INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: FIBRIA – COMPARTILHANDO VALOR COM A SOCIEDADE

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Por Karen Pegorari Silveira

publicado em 06 de março de 2018

Segundo os renomados professores da Universidade de Harvard (EUA) e estudiosos sobre a relação entre economia e impacto social, Michael Porter e Mark Kramer, o princípio do valor compartilhado envolve a geração de valor econômico de forma a criar também valor para a sociedade. Para eles, valor compartilhado não é responsabilidade social, filantropia ou mesmo sustentabilidade, mas uma nova forma de obter sucesso econômico.

Alinhadas com este pensamento, diversas empresas líderes globais estão começando a reconhecer a ligação entre o seu sucesso financeiro e a prosperidade da sociedade, assim como a indústria Fibria, produtora de celulose de eucalipto, que vem desenvolvendo programas e iniciativas para criar valor em conjunto com a sociedade.

Em 2009, o furto de madeira representou para a Fibria a perda de 650.000 metros cúbicos de eucalipto (cerca de R$ 50 milhões), e criou tensões com as comunidades vizinhas. Isso acontecia por causa da falta de alternativas econômicas. Para solucionar o problema e auxiliar as comunidades do entorno foi criado o Programa de Desenvolvimento Rural Territorial (PDRT).

A pedido dos moradores da comunidade Espora Gato, na Bahia, uma das beneficiadas atualmente pelo PDRT, a empresa auxiliou a implantação da agricultura para substituir o trabalho com carvão.

Atualmente o PDRT inclui aproximadamente 5.000 famílias. Hoje, a média de renda mensal dessas famílias é de R$ 4.700. A atuação do Programa é diferente para as comunidades do entorno de cada uma das três fábricas da Fibria, localizadas em Jacareí (SP), Aracruz (ES) e Três Lagoas (MS). “Não temos uma receita de bolo, não levamos nada pronto. As realidades e as necessidades dessas populações são diferentes. São eles que nos ajudam a co-criar, a encontrar as melhores alternativas”, diz Malu Pinto e Paiva, diretora de Sustentabilidade, Comunicação e Relações Corporativas da Fibria.

Assim como para a comunidade, os resultados para a Fibria são claros. Em 2016, o PDRT estava presente em mais de 50 comunidades e o furto de madeira havia caído 90% em comparação com os níveis de 2009. “Vimos uma oportunidade de reestruturar o relacionamento entre a empresa e a comunidade. Conversamos, cedemos de lado a lado e construímos uma solução conjunta”, diz Marcelo Castelli, presidente da Fibria.

Outro programa da companhia que faz parte de suas iniciativas de valor compartilhado é o Poupança Florestal, que auxilia agricultores a cultivar eucalipto em suas propriedades como uma forma de diversificação de cultura e renda. Um dos moradores locais, Florisberto José dos Santos, de Itaúnas, no município de Conceição da Barra (ES), declara “Graças ao eucalipto, hoje tenho uma casa e aumentei a minha propriedade”.

O Programa Poupança Florestal atua na conservação e recuperação ambiental. A Fibria exige que os fomentados estejam em conformidade com o Código Florestal Brasileiro em toda a extensão da propriedade. Além disso, fornecem assistência com relação a técnicas de manejo sustentável da terra.

O Poupança Florestal começou com o objetivo de atender 5% das necessidades de madeira da fábrica de Aracruz, mas sua contribuição cresceu para uma média de 20% desse abastecimento. Atualmente, 2.000 famílias participam do Programa. Em 2016, a Fibria economizou mais de R$ 100 milhões ao integrar os agricultores em sua cadeia de abastecimento. “Os agricultores locais fazem parte da nossa cadeia de suprimentos. Não conseguimos prosperar sem eles”, diz Carlos Alberto Nassur, gerente geral Florestal de Aracruz.

“Estamos muito orgulhosos do que conquistamos com as nossas iniciativas de valor compartilhado”, ressalta Castelli. “Conseguimos promover a melhoria na vida de centenas de famílias e também para o meio ambiente e, com isso, tornamos a nossa companhia mais rentável. E sei que este é apenas o começo. Há muito ainda o que ser feito”, completa.

Sobre a Fibria

Líder mundial na produção de celulose de eucalipto, com capacidade produtiva de 7,25 milhões de toneladas de celulose por ano, a companhia conta com unidades industriais localizadas em Aracruz (ES), Jacareí (SP) e Três Lagoas (MS), além de Eunápolis (BA), onde mantém a Veracel em joint-operation com a Stora Enso. A companhia possui 1,056 milhão de hectares de florestas, sendo 633 mil hectares de florestas plantadas, 364 mil hectares de áreas de preservação e de conservação ambiental e 59 mil hectares destinados a outros usos.


INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: DANONE – TRANSFORMANDO VIDAS

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Créditos: Danone Ecosystem Fund / Philippe Cap

Por Karen Pegorari Silveira

publicado em 06 de março de 2018

O conceito de negócios de impacto desperta cada vez mais interesse do investimento social privado no Brasil, negócios esses que podem ser definidos como “empreendimentos que têm a missão explícita de gerar impacto socioambiental ao mesmo tempo em que geram resultado financeiro positivo e de forma sustentável”.

O investimento de impacto está crescendo em popularidade e tem projeções além de US$ 400 bilhões para 2020 no mercado global.

De acordo com uma pesquisa da Aspen Network of Development Entrepreneurs (Ande), organização internacional que monitora negócios de impacto social, entre 2014 e 2016 o número de investidores com esse foco subiu de 22 para 29 no Brasil. O estudo considera que há mais de US$ 2 bilhões disponíveis para investimento nessa área na América Latina.

Este tema tem atraído diversas empresas e muitas delas desenvolveram ações com este foco, como á o caso da indústria de alimentos Danone, que em 2011 decidiu tornar comercialmente viável um modelo de negócio em que centenas de mulheres de baixa renda vendessem seus produtos de porta em porta nas favelas da capital baiana. Essas mulheres são chamadas de kiteiras.

Além de vender para a chamada base da pirâmide, a Danone tinha a ambição de colaborar para a melhoria de vida dessas vendedoras criando, portanto, um negócio de impacto. A expectativa da Danone é que esse modelo de vendas se torne, no futuro, seu terceiro maior canal de vendas, abaixo apenas das grandes varejistas nacionais e locais.

