Novo usuário cria desafio para infraestrutura de telecomunicações

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

As Novas Demandas da Sociedade e o Papel do Setor, painel do workshop Lei Geral das Telecomunicações: 20 anos, realizado nesta sexta-feira (21 de julho) na Fiesp, teve como moderador Aluizio Bretas Byrro, diretor de Telecomunicações do Departamento de Infraestrutura da entidade. O usuário, frisou, quer serviços de alta qualidade a preço justo, usando qualquer dispositivo em qualquer lugar, a qualquer hora.

Abraão Balbino e Silva, superintendente de Competição da Anatel, traçou um panorama da evolução da regulação do setor de telecomunicações. Lembrando que há uma crise de rentabilidade no setor, destacou que as empresas são mais endividadas no Brasil que em outros países, que o investimento em relação à receita é mais alto aqui e que há distribuição mais baixa de dividendos. É preciso eclodir uma nova indústria, rentável, para fazer frente às necessidades futuras de comunicação.

O ecossistema da internet das coisas é muito mais complexo que o de hoje, destacou. É um desafio para a regulação, que precisa manter a sustentabilidade do setor.

O investimento necessário no setor é muito maior do que o que é feito atualmente, disse. E deixou como alerta a necessidade de flexibilidade na regulação, provocada pela mudança tecnológica.

A melhor exploração de novas fronteiras de negócios (big data e serviços de TI; internet das coisas; serviços financeiros; conteúdo) precisa estar no foco do setor, defendeu Silva.

Carlos Fernando Ximenes Duprat, diretor-executivo do SindiTelebrasil, lembrou que a cobertura ainda fica ainda muito aquém das necessidades da população. Há com as regras atuais aumento da desigualdade.

Fábio Gandour, especialista em inovação e cientista-chefe da IBM Brasil, afirmou que o usuário da telecomunicação no futuro precisa ser compreendido – é algo como um extraterrestre. A tecnologia está afetando a espécie humana, disse. Enquanto a medicina impede a atuação da seleção natural, a tecnologia empurra para a frente e muda as necessidades básicas do ser humano.

A informação passou a ser vital, uma espécie de alimento. O ser humano passou de onívoro para “informívoro”. E é essa espécie que precisa ser atendida pelo setor de telecomunicação.

Quem vai habitar nosso futuro? Como usar descrição para chegar a essas pessoas? Segundo Gandour, a telecomunicação deve deixar de ser vista como fim para ser vista como meio. É preciso considerar tecnologia, comportamento e negócio. Citando o astrofísico Stephen Hawking, disse que vivemos o século da complexidade.

Wilson Cardoso, diretor de Tecnologia da Nokia, afirmou que o 5G é visto em sua empresa como o motor da quarta revolução industrial. Frequências, regulação flexível, interiorização da infraestrutura, surgimento do homo digitalis [totalmente conectado] são fundamentais para que isso aconteça.

Jayro Navarro Junior, diretor de Desenvolvimento de Tecnologia da Intel Brasil, destacou que o enorme volume de dados e de dispositivos conectados leva à necessidade de construção de infraestrutura. Para localidades afastadas, defendeu infraestrutura alternativa, em vez de datacenters/nuvem.

Painel 'As Novas Demandas da Sociedade e o Papel do Setor', do workshop 'Lei Geral das Telecomunicações: 20 anos'. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

O seminário teve também um painel sobre o Novo Marco Legal das Telecomunicações, com a participação de Leonardo Euler de Morais, conselheiro da Anatel, Carlos Ari Sundfeld, advogado da Sundfeld Advogados, Silvia Regina Barbuy Melchior, advogada da Melchior, Micheletti, Amendoeira Advogados, Eduardo Levy Cardoso Moreira, presidente-executivo do SindiTelebrasil, André Moura Gomes, analista de Telecomunicações e Economia Digital da Cullen International.

Sylvia Melchior disse que é preciso refazer a regulamentação, de forma mais enxuta. “Não se trata de regular à exaustão os serviços.”

Para André Gomes, da Cullen, a proposta do novo modelo aproxima o regime de prestação do Brasil ao modelo europeu.

Internet das Coisas e sistemas cognitivos trazem oportunidades para empresas

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O terceiro painel do 12º Congresso da Micro e Pequena Indústria, promovido por Fiesp e Ciesp nesta segunda-feira (22 de maio), teve como tema O Futuro das Coisas – Encontrando Novas Oportunidades para MPIs.

Paulo Roberto Santos, sócio diretor da Zorfatec, consultoria em Inovação Tecnológica, e especialista em Indústria 4.0, disse que não há mistério na Internet das Coisas (IoT, de Internet of Things). É trazer informação de forma automática, explicou. Ela está muito mais próxima de nós do que imaginamos, afirmou, dando como exemplo o smartphone, que a maioria das pessoas tem. A IoT tem papel importante na Indústria 4.0, destacou.

Praticamente tudo hoje em dia pode ser conectado – e vai ser, cada vez mais, ajudando a ganhar tempo e agilidade nas tarefas rotineiras, segundo Santos. Há ganhos expressivos esperados em setores como saúde e logística, disse.

Ficou muito mais simples inserir sensores nas coisas, e a estimativa é de haver 50 bilhões de equipamentos conectados até 2020. O fluxo de informações e as oportunidades que isso gera são enormes, segundo o consultor. A indústria está no centro disso.

A Internet das Coisas na indústria vai gerar valor para os negócios, levando à Indústria 4.0 (a quarta revolução industrial). Nela, que estamos vivendo, há a integração do digital e do virtual ao mundo real. Para ela são necessários sistemas que tornam a informação segura e permitem sua integração.

As pessoas que trabalharão na empresa precisam ter novo perfil, sendo capazes de tomar decisões complexas, fazer monitoramento e agir.

O fluxo de informações em toda a cadeia, enviadas para a nuvem e analisadas, permite tomar decisões, reduzindo custos e aumentando a eficiência das empresas.

Para chegar à Indústria 4.0, há 6 passos, que passam pela criação de uma estratégia de longo prazo, pelo estabelecimento de um piloto, definição dos recursos necessários, tornando-se perito na análise de dados. Daí a empresa deve ser tornar digital. O sexto passo é adotar uma perspectiva por ecossistema.

Para pensar na estratégia, é preciso considerar a Cultura 4.0, os Produtos 4.0 e o Mercado 4.0, disse Santos.

Elias Aoad Neto apresentou o case da startup Autosmart Tech. É uma plataforma que usa algoritmos de análise (Watson, da IBM), mobilidade no chão de fábrica para coleta de dados e armazenamento em nuvem para aumentar a eficiência e evitar perdas na produção. Destacou ter se formado no Senai de São Caetano, tendo trabalhado 11 anos no chão de fábrica. E a startup foi acelerada pela Fiesp.

