Cetesb apresenta inventário da emissão de gases de efeito estufa no estado de São Paulo

Agência Indusnet Fiesp, Edgar Marcel

Para que governos estadual e municipal possam atuar em sinergia na busca pela redução da emissão de gases que contribuem para o efeito estufa, é necessário realizar um levantamento local de informações.

O alerta foi feito nesta terça-feira (7) pelo engenheiro da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), João Wagner Silva, durante a XIII Semana Fiesp/Ciesp de Meio Ambiente, ao mostrar os resultados do inventário sobre emissões no estado de São Paulo. Apresentado em abril último, o estudo foi feito a partir do documento nacional e revela as alterações climáticas e impacto global, o que permite a comparação entre eles.

Vários setores foram analisados: energia (combustíveis fósseis, em parceria com a Petrobras), agropecuária (rebanhos), uso da terra e florestas (desmatamento e transição do uso do solo) e resíduos sólidos.

João Wagner alegou que embora as reduções deste último setor não sejam significativas, houve uma grande melhoria com o banimento dos lixões no estado de São Paulo. Mas há ressalva: “Em contrapartida, conforme se melhora a condição sanitária, aumentam as emissões de gases de efeito estufa. Quando o lixão vira aterro, cria-se uma situação anaeróbia e há produção de metano”, explicou.

Neste caso, o engenheiro afirma que é preciso associar a captura com a destruição do metano para obter ganhos sanitário e ambiental, além da redução da emissão de gases.

Números

O representante da Cetesb revelou que, apesar da meta de redução de 20% das emissões entre 2005 e 2008, o índice aumentou 7%. O setor energético é responsável pela maior parte das emissões de CO2, com 84,7%, contra 13,7% gerados pela indústria.

Também quantificadas, as emissões de metano apresentaram 9% de redução, devido aos projetos de MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo) e pela migração dos rebanhos para outros estados, principalmente os bovinos, que produzem gases do efeito estufa através de seu metabolismo ruminal e os eliminam na atmosfera.

Para João Wagner, o esforço em nível nacional para levantamento destas informações deve ser feito localmente, para políticos e administradores tomarem as atitudes concernentes. “Segundo dados de 2005, o estado de São Paulo emite 10% do que o Brasil emite destruindo florestas”, alertou.