Com a venda dos kits de iogurtes — e os ganhos de 30% do valor do produto repassados pela empresa — muitas kiteiras deixaram de depender de benefícios do governo e atualmente chegam a garantir uma renda em torno de 1200 reais por mês. Há também as “madrinhas”, responsáveis por gerenciar dezenas de vendedoras em troca de uma comissão extra de 3,5% sobre o total das vendas do grupo que ela gerencia. A renda delas pode chegar a cerca de 3000 reais mensais.

Apesar dos problemas que desafiavam a viabilidade desse canal de vendas, o investimento de impacto da Danone vingou após cinco anos. Com esse exército, só em Salvador (BA), mais de 85 toneladas de iogurte passaram a ser vendidas por mês e a operação — tanto para a empresa quanto para o distribuidor envolvido — passou a fazer sentido financeiramente. O volume representa 8% do total vendido pela empresa na cidade, a maior do Nordeste. Com isso, o canal porta a porta já rivaliza localmente com o pequeno varejo.

Motivados para fazer com que o porta a porta tenha escala no resto do Brasil, a Danone firmou parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a ONG Visão Mundial e a ONG Aliança Empreendedora para que mais mulheres possam receber treinamento e iniciar o trabalho como kiteira.

Com o aporte de mais 720 mil euros do BID e o trabalho em parceria com as ONGs o número de kiteiras subiu para 2.788 em Salvador – BA, São Paulo – SP, Fortaleza – CE e Vitória de Santo Antão – PE.

Nos primeiros anos, as taxas de inadimplência chegaram a 17%; e a rotatividade das kiteiras, a até 35%. Para reduzir o problema dos maus pagadores, a distribuidora deixou de vender com boletos e passou a aceitar dinheiro ou cartão. Hoje, o índice de entrada e saída de mulheres também diminuiu e chegou a 15%, considerado baixo por especialistas no mercado de venda direta. Nas empresas de cosméticos, essa rotatividade chega a ser duas vezes maior, por exemplo

De acordo com Ligia Camargo, head de Sustentabilidade da Danone, “o plano de continuar expandindo existe, e está em pleno vapor. Temos uma equipe especializada em buscar distribuidores em todo o país e Recife e MG estão em nosso radar. No momento estamos focando em maturar nossa atual operação, com resultados acima do esperado e sendo um grande sucesso. Em 2017 atendemos 100.000 famílias, que, por meio de nossos produtos têm acesso a hábitos mais saudáveis, chegando a mais de 2000 toneladas de produtos vendidos no canal. Estamos em uma rede de 2800 kiteiras no Brasil, com um crescimento de 67% de faturamento em relação ao ano de 2016, e treinamos 650 mulheres em 2017 com informações relativas a saúde financeira, empreendedorismo, formalização, entre outros assuntos importantes para este público”, relata.

Sobre a Danone

O grupo Danone é conhecido pelos seus produtos lácteos, especialmente pelos iogurtes. Está presente em mais de 120 países, contando com mais de 92 mil colaboradores. No Brasil a empresa iniciou suas atividades em 1970, com o lançamento do primeiro iogurte com polpa de frutas.

ARTIGO: INVESTIMENTO SOCIAL CORPORATIVO COMO ESTRATÉGIA DE NEGÓCIO

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publicado em 06 de março de 2018

Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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Marcos Kisil*

Para Michael Porter, da Harvard Business School, a responsabilidade social, e por tabela o investimento social feito por empresas socialmente responsáveis, podem ser responsivos ou estratégicos. O que define uma e outra abordagem é justamente o nível de envolvimento da empresa com as questões que afligem o desenvolvimento harmônico e sustentável de uma sociedade.

Uma empresa responsiva procura ter alguma atuação comunitária tendo como objetivo reduzir os danos causados pelas atividades de sua cadeia de valor, ou querendo demonstrar que podem ser consideradas como empresas com licença de operar dentro de uma comunidade.

Na prática, significa que ela reage ao que a sociedade lhe cobra, minimizando, de um lado, os seus riscos socioambientais e, de outro, fazendo investimento em causas mais genéricas, de claro interesse social, mas que não interferem diretamente nas suas operações ou influenciam sua competitividade no médio e longo prazos. Suas práticas de investimento têm limitado impacto sobre a realidade, pouco contribuindo para um efetivo desenvolvimento da comunidade. E, é interessante notar, que tais apoios também não interferem diretamente no próprio sucesso do negócio, já que não tem a preocupação de alinhar-se diretamente a esse sucesso. Portanto, não é estratégica para a empresa.

Já no investimento social estratégico, a empresa transforma as atividades de sua cadeia de valor para simultaneamente beneficiar a sociedade e reforçar sua estratégia de negócio. Ao realizar o seu investimento social, ela seleciona temas que, de alguma forma, contribuem para melhorar a competitividade do seu empreendimento. São os casos das empresas de software ou biotecnologia que investem, por exemplo, em programas de educação tecnológica para comunidades porque dependem de jovens qualificados para o futuro de seus negócios.

A pragmática tese de Porter é clara: quanto maior a relação de uma temática social com a atividade de negócio da corporação, maiores serão sempre as oportunidades de uma empresa gerar recursos em benefício da sociedade. Isso explica porque o guru da competitividade passou a ser um porta-voz convicto da ideia de que, ao escolher uma pauta social, as organizações devem levar em conta o alinhamento com a sua estratégia empresarial. Tal entendimento levou progressivamente ao desejo de alinhar essa estratégia empresarial com a própria estratégia da comunidade para o seu desenvolvimento. Este entendimento hoje é conhecido como sharing values ou valores compartilhados, onde se busca a complementariedade, e maior eficiência, eficácia e efetividade no uso dos recursos.

Num contexto de recursos limitados, definir o foco do investimento social corporativo é fundamental para fazer melhor uso desses recursos e ampliar o impacto positivo das ações sociais desenvolvidas. Quando a empresa define em que área vai investir com base no exercício de um planejamento estratégico, concentra seus recursos e esforços em torno de determinada causa, evitando a pulverização de sua atuação e eventual perda de benefício que poderia advir dos recursos investidos. Por outro lado, a acolhida ou não aos pedidos de apoio, é facilitada, já que a corporação desenvolve argumentos precisos, profissionais e respeitosos, para justificar ao demandante o motivo da recusa. Mas definir o foco do investimento social corporativo não é tarefa simples, sobretudo num país como o Brasil, onde se acumulou progressivamente uma dívida social com relação a diferentes necessidades da população. Assim, definir um foco representa a necessidade de se explorar diferentes possíveis necessidades sociais e exigindo da empresa a tomada de decisões de caráter estratégico, alinhadas com seus valores e compromissos, com seu histórico de atuação social, com as expectativas de seus líderes, e com as necessidades das comunidades. Também exige uma definição do valor agregado que a empresa quer dar a sua marca e imagem, o que pede uma busca por conhecer com que diferenciais ela se apresentará junto aos diversos públicos de interesse, especialmente junto a sua cadeia de valores, e como deseja ser vista quando comparada aos seus concorrentes. Sendo assim, a definição do foco demanda um olhar para dentro da própria corporação e para o contexto no qual ela está inserida, de forma que, nesse processo, seja possível identificar a “vocação” da empresa para sua atuação social.

