiesp, viu a programação de eventos na área de comércio exterior e veio até a federação para uma consultoria. “Fiquei mais de três horas conversando com o consultor e me organizei para ir à minha primeira rodada de negócios com a Fiesp em Milão, na Itália”, lembrou. “A Fiesp organiza tudo e faz uma agenda muito bem direcionada para perfil dos empresários.”

Assim, numa rodada de negócios nessa mesma missão, Gisele levou um portfólio com os seus produtos e foi à luta. “A roupa brasileira é muito bem vista lá fora e, nesse primeiro contato, já marquei uma conversa por Skype para conhecer um interessado nas nossas peças, o qual veio para o Brasil nos conhecer dois meses depois.”

O resultado? “Montei uma coleção para a Europa e voltei para Milão meses depois para assinar contrato de distribuição”, disse. “Nunca pensei que na minha primeira missão já fosse fechar um contrato”.

Entusiasta do comércio exterior, Gisele recomenda as vendas internacionais a todos os empreendedores. “Quem tem um sonho de exportar tem que ir atrás sim. A Fiesp está aqui, para dar todo o suporte. Até no idioma eu tive ajuda”, lembrou. Ela prossegue com sua filosofia de negócios: “errar, superar, aprender e recomeçar”. “É preciso estar preparado para o erro, mas se recuperar rápido.”

Os coordenadores do debate sobre as oportunidades no exterior no MPI foram os diretores do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp Eduardo Chede e Vicente Manzione.

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Thomas Zanotto fala no painel sobre comércio exterior do 11º Congresso MPI. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Jo Clifford e o teatro da tolerância

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp 

Jo Clifford escolheu a profissão certa. Dramaturga com mais de 80 peças montadas, a escocesa é generosa ao falar e ao ouvir: sabe o que diz e presta atenção a tudo o que ouve. Talvez por isso a tolerância seja um dos temas recorrentes em sua obra, como no caso de The Gospel According to Jesus, Queen of Heaven (O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, em tradução livre), na qual Jesus volta aos dias atuais na pele de uma mulher transgênero. Convidada pelo Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council a dar um workshop sobre “A Empatia na Escrita Dramatúrgica – Desenvolvendo a Escuta”, ela é só elogios ao trabalho do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) na área cultural. Transgênero, Jo fala, na entrevista abaixo, sobre teatro, preconceito, respeito, homens e mulheres.


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Jo Clifford: "A vida seria muito melhor se as pessoas se aceitassem como elas são".


Se você tivesse que descrever o seu trabalho, o que diria sobre a sua produção teatral? Você tem preferência por alguns temas, como a tolerância?

Sim, eu me interesso pela tolerância, mas tenho em torno de 80 peças escritas e gosto da ideia de que o mundo está mudando muito, mudando rapidamente. Há mais oportunidades para que as pessoas realizem seus sonhos.

Você tem uma peça predileta ou todas têm a mesma importância para você?

Normalmente a última peça é a minha predileta. Assim, agora esse trabalho é The Gospel According to Jesus, Queen of Heaven (O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu, em tradução livre), do qual tenho muito orgulho. Os transgêneros não têm representação nos palcos, o que eu realmente gostaria que mudasse, mas sei que é muito difícil. Todas as vezes que eu tentei escrever sobre a minha experiência de transgênero, fui atacada. Com essa peça, eu consegui ir além e expressar o meu orgulho por ser trans, o que é muito importante na luta pelo fim do preconceito com os LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Transexuais). O mundo precisa ser mais tolerante, isso é importante para todos nós. Pessoas preconceituosas normalmente odeiam alguma coisa dentro delas mesmas, são profundamente infelizes e expressam isso. É muito triste. A vida seria muito melhor se as pessoas se aceitassem como elas são.

E como foi a experiência de participar de um workshop no Núcleo de Dramaturgia Sesi-British Council?

Foi maravilhosa, adorei a experiência. Os participantes estavam muito abertos. Cada um tem a sua história, a sua voz, as suas experiências para contar. Tentei dar espaço para que todos pudessem compartilhar experiências, falar, encontrar o seu estilo de escrever.

Você aplicou, no workshop, um exercício em que cada participante devia se colocar no lugar de outra pessoa, imaginar ser outra pessoa. Na sua opinião, essa devia ser uma experiência que todo mundo devia levar para a vida?

Todo mundo devia fazer esse exercício (risos)! É uma questão de empatia, de tentar entender como é a vida do outro, a base do mundo civilizado, enfim. Só assim conseguimos viver juntos.

Nesse sentido, ser transgênero a ajudou a ver o mundo com outros olhos? A ser mais tolerante?

