Ruy Castro no InteligênciaPontoCom: ‘Temos uma dívida muito grande com Carmen Miranda’

Isabela Barros

Muito além dos balangandãs e das frutas na cabeça, uma artista que muito fez pela música brasileira. E que sabia ser sóbria e chique, de terninho e tailleur, se quisesse. Foi uma Carmen Miranda além dos estereótipos que o jornalista e escritor Ruy Castro apresentou, na noite desta quarta-feira (26/09), no Teatro do Sesi-SP, em São Paulo, na edição de agosto do InteligênciaPontoCom, bate papo mensal promovido pelo Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP). O evento contou com a participação ainda da cantora brasiliense Ive, que interpretou alguns dos maiores sucessos da artista.

“Não acho nada demais que os americanos e os japoneses só conheçam a Carmen Miranda em ‘technicolor’, a personagem do cinema e das frutas na cabeça”, disse Castro, autor da biografia Carmen. “Mas nós, brasileiros, termos apenas essa visão é um crime contra a nossa cultura”.

Ruy Castro e Ive: uma Carmen Miranda que vai além dos estereótipos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Segundo o escritor, Carmen pode ser considerada a inventora da música popular brasileira. Antes dela, as cantoras tinham um estilo lírico, na linha das operetas. “Ela, que nunca fez uma aula de canto sequer, introduziu uma maneira de cantar brasileira, influenciada por toda a malícia e pelas gírias que ela ouvia na infância e na juventude na Lapa, no Rio de Janeiro, onde morou”, conta.

E isso não foi tudo. A artista foi a responsável ainda pela introdução de “uma série de personagens na literatura do samba”. “Foi ela que cantou pela primeira vez a mulher de malandro e a mulher do morro, por exemplo”, afirma Castro.

O Carnaval tal como conhecemos hoje e as marchinhas também são herança da musa. “Foi a grande impulsionadora das marchinhas no Carnaval”.

Nessa linha, compositores do porte de Dorival Caymmi e de Ataulfo Alves tiverem suas letras popularizas por ela. “Eles todos compunham para a Carmem gravar. Podemos dizer que 99% das músicas que ela gravou foram feitas para ela”.

No cassino

Com 313 registros fonográficos, a artista também foi pioneira ao se apresentar num cassino no Brasil. “Ninguém queria pagar para ver um artista brasileiro num cassino se podia ouvir as músicas de graça, no rádio”, diz Castro. De tão popular, Carmen foi convidada para se apresentar numa casa do tipo, “abrindo caminho para outros cantores depois”.

Foi durante a apresentação num cassino que a cantora chamou a atenção de um empresário norte-americano, que a convidou para cantar em seu país. “Carmen só precisou de seis minutos para conquistar os Estados Unidos”, explica Castro. “Em sua primeira apresentação por lá, cantou quatro músicas, sendo três em português. E quase não conseguiu sair do palco de tão aplaudida”, conta. “Um sucesso que a fez ser adotada pelo cinema depois”.

Foi quando surgiu a personagem dos turbantes na cabeça que ficou conhecida em todo o mundo. E que não excluiu a elegância e a sobriedade da artista fora do palco. “Carmen se vestia muito bem, usava terninho e tailleur”, conta. “Temos uma dívida muito grande com ela”.

Carmen Miranda nasceu em Portugal, em 1909, e faleceu em 1955, aos 46 anos. No Brasil, viveu dos dez meses até o final de sua vida.

Cenografia, figurino e bastidores do teatro são tema do InteligênciaPontoCom

Agência Indusnet Fiesp

Em sua última edição em 2014, o InteligênciaPontoCom presta uma homenagem aos 50 anos de Teatro Popular do Sesi-SP, traz como tema “Que figurino lhe cai bem?”, um bate-papo sobre as áreas técnicas do teatro, como a criação em cenografia e o figurino. O evento acontece no dia 25 de novembro, terça-feira, às 20h, com entrada gratuita.

Para conversar sobre o assunto, foram convidados três grandes realizadores do teatro brasileiro: o arquiteto, cenógrafo e figurinista, JC Serroni; o educador, diretor, autor e ator, Ilo Krugli; e o diretor de teatro, cenógrafo e figurinista, Gabriel Villela. Todos eles participaram, em algum momento, dos 50 anos do Teatro do Sesi.

Saiba mais sobre o evento na página do Sesi Cultura e não perca essa edição do InteligênciaPontoCom.
Serviço

InteligênciaPontoCom – Que figurino lhe cai bem?

Data: 25 de novembro, terça-feira

Horário: 20h

Local: Teatro do Sesi

Entrada gratuita

Viviane Mosé e Célio Turino debatem educação e cultura no InteligênciaPontoCom

Agência Indusnet Fiesp

No dia 27 de outubro, mês em que se comemora o Dia dos Professores, às 20h, o InteligênciaPontoCom irá abordar os temas Educação e Cultura, destacando a transversalidade proporcionada por estas duas vertentes da atividade humana. Estará em pauta a contribuição da educação na área cultural, o que a arte e a cultura têm a oferecer no ambiente educacional e o grau de convergência exercida mutuamente. Uma existiria sem a outra? Seria possível separá-las? De que forma as políticas públicas podem acelerar ou atrasar seu desenvolvimento?

Para mediar o debate e ajudar a encontrar respostas a essas e a outras indagações, duas figuras de destaque no cenário intelectual contemporâneo sobem ao palco: Viviane Mosé, filósofa, psicóloga, psicanalista, escritora e professora, especialista na elaboração e implementação de políticas públicas, e Célio Turino, historiador, escritor, gestor público e idealizador do projeto Pontos de Cultura.

O bate-papo acontece no Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, na avenida Paulista. O evento tem entrada gratuita e também pode ser acompanhado por transmissão online no site http://www.sesisp.org.br/transmissao-online.

O projeto de debates InteligênciaPontoCom aborda temas de diferentes áreas do saber com o objetivo de promover e aprimorar as trocas de conhecimento de forma clara e eficaz. Tem o formato de um bate-papo descontraído entre grandes nomes da cultura nacional e o público. Mensalmente, expoentes da música, do cinema, do teatro, da literatura, das artes plásticas e de outras manifestações artísticas conversam com o público presencialmente e de forma on-line, em uma discussão informal no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, na Avenida Paulista.

Sobre os participantes

Capixaba, Viviane Mosé é filósofa, psicóloga, psicanalista, escritora e professora, especialista na elaboração e implementação de políticas públicas. Entre 2005 e 2006, desenvolveu e escreveu, com Daniel Duarte, o quadro Ser ou Não Ser, do programa Fantástico, da TV Globo, que tratava de filosofia usando linguagem cotidiana. Hoje, entre outras coisas, Viviane é comentarista no programa Liberdade de Expressão, da Rádio CBN.