Como sabemos esse investimento da empresa pode se dar por meio de diferentes recursos: doação financeira, incentivo ao voluntariado dentro da empresa, disponibilização de know-how de planejamento, gestão e controle/avaliação, doação de bens e serviços. Conhecedora de suas possiblidades, cada empresa deve estabelecer seu plano de ação e assim poder divulga-lo de maneira transparente para seus grupos de interesse em que clarifica o que porque, como, onde se dispõe a agir como investidora social.

* Membro do Conselho Superior de Responsabilidade Social da Fiesp no mandato 2017; Fundador do IDIS – Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social e Professor Titular USP.

ENTREVISTA: JOSÉ LUIZ EGYDIO SETÚBAL

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Por Karen Pegorari Silveira

publicado em 06 de março de 2018

O Investimento Social Privado é o repasse voluntário de recursos privados de forma planejada, monitorada e sistemática para iniciativas e projetos de interesse público, podendo ser incentivados, ou não, por renúncia fiscal. Incluem-se neste universo as ações sociais protagonizadas por empresas, fundações, institutos, comunidades ou indivíduos.

Na opinião do presidente do conselho da Fundação José Luiz Egydio Setúbal, que também comandou a Santa Casa de São Paulo, o Brasil deveria ter leis para favorecer as doações, como por exemplo uma política para Fundos Patrimoniais (endowment), que poderia contribuir enormemente com museus, universidades, Fundações etc.

Leia na íntegra a entrevista:

No Brasil grande parte das quase 340 mil entidades da sociedade civil organizada (fundações privadas e associações sem ­fins lucrativos) depende de recursos de projetos propostos ao governo e às empresas, pois não existe uma cultura de doação individual – e que poderia ser uma fonte importante de captação. Em sua opinião, por qual motivo os brasileiros não consideram sua responsabilidade de doar ou destinar seus impostos a essas organizações?

José Luiz – Discordo um pouco dessas afirmações. Por pesquisas feitas (http://idis.org.br/pesquisa-doacao-brasil/) mostram que a população doa mais do que as empresas. Mas concordo que boa parte das ONGs dependem do governo para sua sustentabilidade. Acredito também que os brasileiros mais ricos doam menos do que podiam e muitas vezes usam de benefícios fiscais para fazer suas boas ações, mas não entendo isso como doação, uma vez que é um direcionamento do imposto para uma causa que você ou sua empresa desejam ajudar. O dinheiro na verdade é do Estado, já que seria imposto a ser pago.

As pessoas comparam muito com os EUA, mas a doação lá se dá por muitos motivos e eles culturalmente são muito mais envolvidos com suas comunidades. Por lá há doação de bens materiais, mas também de tempo em trabalhos voluntários, por exemplo.

Neste caso, como é possível mudar o cenário? Como os EUA conseguiu chegar nos mais de 300 bilhões de doações anuais, por exemplo?

José Luiz – Gosto de usar % do PIB em vez de números ou valores, já que as economias são muito diferentes em escala. Como disse anteriormente, não devemos copiar tudo dos EUA ou da Europa, pois são culturas diferentes, têm soluções diferentes para problemas similares. Acredito que deveríamos ter leis que favorecem as doações como por exemplo uma política para Fundos Patrimoniais (endowment) que poderiam favorecer enormemente museus, universidades, Fundações etc. Ter políticas claras sobre os objetivos de se constituir uma ONG que depende do governo para sobreviver, o que gera relações com conflitos de interesses e acabam por construir um enorme passivo social já que elas não ajudam a resolver os problemas.

Quais são as vantagens para quem realiza o investimento social privado?

José Luiz – Posso responder por mim, já que imagino que cada um tenha sua motivação. A primeira coisa que teria a dizer é que não há vantagem financeira, não é um investimento que trará retorno financeiro, mas sim social. Muitas vezes é difícil para um empresário, um industrial, comerciante ou banqueiro entender isso. O que me move é uma atitude cidadã, sentir partícipe de sua comunidade e ajudá-la a crescer como um todo. Se minha comunidade estiver bem ou melhorando, eu também estarei bem e melhorando. Precisamos parar de pensar como indivíduo e passar a pensar como uma comunidade, um bairro, uma cidade, um estado e um país. O investimento social privado deve ser um agente que colabora com o Estado, ajudando a fazer as políticas públicas que os governos sozinhos não conseguem.

Do ponto de vista das organizações, quais os desafios enfrentados para receber o investimento social privado?

José Luiz – Boa parte das organizações é muito pequena e sem suporte técnico para orientação. A gestão é fraca e não existe preocupação com Governança. Com todas essas mazelas não conseguem entender a legislação, dependem muitas vezes de trabalho pro bono que nem sempre é feito com o devido cuidado. Como falta dinheiro para tudo, muitas vezes fogem da Missão e da Visão. A gestão, em geral, é muito amadora e na crença de que com boa intenção e boa vontade se consegue tudo. Vivi isso na Santa Casa de SP, que é longe de ser pequena, mas tem todos esses problemas.

Recentemente vem acontecendo uma transformação no pensamento administrativo, que propõe o valor compartilhado, ou seja, a geração de valor econômico de forma a criar também valor para a sociedade (com o enfrentamento de suas necessidades e desafios). O Brasil já tem exemplos de empresas que incorporaram este princípio?

José Luiz – Posso citar o Hospital Sabará, ele é gerido como um hospital privado, deve gerar valor e ter resultados. A diferença é que ele pertence a uma Fundação que utiliza seus resultados para fazer cumprir sua Missão que é voltada para saúde infantil.