Sim. Isso me ajudou a escrever bons textos para serem encenados por homens e por mulheres. Principalmente por ter sofrido tanto preconceito e julgamento. Foi um passo importante no meu trabalho: não podemos julgar os outros, temos que nos respeitar. Por muitos anos eu tentei negar quem eu era, ser um bom marido para a minha esposa e um bom pai para as minhas filhas, mas parei de julgar a mim mesma e decidi mudar. Foi muito difícil. Quando eu comecei a viver como mulher, saía na porta de casa e ouvia as pessoas gritando comigo, rindo de mim, me ameaçando com os olhos.

Falando sobre o feminino, você acha que vivemos hoje uma nova era do feminismo? Concorda com a Beyoncé quando ela canta que as mulheres “comandam o mundo”?

Essa é uma das maiores mudanças pelas quais estamos passando. Eu sempre cito a diferença entre a vida das minhas filhas e a das outras mulheres da família. Uma das minhas filhas é engenheira, a outra é jornalista, elas puderam escolher as suas profissões e podem mudar isso se quiserem. Já a avó delas não foi estimulada a estudar e, quando saiu da escola, seu pai escolheu um trabalho para ela, a empregou numa loja. Ao casar, ela teve que deixar o emprego. Ou seja, as mulheres viviam sob condições muito repressoras e é ótimo ver quão profundamente as coisas estão mudando.

Você tem acompanhado a crise política brasileira? Acha que esse é um momento importante para debater tolerância no país?

Temos a direita de um lado e a esquerda do outro e as duas se odeiam, não se respeitam. É uma situação muito séria, as pessoas precisam conversar umas com as outras, negociar, trabalhar juntas pelo país.

Você conhece o teatro brasileiro?

Menos do que eu gostaria, infelizmente. Mas devo ver alguma peça aqui em São Paulo no final de semana, só não sei qual será ainda.

E o trabalho do Sesi-SP com teatro, você conhecia?

Conhecia sim. Temos aqui uma prática teatral muito interessante, significativa, um trabalho completo de formação na área. Não há nada parecido com o trabalho do Sesi-SP na área cultural no meu país, a Escócia. Estou muito grato ao Sesi-SP pelo convite para estar aqui, amo São Paulo.

Sistema Sesi-SP de Ensino estimula a pensar

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Basta entrar numa escola do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) para sentir a acolhida. E a animação com aquilo que é oferecido dentro e fora das salas de aula. Muito além do empenho dos professores e da infraestrutura, o sucesso está ligado ao Sistema Sesi-SP de ensino, metodologia pedagógica criada pela instituição e aplicada a cada ano a 149.642 alunos da rede, do Infantil ao final do Ensino Médio. Do que se trata? “A essência do nosso sistema de ensino não é o ensinar, mas o aprender. Para nós, o aprendizado é uma construção diária”, explica o superintendente do Sesi-SP, Walter Vicioni. “Valorizamos o movimento da aprendizagem.”

Criado em 2008, o Sistema Sesi-SP de Ensino considera os alunos figuras em processo de desenvolvimento em todas as suas dimensões: desde o básico, ou seja, do ponto de vista biológico, até sob o aspecto da socialização. “Por isso destacamos pontos variados, como a prática de atividades físicas e a alimentação saudável, ao mesmo tempo em que reforçamos a preparação para a vida e para o trabalho”, afirma Vicioni.

Nesse sentido, mais do que a postura passiva de ser apenas aluno, o objetivo é incentivar a formação de estudantes, de pessoas capazes de ir em busca do conhecimento.

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Sala de aula de escola do Sesi-SP: para estimular o desenvolvimento dos alunos. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Outra característica do Sistema Sesi-SP de Ensino é ter nos materiais didáticos, como os livros, meros suportes do aprendizado, não a base dele. “Para nós, os espaços da cidade são locais de aprendizagem, como os museus e as bibliotecas, por exemplo”, explica Vicioni. “Nossos professores precisam ir além do material didático, estimular as crianças e jovens a pensar.”

Rompendo conceitos

Rumo ao futuro, o superintendente do Sesi-SP afirma que está em discussão, na rede, a aplicação de práticas como o rompimento da organização curricular baseada nas disciplinas. “O conhecimento é único”, diz. “Na educação básica, o que interessa é a conexão, a interdisciplinaridade das áreas, e não o somatório dos conteúdos que integram cada área”, afirma. “Vamos investir muito nos professores para isso, para promover essa formação mais ampla.”

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Vicioni: “Na educação básica, o que interessa é a conexão". Foto: Everton Amaro/Fiesp


A discussão está em alta em países como a Finlândia. “Conversei com a ministra da Educação e da Cultura daquele país, Sanni Grahn-Laasonen, a respeito disso durante visita dela às nossas escolas, em março”, diz Vicioni. “Eles também estão adotando esse novo conceito lá.”