Daniel Reis, arquiteto de soluções (Client Technical Leader) da IBM, fez a apresentação O Futuro das Coisas. Na visão da IBM, capacidades cognitivas e a nuvem são a base para a inovação de mercado e a disrupção. As plataformas de nuvem estão gerando novos modelos de negócios, afirmou Reis, graças a seu baixo custo.

Somente 19% das empresas usam tecnologias avançadas atualmente, disse. “Os dados são o novo petróleo”, segundo Reis, porque o que pode ser extraído deles gera valor. O mercado cognitivo em 2025 representará US$ 2 trilhões. Para a IoT, ainda há muito espaço. Atualmente, segundo Reis, cerca de 90% dos dados colhidos por sensores são perdidos ou eliminados.

Sistemas cognitivos, explicou o especialista da IBM, entendem dados e linguagem natural, de modo análogo ao cérebro humano, geram hipóteses com base em evidências e contexto, adaptam-se num processo contínuo de aprendizado e especialização e se tornam conselheiros, trabalhando junto com as pessoas.

O sistema Watson, da IBM, tem como núcleo um sistema de aprendizagem que entende questões e um conjunto de conhecimento. Enquanto para um ser humano pode demorar décadas para se tornar um especialista, o Watson pode fazer isso em poucas semanas, para temas menos complexos.

Entre os casos de uso citados por Reis estão o da BuildIT, para controle de qualidade na linha de produção de uma indústria química, e o da Solis, para análise de bulas de remédio em busca de interações que possam auxiliar o trabalho dos médicos. Outro exemplo é da BeeNoculus, de realidade virtual, com uma solução de baixo custo que emprega smartphones como base, com potencial de uso em games e na educação, por exemplo.

O painel O Futuro das Coisas – Encontrando Novas Oportunidades para MPIs teve a participação de Daniel Reis, da IBM. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Coordenado por Beatriz Cricci e Augusto Dalman Boccia, diretores do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp (Dempi), o painel foi moderado por Martha Gabriel, palestrante sobre tendências digitais, comportamento, mercado e inovação. Ela comparou os sensores para as fábricas aos sentidos para as pessoas e perguntou aos palestrantes o que os empresários devem fazer para adotar a tecnologia.

“Não comece gastando dinheiro”, disse Paulo Roberto Santos. É preciso primeiro saber onde se quer chegar com o negócio. Ao se conseguir imaginar a empresa num cenário futuro, bastará implementar.

Reis recomendou começar pequeno e expandir depois.

Martha Gabriel também fez a palestra motivacional de encerramento do 12º Congresso MPI. “Uma ideia ocupa menos de 2 neurônios”, disse em seu apresentação. “Sem ação planejada e rápida, a ideia não faz qualquer sentido. Fica para trás ou morre! Como transformo ideia em inovação? Sem dúvida por meio da tecnologia digital!”

Ao encerrar o congresso, o diretor titular do Dempi, Milton Bogus, destacou o sucesso das salas interativas oferecidas ao longo do dia. “O Brasil é muito grande e vai sempre precisar de indústrias fortes.”

Internet das Coisas como alavanca de inovação

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Internet das Coisas (IoT) guarda relação direta com a inovação, pois permite de forma rápida a integração de tecnologias e o desenvolvimento tecnológico, promovendo modelo de negócios para a indústria. “O empreendedor precisa tomar riscos”, de acordo com Patrícia Peck Pinheiro (docente de Direito Digital da FIA e vice-presidente jurídica da Associação Brasileira dos Profissionais e Empresas de Segurança da Informação – Asegi) moderadora de um dos painéis do III Congresso de Direito Digital da Fiesp e do Ciesp, realizado em 17 de maio.

“Somos imigrantes digitais”, afirmou Giuseppe Sidrim Marrara (diretor da Cisco do Brasil e da Comissão de IoT da Associação Brasileira da Industria Elétrica e Eletrônica – Abinee) ao se referir à geração que ainda nasceu no tempo do analógico. “A nova geração tem outros requisitos e não aceita limites, quer ter acesso em todos os lugares. Nosso conhecimento agora é cumulativo não só em termos da quantidade de dados baixados, mas também a forma, a velocidade”, explicou.

Esses fatores levam a algumas conclusões: aplicar as regras do passado nesse novo cenário não terá eficácia em termos de regulação. Marrara questionou como lidar com isso no que diz respeito ao talento e à educação se a previsão é que, em 2025, metade dos empregos existentes será substituída por computadores e máquinas – e com uma população que envelhece rapidamente. “Antes, ter a informação tornava um profissional valioso, mas hoje ela é encontrada na Internet. O que irá funcionar é ter expertise, extrair lógica dos dados, big data analytics. Se é possível criar conhecimento com a informação, o processo, há um valor agregado, uma sabedoria que antecipa o que irá acontecer. E a indústria vai inovar muito mais rápido com ganho de produtividade e logística, como predizer fraudes no sistema de óleo e gás, o monitoramento de pressão e vazamentos”, exemplificou. Para ele, todo esse processo trará impacto para a vida das pessoas com a possibilidade de incremento de empregos mais qualificados, economia de 50% de água e 30% de energia, além da oferta de educação e saúde a valores infinitamente menores ao elencar os aspectos positivos dessa ruptura.

Por isso mesmo, Lucas Pinz (especialista em tecnologia e diretor da Logicals) disse que as startups são fundamentais para a inovação e a IoT. “Temos sensores transferindo dados, e é preciso pensar no uso de informações de modo inteligente para a tomada de decisão em tempo real”, afirmou, ao exemplificar que, em São Paulo, foram instalados dispositivos em 110 bocas de lobo. O objetivo é monitorar a quantidade de lixo acumulada em bueiros, pois 60% dos que são abertos para limpeza não necessitam do serviço. Essa tecnologia avisa quais bocas precisam ser efetivamente limpas, o que reduz alagamentos na cidade, salvando vidas, carros e com impacto nos custos de manutenção.

Compliance e segurança

O painel seguinte debateu compliance e segurança. Como fica a proteção de dados pessoais? Quais os aspectos de conformidade regulatória e as necessidades de segurança da informação para IoT para que se garanta a proteção de dados e a privacidade de informações pessoais, que devem fazer parte de qualquer solução que a indústria apresente ao mercado?

A partir de dados do Big Data é possível reunir características de uma pessoa quanto às suas preferências individuais, de religião, personalidade, realizar essa psicometria, revelou Alexandre Zavaglia (diretor executivo do Instituto de Direito Público de SP-IDP) que questionou o uso desses dados quando bilhões de dispositivos estiverem conectados à internet. “O fato envolve inevitavelmente a responsabilidade de todos nós, das empresas e do pessoal da área de direito também”, disse o expositor.