Célio Turino é historiador, administrador cultural e escritor de livros, ensaios e artigos sobre políticas públicas, educação, lazer, ludicidade e cultura, e também idealizador e gestor dos Pontos de Cultura, política pública que se tornou referência para diversos países da América Latina e Europa. Entre 2004 e 2010, Célio foi secretário na Secretaria da Cidadania Cultural do Ministério da Cultura.

Serviço

InteligênciaPontoCom – com Viviane Mosé e Célio Turino

Data e horário: 27 de outubro (segunda-feira), às 20h, com entrada gratuita

Local: Teatro Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso – Av. Paulista, 1.313 – São Paulo – SP

Capacidade: 456 lugares

Duração: 90 minutos

Recomendação etária: Livre

Entrada franca – Reservas antecipadas pelo site www.sesisp.org.br/meu-sesi, a partir do dia 1º de outubro, a partir das 8h

Informações: (11) 3146-7405 / 7406

 

‘Acredito na vitalidade e na liberdade das dinâmicas artísticas’, diz crítico Alexandre Melo

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Arte contemporânea foi o tema do InteligênciaPontoCom desta segunda-feira (22/09), realizado no Teatro do Sesi-SP, na Avenida Paulista. O convidado da noite foi o português Alexandre Melo, que é crítico de arte, professor, curador e escritor e também colaborador regular da revista Artforum (NY).

Ele foi entrevistado pelo artista plástico Paulo Climachauska e pelo fotógrafo e publicitário Vicente de Mello, responsável pelo setor de documentação fotográfica das exposições da Coleção Gilberto Chateaubriand que integram o acervo do Museu de Arte Moderna (MAM/RJ).

No mês em que São Paulo recebe a 31ª da Bienal de Arte, os debatedores falaram sobre os atuais dilemas dos artistas contemporâneos e a nova geografia do mundo das artes.

“Com a globalização, começamos a nos sentir na obrigação de ver o mundo da arte como o mundo todo mesmo. Quando eu comecei a trabalhar nessa área, há 20 anos, quando se falava em mundo da arte, metade dos artistas eram americanos, 30% eram europeus e o restante se dividia entre os outros países. Hoje isso mudou”, afirmou Melo, que também é assessor cultural do Primeiro-Ministro de Portugal.

Da esquerda para a direita: Alexandre Melo, Vicente de Mello e Paulo Climachauska. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

No entanto, a globalização da arte, segundo ele, também traz problemas. “Os organizadores das Bienais vivem esse drama de ‘como vamos mostrar a arte de todo esse mundo?’. É preciso mostrar de uma forma justa, pertinente e compreensível aquilo que se faz no Ártico, no Extremo Oriente, na América Latina, na África. Será que isso é possível?”, questionou o convidado estrangeiro.

Para ele, a nova geografia da arte vai implicar em uma nova história, para recuperar as histórias esquecidas da arte mundial. “Terão que surgir novas formas de organizar exposições, de escrever a história da arte e, aos poucos, resolver esses problemas.”

Indústria cultural

Climachauska propôs uma reflexão sobre a influência da indústria cultural na arte, que teve, a partir dos anos 80, um avanço crescente no campo da cultura.

“Nesse processo, a liberdade de criação do artista acaba sofrendo interferências”, disse o artista plástico, citando o caso dos músicos que não podem escolher capa de seus discos ou ordem das músicas, que são decisões empresariais.

Na opinião de Melo, se um artista aceita produzir obras que vão ser colocadas no mercado para serem vendidas, ele sabe que está trabalhando em um contexto com regras econômicas que regem o conjunto da sociedade. Só o artista pode tomar a decisão final.

“O artista está condenado a ser livre, porque ninguém lhe diz o que ele tem que fazer”, provocou o português. “Mas se ele suporta mais ou menos pressão, aceita fazer coisas que ele não iria fazer para ganhar dinheiro, é um problema dele. No limite, a decisão é sempre do artista.”

Ainda assim, Melo disse defender que essa pressão do mercado seja compensada pela ação de poderes públicos e instituições, que não podem repetir as escolhas do mercado. “Por isso é importante ter uma política cultural ativa e um movimento pró-ativo das instituições para preservar a pluralidade, a diversidade, a liberdade de experimentação.”

Política e arte

Falando sobre a importância das políticas públicas, o fotógrafo Vicente de Mello questionou por que a cultura é o elo mais fraco durante as gestões públicas. “Mesmo sendo uma base tão forte, a cultura sempre é a que tem o corte maior de verba, fica relegada ao terceiro plano. Isso é mundial?, questionou.

"A capacidade de exercício da liberdade, da imaginação, da invenção artística, social e cívica são infinitas", disse Alexandre Melo. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

O crítico português respondeu, então, que, com a crise europeia, a cultura também tem sofrido com a falta de políticas públicas consistentes. “Infelizmente, há uma tendência nos governos, inclusive na Europa, de desvalorizar a política cultural, o que pode ter consequências dramáticas em termos de futuro.”

Alexandre Melo também colocou em pauta a chamada “geração nem-nem” (nem estuda e nem trabalha), para avaliar o quanto isso impacta na formação de novos artistas e no desenvolvimento da arte contemporânea.

Mesmo sem conhecer a realidade brasileira, o crítico comentou que há uma incapacidade, em todo o mundo, de sistematização política do descontentamento e das reivindicações.

“Tivemos manifestações no Brasil e em outros lugares do mundo, como as Primaveras Árabes. Acompanhamos a capacidade de mobilização das redes sociais. Por que, então, é impossível gerar um líder político ou uma organização cívica forte?”, perguntou. “Há uma incapacidade imensa de gerar organicamente um pensamento político que consiga traduzir todos esses sentimentos na esfera real e efetiva do poder.”

Mas o professor português disse ter fé no poder da cultura e da arte. “Acredito na vitalidade, na alegria e na liberdade das dinâmicas culturais e artísticas”, declarou.

“As novas gerações certamente irão fazer coisas novas, na arte e em outras áreas. A capacidade de exercício da liberdade, da imaginação, da invenção artística, social e cívica são infinitas. Podemos acreditar que essa liberdade vai continuar a gerar novas soluções e novas formas de ultrapassar problemas.”

Assista abaixo o vídeo na íntegra deste InteligênciaPontoCom:

 

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Novos rumos da Arte Contemporânea são debatidos no InteligênciaPontoCom

Agência Indusnet Fiesp

A nova conjuntura da arte contemporânea e suas relações com as transformações socioculturais da atualidade estarão em debate no próximo encontro InteligênciaPontoCom, no dia 22 de setembro, no Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso.