Escolas municipais

Prova do reconhecimento da eficiência da metodologia, o Sistema Sesi-SP é adotado também por 25 municípios do Estado de São Paulo, o que envolve 511 escolas conveniadas e 111.826 alunos atendidos.

Já a rede Sesi-SP é formada por 172 escolas em 112 cidades paulistas, com um total de 309.278 matrículas registradas em 2015, incluindo, além da educação regular, os cursos de educação continuada, os técnicos e a educação de jovens e adultos (EJA).

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36 motivos para amar o prédio da Fiesp

Isabela Barros

De longe, de perto, da calçada, de uma de suas varandas. Não importa o ângulo: de onde quer que se olhe, o prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista, é sempre uma referência. E isso não somente pelo formato, em forma de pirâmide, todo revestido de alumínio, mas, principalmente, por tudo o que acontece, todos os dias, em seus 25 andares.

Daqui, decisões que ajudam a melhorar a vida dos paulistas e dos brasileiros são tomadas. E muito é feito em nome da economia, educação, lazer, cultura e esporte.

Abaixo, 36 motivos para admirar o edifício, que completa 36 anos nesta quinta-feira (27/08):

1. É uma das construções mais originais da maior cidade do Brasil. Não à toa um cartão postal obrigatório nas filmagens feitas na Avenida Paulista.

2. Aqui há programação cultural gratuita da melhor qualidade no Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso, do qual faz parte o Teatro do Sesi-SP, o Espaço Mezanino e a área para exposições. Para conferir a programação, é só clicar aqui.

3. Projetado numa época marcada por grandes incêndios em São Paulo, como os do Andraus, em 1972, e o do Joelma, em 1974, a sede da Fiesp tem segurança reforçada em relação a esse tipo de ocorrência. De acordo com o gerente de Serviços de Manutenção da entidade, Alberto Batista Passos, a construção possui duas escadas de rota de fuga isoladas do chamado conjunto administrativo, onde ficam as salas.

4. Dizem os funcionários que o formato de pirâmide atrai boas energias.

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O prédio da Fiesp foi projetado pelo arquiteto Rino Levi. Foto: Everton Amaro/Fiesp

5. Super modernos, os elevadores usados no edifício operam com uma velocidade de quatro metros por segundo, levando apenas 17,5 segundos para percorrer todos os andares.

6. Com 92 metros de altura, o prédio foi projetado por Rino Levi.

7. Outro arquiteto estrelado deixou a sua marca na construção: Paulo Mendes da Rocha. Vencedor do prêmio Pritzker, um dos mais importantes da área em todo o mundo, Mendes da Rocha foi o autor do projeto que construiu o mezanino onde hoje funciona a Galeria do Sesi-SP. A obra foi feita em 1998.

8. Quer mais? Ninguém menos que Roberto Burle Marx, arquiteto e paisagista, assinou um mosaico de 515,68 metros quadrados que fica na parte de trás do prédio, sendo visto pela Alameda Santos. Falecido em 1994, Burle Marx fez o trabalho em parceria com o também arquiteto e paisagista Haruyoshi Ono.

9. Todos os dias, 3 mil pessoas, em média, circulam por aqui.

10. Além da Fiesp, o edifício é sede do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e de diversos sindicatos ligados à indústria.

11. É das salas do prédio da Fiesp que saem estudos que são referência para o setor manufatureiro, como o Índice de Nível de Atividade (INA) e o Nível de Emprego, divulgados todos os meses.

12. Aqui está o Centro de Processamento de Dados do Sesi-SP, que gerencia todas as escolas da rede no estado.

13. Em cada andar há uma varanda onde é possível ver a Paulista e espairecer um pouco.

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A sacada de um dos andares do edifício: respiro para ver a Paulista. Foto: Everton Amaro/Fiesp


14. O programa Meu Novo Mundo, de qualificação, treinamento e inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, foi idealizado aqui, numa parceria entre a Fiesp, Sesi-SP e Senai-SP.

15.  Até junho de 2015, o Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso recebeu um público de 156.230 pessoas em suas exposições.

16. Para o segundo semestre, está programada e mostra Carne Valle – Imaginário Carnavalesco na Cultura Brasileira. 

17. A exposição Leonardo da Vinci: A Natureza da Invenção foi a campeã de público em 2015, com 210.282 visitantes.

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A exposição sobre Leonardo da Vinci: recorde de público na programação em 2015. Foto: Tamna Waqued/Fiesp


18. Também um sucesso, o musical A Madrinha Embriagada, exibido em 2013 e 2014 no Teatro do Sesi-SP, teve um público de 134.931 pessoas em suas 325 apresentações.