Sobre o futuro da privacidade, ele comentou que é possível realizar, via programa, uma escuta ambiental: por meio de imagens de câmera é possível revelar o que duas pessoas estão falando na rua. “Com esse programa, acaba a profissão de tradutor, dublador”. Outro exemplo diz respeito ao IBM Watson News Explorer que faz buscas em 6 segundos, reunindo informação de clientes, notícias contidas em jornais, cruzando todos os dados, inclusive por relevância e em quais países. E apontou ainda uma outra situação: uma empresa pequena de aplicativos de jogos é vendida para outra, e os dados dos clientes são transferidos. Qual a garantia possível quanto à privacidade?

Para Cristina Moraes Sleiman (docente da pós-graduação em Direito Digital e Compliance da Faculdade Damásio), há muitas leis em discussão nesse sentido, incluindo o marco civil da internet. “As leis estão preparadas para essa transformação?”, questionou. “O que a empresa pode fazer para se prevenir? As empresas têm responsabilidade objetiva e há consequências”, avaliou.

“Mesmo quando se diz que seus dados não serão armazenados, é possível recuperá-los”, alertou Rogério Winter (coronel do Exército brasileiro). Aumenta a área de ataque com tantos dispositivos disponíveis, em sua avaliação, e é preciso questionar o que o usuário entende como privacidade e qual sua reação a isso. A criptografia é uma solução, mas se adquirirmos equipamentos que vêm de fora, ela estará subordinada às leis desses países. “Quem programa? Quem testa e faz a validação? A certificação e a auditagem?”, perguntou.

Há outro risco, na visão do coronel: o time to marketing, pois são lançados produtos novos agora que serão substituídos por outros em seis meses apenas. Assim, é preciso ter uma visão sociotecnológica, e não apenas tecnológica, considerando o ambiente onde ocorre o evento, os processos, as pessoas envolvidas. Ou seja, revisão da segurança e suas políticas.

Smart cities

Há uma oportunidade aberta para o empresário de microeletrônica para garantir segurança para IoT, um mercado para players industriais fazendo inovação, na análise de Johnny Doin (da Frente Parlamentar Mista em Apoio às cidades inteligentes e humanas da Câmara dos Deputados). As smart cities se confundem com IoT (com dados que podem estar na nuvem) mas naquela se envolve a estrutura física das cidades e também a segurança física, pois elas são vulneráveis a ataques e é preciso pensar na arquitetura voltada para a guerra cibernética. “Quem não enfrenta o processo com requisitos bons terá passivos no futuro”, alertou, enfatizando a necessidade do direito à segurança cibernética que deveria ser tratado como direito do cidadão, pois segurança é pública, e o cidadão deveria se sentir seguro nas ruas da cidade também.

Na opinião de Jeferson D’Addario (Daryus Consultoria), há uma falta de gestão de TI, o que possibilitou o ataque de vírus de resgate na semana passada (ransomware).“Os hackers acham tudo isso inútil, equivocado, que não serve para nada [sobre a nossa realidade], aprendem tecnologia de ponta, mas isto não vale nada”, concluiu.

Experiências do mercado e dispositivos IoT conectados

O objetivo desse painel foi promover sólida visão de casos práticos já em pleno uso de IoT, no Brasil e no mundo, além de seus impactos regulatórios, legais e de segurança, de forma que se possa entender os desafios das soluções de dispositivos já implantados.

“Precisamos de algumas regras, pois um ponto em comum de todos esses dispositivos é a programação, e aí se encontram as vulnerabilidades, mas quem opera é um ser humano”, pontuou Renato Opice Blum (docente do Insper e vice-presidente da Comissão de Direito Digital e Compliance da OAB-SP).

O crime tem usado muito a IoT. Exemplo é o ataque de 9 de abril quando, em Dallas, todas as sirenes de emergência foram disparadas por duas horas exatamente por tudo estar conectado, ilustrou Thiago Bordini (New Space Prevention Inteligência Cibernética e membro da Comissão de IoT da Abinee). Em São Paulo, um pesquisador alertou que o sistema de metrô poderia ser paralisado por conta de uma vulnerabilidade e foi constatado, no seu manual, que a criptografia vinha desativada por questão de segurança.

Para isso é preciso política de Estado, e não de governo, para que muitas coisas saíam da burrice natural e migrem para a inteligência artificial, observou Eduardo Oliva (consultor independente). E citou como exemplo o uso de drones na agricultura para alcançar microrregiões.

As ações para desenvolvimento de IoT são incentivadas com recursos do governo, em sua maioria, e por projetos de cooperação público-privada. As soluções para smart cities têm claros benefícios econômicos e sociais, como o caso da Indústria 4.0. Essas observações partiram de Francisco Giacomini Soares (diretor da Comissão de IoT da Abinee). Ele elencou os principais impactos de IoT esperados para o Brasil: legislação, regulação, mercado, tecnologia e recursos humanos.

Há diversos projetos mundiais em andamento para smart cities. Na Europa, trabalha-se nesse sentido desde 2011 com investimentos de 7 bilhões de euros a fundo perdido em pesquisa e IoT. O mesmo acontece no Japão. Na China, há um grande projeto sendo desenvolvido a fim de transformar quantidade [de produtos] em qualidade, e a IoT é compreendida como oportunidade. O mesmo se dá no Japão também e no Reino Unido, contando-se inclusive com consórcio de empresas privadas, informou o representante da Abinee.

Investigação forense

Um painel específico do III Congresso de Direito Digital foi focado em Investigação Forense e IoT, a fim de compreender problemas relacionados à investigação criminal, que deve ser conduzida em análise de casos que envolvam esse tipo de sistema, suas particularidades, dificuldades na coleta de vestígios de evidencias e indícios sob a ótica ética e lógica. O mediador foi Adriano Valim (perito forense computacional e docente no Mackenzie e Unip).

As câmeras de segurança podem ser invadidas, e esses dispositivos, hackeados, alertou Fernando Carbone (diretor de investigação cibernética na Kroll). Assim, é possível visualizar as imagens na casa da pessoa que tem esse dispositivo. O wireless também presta informações valiosas, segundo explicou o expositor.

Também integra a responsabilidade social da empresa se ela presta informações que ajude na esfera forense a esclarecer crimes. A observação feira por Marcos Tupinambá (docente da Academia de Polícia do Estado de São Paulo) foi ilustrada com o caso de lâmpadas inteligentes que foram “atacadas”, eram ligadas e desligadas remotamente, e essa falha precisou ser corrigida.

Para João Roberto Peres (professor e consultor da FGV), a IoT promove uma expansão para as pontas, com os sensores, e de outro lado, quando liga tudo isso a uma rede. Assim, cria-se um espectro mais vasto de análise de dados com a consequente ampliação da investigação, disse, na conclusão do painel.