O bate-papo com o público será conduzido pelo professor e curador português Alexandre Melo e os artistas brasileiros Paulo Climachauska e Vicente de Mello. Eles abordarão o papel da arte como forma de identidade cultural e instrumento social, os dilemas atuais enfrentados pelos artistas, e a nova geografia do mundo das artes e como isso se manifesta nas produções artísticas diversas.

O InteligênciaPontoCom acontece no Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, na avenida Paulista, 1313. O evento tem entrada gratuita, mas também pode ser acompanhado por transmissão online no site www.sesisp.org.br/online.

Sobre os participantes:

O crítico de arte Alexandre Melo é professor, curador e escritor e também colaborador regular da revista Artforum (NY), tendo assinado diversos programas de rádio e televisão dedicados à arte e à cultura, além de documentários dedicados a artistas portugueses contemporâneos. Melo também é assessor cultural do Primeiro-Ministro de Portugal, estudioso de diversas áreas do conhecimento, desde economia até sociologia.

O artista plástico Paulo Climachauska se formou em História e Arqueologia pela Universidade de São Paulo (USP), mas seu interesse por economia e arquitetura o conduziu na escolha pela utilização de contas de subtração para delinear espaços, dialogando com a arte construtiva brasileira. Em suas mais recentes obras, ele aborda a sociedade de consumo, trabalhando com espaços imaginários e também questionando os sistemas de classificação sociais.

O fotógrafo e publicitário carioca Vicente de Mello recebeu o Prêmio Brasília de Artes Visuais, do Museu de Arte Moderna de Brasília,  e é responsável pelo setor de documentação fotográfica das exposições da Coleção Gilberto Chateaubriand que integram o acervo do Museu de Arte Moderna (MAM/RJ). Na década de 1990, atuou como assistente fotográfico e dirigiu sua atividade profissional para a área de reprodução de obras de arte.

A cada mês, um bate-papo

O projeto de debates InteligênciaPontoCom aborda temas de diferentes áreas do saber com o objetivo de promover e aprimorar as trocas de conhecimento de forma clara e eficaz.

Acontece no formato de um bate-papo descontraído entre grandes nomes dos mais variados temas da cultura nacional e o público. Mensalmente, grandes expoentes da música, cinema, teatro, literatura, artes plásticas e outras manifestações artísticas conversam com o público presencial e on-line, em uma conversa informal no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, na avenida Paulista.

Xico Sá no InteligênciaPontoCom: ‘Gosto de fazer esse papel de camelô dos meus livros’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Foi um passeio pelo papel do escritor hoje, recheado pela citação de livros diversos e pelo registro do amor na literatura. Convidados do InteligênciaPontoCom de agosto, o bate-papo mensal do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), realizado na noite desta terça-feira (19/08), os escritores e jornalistas Manuel da Costa Pinto e Xico Sá discutiram essas e outras questões numa conversa informal e muito próxima do público. O debate lotou o Espaço Mezanino do prédio do Sesi-SP e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

Para Xico, existe atualmente uma tendência de maior exposição da figura do escritor, motivada, entre outros fatores, pelo aumento no número de festivais literários no Brasil, sendo a Feira Literária Internacional de Paraty (Flip) a iniciativa mais conhecida nesse sentido. “Gosto de fazer esse papel de camelô dos meus livros”, disse. “Agora, a performance nos festivais também é considerada. Ganho novos leitores com essas andanças, pessoas que me conhecem, conversam comigo e compram meus livros depois, não é só um espetáculo”.

Nesse sentido, o jornalista citou o exemplo do angolano Valter Hugo Mãe, autor de obras como O Filho de Mil Homens, que “se tornou ainda mais conhecido no Brasil depois de participar da Flip”.

Entre delírios e musas

Num rápido passeio pela sua obra, Xico destacou seu lançamento mais recente, O Livro das Mulheres Extraordinárias, com textos para 127 eleitas entre personalidades da TV, da moda, da música e do teatro. “São crônicas derramadas a várias musas”, explicou. “Da pornochanchada, como Vera Fischer e Nicole Puzzi, até cantoras jovens como Mallu Magalhães e Céu”, explicou. “São mulheres que me comovem, o critério foi muito subjetivo”.

Xico: “Ganho novos leitores com essas andanças”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Xico: “Ganho novos leitores com essas andanças”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Segundo ele, estrelas como as atrizes Malu Mader e Sônia Braga, “por serem tão importantes”, o fizeram “amarelar na hora do enfrentamento”. “Na verdade, escrevi cantadas literárias, tentativas, que até agora não tiveram muito sucesso, de seduzi-las”, brincou.

A inspiração para o livro veio dos textos do italiano Alberto Moravia, que já escreveu sobre divas como a atriz Claudia Cardinale, também nascida na Itália. “Me inspirei nele e na observação lírica das mulheres feita por brasileiros como Vinícius de Moraes e Paulo Mendes Campos”, contou.

E por falar em referências, foi Xico quem inspirou o novo filme do diretor pernambucano Cláudio de Assis, Big Jato. A produção conta a história de um menino que acompanha o pai na boleia de um caminhão, no sertão nordestino, no início dos anos 1970. E teve como base as memórias do jornalista, nascido no Crato, Ceará. “Faço uma ponta de mim mesmo no cinema”, contou. “É uma autobiografia delirante”.

Sofrendo muito

Solicitado pela plateia a falar sobre amor, o jornalista disse ser esse um de seus temas prediletos. “Estou sempre sofrendo muito”, explicou. “Mas, mesmo diante dos revezes do amor, todos os meus textos estão cheios de provocações ou mostram essa tentativa de entender como é juntar um homem e uma mulher debaixo do mesmo teto ou do mesmo viaduto”.

Os relatos sobre futebol são outra paixão. “Já fui um repórter sério, fiz jornalismo investigativo, fui editor, mas cansei, fui cansando”, contou. “A crônica esportiva mexe comigo como se eu estivesse começando, aos 16 anos, no Jornal do Commercio, no Recife”.

Produto de excelência

Em sua participação no debate, Costa Pinto destacou pontos como o fato de que o livro é visto como um “produto de excelência no Brasil, mesmo que as pessoas não tenham o hábito de ler”. “As pessoas têm vergonha de entrar numa livraria e expor a sua falta de conhecimento, o que não acontece numa Bienal, por exemplo”, disse. “A Bienal é a loja de departamento dos livros, lá o público não se sente afetado pelo apartheid cultural que assola o país”.