Existe um grande número de empresas que tem este fundamento e não faz parte do terceiro setor, o próprio Banco Itaú na apresentação de seus resultados de 2017 publicou em todos os grandes jornais de São Paulo sua contribuição para sociedade nas mais diversas áreas. Na saúde temos iniciativas como Dr. Consulta, na habitação Muhammad Yunus – prêmio Nobel de economia com o microcrédito – criou a Yunus Negócios Sociais e a Artemísia, que também faz intermediações de negócios sociais no Brasil – dando orientação e até ajudando na divulgação e financiamento. Existem muitos outros exemplos.


INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: VEDACIT – CONECTANDO A CAUSA E O NEGÓCIO

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Por Karen Pegorari Silveira

publicado em 06 de março de 2018

Os recursos privados constituem atualmente a principal fonte de financiamento das organizações da sociedade civil no Brasil. De acordo com o Censo GIFE 2016, os recursos dos investidores sociais privados são provenientes principalmente das empresas (46%), sendo 26% de doações de empresas mantenedoras para seus institutos e fundações e 20% de recursos próprios das empresas aplicados em seus projetos de investimento social.

Destinar recursos a ações de impacto socioambiental também é o caso da Vedacit, que investiu 1,6 milhão de reais nos últimos dois anos, beneficiando mais de 118 mil pessoas direta e 376 mil indiretamente. “Sempre acreditamos que o investimento social privado é uma maneira das empresas se engajarem na solução dos problemas sociais do nosso país. Mas faltava uma linha que nos conectava entre o propósito da Vedacit e esta transformação social. Por isso, a criação do Instituto amplia o nosso olhar sobre o nosso papel frente à sociedade”, conta Otto Baumgart, diretor executivo administrativo da Vedacit.

O Instituto Vedacit surgiu para fazer a conexão entre os negócios da empresa e os investimentos sociais. “Mesmo em um momento de crise decidimos criar o Instituto para trazer à tona os desafios do desenvolvimento das cidades e como elaborar soluções que permitam às pessoas se conectar com suas comunidades e transformá-las num lugar melhor para se viver”, afirma Luis Fernando Guggenberger, gerente do Instituto Vedacit.

A causa definida pelo Instituto são as Cidades do Futuro, sob a crença de que elas serão mais sustentáveis se houver uma melhor harmonia e convivência entre os espaços urbanos, as moradias e as pessoas. Por isso, dividiu suas linhas de atuação em: Cidades Criativas – com projetos culturais proporcionando maior ocupação e interação com os espaços públicos, estimulando a reflexão e o protagonismo da população na solução dos problemas locais; Cidades Inteligentes – contribuindo na formação de jovens com alternativas de trabalho e empreendedorismo; e Cidades Sustentáveis – com investimentos em negócios sociais e projetos esportivos que promovam a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar.

Outros projetos também são apoiados pelo Instituto, como o Programa Perspective Hub da Unibes Cultural, que incentiva a cultura e promove iniciativas educacionais oferecendo cursos gratuitos de cinema de animação, desenvolvimento de videogame, trilha sonora de cinema e TV e técnicas de escrita literária; o Programa Vivenda e o Moradigna – negócios de impacto social – que oferecem reformas de qualidade com baixo custo em comunidades de baixa renda; a categoria de base feminina (jovens de 13 a 19 anos) do Vôlei Valinhos; o Museu da Pessoa – jovens produzem e compartilham a história dos moradores e de seus bairros; e a Caravana Fotográfica com oficinas de fotografia que discutiram o papel das mulheres no dia a dia das cidades.

Segundo o gerente Guggenberger, “a missão do Instituto é criar condições para que as pessoas sejam empoderadas e tornem-se protagonistas na construção das soluções, enfrentando os desafios socioambientais, estabelecendo formas mais inteligentes, sustentáveis, criativas e humanas para as cidades do futuro”.

Sobre a Vedacit

A Vedacit é uma indústria de produtos químicos para construção do grupo multiempresarial Baumgart, de capital privado, formado por organizações dos setores imobiliário (Center Norte, Lar Center, ExpoCenter Norte e Novotel Center Norte) e agronegócios (Fazendas Reunidas Baumgart e Calcário Rio Verde).


Iniciativas Sustentáveis: International Paper – Comunidade em foco

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Por Karen Pegorari Silveira

Os impactos negativos da indústria de papel e celulose nas comunidades do entorno exigem que a empresa e a sociedade mantenham relacionamento próximo e de amplo diálogo, e para que isso ocorra de forma agradável muitas empresas desenvolvem projetos em conjunto para atender as necessidades desta população.

Assim também é o trabalho do Instituto criado pela indústria de papel e embalagens International Paper (IP), que em 2014, investiu mais de R$ 1,3 milhão, sendo 20% desse valor por meio de incentivos fiscais via Imposto de Renda e ICMS da empresa.

Atualmente, o Instituto contempla projetos ou ações em todas as cidades brasileiras em que possui operação e já impactou, diretamente, mais de pessoas 32 mil pessoas em 2014 com 9 projetos próprios e outros 2 projetos realizados por meio de programas de incentivo fiscal do Governo Estadual e Federal (PROAC-ICMS e PRONAC regulado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet).

O projeto Apicultura Solidária teve início em 2011 e visa o uso múltiplo das florestas de eucalipto, priorizando o desenvolvimento socioambiental nas áreas de atuação da IP, além de geração de renda para apicultores locais. A dinâmica do projeto consiste em uma atuação de colaboração mútua, na qual a IP libera o uso de áreas de floresta de eucaliptos para que os apicultores instalem suas colmeias e caixas de captura necessárias à produção de mel, colaborando com o aumento de sua renda. Devido à alta produção de mel, os apicultores montaram stands dentro das fábricas de Mogi Guaçu e Luiz Antônio, podendo assim vender o mel para os funcionários da IP. Outra ação feita com o intuito de divulgar o projeto internamente, foi a distribuição de bisnagas de mel nas salas de reuniões da IP, dispostas em uma embalagem com o formato de uma colmeia.

O projeto EducAção Socioambiental, composto de concurso de redação, concurso literário e a atividade de plantio, é realizado há 39 anos na unidade de Mogi Guaçu. Além de colaborar com a formação de crianças e adolescentes socialmente responsáveis, realiza a conservação e a restauração ambiental de áreas verdes nos municípios de Mogi Guaçu, Mogi Mirim e Estiva Gerbi. O projeto une ações educacionais e socioambientais por meio dos concursos e da conservação ambiental, em que as escolas participantes levam seus alunos para plantar mudas nativas em áreas degradadas. Esta ação de plantio, que é itinerante, percorreu os três municípios participantes e, em 2014, o reflorestamento ocorreu em diferentes áreas da cidade de Mogi Guaçu, além de contar com a participação de voluntários da IP.