Na Internet das Coisas, desafio é conciliar excesso de informação, disponibilização de dados e segurança de dispositivos móveis

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Hoje há mais dispositivos móveis – 6,4 bilhões de aparelhos conectados em 2016 – do que pessoas em todo o mundo, e a projeção é que haverá crescimento exponencial de “coisas” conectadas nos próximos anos, o que leva a perguntas cruciais: a infraestrutura da banda larga suportará essa alta demanda? Haverá impactos e custos para a indústria? Com certeza essa tendência terá implicações em dois eixos de grande interesse da indústria: competitividade e transformação digital. Todas as empresas estão atentas a isso? Diversos especialistas tentaram responder a essas questões ao longo do III Congresso de Direito Digital, realizado nesta quarta-feira (17 de maio), pela Fiesp e pelo Ciesp, no prédio de sua sede.

A previsão é que o número de dispositivos, nos próximos cinco anos, será sete vezes maior do que o número de pessoas no planeta: 50 bilhões de dispositivos, incluindo sensores, smartphones, drones, microprocessadores, utilidades domésticas em rede e até robôs industriais. Até 2025, a Internet das Coisas (IoT) movimentará de US$ 4 trilhões a US$ 11 trilhões, de acordo com Juliana Abrusio (docente do Mackenzie) e moderadora de um dos painéis. Ela questionou a interferência do Estado, a infraestrutura existente no país e como suportar a onda de IoT: “se formos olhar os dados que nos trazem, esse setor vai “estourar”, avaliou. A especialista frisou que o Plano Nacional de Internet das Coisas, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), tem foco em alguns setores prioritários: aeroespacial, cidades inteligentes, agricultura, varejo, logística, manufatura, saúde, automobilístico e bancário, entre outros.

Juliana: cidades inteligentes entre os setores prioritários. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Também ganharam relevo aspectos técnicos relacionados à segurança dos dispositivos conectados IoT, que podem ser determinantes para o futuro da indústria e para a segurança e privacidade das informações em uso. Cassio Vecchiatti, diretor do Departamento de Segurança da Fiesp (Deseg) enfatizou a necessidade de fazer com que a IoT permita de forma rápida a integração de tecnologias e o desenvolvimento de ciclos de inovação. Esse processo precisa ser abrangente, alinhado à necessidade da sociedade e propulsor de novos modelos de negócios para a indústria. “Teremos rupturas em vários modelos. Será tudo alterado com a IoT, com a atual conexão e os ataques recentes. As pessoas querem usar a tecnologia, mas é preciso curso de educação digital para saber se proteger ‘do lado negro da força’, apesar de ser uma ferramenta maravilhosa”, disse. O expositor enfatizou que quem abre mão da privacidade para ter segurança acaba sem os dois.

O termo Internet das Coisas, usada pela primeira vez em 1999, denota a tendência de um grande número de dispositivos embarcados empregando os serviços de comunicação oferecidos pelo protocolo da Internet. Muitos desses dispositivos, chamados de objetos inteligentes, não são operados diretamente por seres humanos, mas existem como componentes em edifícios ou veículos ou estão espalhados no ambiente, explicou o expositor. São novas aplicações e serviços reunindo os mundos físicos e virtuais, na comunicação máquina-máquina. “Portanto, todas essas informações estão interligadas, mas não pensadas em forma de segurança como um todo e há brechas de segurança que deveriam ser olhadas”, concluiu Vecchiatti.

O Plano Nacional de Internet das Coisas teve sua proposta de processo de construção iniciada em 2014. Em julho deverá ser aberta a segunda consulta pública, e o Plano será finalizado até setembro deste ano, segundo informou Thales Marçal Vieira Netto, coordenador-geral da Secretaria de Política e Informática do MCTIC. Há um acordo de cooperação técnica em curso com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O objetivo é formular políticas públicas, com atenção à indústria, à agricultura e qualidade de vida de todos. Entre os eixos de transformação do Plano: impacto na sociedade; ambiente regulatório; infraestrutura e conectividade; talentos; inovação e ecossistema; internacionalização; investimento e financiamento. No final desse Plano, será desenhado um atlas dos vários agentes econômicos envolvidos, um roadmap tecnológico.

A intenção é  acelerar a implantação da IoT como instrumento de desenvolvimento sustentável da sociedade brasileira, que seja capaz de aumentar a competitividade da economia, fortalecer as cadeias produtivas nacionais e melhorar a qualidade de vida. Mas, para Netto, o grande desafio é não barrar a inovação, pois a solução de IoT pode ser de nicho, mas apesar de nacional deve ter um olhar para a internacionalização.

Ao tratar da camada de segurança, o representante do MCTIC disse que “não se pode tratar segurança de forma isolada em uma das camadas, mas isso dever ser feito no todo. Atualmente, muitos dispositivos de IoT merecem atenção, pois já saem de fábrica com software desatualizado, com suscetibilidade a software maligno, com potencial de persistência dos problemas de segurança e privacidade. E, pior, faltam experiência e cultura de segurança aos fabricantes. O esperado é que o fabricante seja capaz de desenvolver hardware e software à prova de adulteração, com mecanismos de atualização de forma segura, incluindo criptografia que preserve a integridade de dados armazenados, garantindo uma comunicação segura.

Em termos de segurança by design, destacou a implementação de segurança desde a concepção da arquitetura, passando pela definição e desenvolvimento da aplicação, da comunicação, do dispositivo e até a conscientização do usuário (educação digital). Quanto à segurança em camadas, a necessária proteção dos ambientes inteligentes, das comunicações entre dispositivos, dos dados dos sensores e dos mecanismos e algoritmos de criptografia. Entre as tendências em destaque, o blockchain para resolver a segurança dentro das camadas de aplicação e um ambiente de execução confiável (TEE).

“A baixa maturidade em segurança e as dificuldades para atualizações possibilitam maior superfície de ataque”, avaliou Netto. Assim, a segurança deve ser pensada em todas as etapas do desenvolvimento (requisitos; arquitetura e projeto; codificação; testes; implantação). Em sua conclusão, reafirmou que as soluções de segurança e privacidade devem suportar diferentes contextos (casa, trabalho etc) em escala e interoperabilidade. Para ele, a maioria dos padrões oriundos da Internet apresenta complexidade para os equipamentos de IoT.

Proteção de dados e cibercrime

Como defender certas expectativas de privacidade que ao meu ver não mais existem? O desafio foi feito por Fernando de Pinho Barreira (perito criminal e especialista em Direito Digital). O expositor questionou como podemos ter expectativa de que sejam preservados os dados cadastrais que fornecemos a terceiros. Para ele, o problema atinge a indústria, cujo vazamento de dados envolve concorrência desleal e espionagem industrial. Isto é um paradoxo, pois há facilidades promovidas com o big data, enquanto somos soterrados e estressados por quantidade imensa de informações. “O futuro depende de modelos de negócios que cruzem o queremos comprar e sua facilidade e o que atenda melhor a necessidade de cada um.

No campo criminal, a técnica é que deverá mudar, pois não será retirado um IoT da cena de crime, um dispositivo instalado em um chuveiro inteligente, por exemplo, mas o que se irá buscar é a informação. Mas é preciso fixar padrões.