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Teatro do Sesi-SP lotado durante apresentação de "A Madrinha Embriagada". Foto: Julia Moraes/Fiesp


19. Outro campeão de bilheteria, O Homem de La Mancha teve 121.135 espectadores em 276 apresentações entre setembro de 2014 e junho de 2015.

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Cena de "O Homem de La Mancha": 121.135 espectadores em 276 apresentações. Foto: Beto Moussali/Fiesp


20. Maior tela da cidade, a Galeria de Arte Digital do Sesi-SP consiste na fachada do prédio.

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A Galeria de Arte Digital do Sesi-SP: a maior tela da cidade. Foto: Everton Amaro/Fiesp


21. O espaço para projeções digitais já recebeu duas mostras e receberá mais uma em 2015.

22. Numa delas, a Natureza Urbana – Riscos e Traços, o artista Toni D’Agostinho fez caricaturas dos passantes, que viram os seus desenhos projetados na construção.

23. O Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso recebeu, no Teatro do Sesi-SP e demais espaços cênicos, 13 peças que, juntas, tiveram 656 apresentações e um público de 207.285 pessoas. Isso em 2014 e até junho de 2015.

24. Em 2015, até o mês de junho, 27. 136 alunos e participantes de grupos das escolas do Sesi-SP visitaram o Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso.

25. A programação cultural da casa vai ferver no segundo semestre de 2015, com novas temporadas dos maiores sucessos exibidos no Teatro do Sesi-SP.

26. Entre elas, estão produções premiadas como Lampião e Lancelote e Mistero Buffo. Para saber mais, é só clicar aqui.

27. O projeto Quartas Musicais, com shows às quartas-feiras, às 20h, no Teatro do Sesi-SP, também está de volta no segundo semestre de 2015. E terá atrações como Pedro Mariano e Jaques Morelenbaum em setembro.

28. Relaxar na calçada do prédio vendo o movimento da Paulista é sempre um bom programa.

29. Da calçada da construção, aliás, a sensação é a de estar dentro do prédio, que “abraça” a avenida mais famosa de São Paulo.

30. Trabalham no edifício mais de 2 mil pessoas que se dedicam às causas e realizações da indústria de São Paulo.

31. Nove tanques armazenam água da chuva para a limpeza das áreas comuns. A capacidade de armazenamento é de 75 mil litros.

32. E por falar em água, campanhas internas com funcionários resultaram numa economia mensal de 30% no consumo.

33. Os empresários têm acesso a serviços diversos no primeiro subsolo do edifício, como um posto de atendimento da Receita Federal e outro da Junta Comercial do Estado de São Paulo.

34. O uso de bicicletas entre os funcionários é estimulado com 20 vagas para estacionamento. Com o aumento no número de ciclovias em São Paulo, a quantidade de vagas será ampliada.

35. Em média, 26% do lixo produzido no prédio é reciclado.

36. Ter metrô literalmente na porta, no caso a estação Trianon-Masp, da Linha 2 Verde, é um luxo.


Muito treinamento e foco para vencer na WorldSkills São Paulo 2015

Isabela Barros

Não importa que sejam necessárias 12 horas de treinamento por dia, muitas vezes até nos finais de semana. Nem que a pressão só tenda a aumentar nos próximos dias. É com alegria que os participantes da WorldSkills São Paulo 2015, a principal competição de formação profissional do mundo, falam da disputa. E do esforço para chegar ao final do torneio, que será realizado entre os dias 12 e 15 de agosto no Pavilhão de Exposições do Anhembi, com uma medalha de ouro pendurada no peito. O evento reunirá 1,2 mil competidores de 60 países. Fazem parte desse time quatro alunos da Escola Senai Suíço-Brasileira Paulo Ernesto Tolle, no bairro de Santo Amaro, na capital.

“Treino entre dez e 12 horas por dia há três meses”, conta Danilo Rodrigues Oliveira, de 20 anos, aluno da unidade do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e concorrente da ocupação Redes de Cabeamento Estruturado na WorldSkills São Paulo.

Oliveira: 12 horas de treinamento todos os dias

Oliveira: 12 horas de treinamento todos os dias. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Aluno do curso de Redes de Computadores na Suíço-Brasileira entre 2011 e 2013, ele está disposto a trazer uma medalha inédita para o Brasil em sua modalidade. De tanto treinar, diz que já não se sente mais tão nervoso com a proximidade do torneio. “Essa preparação vai nos deixando mais seguros”, explica. “E universidade nenhuma poderia me dar o embasamento técnico e as oportunidades que o Senai-SP me deu”.

Dieta e foco na solução de problemas

Em preparação para a WorldSkills desde março de 2013, Carlos Eduardo Camargo de Araújo Silva, de 19 anos, adora solucionar problemas. Depois de fazer o curso técnico em Redes de Computadores na Suíço-Brasileira, ele se prepara para tentar uma medalha na ocupação Design Gráfico.