Costa Pinto: “A Bienal é a loja de departamento dos livros”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Costa Pinto: “A Bienal é a loja de departamento dos livros”. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Sobre os debatedores

Xico Sá é escritor e jornalista, colunista do jornal Folha de S. Paulo, autor de Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha e mais dez livros. Na TV, Xico participou do programa Saia Justa, no GNT.

Já Manuel da Costa Pinto é autor dos livros Albert Camus – Um Elogio do Ensaio, Literatura Brasileira Hoje, O Livro de Ouro da Psicanálise e Paisagens Interiores e Outros Ensaios. Foi curador da edição de 2011 da Flip.

Xico Sá e Manuel da Costa Pinto falam sobre literatura e amor no InteligênciaPontoCom

Agência Indusnet Fiesp

No ritmo literário que invade São Paulo com a Bienal do Livro, o Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) promove, no dia 19 de agosto, um bate-papo sobre literatura, festivais e amor no InteligênciaPontoCom. Os convidados são os escritores Manuel da Costa Pinto e Xico Sá. A entrada é gratuita.

Entre os temas que vão render muita conversa, serão debatidos no encontro a importância dos festivais de literatura, o uso das leis de incentivo para escritores e se o uso mais frequente do amor na literatura cria leitores mais apaixonados.

Um dos jornalistas mais reconhecidos na área de literatura, Manuel da Costa Pinto é autor dos livros Albert Camus – Um Elogio do EnsaioLiteratura Brasileira HojeO Livro de Ouro da Psicanálise e Paisagens Interiores e Outros Ensaios. Foi curador da edição de 2011 da Flip (Feira Literária Internacional de Paraty). É mestre em teoria literária e literatura comparada pela USP e atualmente é editor do Guia Folha – Livros, Discos, Filmes e comentarista de literatura do  programa Metrópolis, da TV Cultura.

Xico Sá é escritor e jornalista, colunista da Folha, autor de Chabadabadá – As Aventuras do Macho Perdido e da Fêmea que se Acha e mais 10 livros. Seu lançamento mais recente é O Livro das Mulheres Extraordinárias, em que traz um texto especial para cada 127 eleitas, entre mulheres da TV, da moda, da música, do teatro. Na TV, Xico participa do programa “Saia Justa” (GNT).
Serviço 

InteligênciaPontoCom – Xico Sá e Manuel da Costa Pinto
A literatura, os festivais e o amor

19 de agosto, terça-feira
20h
Espaço Mezanino
Entrada gratuita
Reserva antecipada pelo telefone (11) 3146-7383

‘Não construimos um Guimarães Rosa ou um Tom Jobim na dança’, diz Antonio Nóbrega

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Mesmo que por aqui não falte ginga, saracoteio e molejo, a dança ainda é uma arte pouco pesquisada e destacada teoricamente no Brasil. Entre citações e referências variadas, a discussão esteve no centro do InteligênciaPontoCom, bate-papo mensal do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), realizado na noite desta terça-feira (22/07) com o multiartista pernambucano Antonio Nóbrega. O debate ocorreu no Espaço Mezanino do prédio do Sesi-SP e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista, em São Paulo. E teve a mediação da pesquisadora, professora da PUC-SP, palestrante e crítica Helena Katz.

“Falta corpo crítico, teórico, pesquisadores da dança brasileira”, afirmou Nóbrega. “A literatura brasileira tem toda uma história, desde a carta de Pero Vaz de Caminha. No caso da dança isso não existe”.

Nóbrega: “Falta corpo crítico, teórico, pesquisadores da dança brasileira”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Nóbrega: “Falta corpo crítico, teórico, pesquisadores da dança brasileira”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Nóbrega  é chamado de multiartista por cantar, dançar, interpretar e tocar instrumentos variados. Ao longo do tempo, desenvolveu um estilo próprio de concepção em artes cênicas e música, fruto de seu envolvimento com o universo da cultura popular. A partir de 2007, com o espetáculo Passo, começou a conciliar o seu trabalho de músico com o de dançarino e coreógrafo. Entre 2006 e 2008 lançou o espetáculo dedicado ao frevo Nove de Frevereiro. Em 2009 estreou Naturalmente – Teoria e Jogo de uma Dança Brasileira e, em 2011, o DVD da apresentação.

Tendo se mudado para São Paulo em 1983, fundou o Instituto Brincante na Vila Madalena, na Zona Oeste da capital, espaço para apresentações e cursos de música e dança popular brasileira.

“Não chegamos a construir um Guimarães Rosa ou um Tom Jobim na dança”, disse.  “Somos povo tão dançarino, de riqueza corporal tão grande, seríamos muito mais interessantes se tivéssemos um trabalho mais forte nessa área”.

Levado ao universo da dança brasileira pelo “prazer de dançar”, Nóbrega destacou que “falta ideologia para legitimar a nossa cultura”. “A cultura popular é compreendida como folclórica e o olhar das pessoas que trabalham com essa dança ainda traz essa visão”, afirmou. “São números feitos para serem dançados em sala de aula”.

Helena e Nóbrega no InteligênciaPontoCom: debate sobre os caminhos da dança brasileira. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Helena e Nóbrega no Inteligência: debate sobre os caminhos da dança brasileira. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Dessa forma, ao longo de seu trabalho, o fundador do Brincante foi direcionando o seu olhar para “procurar entender dentro da dança brasileira o que existe de valorativo e interessante”. “Acho a dança clássica um dos monumentos da humanidade, mas ela não é a única. Me sinto muito bem dentro da dança popular brasileira e tento entender que valores e conteúdos ela me traz”, disse.

Requebra

Entre esses diferenciais, Nóbrega destacou um “imaginário vocabular rico e exuberante”. “Se juntar frevos, batuques e afins, são muitas possibilidades de requebros, movimentos que se mexem dentro de processos singulares”, explicou.

Nesse mundo de requebrados, apontou Nóbrega, a presença marcante é a do “elemento negro”. “Os negros deram coloração à cultura popular brasileira, nos fizeram além de ocidentais”, afirmou. “O Brasil resignificou o que veio da tradição ocidental europeia”.

Antonio Nóbrega e Helena Katz debatem dança no InteligênciaPontoCom de julho

Agência Indusnet Fiesp

Dança será o tema da edição de julho do evento InteligênciaPontoCom, do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), que promove bate-papos entre o público e grandes nomes da área cultural. No dia 22/07, terça-feira, os convidados serão a pesquisadora e professora Helena Katz e o músico Antonio Nóbrega. A entrada é gratuita.

Doutora em Comunicação das Artes do Corpo, Helena Katz é especialista na área de comunicação e artes. Pesquisadora, professora da PUC-SP, palestrante e crítica de dança desde 1977, atualmente ela escreve para o jornal O Estado de S. Paulo, coordena o Centro de Estudos em Dança – CED, que fundou em 1986, desenvolve a Teoria Corpomídia e é membro do grupo de pesquisa DC-3 Dança, Ciência, Comunicação e Cultura.