Evandro Cláudio Rodrigues Sales (engenheiro na McAfee e consultor Key Account Intel) fez o contraponto: os 35 bilhões de dispositivos são vetores de ataques. “Antes era apenas o tablet, o computador. E agora a geladeira se conecta com o supermercado, e esse ataque se expande do dispositivo para a casa do usuário e este não percebe a vulnerabilidade e o risco para sua integridade física”, exemplificou.

O próprio crime está migrando para o mundo virtual, assim como o nosso dia a dia. Ele questionou para que assaltar um banco se os cibercriminosos têm a sensação de impunidade e, se forem descobertos, a punição terá menor impacto. Outros exemplos dados se referem às câmeras de monitoramento, com roteador e wifi, que o usuário apenas instala sem se preocupar se é preciso mudar uma senha padrão ou uma criptografa. “Esses cibers navegam por câmeras de São Paulo, conhecem a rotina dos usuários, quais equipamentos existem na casa e há informação disponível de todo o trajeto diário e locais frequentados em dispositivos como smartphones e pulseiras inteligentes, coisas vestíveis”, exemplificou o expositor. Já há relatos de violação de babás eletrônicas, do controle da central multimídia de carros inteligentes que colocam em risco a integridade física dos usuários.

Sales pontuou que, no mundo corporativo, cada vez mais são disponibilizados sistemas inteligentes que trazem melhoria, acompanhadas de vulnerabilidades para sistemas hospitalar e bancário, por exemplo, que lidam com dados extremamente confidenciais. “Os fabricantes se empolgam em lançar dispositivos, em função da demanda, mas com projetos de IoT sem foco em segurança”, por isso é importante o envolvimento do pessoal de segurança desde o início do projeto, e não após o lançamento.

Congresso de Direito Digital da Fiesp e do Ciesp discute Internet das Coisas

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Ao abrir nesta quarta-feira (17 de maio) o III Congresso de Direito Digital, o diretor titular do Departamento Jurídico da Fiesp e do Ciesp (Dejur), Helcio Honda, frisou a rápida evolução da tecnologia. A Internet vem invadindo todos os campos e agora também as coisas, disse. Daí o tema do congresso promovido pela Fiesp e pelo Ciesp – A Internet das Coisas e a Indústria.

O recente ciberataque em escala mundial é mostra, disse Honda, da necessidade de acompanhar com atenção a tecnologia.

A internet, lembrou Humberto Barbato, vice-presidente da Fiesp e presidente executivo da Abinee, provoca mudanças na indústria. Afeta também o funcionamento das cidades. Graças à tecnologia elas são capazes de oferecer melhor qualidade de vida.

A comunicação máquina a máquina, que permite a internet das coisas (IoT), evolui com muita velocidade, o que pode tornar obsoleta a legislação a seu respeito, disse Barbato.

A infraestrutura pública pode ser beneficiada pela IoT, destacou o presidente da Abinee, que participa da elaboração do Plano Nacional de Internet das Coisas, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), concebido para analisar o cenário nacional e internacional e criar políticas sobre o tema.

Maximiliano Martinhão, secretário de Política de Informática do MCTIC, destacou que IoT vai muito além da questão tecnológica. A criação de padrões para IoT e a segurança estão entre os aspectos centrais do plano. Ele elogiou a iniciativa da promoção do congresso e sua temática e fez à Fiesp convite –aceito de imediato por Honda- para participar da elaboração do plano.

Internet das coisas é um tema literalmente de hoje, disse, citando reportagem do jornal Folha de S.Paulo publicada no mesmo dia segundo a qual 50% da mão de obra do país pode ser substituída por robôs. A questão é como criar empregos nessa nova realidade, afirmou.

Para a indústria a IoT traz uma série de vantagens, em termos por exemplo de flexibilidade das linhas de produção e de personalização de produtos. O tema é prioridade do MCTIC, afirmou. O MCTIC está criando um “atlas” de IoT no Brasil, revelou. Quem está fazendo, o que está fazendo, o que está oferecendo. O resultado ficará disponível no site do ministério.

Áreas de destaque no plano de IoT são cidades inteligentes, agricultura inteligente e manufatura avançada.

Impactos e riscos

Luiz Hoffmann, diretor titular do Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp (CJE), moderou o primeiro painel do congresso.

Renato Leite Monteiro, professor de Direito Digital da Universidade Presbiteriana Mackenzie, destacou que surgiu uma terceira certeza na vida, ao lado da morte e dos impostos: que os dados vão vazar.

Uma questão polêmica é como evitar que argumentos sobre os usos benéficos do big data e do IoT se sobreponham a medidas para garantir direitos fundamentais.

O privilégio da eficiência sobre a segurança é outro ponto importante, disse. Também como mitigar a influência de atores nacionais e internacionais para flexibilizar as regras de proteção de dados e responsabilidade.

Monteiro também frisou a necessidade de discutir o regime adequado de responsabilidade nos casos relacionados à tecnologia. Outros pontos são autoridade de proteção de dados e (fuga do) consentimento.

Abertura do III Congresso de Direito Digital, promovido por Fiesp e Ciesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

De forma direta ou indireta, na IoT se aplica o Marco Civil da Internet, lembrou. Dados colhidos de equipamentos não são a priori pessoais, mas quando agregados passam a ser.

A questão do consentimento é importante, disse, destacando que é preciso discutir o que deve ser feito com os dados após o tratamento dado a eles para a finalidade consentida. A proteção aos dados pessoais deve ser pensada desde a concepção do produto, disse.

“Temos que ir além da autorregulação”, defendeu. Há vários exemplos na história recente que mostram a necessidade de ir além disso, segundo o professor do Mackenzie.

Caio Carvalho Lima, advogado e professor, membro do Grupo de Trabalho de Segurança Cibernética da Fiesp, também participou do painel. Destacou usos da IoT como casas inteligentes, que aprendem os hábitos de seus moradores, e a nanotecnologia.

Listou cinco desafios jurídicos:

Responsabilidade civil: do desenvolvedor, do programador ou de quem?

Segurança da informação: o que acontece caso o usuário não reprograme adequadamente por exemplo a senha padrão;

Educação digital, para que as pessoas saibam efetivamente adquirir algo;

Como conciliar privacidade e proteção de dados e consentimento, o que não é possível pela legislação atual;

Propriedade dos dados, especialmente se não forem pessoais, e propriedade intelectual.

Rafael Zanatta, pesquisador do Idec, falou sobre a preocupação quanto ao transporte dos direitos do consumidor para a nova realidade, com a IoT. O Idec, disse, lançará em outubro um estudo aprofundado sobre IoT e direitos dos consumidores.

Uma questão a ser reinterpretada no Código de Defesa do Consumidor, segundo o pesquisador, é o conceito de defeito e segurança. E a franquia de dados na era da IoT se torna mais importante. Zanatta defendeu o fim da franquia na internet fixa, por não ter justificativa técnica.