“Na prova, temos que executar, em seis horas, projetos que, no mercado, podemos levar até oito meses para concluir”, explica.

Para chegar à disputa firme e forte, Silva treina oito horas por dia. E cuida da saúde para que nada o atrapalhe no Anhembi. “Fiz dieta e ganhei 16 quilos de massa magra”, conta.

Tanto foco rumo ao primeiro lugar se justifica: Silva tem familiaridade com o topo do pódio. “Tenho mais de 80 medalhas de ouro em casa, do tempo em que participava de competições de natação, dos sete aos 15 anos”, conta.

Lição de paciência

Além de aprenderem a ter foco, os talentos do Senai-SP que se prepararam para encarar a WorldSkills têm a oportunidade de aprimorar, ainda, a habilidade da paciência enquanto esperam pelo torneio. Que o diga o competidor na categoria Soluções de Software para Negócios Patrick Ens, de 20 anos.

“Aprendi a ter paciência, a treinar muito e a ser companheiro”, conta ele.

Aluno da Suíço-Brasileira desde 2011, quando entrou no curso de Redes de Computadores, ele destaca o fato de “nunca ter aprendido nada que fosse inútil” na instituição. Um conhecimento que ele hoje aplica em suas 12 horas diárias de preparação para a disputa no Anhembi. “O clima é de seriedade e de vontade de fazer o melhor”, diz. “Não tenho outra meta hoje além de conseguir uma medalha de ouro na WorldSkills”.

Ens: seriedade e vontade de vencer. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ens: seriedade e vontade de vencer. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Além da teoria

Também determinado a chegar em primeiro lugar, Giovanni Shiroma, de 22 anos, se prepara para a prova de Web Design desde 2013, seguindo uma rotina diária de 12 horas de treino.

Aluno da Suíço-Brasileira desde 2011, quando entrou no curso de Redes de Computadores, ele destaca o fato de que, na instituição, teve aulas que foram muito além da teoria. “A teoria só faz sentido quando a gente pratica”, afirma.

Assim, ele se prepara para “saber lidar com a pressão e organizar o tempo de execução das provas”. “Na prática, nem eu nem ninguém desenvolve um site em duas horas e meia”, explica.

Shiroma: habilidade para lidar com a pressão. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Shiroma: habilidade para lidar com a pressão. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Independentemente do tamanho do desafio, Shiroma e seus companheiros de Senai-SP estão prontos para brilhar diante do mundo quando a WorldSkills começar.


Teatro do Sesi-SP terá novas temporadas de seus maiores sucessos até dezembro

Isabela Barros

Não haverá cadeiras vazias. Com uma programação caprichada para comemorar os 50 anos do Teatro do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), o espaço tem tudo para ficar lotado entre agosto e dezembro de 2015. Estão previstas temporadas curtas de espetáculos que tiveram grande repercussão no palco do prédio do Sesi-SP e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na Avenida Paulista e uma homenagem aos 80 anos do dramaturgo Plínio Marcos. Outra novidade é a retomada do projeto Quartas Musicais, com shows semanais de artistas de música popular, sempre às 20h.

“Selecionamos peças que usaram elementos diferenciados em sua produção e que fizeram muito sucesso”, explica a gerente executiva de Cultura do Sesi-SP, Débora Viana.

Assim, serão exibidos os espetáculos L’llustre Molière, Amado e Mistero Buffo. Outro destaque é a peça infantil O Gigante Egoísta e as juvenis Quem tem medo de Curupira? e Lampião e Lancelote. Todos já tiverem temporadas no Teatro do Sesi- SP.

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O ator Cássio Scapin em cena de Lampião e Lancelote: sucesso no Teatro do Sesi-SP. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Também estão previstas apresentações de Myrna Sou Eu, baseada na obra de Nelson Rodrigues, e Tango sob dois olhares, com inspiração no ritmo argentino.

Plínio Marcos

Falecido em 1999, o dramaturgo nascido em Santos Plínio Marcos receberá uma homenagem pelos seus 80 anos. Segundo Débora, serão quatro montagens de trabalhos do autor. “As apresentações serão seguidas de debates com o público”, explica. “Isso para estimular o contato com a obra e lembrar a importância que ele teve”.

Toda quarta-feira

Prefere ver um show? Só colocar na agenda as apresentações do projeto Quartas Musicais. “Teremos artistas que estão despontando e muitos já consolidados na música popular brasileira, abrindo espaço para diversos gêneros e ritmos”, afirma Débora.

Sempre às 20h, a iniciativa receberá nomes como André Abujamra, Jair de Oliveira, Pedro Mariano e Orquestra Paulistana de Viola Caipira, entre outros.