Antonio Nóbrega desenvolveu um estilo próprio de concepção em artes cênicas e em música, fruto de seu envolvimento com o universo da cultura popular. A partir de 2007, com o espetáculo Passo, começou a conciliar o seu trabalho de músico com o de dançarino e coreógrafo. Entre 2006 e 2008 lançou o espetáculo dedicado ao frevo Nove de Frevereiro. Em 2009 estreou Naturalmente – Teoria e Jogo de uma Dança Brasileira e, em 2011, o seu DVD.

Tem se apresentado em inúmeros países, entre eles, Portugal, Alemanha, Estados Unidos, Cuba, Rússia e França. É detentor de muitos prêmios, como o TIM, o Shell, o Mambembe, o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte – APCA e o Conrado Wessel, além de ter recebido duas vezes a Comenda do Mérito Cultural. Atualmente dirige a Cia. Antonio Nóbrega de Dança e finaliza o filme Brincante, documentário sobre a sua obra.

Serviço

InteligênciaPontoCom, com Antonio Nóbrega e Helena Katz
Dia: 22 de julho, terça-feira
Horário: 20h
Local: Centro Cultural Fiesp Ruth Cardoso – Espaço Mezanino
Entrada gratuita

Elias Gleizer no InteligênciaPontoCom: ‘No Sesi-SP, aprendemos a respeitar o público’

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp 

“É uma grande emoção voltar a este palco maravilhoso”, afirmou o ator Elias Gleizer, que subiu ao Teatro do Sesi São Paulo, na capital paulista, na noite desta segunda-feira (16/06), ao lado da atriz Bárbara Paz e da jornalista Rogéria Gomes para um bate-papo descontraído em mais uma edição do InteligênciaPontoCom, que celebrou os 50 anos do Teatro Popular do Sesi-SP.

InteligênciaPontoCom celebra 50 anos do Teatro Popular do Sesi-SP com plateia lotada e bate-papo entre o ator Elias Gleizer, a jornalista Rogéria Gomes e a atriz Bárbara Paz. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

“Eu estreei ‘O Poeta da Vida’ neste teatro, mas não havia poltronas e o primeiro público eram os peões da obra do teatro”, lembrou Gleizer ao relatar que, embora a lotação do teatro seja de aproximadamente 450 pessoas, ele já se apresentou para mais de 800 pessoas.

“Havia brigas na porta. Tínhamos medo de aparecer a fiscalização, mas isso para o ator é muito gratificante. O Sesi-SP ensina o ator a improvisar”, disse. “Cheguei para substituir o Claudio Correa e Castro e fiquei aqui por 11 anos”, contou.

“Nós aqui no Sesi-SP aprendemos a respeitar o público, qualquer público”, afirmou Gleizer ao lembrar que os espectadores tinham que trazer as cadeiras de casa. “Eles traziam os filhos pequenos e cachorros, porque não tinham com quem deixar e vinham de muito longe para assistir às peças. Nós aprendemos a respeitar esse público.”

Para o povo 

Para Rogéria, a importância do Teatro do Sesi-SP está na essência de sua criação, pois ele já foi pensado para o povo, para o operário. “Um teatro com ingresso gratuito e elevado teor artístico nas realizações: isso para nós é uma celebração”, afirmou a jornalista ao ressaltar que tudo começou de forma amadora e foi se profissionalizando. “Hoje passam por aqui diretores da maior qualidade. Qualquer ator precisa passar por esse palco para entender o que é o teatro. O Teatro Popular do Sesi-SP é o Brasil que dá certo”, disse.

Barbara Paz concorda. “O Teatro do Sesi-SP é um formador de público de teatro. Até hoje sou reconhecida pela primeira peça em que atuei aqui há 15 anos. Isso é incrível!”, contou a atriz, que elogiou a infraestrutura que o Sesi-SP oferece para os atores: “as pessoas têm carência por teatro e quando encontram espetáculos gratuitos, com a estrutura que o Sesi-SP, todo dia tem público”, disse.

“O que a gente recebe do público aqui é alimento para a nossa carreira. Não quero nunca que o Sesi-SP saia da minha vida.”

Alimento da alma

“O teatro me formou não só como atriz, mas como ser humano. Com o teatro, aprendemos a escutar, porque teatro não se faz sozinho”, explicou Barbara Paz, que acredita que a peça pode ser a mesma, mas nenhum espetáculo é igual ao outro.

“O ator é movido pela paixão. Eu descobri no teatro um espaço para onde eu podia voltar sempre e ser várias pessoas”, disse a atriz que teve o apoio de Rogéria: “teatro talvez seja a arte que mais se aproxima da vida do ser humano, porque vivemos o drama e a comédia”.

Para a jornalista, uma prova clara disso era o teatro quase lotado durante o evento: “Copa do Mundo e plateia cheia: o teatro está batendo um bolão”, brincou.

Antes e depois

Na opinião dos convidados, o teatro de 50 anos atrás é diferente daquele feito nos dias de hoje, não só no que se refere à infraestrutura, mas em relação aos atores também. “Hoje em dia, os atores são mais responsáveis. Antigamente, você saía de um espetáculo e ensaiava a outra. Daí havia confusão com as falas”, explicou Gleizer.

Para ele, o ensaio é muito mais importante no teatro do que na televisão. “Não dá para se fazer uma peça em um dia. Na televisão você adquire a experiência do improviso, o que é muito importante para o teatro, onde muitos vezes temos brancos e causa um pânico no elenco todo. Fiz muito teleteatro também, que era ao vivo e você tinha que improvisar”, disse.

Para Bárbara, a televisão é um estudo muito solitário, ao contrário do teatro, que é um trabalho em conjunto. “Eu não decoro os textos, eu estudo a peça. Isso ajuda no improviso”, disse a atriz.

Rogéria lembra que, antigamente, as filas do Teatro do Sesi-SP eram tão grandes que as pessoas achavam que era fila de busca por empregos. “Naquele tempo, as companhias de teatro trabalhavam de segunda a segunda, com pouquíssimas folgas, além dos ensaios. Hoje em dia, as companhias se esvaziaram. Mas uma coisa ainda é comum às épocas: o ator não desiste do teatro”.

InteligênciaPontoCom celebra 50 anos do teatro brasileiro

Agência Indusnet Fiesp

Em junho, o bate-papo cultural InteligênciaPontoCom será uma comemoração aos 50 anos do teatro brasileiro. A atriz Bárbara Paz, o ator Elias Gleizer e a jornalista Rogéria Gomes são os convidados do encontro, que acontece no dia 16 de junho, segunda-feira, às 20h. A entrada é gratuita.