A fragilidade dos sistemas proprietários é outro tema importante, destacou o pesquisador do Idec, citando o ciberataque de 12 de maio.

Marcelo Crespo, subcoordenador do Grupo de Estudos Temáticos de Direito Digital e Compliance do Dejur, destacou que em termos de segurança relacionada a IoT é preciso pensar no enorme volume de dados criados a cada ano. Há vulnerabilidades crescentes. De um lado há a insegurança, os crimes praticados com uso de equipamentos interconectados. Ataques podem impedir o funcionamento de dispositivos e propiciar extorsões. E pode haver o efeito indireto de ataques, por meio do roubo de dados. “Não adianta ficar discutindo coisas que não vão resolver”. O problema não é ter ou não leis nacionais quando um ataque vem de fora. Os países precisam se estruturar para fazer o combate a isso. “É preciso pensar fora da caixa”, defendeu.

Pelo lado positivo, pode ser mais fácil em algumas situações desvendar crimes, porque vai haver rastros. Mas é preciso pensar também na estrutura interna de investigação, para lidar com os problemas já existentes no Brasil. E também os advogados precisam se preparar.

Até 2025, o impacto da conectividade pode chegar a R$ 3 trilhões, diz na Fiesp diretor da Nokia

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

O Departamento de infraestrutura da Fiesp (Deinfra) promoveu, na manhã nesta terça-feira (25/10), um workshop para debater tendências e avanços tecnológicos na área de telecomunicações. Wilson Cardoso, diretor de tecnologia da Nokia Networks, afirmou que a indústria de transformação é um mercado vasto e com um valor econômico grande. “O impacto da conectividade, até 2025, será de R$ 1 trilhão a R$ 3 trilhões de reais”, disse. Para ele, a conectividade mudou o mundo, com impacto positivo, com um enorme potencial para o desenvolvimento sustentável. Ele também afirmou que a Internet das Coisas (IOT) vai trazer oportunidades ilimitadas para os indivíduos, indústrias e sociedade. Além disso, destacou que o crescimento econômico foi dissociado das emissões de CO2 relacionadas com a energia.

Fabio Tamaki, representante das soluções de infraestrutura da Dell EMC, também esteve presente no encontro e disse que até 2019 o aumento do tráfego de dados móveis será dez vezes maior, com aproximadamente 9,2 bilhões de assinantes móveis, e mais de 80% de assinaturas serão de banda larga. Apesar dos números expressivos, Tamaki ressalta que “o custo para suportar o tráfego de dados está crescendo, mas a receita dos serviços de dados cresce em ritmo muito menor”.

O workshop também teve a presença de Demi Getschko, diretor presidente do NIC.r; Alberto Paradisi, vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento do CPqD; Gabriel Marão, presidente do Fórum Brasileiro de IoT, e Cristiano Ferraz, CTO da Netcon. O evento foi mediado por Hélio Graciosa, diretor da Divisão de Telecomunicações do Deinfra.

Workshop do Deinfra teve como tema Tendências e Avanços Tecnológicos nas Telecomunicações. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Especialistas esboçam na Fiesp modelo de mobilidade inteligente

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Moderado por Pedro Francisco Moreira, diretor adjunto da Divisão de Logística e Transportes do Departamento de Infraestrutura da Fiesp, o workshop Mobilidade Inteligente reuniu especialistas em urbanismo e transporte para discutir tendências futuras. Mas, como destacou Moreira, “a solução está aí, a tecnologia está aí para ser usada”. “Não é coisa futurista.”

O urbanista Carlos Leite, sócio diretor da Stuchi & Leite, disse que não há mobilidade inteligente sem cidade inteligente. No mundo todo há cidades com lugares mais inteligentes e lugares mais burros, afirmou, lembrando que “hoje todos queremos nos locomover melhor”. São Paulo, como qualquer cidade com proporção semelhante de carro por habitante, afirmou, não tem mobilidade inteligente.

Leite comparou Bogotá a São Paulo, lembrando que a capital da Colômbia conseguiu nos últimos 12 anos fazer com êxito a transformação do transporte individual para o coletivo integrado e ciclovias (que teve seu uso ampliado de 5% das pessoas para 53%).

Cidades para as pessoas é o que se quer para o século 21, disse, usando como exemplo o uso de ruas e calçadas para o lazer, como é feito na Times Square, em Nova York, e na avenida Paulista, em São Paulo.

O paradigma do metabolismo urbano no século 21 é o de cidades compactas multifuncionais, permitindo que 90% do tempo se façam os deslocamentos a pé.

Planejamento urbano e transportes precisam andar juntos, defendeu o urbanista. A meta é ter menos deslocamentos e que eles sejam mais curtos. Para isso é preciso ter sistemas de transporte eficientes, multimodais e integrados, com perda de protagonismo do carro. E há uma reorganização, forte, do sistema logístico urbano/regional, com mudanças no sistema de abastecimento e distribuição de cargas.

Transporte precisa deixar de ser baseado em caminhões, passando para trens e, na área urbana, para Vucs.

Sistemas de tecnologia da informação serão aplicados à gestão da cidade e dos transportes. Haverá, disse, uma migração para a sociedade de serviços avançados em substituição à de bens imóveis, como casas e carros. E os carros deverão passar a ser usados on demand, como já se faz em Cambridge (Massachusetts, EUA). Além disso, virão novas tendências no modo de vida na cidade – como por exemplo mais uso do aluguel, porque as pessoas deverão ficar menos enraizadas, mudando-se com mais frequência de cidade.

Carlos Augusto Costa, diretor adjunto de Mercado da FGV Projetos, fez a apresentação Big Data – Mobilidade & Logística. Explicou que o volume disponível de informação coletada em cidades como São Paulo é enorme, e se buscam formas de usar esses dados. Junção de dados pessoais com dados públicos e das empresas terá enorme impacto, afirmou. Quem conseguir analisá-los terá vantagem competitiva.

O diferencial para reter talentos e atraí-los é zelar pela população, disse Costa. Nova York, São Francisco, Boston, Chicago e Barcelona se destacam nesse aspecto, afirmou.

A internet das coisas terá grande impacto na logística, e a interpretação dos dados disponíveis das pessoas permitirá oferecer melhores serviços. O avanço, lembrou, terá custo, e é preciso discutir quem vai pagar por isso.

Conrado Ramires, cofundador da Pegcar.com, contou a história da startup, que, afirmou, resolve uma demanda do mercado, criada pela superlotação de carros e alto custo para sua manutenção. Nasceu como plataforma de compartilhamento de carros, permitindo monetizar sua propriedade em momentos sem uso pelo dono. Há, disse, uma revolução na maneira como as pessoas se movem.

De seus dois anos de vida, um foi empregado na busca de um modo de fazer seguro para os carros inseridos na plataforma. A empresa não tem frota própria, o que permite ganhar escala de forma fácil.