Lançado em 2010 na IP, o Projeto Escola Formare, desenvolvido pela Fundação Iochpe (franquia social), oferece curso de educação profissional para jovens de famílias de baixa renda, com certificado reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) e emitido pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). As aulas do programa são ministradas em um período de 10 meses e os profissionais da IP são educadores voluntários (EVs). Formare Luiz Antônio formou a sua quarta turma de Assistentes de Produção da Indústria de Processos em 2014, com a ajuda de mais de 100 profissionais voluntários que atuaram como Educadores Voluntários, Supervisores de Prática Profissional e Tutores do programa “Mire-se no Exemplo”. No mesmo ano, os alunos voluntariamente se organizaram, planejaram e executaram uma campanha para arrecadação de agasalhos na unidade. No total foram arrecadados mais de 200 itens entre roupas, cobertores e fraldas, sendo doados às duas instituições de assistência social do município de Santa Rosa de Viterbo (Asilo São Vicente de Paula e Casa Abrigo). Formare Mogi Guaçu formou a sua quinta turma de Assistentes de Produção da Indústria de Processos, sendo a unidade que engloba o maior número de profissionais voluntários, só esse ano o projeto contou com a participação de quase 200 voluntários entre eles Educadores Voluntários, Supervisores de Prática Profissional e Tutores. Ainda em 2014, os alunos e educadores voluntários se organizaram, planejaram e executaram uma campanha para arrecadação de produtos de higiene, que posteriormente foram doados ao CAC de Mogi Guaçu (Centro de Atendimento à Criança).

O EmCena Brasil é uma caravana itinerante com um Teatro Móvel que utiliza um contêiner adaptado para palco, com toda a infraestrutura de iluminação, som, camarins, tela de cinema e 400 banquetas para a plateia cobertas por uma tenda de 250m2. São realizados espetáculos teatrais para adultos e crianças, apresentações de circo, sessões de cinema, contação de histórias, oficinas, exposições e shows musicais, além de uma biblioteca com mais de 500 títulos em livros infantis e gibis. O IIP levou para os municípios de Paulínia (SP), Suzano (SP), Franco da Rocha (SP), Itapeva (SP) e Rio Verde (GO).

O Projeto Guardiões das Águas, realizado desde 2008 na região de Luiz Antônio, tem como missão informar e conscientizar os participantes quanto ao uso racional da água, além de incentivar ações de conservação. Devido ao calendário escolar atípico de 2014, houve a necessidade de postergar o projeto para o 2º semestre. Independente desse fator, a campanha teve o seu tempo de duração normal, que foram de 4 meses (agosto a novembro).

O Watchatchá é um Circo Científico em show que traz uma série de experiências como “Água pelo Mundo”, em que os cientistas malucos mostram que apesar de nosso planeta ser composto por cerca de 70% de água, apenas uma pequena parte é potável. Todos os conceitos científicos são passados de maneira divertida e interativa.

Há também outros projetos, como o Casa Vhida, o Guardiões, o Programa de Educação Ambiental (PEA), o Guardiões do Verde, Cidade do Livro, o Semeando o Futuro e o Natureza e Corpo.

Segundo Glaucia Faria, coordenadora de Responsabilidade Social Corporativa da IP, a empresa se sente responsável por sua atuação. “Acreditamos que os projetos sociais são capazes de transformar a realidade, ao trazer desenvolvimento e benefícios para a comunidade. O projeto Cidade do Livro, por exemplo, contribui com esse processo ao despertar o prazer de ouvir e ler histórias e conscientizar quanto à importância do livro para o desenvolvimento socioeducacional”, conclui.

Sobre a International Paper

No Brasil, a IP atua em dois negócios: papéis para imprimir e escrever e também embalagens. Com aproximadamente 2.8 mil profissionais, o sistema integrado de produção de papel para imprimir e escrever da International Paper é composto por três fábricas: duas no Estado de São Paulo e uma no Mato Grosso do Sul. Seus produtos, as linhas de papéis para imprimir e escrever Chamex e Chamequinho e a linha gráfica de papéis Chambril, são produzidos a partir de florestas 100% plantadas, renováveis e certificadas.

(27/10/2015)

Iniciativas Sustentáveis: InterCement – incentivo à cultura e infância

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Por Karen Pegorari Silveira

Os impactos negativos de uma indústria cimenteira ao se instalar em uma cidade já são conhecidos pela maioria da população. Eles vão desde os ruídos estrondosos até a emissão de gases poluentes que prejudicam a saúde e a vida da comunidade do entorno. Apesar disso, muitas cimenteiras investem no uso de avançadas tecnologias de produção e controle de processos, além do diálogo aberto e transparente com seus diversos públicos. A intenção é reduzir ao máximo estes transtornos com vistas a melhorar a vida da população e consequentemente impactar da menor forma possível esta comunidade, como é o caso da InterCement.

Esta indústria possui diversos projetos de investimento social privado, entre eles: a restauração da Capela da Graça, tombada pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) na cidade de João Pessoa (PA); e os projetos de ação cultural em seis cidades do Estado de São Paulo.

O projeto da Capela da Graça apoia, desde 2008, o restauro do santuário e também uma pesquisa do sítio arqueológico na região, além do curso de formação de jovens para atuar na profissão de restaurador. Como próximo passo, a empresa cita também o desenvolvimento de um projeto para viabilizar a visitação da comunidade à capela. Já o programa de Ação Cultural consiste em apresentações com temas de educação ambiental para crianças utilizando um ônibus itinerante, chamado de BUZUM, que estaciona em frente as escolas públicas municipais selecionadas. As agendas são sempre articuladas com as secretarias municipais de educação e com as escolas para que o maior número de alunos possa participar. Segundo Carla Duprat

Diretora Executiva do Instituto InterCement, este projeto deu certo. “O BUZUM tem sido elogiado pelas escolas e secretarias municipais de educação pois proporciona conteúdos que podem ser trabalhados na sala de aula e ao mesmo tempo uma vivência sociocultural relevante para as crianças que assistem as apresentações”. Essas exibições acontecem desde 2014 e já beneficiaram cerca de 32 escolas em 6 municípios paulistas: Barueri, Cubatão, Jacareí, Itaoca, Apiaí e Cajati.