O Teatro do Sesi-SP completou 50 anos em 2014, tendo como primeira montagem o espetáculo Caprichos do Amor e do Acaso, de 1964. Nessas cinco décadas, foram mais de 8 milhões de espectadores e mais de cem montagens produzidas.

Serviço

Confira a programação do Teatro do Sesi-SP no segundo semestre de 2015

Myrna sou eu – 01 e 2 de agosto

Tango sob dois olhares –  8 e 9 de agosto

Quem tem medo de Curupira? –  De 14 de agosto a 13 de setembro

L’llustre Molière – De 15 de agosto a 13 de setembro

Plínio Marcos 80 anos – De 16 de setembro a 11 de outubro

O Gigante Egoísta – De 16 de outubro a 8 de novembro

Amado – De 17 de outubro a 15 de novembro

Lampião e Lancelote – De 13 de novembro a 20 de dezembro

Mistero Buffo – De 21 de novembro a 20 de dezembro

Quartas Musicais

André Abujamra – 5 de agosto

Jair de Oliveira – 12 de agosto

Orquestra Paulistana de Viola Caipira – 19 de agosto

Pedro Mariano – 2 de setembro

Jaques Morelenbaum – 9 de setembro

Dani Black – 23 de setembro

Teatro do Sesi-SP – Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso – Av. Paulista, 1.313, em frente à estação Trianon Masp do Metrô

Entradas gratuitas – Reservas antecipadas pelo site www.sesisp.org.br/meu-sesi

Mais informações – http://www.sesisp.org.br/cultura/



 

 


Escola móvel de Nanotecnologia do Senai-SP é destaque da 67ª Reunião Anual da SBPC

Isabela Barros

A escola móvel de Nanotecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) foi uma das estrelas da 67ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) na Universidade Federal de São Carlos (UFScar), na cidade de mesmo nome, no interior paulista. Tanto que atraiu as atenções de uma média de 400 pessoas por dia, com 700 visitantes registrados neste sábado (18/07), quando foi encerrado o evento.

Uma das 80 escolas móveis do Senai-SP, a unidade de Nanotecnologia tem como objetivo oferecer o primeiro contato de estudantes e curiosos de modo geral com a área, que consiste no estudo da manipulação da matéria em escala atômica e molecular.

A estrutura faz sucesso, entre outros motivos, por expor diversos equipamentos utilizados nesta área da ciência, assim como demonstrar ao público diversos produtos que já utilizam a nanotecnologia como, por exemplo, camisetas com nanopartículas e cosméticos com nanocápsulas. “O material com nanotecnologia é muito eficaz, pois o tamanho reduzido de nanocápsulas e nanopartículas torna a sua ação mais rápida e certeira”, explica o especialista em Educação Profissional do Senai-SP Dario Jose Alves. “Uma nanocápsula rica em ômega 3, por exemplo, pode ser conduzida a só se romper no intestino ao invés do estômago por ser pré-programada a só abrir em pH básico (o do intestino), evitando perdas”.

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A escola móvel de Nanotecnologia do Senai-SP durante a SBPC, em São Carlos: para despertar o interesse pela ciência. Foto: Divulgação


Há ainda microscópios variados e até um analisador que avalia o tamanho de partículas em solução verificando se a mesma encontra-se em escala nanométrica. “Dá para rastrear a existência de uma partícula específica num vidro de xampu, por exemplo”, afirma Alves.

Quer mais? Uma maleta de experiências exposta na escola móvel oferece possibilidades de uma maior aproximação dos visitantes com a área. Um dos experimentos é tornar impermeáveis superfícies de materiais. “É só colocar um determinado produto e os materiais ficam assim”, diz Alves. “É um procedimento usado com roupas do Exército, tênis e vidros de carro”.

Por aí

Uma das meninas dos olhos do Senai-SP, a escola móvel de Nanotecnologia é alvo de convites para a participação em congressos e eventos científicos até mesmo fora de São Paulo. “Já levamos a unidade para Brasília e para Florianópolis, estão sempre chamando a gente”, conta Alves.

De acordo com o especialista em Educação Profissional do Senai-SP, em 2015 a estrutura deve percorrer as escolas da instituição e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP). “Queremos mostrar para a comunidade o que a gente está fazendo”, diz. “Despertar o interesse pela ciência entre os nossos alunos”.

O Homem de La Mancha: temporada atraiu 121,1 mil pessoas em 276 apresentações

Isabela Barros

A ficha ainda não caiu. Também pudera: soberano dos palcos do Teatro do Sesi-SP entre os dias 03 de setembro de 2014 e 28 de junho de 2015 como o protagonista de O Homem de La Mancha, Cleto Baccic tem tão viva a presença do musical em sua carreira que diz não estar com saudade. Para ele, “tudo ainda está tão forte” que ele se sente “de folga, com espetáculo amanhã”. Ao todo, foram 276 apresentações, com um público total de 121.135  pessoas. Uma temporada que vai deixar saudosos elenco, organizadores e público.