Luciano Driemeier, gerente de Estratégia de Produto da Ford América do Sul, fez a apresentação Evolução tecnológica e novas tendências de mobilidade. A Ford, disse, acredita muito na tecnologia. Compara a atual revolução na mobilidade com a ocorrida 100 anos atrás, quando a implantação da linha de produção pelo Ford permitiu o barateamento dos carros e sua consequente popularização.

A Ford vai ser ativa na criação de alternativas de mobilidade, sem deixar de lado a fabricação de carros. Um dos exemplos é a van dinâmica, da startup Chariot, adquirida pela Ford. Em funcionamento na região de São Francisco (EUA), a empresa, disse, vai além do que fazem as plataformas de compartilhamento de carros para a retirada de veículos das ruas.

Explicou que já há muitas tecnologias de carros semiautônomos, mas a discussão sobre o carro totalmente autônomo dentro da Ford levou à conclusão de que pularia a fase 3 (numa escala de 1 a 5) para em 2021 ter o carro autônomo no nível 4, de elevado grau de automação, da SAE.

Clóvis Simabuku, diretor de Sistemas do Detran de São Paulo, explicou os avanços do órgão em tecnologia, especialmente na desburocratização e melhora do atendimento ao cidadão. Lembrou que um terço da frota nacional de veículos está no Estado de São Paulo.

Mobilidade inteligente foi tema de workshop do Departamento de Infraestrutura da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Indústria 4.0 é questão de sobrevivência

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Por que implantar a Indústria 4.0? Para que efetivamente se garanta a sobrevivência da empresa. A pergunta e a resposta foram formuladas nesta sexta-feira (12/8) durante reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp (Conic) por Carlos Alberto Schneider, presidente do Conselho da Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi). Ele fez apresentação em conjunto com Ronald Dauscha, presidente do Centro Latino-Americano de Inovação, Excelência e Qualidade (Claeq).

Schneider e Dauscha explicaram sua proposta para criar no Brasil uma iniciativa avançada em Indústria 4.0, a exemplo do que já têm Alemanha, China, Estados Unidos e França. Há vários movimentos de Indústria 4.0 no Brasil, explicou, com diferentes nomes. Citou oito – e também instituições que atuam em relação ao tema.

Dauscha destacou a estagnação brasileira em produtividade, o que é um desafio para a competitividade. Há necessidade de eficiência e de competitividade no mercado mundial, afirmou. Flexibilidade, inovação, sustentabilidade, produtividade e qualidade são as características que as empresas devem ter. Em todas essas frentes deve haver ganhos com a Indústria 4.0 – que, na definição de Schneider, é automação com uso do computador e com uma inteligência própria, com máquinas dotadas de sensores que lhes permitem decidir por mudanças nos processos.

Claeq e Certi propõem um processo chamado Rumo a I-4.0, que começa por um diagnóstico inicial em seis itens, já sabendo onde se quer chegar: planejamento estratégico; gestão da qualidade e processos; engenharia, pesquisa, desenvolvimento e inovação; logística e pós-venda; fornecedores; tecnologias para a Indústria 4.0.

Completado o diagnóstico, é iniciada a implementação, com novas rodadas periódicas para continuar o avanço. O programa Rumo a I-4.0 prevê três etapas.

Um ponto destacado na apresentação foi a mudança de perfil nos recursos humanos, com menos trabalho físico e mais trabalho intelectual, com necessidade forte de formação de CdO (cabeças de operação). RH, defenderam, é muito importante na Indústria 4.0.

Reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp, com Indústria 4.0 entre seus temas. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Schneider traçou o histórico das eras industriais, até chegar à Indústria 4.0. No novo paradigma da Fábrica 4.0, explicou, há um processo de automação em toda a fábrica e fora dela, incluindo os fornecedores, e em muitos casos, com interação com os clientes.

Tecnologias necessárias incluem a computação em nuvem, a Internet das Coisas, Big Data e outras, incluindo redes sem fio, RFID, virtualização (capacidade de rodar diferentes sistemas numa máquina). Fora isso, é preciso usar coisas como técnicas modernas de gerenciamento em todas as etapas do negócio, os preceitos de controle de qualidade total (QTC).

Dauscha explicou as razões para o lento avanço da Indústria 4.0 no Brasil e derrubou mitos. Não é complexa, não precisa ser implementada de uma vez, não é simples compra de tecnologia, nem todas as tecnologias estão maduras e disponíveis.

Sugere que as empresas parem, questionem e reflitam sobre, por exemplo, se há uma estratégia voltada à Indústria 4.0. Dauscha disse que se quisermos mudar de forma drástica a indústria brasileira, é preciso fazer algo semelhante ao que foi apresentado.

Vale do Silício

Na reunião, conduzida por Rodrigo Loures, presidente do Conic, André Cherubini Alves, diretor no Brasil e América Latina do Silicon Valley Institute for Business Innovation (SViBi), explicou que o programa é um projeto em construção, liderado por David Teece. É um instituto no Vale do Silício e um programa exclusivo para empresas com foco em inovação.

Seu objetivo é criar oportunidade de engajamento para empresas com interesse em inovação. Ideia é convidar equipes de até 3 pessoas responsáveis por pensar em inovação nas empresas. Elas devem ir em janeiro de 2017 para Mountain View, na Califórnia, para 3 dias de imersão. Depois as empresas se comprometem a criar e implementar ao longo de 12 meses um plano de inovação. Custa US$ 11.995.

O momento do Brasil, disse Alves, é de incerteza, de repensar as empresas, para reposicionamento e busca de novos mercados. Mais do que nunca é momento de pensar e agir, de levar a inovação para dentro das empresas.

Ao apresentar Cherubini Alves, Loures lembrou a importância de criar no Brasil ecossistemas de inovação de classe mundial. E ressaltou que o país vem perdendo competitividade.

Loures destacou também a necessidade de avançar na discussão de uma nova institucionalidade para a área de ciência e tecnologia no Brasil e apresentou um diagnóstico dos problemas do país na área. Em relação ao Conic, disse que há ausência de seus agentes em projetos ativos de inovação em empresas, escolas e movimentos. Pode ser um agente de mudança, disse, levando os demais atores a sair da zona de conforto. Para isso o Conic precisa criar uma estrutura, com participantes que integrem vários outros grupos relevantes na questão. Ronald Dauscha, presidente do Claeq, ficou encarregado de sistematizar a proposta, a ser apresentada ao Ministério das Comunicações, Ciência e Tecnologia.

Roberto Paranhos do Rio Branco, vice-presidente do Conic, e Paulo Bornhausen, conselheiro, também estavam na mesa principal da reunião.