Os dois projetos acima utilizam as Leis de Incentivos Fiscais Rouanet e PROAC/ICMS (Programa de Ação Cultural), porém a empresa conta ainda com outros programas e ações de investimento social que vão além das Leis de Incentivos, e que inclusive possuem impacto e estratégia de atuação mais sofisticados.

Em 2013, os investimentos somaram R$ 13,9 milhões, com foco em projetos dirigidos à infância, à educação e à geração de renda.

O mote do Instituto InterCement “Pelo Desenvolvimento Comunitário”, se fundamenta através das ações de mobilização, capacitação de profissionais e fortalecimento da rede de atendimento e até das secretarias municipais de educação no sentido de contribuir para a educação de qualidade. Além disso, uma parceria com o departamento de economia solidária do BNDES também apoia grupos produtivos rurais e urbanos para aumentarem a renda e diminuírem a dependência das famílias aos programas sociais do governo.

Ainda de acordo com a diretora executiva do Instituto, os profissionais da empresa são engajados. “Eles estão cada vez mais sensibilizados em relação ao papel social da empresa e a responsabilidade de atuar de forma sustentável e em parceria com as comunidades. Este nível de sensibilização e engajamento aumenta na medida em que envolvemos estes profissionais para construírem esta atuação em parceria com o Instituto, via comitês locais ou conselhos. Percebemos que quando as lideranças da empresa acreditam no trabalho que é realizado, os demais profissionais e até a própria comunidade se inspiram para iniciar algum processo de mudança, relata Carla.

Sobre a InterCement

Com 40 unidades ativas de produção de cimento, possui capacidade instalada de 46 milhões de toneladas/ano, e está posicionada entre as dez maiores produtoras de cimento do mundo. A InterCement mantém um quadro de mais de 8800 colaboradores em oito países da América do Sul, África e Europa. É signatária do Pacto Global, da Organização das Nações Unidas (ONU), do Cement Sustainability Initiative (CSI), Empresas pelo Clima (EPC), RedEAmérica, Convênio de Lucha contra El Trabajo Infantil, e ainda as certificações ISO 9001, ISO 14001 e OSHAS 18001.

 (27/10/2015)

Iniciativas Sustentáveis: Whirlpool – empreendedorismo feminino em foco

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Por Karen Pegorari Silveira

Enquanto muitas empresas desconhecem a utilização dos incentivos fiscais, que destinam parte do seu imposto de renda para instituições, outras aproveitam o estímulo do governo para criar programas sociais que impactam a vida de milhares de pessoas, como é o caso da Whirlpool, fabricante dos eletrodomésticos das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid.

A Whirlpool concentra seus investimentos sociais no empreendedorismo feminino (seu principal consumidor), por meio do Instituto Consulado da Mulher, organização social patrocinada pela empresa e associada à marca Consul, que visa fomentar o empreendedorismo feminino e a geração de renda junto a mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Os empreendimentos sociais assessorados estão localizados em 71 cidades, de 20 estados brasileiros. Nas regiões onde a Whirlpool tem fábrica, o Consulado atua diretamente, por meio do programa Mulher Empreendedora; nas demais localidades, a mesma metodologia é replicada por organizações sociais parceiras, que prestam assessoria aos empreendimentos populares por meio do programa Usinas do Trabalho.

Em média, cada empreendimento é assessorado por dois anos, prazo necessário para conquistar autonomia e independência financeira. Nesse período, as empreendedoras adquirem conhecimentos essenciais para gerir suas atividades com consistência e sustentabilidade, com base em princípios da economia solidária, equidade de e comércio justo.

A metodologia desenvolvida pelo Consulado é reconhecida como “tecnologia social” pela Fundação Banco do Brasil e Unesco, e foi sistematizada em 2012 em um guia básico de assessoria a empreendimentos populares e solidários.

O Consulado da Mulher já beneficiou mais de 33 mil pessoas, sendo 95% mulheres. Em 2013 e 2014, apoiou mais de 100 empreendimentos populares, que geraram faturamento conjunto de R$ 13,2 milhões. Além do Consulado, há outras instituições que apoiamos, como o GRAAC, APAE, Hospital Pequeno Príncipe, dentre outros.

A empresa utiliza ainda as Leis de Incentivos Federais, como Rouanet (Cultura), Esporte, Pronon (Saúde) e Fumcad (Criança e Adolescente) e Dedução Fiscal de doações para OSCIPs.

O gerente-geral de Sustentabilidade, Saúde, Segurança e Meio Ambiente e Assuntos Regulatórios da Whirlpool, Vanderlei Niehues, conta que o conceito de sustentabilidade, que inclui o viés social está incorporado como pilar do negócio na Whirlpool. “A sustentabilidade faz parte dos valores da companhia e está inserida em todos os processos, práticas e produtos desenvolvidos. Assim, a Whirlpool atrai pessoas com essa mesma consciência e forma uma equipe integrada e orientada para a sustentabilidade, prezando pela ética, transparência e respeito mútuo. Uma vez internalizada essa cultura, a empresa consegue transpor esses seus valores para a comunidade, engajar as pessoas e prover soluções que tornam a vida das pessoas melhores, contribuindo também com a reputação positiva e a perenidade do negócio”, explica, Niehues.

Entre outras iniciativas implantadas pela empresa, estão os projetos ambientais de uso racional da água, que já proporcionou o reaproveitamento de 428 mil m³ de água nos últimos dois anos e o Programa Zero Resíduo, que eliminou o envio de resíduos industriais para aterro nas fábricas.

Sobre a Whirlpool

Dona das marcas Brastemp, Consul e KitchenAid, é líder do mercado latino-americano de eletrodomésticos. Atualmente, conta com cerca de 11 mil funcionários distribuídos entre o centro administrativo e as fábricas localizadas em Joinville (Santa Catarina), Manaus (Amazonas) e Rio Claro (São Paulo), além de 23 laboratórios de Pesquisa e Desenvolvimento e quatro Centros de Tecnologia.

(27/10/2015)

Entrevista: Michel Freller fala sobre leis de incentivo fiscal e suas aplicações

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Por Karen Pegorari Silveira

O incentivo fiscal é um instrumento usado pelo governo para estimular as empresas ou pessoas físicas a destinarem uma parte dos seus impostos para o desenvolvimento de projetos sociais, culturais, educacionais, de saúde ou esportivos.