“São muitas as lembranças”, diz Baccic. “A mais importante delas é ter visto o Teatro do Sesi-SP lotado todos os dias”.

Eleito o melhor ator pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) em 2014, o intérprete de Miguel de Cervantes/D.Quixote cita a cena com o duque, na qual Cervantes fala sobre as suas experiências, como uma de suas prediletas. “Era quando ele contava o quanto já viveu e sofreu por seus ideais”.

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Baccic: emoção pelo teatro lotado todos os dias. Foto: Everton Amaro/Fiesp


O Homem de La Mancha foi mais uma iniciativa do projeto Teatro Musical, de formação de atores e público, promovido pelo Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).

De acordo com a gerente de operações culturais da instituição, Alexandra Miamoto, a montagem foi especial, entre outros motivos, por ter sido a adaptação de um texto famoso feita segundo a realidade brasileira por Miguel Falabella.

Tanto que recebeu, além do prêmio de Baccic, o título de Melhor Musical também pela APCA, Melhor Espetáculo pelos críticos da Folha de S. Paulo e o Prêmio Aplauso Brasil de Melhor Espetáculo de Teatro Musical. As três condecorações foram em 2014.

Depois de assistir a peça “mais de 30 vezes”, Alexandra elege a cena em que o protagonista canta a música tema, “O Sonho Impossível”, como a sua predileta. “Para mim, a cena representava o auge da qualidade técnica e estética daquela produção”, conta.

Entre as reações de carinho do público, ela cita o fato de que a primeira pessoa a chegar na fila para a última apresentação, em 28 de junho, levou um colchão para garantir a sua vaga. Isso aconteceu às 3h30.


Senai Mix Design: Bem-vindos ao outono-inverno 2016

Isabela Barros

Bem-vindos ao outono-inverno de 2016. Entre os designers e especialistas em moda do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), a temporada de frio do próximo ano já inspira tendências variadas, referências a serem trabalhadas pela indústria para chegar às vitrines mais adiante. Assim, para ajudar quem produz, a instituição lançou, nos dias 01 e 02 de julho, o projeto Senai Mix Design. A iniciativa incluiu palestras, apresentações de empresas, oficina e o lançamento da publicação Direções Criativas para o Outono-Inverno 2016.

O Senai Mix Design divulga informações de moda e tendências de comportamento e consumo para os setores de vestuário, calçados, botas, joias folheadas e bijuterias. Para levantar esses dados, foram realizadas visitas a feiras internacionais, análise de relatórios de agências especializadas e monitoramento de jornais, sites e revistas, entre outros meios de comunicação.

De acordo com a designer e consultora Andressa Campideli, da Escola Senai “Francisco Matarazzo”, no Brás, na capital paulista, o tema central das referências para a próxima temporada de frio é “paradoxos”. Já as chamadas direções criativas, ou seja, as tendências em si, são divididas em três grupos: “medo encantado”, “ficção realista” e “coletivo particular”.

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Oficina do Senai Mix Design em São Paulo: tendências para orientar a indústria. Foto: Divulgação


O “medo encantado” envolve peças românticas, leves, mas com um certo ar sombrio. Como isso pode virar realidade nas lojas? A partir de roupas com bordados ou padronagens florais, mas com fundo escuro, por exemplo. E, conforme Andressa, “uma certa dramaticidade”. “Teremos muitas pregas, laços, golas altas. Tudo com um toque vitoriano”, explica. Entre as cores de referências estão nude, vinho e azul escuro.

Já a “ficção realista” une “tecnologia e tradição”. “A androginia é chave para entender o que vai fazer sucesso no próximo outono-inverno”, diz Andressa. “As roupas vão além dos gêneros, com peças de alfaiataria para mulheres”, afirma. “O toque feminino fica por conta de um cinto, um detalhe, por exemplo”. Cores para esse grupo de tendências? Azul mais claro, cinza e verde intenso, entre outras.

Fechando as direções criativas, o “coletivo particular” discute a noção do “coletivo que fortalece o individual”. “Aqui entra em cena a liberdade de expressão nas roupas”, diz Andressa. “E isso com muita influência dos anos 1960 e 1970, com experimentações estéticas”. Nesse item, as cores predominantes são aquelas mais vivas, como verde e coral.

Segundo Andressa, empresários do setor têxtil podem se inspirar nas três direções criativas e suas características para pensar no que produzir. “Uma boa dica é pensar num balanço dessas três referências, avaliar com quais dela as marcas mais vão se identificar”, afirma.