Nesta edição, o InteligênciaPontoCom vai discutir e lembrar momentos inesquecíveis do teatro nacional, além de traçar linhas que apontam para o futuro das artes cênicas em São Paulo e no Brasil. Para isso, vai reunir três personalidades ligadas aos palcos.

No teatro, Bárbara Paz protagonizou espetáculos como “Madame de Sade”, “A Importância de Ser Fiel” com Grupo Tapa, “Hell” e “Os Sete Gatinhos”. A atriz fez parte dos grupos Parlapatões e do CPT (Centro de Pesquisa Teatral) do diretor Antunes Filho. Atualmente está em cartaz com a comédia da Broadway “Vênus em Visom” de David Ives e direção de Hector Babenco. Em 2013 recebeu do Ministério da Cultura a Medalha Cavaleiro pela sua trajetória como atriz.

Veterano dos palcos e da TV, Elias Gleizer começou no teatro amador, participando de festivais estudantis, onde ganhou prêmios e foi revelado. Sua carreira profissional decolou na TV Tupi em 1959, na novela José do Egito. Desde então, atuou em cerca de 60 novelas, mas não deixou o teatro e atuou em peças de grande relevância, como O Poeta da Vila e Seus Amores, de Plínio Marcos (1977), A Falecida, de Nelson Rodrigues (1979) e Chiquinha Gonzaga, Ó Abre Alas, de Maria Adelaide Amaral (1983), todas encenadas no Teatro do Sesi-SP.

Jornalista, apresentadora, editora, roteirista e pesquisadora, Rogéria Gomes criou o Programa “Teatro Em Cena”, na rádio Roquete Pinto – 94.1FM – RJ. Pós graduada em Docência Superior e Especialista em Jornalismo Cultural, trabalhou em diversos veículos da mídia impressa e é autora do livro “As Grandes Damas e um Perfil do Teatro Brasileiro”.


Serviço

InteligênciaPontoCom – 50 anos do Teatro Brasileiro
Data e horário: 16 de junho, segunda-feira, às 20h
Local: Teatro do Sesi-São Paulo (Avenida Paulista, 1.313 – Metrô Trianon-Masp)
Entrada gratuita
Reservas antecipadas em http://www.sesisp.org.br/meu-sesi
Transmissão ao vivo pelo site www.fiesp.com.br/online

Para ex-jogador Raí, postura ‘arrogante’ da Fifa prejudicou a realização da Copa no Brasil

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Aproveitando a proximidade da Copa do Mundo de 2014, que começa no dia 12 de junho com a partida entre Brasil e Croácia, na Arena Corinthians, o InteligênciaPontoCom, iniciativa do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), reuniu na noite desta segunda-feira (19/05) o ex-jogador do São Paulo Futebol Clube e da seleção brasileira, Raí, e Mário Prata, escritor, jornalista e cronista esportivo, para falar sobre uma das maiores paixões do brasileiro: o futebol.

O encontro entre os dois craques, um dos campos, o outro das letras, foi descontraído. Ambos interagiam e faziam perguntas entre si, como em uma conversa entre velhos amigos.

Raí e Mário Prata: amor pelo futebol. Foto: Hélcio Nagamine/Fiesp

 

Um dos pontos de destaque do bate-papo foi a crítica feita em relação à atuação da Federação Internacional de Futebol (Fifa) durante os preparativos para a Copa de 2014 no Brasil.

Na análise do ídolo sãopaulino, a postura “arrogante” da Fifa criou efeitos negativos para o evento. “O que a Fifa fez jogou contra a Copa, criando um movimento contrário à realização por parte de parcelas da população”, analisou Raí.

Para o corintiano Prata, o processo que culminou com a escolha do Brasil como sede da Copa foi confuso, pois misturou esporte com política, e já demonstrava o rumo que a preparação para a competição teria no país.

“A classe política achou que a Copa fosse do Brasil, para o Brasil. Mas ela é da Fifa”, analisou.  “Além disso, já estava decidido há tempo que o Brasil seria o país–sede”.


Expectativas para a Copa no Brasil

Os dois falaram também sobre as expectativas que têm para o desempenho da seleção canarinho durante a Copa.

Para Raí, o técnico Luis Felipe Scolari conseguiu transformar as manifestações que aconteceram em junho de 2013, “aquela tensão toda”, em algo positivo para a atual equipe.

“O time embalou depois daquilo, durante a Copa das Confederações, e, hoje, tem condições de ganhar”, disse. “Mas se a Copa fosse fora do Brasil, esse time não seria favorito”, opinou o ex-jogador.

Prata revelou certa preocupação com a falta de craques no time atual. “Não temos gênios, com exceção, talvez, do Neymar”, revelou. “Tenho medo”, completou.


A seleção libertadora de 1994

Em seguida, Mário Prata questionou o ex-jogador do São Paulo e da seleção brasileira sobre a Copa de 1994, na qual Raí foi sacado do time pelo então treinador Carlos Alberto Parreira na terceira partida da primeira fase. Segundo Raí, ele acabou sendo o escolhido pela torcida como o principal culpado pela má fase da equipe.

“Aquele time foi muito criticado em 1993, depois que perdemos para a Bolívia, na altitude de La Paz, nas eliminatórias para a Copa dos Estados Unidos. Eu, como capitão, e o Parreira, o técnico, acabamos sendo os principais alvos das críticas”, justificou.

Apesar de criticada pelo futebol “feio”, Raí acredita que a seleção tetracampeã de 1994 ‘libertou’ as gerações posteriores da pressão pela conquista do mundial. “Nós éramos muito pressionados, porque desde 1970 o Brasil não vencia uma Copa. Acho que isso prejudicou duas ótimas gerações, incluindo a de 1982, de Zico, Falcão, Júnior”.


Futebol: mais fantástico que a ficção

Além do futebol, a literatura foi outro ponto abordado durante o encontro. Prata, autor dos livros sobre futebol, ‘Paris, 98!’, publicado em 2005, e de ‘Palmeiras, um Caso de Amor’, de 2002, explicou por que a chamada literatura futebolística é tão rara no Brasil. Ele revelou que considera muito difícil criar personagens palpáveis tendo como pano de fundo o principal esporte nacional.

Para Raí, isso acontece talvez porque o futebol real é mais emocionante do que qualquer ficção relacionada ao esporte. “Tem jogos históricos cujas histórias jamais poderiam ter sido criadas por um roteirista”, opinou o ex-jogador do São Paulo.