Na prática, o poder público abre mão de uma parte dos recursos que já seriam pagos e o investidor, por sua vez, apoia causas que pode acompanhar e potencializar.

Para saber mais sobre essa prática, conversamos com Michel Freller, membro dos grupos de saúde e cultura da ABCR (Associação Brasileira de Captadores de Recursos) e fundador da Criando Consultoria.

Leia a entrevista na íntegra:

Quais leis fazem parte da Lei de incentivo Fiscal?

Michel Freller – Fundo da Criança e do Adolescente; Fundo do Idoso, Lei de incentivo ao esporte; Lei de incentivo a Cultura; Lei do Audiovisual; Saúde – Pronon e Pronas/PCD e também as leis de incentivo para cultura e esporte  no Estado de São Paulo. E leis que possibilitam abater as doações como despesa operacional – Utilidade Pública Federal e OSCIP

Como uma empresa pode destinar parte de seus impostos através dela?

Michel Freller – Os incentivos fiscais federais, em geral, podem ser utilizados por contribuintes pessoas físicas, que utilizam o modelo completo da declaração de ajuste anual, e pelas contribuintes pessoas jurídicas, quando tributados com base no lucro real, trimestral ou anual (com estimativa mensal). A pessoa jurídica, tributada com base no lucro presumido, não aproveita as deduções fiscais em questão. O valor das destinações é deduzido diretamente do valor do imposto devido ou de sua base de cálculo do Imposto de Renda (IR). Além disso, tal valor deve ser informado pelas pessoas jurídicas no período de apuração do imposto, que pode ser mensal (estimativa), trimestral. O depósito deverá ser feito no último dia fiscal do ano ou do trimestre de acordo com o tipo de declaração de imposto de renda da empresa anual ou trimestral e somente empresas que declaram por lucro real podem utilizar de incentivos fiscais – cerca de 150 mil empresas no Brasil. Não há incentivo para empresas que declaram por lucro presumido ou simples. Existem incentivos que abatem 100% do imposto e outros não.  Outra possibilidade está relacionada a doações para Organizações que tenham o certificado de OSCIP ou UPF que permite alocar esta doação como despesa operacional gerando 34% de economia em Imposto de renda e Contribuição social sobre lucro líquido. Os outros incentivos, com exceção da cultura, permitem abater 100% do imposto de renda. Cultura tem projetos que se m no artigo 18 – a maioria deles e permite 100% de abatimento do imposto e outros que se enquadram no artigo 26 oferendo de 64 a 74% de vantagem para o patrocinador, como por exemplo, shows de música popular brasileira.

Quais critérios a empresa deve utilizar para definir em que área aplicar este recurso e qual instituição deverá recebê-lo?

Michel Freller – Cada empresa deve analisar com que área tem sinergia e com que tipo de projeto/ causa deseja alinhar sua marca. A empresa pode apoiar projetos em todos os incentivos, um não elimina o outro, permitindo o uso de até 9% do Imposto de Renda devido.

Empresas também utilizam o critério do relacionamento dos sócios e gestores com os idealizadores dos projetos.

A empresa deve se envolver nas ações realizadas pela instituição escolhida? Como?

Michel Freller – As leis de incentivo não preveem este envolvimento e fica a critério de cada proponente negociar preferências do investidor, desde que não alterem o objeto do projeto.

Como a empresa pode comunicar que faz parte destes projetos?

Michel Freller – Os incentivos à cultura permitem uma verba para divulgação do projeto e seus patrocinadores em meios de comunicação (limitados a 20% do valor total do projeto). Os apoios em geral podem ser divulgados no site das empresas e em seus balanços sociais ou comprando mídias específicas. O tamanho do investimento de marketing relacionado a causa apoiada depende das estratégias de comunicação de cada investidor.

Quais os benefícios de fazer uso das Leis de Incentivo para a imagem e reputação da empresa?       

Todo investimento social quando divulgado pode trazer benefícios à imagem da empresa. Este benefício independe do investimento ser por meio das leis de incentivo ou aporte direto. O marketing de causas é uma estratégia muito utilizada por empresas em todo o mundo. Existe um congresso anual sobre o tema – www.causemarketingforum.com para quem quiser se aprofundar no assunto.

(27/10/2015)

Artigo: A sociedade na agenda empresarial

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor

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Andre Degenszajn *

O investimento social empresarial é resultado da confluência de duas vertentes que se manifestam com mais ênfase desde o início da década de 1990. De um lado, a noção de que o papel das empresas vai além da maximização do valor gerado aos acionistas. E, de outro, o sentido filantrópico de contribuição, ou retribuição, à sociedade que lhe conferiu as condições para seu desenvolvimento.

A configuração do capitalismo brasileiro, com forte presença de grupos empresariais controlados por famílias, e um frágil enraizamento do princípio filantrópico contribuíram para que essas duas vertentes estivessem, com frequência, combinadas, aproximando a responsabilidade social empresarial da contribuição privada, voluntária, para o desenvolvimento socioambiental do país.

A visão sobre o papel das empresas nas sociedades contemporâneas evoluiu. A incorporação das chamadas “externalidades” já faz parte do discurso das empresas, mas na prática ainda não se consolidou. Situações como a da Volkswagen na Alemanha, em que houve uma fraude deliberada no controle de emissões dos automóveis movidos a diesel, são inacreditáveis nos dias de hoje e atestam a dimensão dos desafios ainda presentes.

Apesar disso, o maior controle social a que estão sujeitas as empresas e a ampliação dos mecanismos de transparência contribuem para o fortalecimento da noção de que empresas sustentáveis não são apenas a melhor solução, mas estão se tornando a única opção.

Nesse contexto, alguns caminhos têm sido traçados para o investimento social privado.

Primeiro, a vinculação de empresas a certas causas socioambientais, seja pela influência direta dos acionistas controladores, seja pela aproximação da marca da empresa a esses valores, contribuindo com a construção de sua imagem e reputação. Destacam-se, nesse campo, as atuações em áreas como educação, cultura e conservação do meio ambiente.

Segundo, a busca pela geração de impacto social a partir da sua operação direta, partindo do reconhecimento de que as empresas, pela sua própria existência e funcionamento, provocam impactos sociais. Se houver um esforço de mitigação de seus efeitos negativos e potencialização dos impactos positivos, a contribuição para a sociedade pode ser significativa. E as práticas de investimento social privado têm o potencial de dar forma e consistência a essa transformação.