Com lançamento previsto para 2020, 5G promete revolucionar a velocidade de transmissão de dados

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

O mundo das telecomunicações nunca esteve tão aquecido e se movimentando de uma forma tão dinâmica como nos últimos anos. Antenada com as principais evoluções do mercado a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizou um workshop, na manhã desta segunda-feira (18/4), para discutir o 5G e o futuro das comunicações móveis no país e no mundo.

Jesper Rhode, diretor de marketing da Ericsson para a América Latina, disse que o 5G não é só uma tecnologia, é mais um conceito. “É uma rede só para vários tipos de cenários e utilizações dependendo da necessidade de cada um. É preciso entender que essa nova tecnologia vai abraçar muitos tipos de uso e que vai conectar modelos de negócios, pessoas, indústrias”, disse.

Segundo Rhode, o 5G é um grupo de tecnologias que vem atender uma série de demandas simultaneamente. “Daqui 5 a 10 anos teremos capacidade de transmissão mil vezes maior do que temos. Talvez conectar centenas de milhares de dispositivos. A expectativa é que traga a estrutura necessária para que a internet das coisas (Iot) de fato aconteça, pois ambos estão vinculados”, afirmou.

Nesse sentido, Eduardo Tude, presidente da Teleco, ressaltou que a mudança que veremos com o 5G é profunda, e a internet das coisas é uma das questões principais. “Toda tecnologia desenvolvida até agora foi para conectar pessoas, e agora o desafio é conectar coisas.” Ele disse que somos obrigados a repensar em todo contexto de como oferecer nova conectividade, e é isso que o novo “G” propõe, pois a internet é muito maior do que a conectividade. “O Brasil precisa discutir essa tendência e tomar atitudes para que quando a tecnologia estiver madura ela realmente aconteça de forma rápida”, alertou.

Roberto Falsarella, gerente de soluções da Nokia Networks, também falou da quinta geração como sendo um conceito. “É uma tecnologia que está sendo desenvolvida para o mercado com uma transmissão melhor, menor latência e maior eficiência. Tem o objetivo de fomentar mais serviços e aplicações diferentes num ecossistema muito maior. Cada pessoa terá dezenas de dispositivos conectados”, afirmou. Para ele, é uma explosão de possibilidades, e os interessados precisam se juntar para tornar isso real.

Cenário mundial

Amadeu Castro Neto, diretor da GSM Association no Brasil, informou que há três grandes movimentos políticos que acabam impulsionando a indústria para o 5G: Copa da Rússia, em 2018; Olimpíadas de Tóquio, em 2020, e uma reação da União Europeia por conta do avanço da China, Japão e Coreia, que estão avançando estrategicamente no assunto e buscando fazer do 5G uma oportunidade de negócios para os seus fornecedores.

“Em janeiro, a União Europeia convidou as principais operadoras da Europa para pressioná-las a se movimentarem em direção do novo negócio, para que China, Japão e Coreia não saiam na frente. É uma disputa de regiões, isso é mercado”, disse.

Cronograma

Durante o encontro, Neto falou sobre o cronograma que se espera para a quinta geração. “Oficialmente temos uma primeira fase, que estaria disponível no segundo semestre de 2018.” Depois, com as primeiras definições, que é o que a indústria precisa para produzir os equipamentos, entra a segunda fase, que acontece em 2020. Falsarella endossou dizendo que atualmente a quinta geração está em fase de especificação e será lançada em fases. “Meados de 2018 e lançamento comercial para meados de 2020.”

Participaram também da reunião Ruy Botessi, diretor adjunto de Telecomunicações da Fiesp, Helcio Binelli, diretor da Divisão de Telecomunicações da Fiesp, e Agostinho Castro Neto, gerente geral da Gerência de Espectro, Órbita e Radiodifusão da Anatel. O encontro foi mediado por Victor Olszenski, diretor da Divisão de Telecomunicações da entidade.

Workshop do Departamento de Infraestrutura da Fiesp sobre tecnologia 5G. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Internet das Coisas pode injetar até US$ 14,4 trilhões no mercado corporativo

Katya Manira e Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

Algumas empresas projetam incrementos da ordem de US$14,4 trilhões, outros especialistas acreditam que o montante girará em torno de US$ 7,4 trilhões. O número pode até causar discórdias, mas o que ninguém duvida é que até 2025 a Internet das Coisas (IoT) será o grande motor da economia mundial.

Tema de workshop realizado na tarde desta quarta-feira (29/07) pelo Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a IoT é considerada por  muitos um fenômeno próximo ao que foi a Revolução Industrial no século 19.  Isto porque a plena conectividade dos itens usados no nosso dia a dia à rede mundial de computadores mudará completamente o modo como cada um de nós consome. Consequentemente, a forma de produzir produtos, vendê-los, entregá-los e convencer o consumidor a comprá-los também será afetada.

“A comunicação machine to machine (M2M) envolve praticamente todas as esferas de ações humanas. Desde a parte de infraestrutura mais básica – como cabeamento e antenas – até questões de éticas que estão no limite da compreensão do homem, tais como privacidade e segurança”, explica Américo Tristão Bernardes, diretor do Departamento de Infraestrutura para Inclusão Digital dos Ministérios das Comunicações.

 

Workshop na Fiesp sobre Internet das Coisas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Workshop na Fiesp sobre Internet das Coisas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Ao conectar pessoas, processos, dados e objetos, a IoT permite que as empresas acumulem e acessem informações sobre o movimento de nossos corpos e nossos hábitos de consumo com uma precisão muito maior. Com esses registros, por exemplo, elas conseguirão reduzir, otimizar e economizar recursos naturais e energéticos, ampliando assim a sua produtividade.

Não à toa, empresas brasileiras estão investindo US$ 79 milhões em Internet das Coisas somente neste ano, de acordo com pesquisa divulgada pela empresa de tecnologia Tata Consulting. Entre as 795 empresas entrevistadas, 12% dos líderes de negócios planejam investir US$ 100 milhões em 2015, e 3% buscam fazer um investimento mínimo de US$ 1 bilhão – cada. O relatório também mostrou que as empresas esperam que seus orçamentos para a IoT continuem crescendo ano a ano, com valores que devem aumentar 20% até 2018, somando US$ 103 milhões.

IoT no Brasil

Apesar de pouco conhecida, a tecnologia IoT já está presente no Brasil, conforme mostrou o diretor de Soluções para Governo e Cidades no Brasil da Microsoft CityNext, João Thiago Poço, durante o worshop.

Na cidade de Petrópolis o monitoramento dos pluviômetros para a detecção de calamidades utiliza a tecnologia IoT. A mesma que faz funcionar os radares de trânsito da cidade de São Paulo que transmitem informações diversas sobre um veículo diretamente para uma viatura da polícia. Outro exemplo em território nacional são as lixeiras do Paraná, que emitem avisos a uma central de gerenciamento quando estão cheias. Assim, os órgãos públicos conseguem evitar o acúmulo de lixo e, consequentemente, reduzir o risco de enchentes em regiões vulneráveis.