O escritor também revelou uma curiosidade sobre sua obra ‘Palmeiras, um Caso de Amor’, que foi adaptada posteriormente para o cinema pelo cineasta Bruno Barreto.  “É um Shakespeare futebolístico”, classificou, fazendo referência à narrativa que acompanha o relacionamento conturbado entre uma palmeirense e um corintiano.

Esse filme, curiosamente, foi um tremendo sucesso em Israel, revelou o autor. “Talvez por eles viverem tão profundamente a rivalidade com os palestinos”.

No próximo InteligênciaPontoCom, Raí e Mario Prata falam sobre futebol

Agência Indusnet Fiesp

Raí é um dos fundadores da Gol de Letra. Foto: Jairo Goldflus

Evento mensal em formato de um bate-papo promovido pelo Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), o InteligênciaPontoCom do mês de maio reúne o ex-jogador e criador da Fundação Gol de Letra, Raí Vieira de Oliveira, e o escritor e jornalista, Mario Prata, para falar de futebol, tema que vai mobilizar a atenção de bilhões de pessoas durante a Copa do Mundo.

O bate-papo acontece desta vez numa segunda-feira (19/05), às 20h, no Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, na avenida Paulista. O evento tem entrada gratuita e também pode ser acompanhado por transmissão online no site www.fiesp.com.br/online

Durante sua carreira, Raí se consagrou ao atuar por clubes como o São Paulo Futebol Clube e Paris St. Germain, na França. Em 1998, criou a Fundação Gol de Letra, reconhecida pela Unesco como instituição modelo no apoio às crianças em situação de vulnerabilidade social. Recentemente, escreveu três livros, sendo um infanto-juvenil. Durante a Copa do Mundo de 2010, que aconteceu na África do Sul, assinou coluna para o jornal francês France Soir com relatos das partidas e dos fatos mais importantes do evento.

Mario Prata: mais de 3000 crônicas. Foto: Divulgação

Em mais de 50 anos de atividade, o escritor, dramaturgo, jornalista e cronista brasileiro Mário Prata acumula 3 mil crônicas e cerca de 80 títulos, entre romances, livros de contos, roteiros e peças teatrais. Na carreira, recebeu 18 prêmios nacionais e estrangeiros, com obras reconhecidas no cinema, literatura, teatro e televisão. Foi correspondente em duas Copas do Mundo, no EUA em 94, onde viu Raí levantar a taça, e na França, em 98.

Sobre o InteligênciaPontoCom

Projeto que aborda temas de diferentes áreas do saber com o objetivo de promover e aprimorar as trocas de conhecimento de forma clara e eficaz, o InteligênciaPontoCom acontece no formato de um bate-papo descontraído entre grandes nomes dos mais variados temas da cultura nacional e o público.

Mensalmente, grandes expoentes da música, cinema, teatro, literatura, artes plásticas e outras manifestações artísticas conversam com o público presencial e on-line, em um bate papo informal no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso, na avenida Paulista.

Serviço

InteligênciaPontoCom – com Raí e Mario Prata.
Data e horário: 19 de maio (segunda-feira), às 20h, com entrada gratuita.
Local: Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso / Teatro do Sesi-SP – Av. Paulista, 1.313 – São Paulo –SP
Capacidade: 456 lugares
Duração: 90 minutos
Recomendação etária: Livre
Entrada franca – A distribuição dos ingressos tem início a partir das 13 horas, no dia do evento. Serão distribuídos dois ingressos por pessoa. Reservas antecipadas pelo site: www.sesisp.org.br/meu-sesi
Informações: (11) 3146-7405/7406

Denise Fraga: ‘Digo aos amigos que estão mal para irem ao cinema’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A noite desta terça-feira (22/04) foi de reverência ao cinema no Teatro do Sesi-SP, na Avenida Paulista, em São Paulo. Isso porque o assunto esteve no centro do debate entre duas mulheres que são referência na área no Brasil: a atriz, produtora e escritora Denise Fraga e a cineasta Tata Amaral. Ambas foram as convidadas do InteligênciaPontoCom de abril, bate papo com personalidades da área cultural promovido todos os meses pelo Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).

“Cinema é como igreja para mim”, afirmou Denise. “Digo aos amigos que estão mal para irem ao cinema”, brincou. A atriz disse ter “imagens doces da sala escura”, memórias trazidas desde a infância. “A arte cinematográfica sempre teve um significado especial para mim, nunca pensei em ser atriz de cinema, vocês imaginem a minha emoção”.

Para ela, a sétima arte é reveladora e capaz de “ler pensamento”. Principalmente se for fruto de uma boa parceria entre ator e diretor. “É ótimo tentar achar a verdade que aquele diretor quer dizer, um jogo de sedução”, explicou. “Essa vontade de acertar na mosca o que o diretor quer é uma delícia”.

Denise, à esquerda, e Tata: parceria afinada no cinema. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Denise Fraga, à esquerda, e Tata Amaral: parceria afinada no cinema. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Parceiras no InteligênciaPontoCom e no filme “Hoje”, que estreou em 2013, Denise e Tata destacaram o trabalho. A película, baseada no livro “Prova Contrária”, de Fernando Bonassi, conta a história de Vera, uma ex-militante política que, depois de se mudar para um novo apartamento, passa a relembrar os anos de ditadura militar que viveu ao lado do marido.

“Quando a Denise topou fazer o “Hoje”, senti, pelo telefone, uma vibração positiva”, contou Tata. “A gente tem encontros com as pessoas na vida e essa foi uma parceria criativa muito forte”.

Segundo a cineasta, atriz tem “generosidade”. “Ela me perguntava como eu queria as coisas, nunca vi um ator fazer isso”, brincou. “Adoro ator, mas às vezes você sente uma inquietação que deixa essas pessoas impermeáveis”, disse. “E a Denise ainda chega na hora, não dá problema”.

Deus mora nos detalhes

A protagonista do filme também não economizou elogios ao trabalho da diretora. “As cenas cresciam muito no set porque a Tata nunca chega com uma proposta dura, engessada”, disse. “Ela, como eu, acredita que Deus mora nos detalhes”.

Segundo Denise, cinema “é uma arte que cabe muito às mulheres”. “Assim como os bordados”, afirmou.

Denise: “cinema é uma arte que cabe muito às mulheres”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Denise: “cinema é uma arte que cabe muito às mulheres”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O saldo dessa parceria afinada foi, de acordo com Denise, a apresentação, nas telas, da personagem “mais dramática e complexa” de sua carreira. “Tenho uma família muito grande e que prefere que eu faça comédia, como grande parte do público, mas as pessoas que foram ver o “Hoje” porque eu convidei levaram para casa coisa melhor do que a comédia que eles estavam esperando”, explicou.