Uma terceira vertente está relacionada ao reconhecimento de que o ambiente para os negócios será mais favorável na medida em que houver organizações da sociedade civil fortes, autônomas e com capacidade operacional atuando pelo interesse público. No âmbito local, pode reforçar a interlocução com grupos legítimos e evitar o predomínio de relações clientelistas. Nas questões nacionais, tende a contribuir com a ampliação da capacidade de controle social e com práticas que fortaleçam a democracia e a promoção dos direitos humanos.

Se as temáticas de democracia e direitos humanos parecem distantes da agenda empresarial, acontecimentos recentes têm demonstrado a sua relevância. Questões que se estendem desde a crise hídrica até os esforços na área de transparência e combate à corrupção apontam para a importância do papel de grupos sociais que atuam pela defesa do interesse público. As empresas certamente sofrem os efeitos. Resta a saber se pretendem ser parte do problema ou da solução.

*Andre Degenszajn é secretário-geral do GIFE, organização sem fins lucrativos com 132 associados que investem R$ 2,4 bilhões por ano na área social. A rede completa 20 anos em 2015 e vem se consolidando como referência no Brasil em temas relacionados ao investimento social privado.

(27/10/2015)

 

Artigo: Investimento Social Privado – a boa vontade que faz a diferença

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Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor.

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Por Rogério Ruschel*

Somos o país da Copa, das Olimpíadas, da diversidade cultural, da alegria – e das diferenças sociais. O Brasil é uma economia rica (o 7o PIB do planeta) mas tem um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) paupérrimo: estamos em 85º lugar no mundo, segundo os dados de 2013 do PNUD-ONU.

Ora, a força de uma corrente é medida pela resistência de seus elos e por isso nenhuma comunidade pode ser resiliente enquanto tiver pontos fracos. E mesmo as pessoas menos sensíveis em relação aos problemas sociais, culturais e econômicas que vemos todos os dias, cedo ou tarde vão ter que ser protagonistas em relação à solução destes problemas. E para aqueles que acham que pagar impostos é suficiente e que este é “um problema do governo”, uma má notícia: seus tetranetos vão conviver com o agravamento dos problemas, porque nenhum “governo” vai conseguir solucionar os problemas sem a colaboração da sociedade.

A tarefa de promover desenvolvimento econômico com resultados sociais e culturais definitivos – isto é, mais sustentável – precisa ser assumida por todos, pela sociedade. E é nesse contexto que o Investimento Social Privado (ISP) tem um importante papel a cumprir. O ISP é o repasse voluntário de recursos privados para projetos e causas de interesse público e pode ser feito por pessoas ou empresas na forma de doações, filantropia, Responsabilidade Social Empresarial (RSE), patrocínios, investimentos culturais com incentivo fiscal, marketing de causas (uma compra gera um benefício social) ou voluntariado, que é a doação de capital humano.

O objetivo final é termos uma sociedade sustentável em todas as suas dimensões e todo ISP é bem-vindo. Costuma dizer que Filantropia é dar um peixe a quem tem fome; RSE é ensinar a pescar e Sustentabilidade é preservar o rio para que sempre tenhamos peixes. Em 2012 o Brasil tinha 15,7 milhões de pessoas consideradas pobres, das quais 6,5 milhões vivem abaixo da linha da miséria; para esses grupos a Filantropia é necessária. Segundo o IBGE em 2012 45,6 milhões de brasileiros declararam ter alguma deficiência – dos quais 11,8 milhões com deficiência visual; nesse caso programas de RSE podem ser a alavanca necessária para melhorar a qualidade de vida.

 Se você não for dono de empresa como Pessoa Física também podem ajudar, mesmo com um pouquinho. Se você não puder ajudar financeiramente uma organização do seu bairro, pelo menos poderá direcionar parte do imposto de renda a pagar para ONGs qualificadas para recebê-los. É simples, mas menos de 20% de quem poderia fazer isso simplesmente não o faz por desconhecimento. Dizem que o brasileiro é generoso em causas sociais, mas isto não aparece em pesquisas: segundo a última edição do The World Giving Index disponível (pesquisa mundial sobre caridade), o Brasil caiu para o 85o. lugar em 2011: somente 26% da população brasileira havia doado algum dinheiro no mês anterior ao da pesquisa.

Se você não tem dinheiro “sobrando”, que tal doar um pouco do seu tempo e experiência como voluntário? Segundo a mesma pesquisa, somente 14% dos brasileiros doam algum tempo como voluntário! Nossa generosidade não condiz com a sétima economia do planeta, especialmente considerando que ser voluntário faz bem pessoal, está na moda e ajuda a conquistar empregos. A inércia explica: temos tempo para manter as redes sociais repletas de mensagens sobre injustiças sociais e meio ambiente puro, mas não temos tempo para agir e realizar essas coisas. Se você acha que não tem tempo para doar, talvez possa doar órgãos que salvam vidas, participando e apoiando a campanha “Doar é Legal” uma parceria da FIESP com o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

Como dirigente ou colaborador de uma empresa associada à FIESP, você pode acompanhar e participar das atividades do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) e ajudar sua empresa a entrar na corrente do bem para elevar nosso Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Segundo pesquisa do Instituto de Pes­quisa Econômica Aplicada (IPEA) de 2008 (o mais recente disponível), 59% de 782.000 empresas pesquisadas realizavam algum tipo de ISP. E pelo menos as grandes empresas, associadas ao Gru­po de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), sabem que o investimento social vale a pena: pelo Censo 2010-2011, o ISP de 102 associados foi de R$ 2,3 bilhão em 2010, recursos que ajudaram 24 milhões de beneficiários. Isto é ótimo, mas segundo o próprio GIFE milhares de empresas de menor porte também poderiam contribuir.

Além disso, segundo o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), o Investimento Social Privado pode ser mais eficiente porque em grande parte os esforços são isolados, a distribuição é casuística, ainda persiste atitude paternalista dos doadores, a relação com o receptor termina na doação, falta prioridade, controle, avaliação e gestão profissional.

Este cenário precisa e tende a mudar com a divulgação dos princípios da Norma ISO 26.000 e com os esforços inevitáveis das empresas no caminho para a sustentabilidade, porque fazer o bem é bom para o marketing da empresa e das pessoas.

* Rogério Ruschel é diretor da Ruschel & Associados Negócios e Sustentabilidade, consultor em marketing e comunicação para a sustentabilidade, jornalista e autor de 5 livros e 23 estudos e pesquisas sobre meio ambiente, sustentabilidade e cidadania.