Quer saber mais? Essas e outras informações estão disponíveis no caderno produzido pelo Senai Mix Design, que pode ser adquirido no site do projeto: http://mixdesign.sp.senai.br

Além disso, é possível conferir, no portal, quando a iniciativa chegará a outras cidades do estado de São Paulo. Estão previstas palestras em Americana, Limeira, Franca e Jaú.

Festival Sesi Música 2015: aberta a temporada de caça aos talentos da indústria

Isabela Barros

Foi a caminho do trabalho, esperando passar o ônibus lotado, que veio a inspiração. Ao chegar em casa, violão em punho, o técnico em refrigeração Anderson Aranda Araújo, de 32 anos, começou a compor Trabalhador, canção que lhe deu o primeiro lugar na categoria música inédita – composição no Festival Sesi Música 2014, organizado pelo Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP). Aos que, como ele, se animarem a participar do evento em 2015, Araújo recomenda a experiência. “A semana do festival foi a melhor do ano passado para mim”, conta.

Assim, para revelar novos talentos entre os trabalhadores da indústria, já estão abertas e seguem até 31de julho as inscrições para o Festival Sesi Música 2015. Em sua sexta edição, a iniciativa será realizada entre 28 e 31 de outubro no Sesi de São José dos Campos, no interior paulista, premiando três finalistas de duas categorias. São elas: música inédita – composição e música não inédita – interpretação (músicas já gravadas, editadas e comercializadas). Nos dois casos, serão aceitas músicas de compositores brasileiros, de qualquer época ou estilo, com letra exclusivamente em português.

“Antes da apresentação, veio aquele nervosismo”, conta Araújo. “Mas, no palco, tudo virou alegria”. Para ele, o primeiro lugar não foi a única lembrança boa que ficou daquele dia. “Até hoje temos contatos com pessoas que também participaram do festival, criamos um grupo de WhatsApp para conversar”.

Esse envolvimento com a iniciativa e com os demais participantes também é destacado pela curadora e organizadora do festival, Kelly Xavier. Segundo ela, antes da apresentação final os seis selecionados de cada categoria participam de atividades como bate papos com artistas, palestras, shows e workshops, o que ajuda nesse processo de integração. “O valor maior não é a concorrência, mas a troca, o contato com os demais trabalhadores”, diz Kelly.

Para se ter uma ideia, esse ano estão previstas uma conversa com o músico Edgard Scandurra, do Ira, e uma aula com os integrantes do grupo argentino Cabaret Vocal.

Em edições anteriores, já participaram artistas como Chico César, Marcelo Jeneci e Jairzinho. “Todos elogiaram o festival e a autoestima dos trabalhadores da indústria”, afirma Kelly.

Uma autoestima que se reflete no trabalho depois. “Muitos voltam para as suas empresas e trabalham com mais produtividade, se sentem valorizados”, diz ela. “Mais do que revelar talentos, o festival é uma oportunidade de investir em cultura e no desenvolvimento pessoal dos nossos profissionais”.

O assistente de estoque Jorge Jr. é um exemplo dessa tendência. De tão animado com a vitória na categoria interpretação em 2014, ele já decidiu que vai se inscrever de novo em 2015. Vencedor cantando Final Feliz, de Jorge Vercilo, na edição anterior, ele agora pretende interpretar uma canção gospel se for selecionado. “Sempre tive uma ligação com a música e participar do prêmio foi especial para mim”, diz.

Como participar

O festival será dividido em duas fases. Na primeira, um júri especializado selecionará o material enviado no ato da inscrição. Já na etapa seguinte, os seis selecionados de cada categoria se apresentarão ao vivo, no dia 31 de outubro.

Para participar, basta ser trabalhador da indústria no estado de São Paulo. E acessar o site www.sesisp.org.br/cultura para baixar o regulamento e os formulários relacionados. Todo o material deve ser encaminhado pelos Correios até 31 de julho.

Os três primeiros colocados de cada categoria ganham, respectivamente, R$ 8 mil, R$ 5 mil e R$ 3 mil.

Serviço

Festival SESI Música 2015 – Edição São Paulo

Período: de 28 a 31 de outubro de 2015

Local: SESI São José dos Campos. Avenida Cidade Jardim, 4.389, Bosque dos Eucaliptos. São José dos Campos. SP.

Classificação indicativa: livre

Entrada gratuita

Mais informações: musica@sesisp.org.br

Site do evento: http://hotsite.fiesp.com.br/festival-sesi-musica/

Inscrições: de 15 de junho a 31 de julho – apenas via Correios, para o endereço: Festival Sesi Música 2015 – Edição São Paulo: SESI-SP – DEC – Setor de Música – Avenida Paulista, 1.313 – Andar Intermediário, CEP: 01311-923 – São Paulo (SP)