Mesmo afirmando “adorar comédia”, a atriz diz observar uma certa “ditadura” nesse sentido no Brasil. “As pessoas têm medo de gastar dinheiro para ver outra coisa. Até os produtores ficam com receio de investir quando é um drama, achando que não vai render bilheteria”.

Referências nacionais

Atriz conhecida por seu trabalho no teatro, na televisão e no cinema, Denise Fraga ficou conhecida por espetáculos teatrais como “Chorinho”, “Sem Pensar”, “A Alma Boa de Setsuan”, “A Quarta Estação” e “Trair e Coçar é só Começar”.

Na televisão, esteve à frente de diversos programas, como o quadro “Retrato Falado”, no “Fantástico”, na Rede Globo, além de atuar em novelas, humorísticos e minisséries. Seus trabalhos mais recentes foram os seriados “3Teresas” para  o canal GNT e “A Mulher do Prefeito”, para a TV Globo, ambos em 2013.

Já no cinema, trabalhou em mais de 12 longas-metragens no cinema, como “Por trás do Pano”, “Cristina Quer Casar” e “As Melhores Coisas do Mundo”, além do próprio “Hoje”.

Uma das mais importantes cineastas brasileiras, Tata Amaral conquistou mais de 50 prêmios em festivais nacionais e internacionais. Seu filme “Antônia”, inspirou uma série de televisão homônima, indicada ao Emmy 2007, o Oscar da televisão. Com “Hoje”, conquistou seis prêmios no Festival de Brasília e chegou a finalista na categoria Melhor Direção do 10º Prêmio Fiesp/Sesi-SP.

 

Denise Fraga e Tata Amaral falam sobre cinema no próxio InteligênciaPontoCom

Agência Indusnet Fiesp

Atriz, produtora de teatro e cinema e autora de dois livros, Denise Fraga e a cineasta Tata Amaral são as convidadas da edição de abril do InteligênciaPontoCom, bate-papo cultural que acontece mensalmente no Teatro do Sesi-SP. O encontro acontece nesta terça-feira (22/04), às 20h, e tem entrada gratuita.

Conhecida do grande público, Denise Fraga é sucesso no teatro, no cinema e na televisão.Entre os espetáculos teatrais em que atuou, destacam-se “Chorinho”, “Sem Pensar”, “A Alma Boa de Setsuan”, “A Quarta Estação” e “Trair e Coçar é só Começar”.

Na televisão, desenvolveu diversos programas, como o quadro do Fantástico “Retrato Falado”, além de atuar em novelas, humorísticos e minisséries. Seus trabalhos mais recentes foram os seriados “3Teresas” para GNT e “A Mulher do Prefeito” pela TV Globo, ambos em 2013.

Atuou em mais de 12 longas-metragens no cinema, como “Por trás do Pano”, “Cristina Quer Casar”, “As Melhores Coisas do Mundo” e “Hoje”. Em todas as linguagens, Denise conquistou importantes prêmios, como Grande Prêmio Brasil, Festival de Cinema de Gramado, Prêmio APCA, Festival Internacional de Cinema Latino Americano de Havana e o Kandango no Festival de Cinema de Brasília. Atualmente é colunista da Folha de São Paulo e da Revista Crescer.

Uma das mais importantes cineastas brasileiras, Tata Amaral conquistou mais de 50 prêmios em festivais nacionais e internacionais. Seu filme “Antônia”, inspirou uma série de televisão homônima, indicada ao Emmy 2007, o Oscar da televisão. Com o filme “Hoje”, conquistou seis prêmios no Festival de Brasília e chegou a finalista na categoria Melhor Direção do 10º Prêmio Fiesp/Sesi-SP.

Serviço

Denise Fraga + Tata Amaral no InteligênciaPontoCom
Data e hora: 22 abril, às 20h
Local: Teatro do Sesi-SP (Av. Paulista, 1.313 – Metrô Trianon-Masp)
Reservas pelo site Meu Sesi
O evento terá transmissão on-line pelo site www.fiesp.com.br/online
Mais informações no site do Sesi Cultura

Zeca Baleiro no InteligênciaPontoCom: ‘O artista tem que ser um catalisador’

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A sensação era a de estar na sala de casa, batendo papo sem pressa, falando sobre assuntos diversos. Foi assim, em tom de leveza e, principalmente, de quebra de preconceitos, que o cantor e compositor maranhense Zeca Baleiro participou, na noite desta terça-feira (25/03), no Teatro do Sesi-SP, na Avenida Paulista, em São Paulo, da edição de março do InteligênciaPontoCom, bate papo mensal organizado pelo Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP). O encontro foi mediado pela radialista e escritora Patrícia Palumbo, apresentadora do programa Vozes do Brasil, da Rádio Eldorado.

Muito à vontade diante da plateia, Baleiro conversou com os participantes do debate sobre o seu processo de criação, suas muitas referências musicais e o hábito de reverenciar artistas tradicionais na música popular brasileira ao mesmo tempo em que elogia novos talentos. “É divertido e desafiador compor em parceria, já trabalhei com mais de cem parceiros”, disse. “Nunca briguei com nenhum deles, no máximo dei um tempo na relação”, brincou.

Entre os novos artistas que têm chamado a sua atenção, destaque, entre outros nomes, para o catarinense radicado em Alagoas Wado. “Um dos caras mais talentosos da geração que sucedeu a minha”, explicou.

Baleiro e Patricia no InteligênciaPontoCom: parcerias e referências variadas. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Baleiro e Patricia no InteligênciaPontoCom: parcerias e referências variadas. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Por meio de seu selo musical, o Saravá Discos, Baleiro já produziu “uns 18 discos” de caráter mais experimental, como um com poesias de José Chagas, paraibano que vive no Maranhão, cantadas por artistas diversos, ou um disco do maranhense Antonio Vieira, que gravou pela primeira vez depois dos 80 anos.

Sempre em meio a tantas referências, o cantor está em turnê atualmente com um show com canções de Zé Ramalho. “Fui muito influenciado por ele, pelo Fagner, por toda a geração nordestina que se destacou nos anos 1970”, disse. “Conhecer o trabalho dos dois foi como um alumbramento para mim”.

Abaixo o preconceito

Ao longo do bate papo, Baleiro, que já teve as suas composições interpretadas por Simone, Gal Costa e Rita Ribeiro, entre muitos outros, fez questão de destacar que não tem preconceitos em relação a essas e outras gravações. “Já tive músicas gravadas até por Claudia Leitte e pela dupla Rio Negro e Solimões”, contou. “Eu mesmo sempre ponho releituras nos meus discos, gosto muito de interpretar canções alheias”.

Tal opção é mantida mesmo à custa de farpas aqui e ali. “Fui apedrejado quando gravei Charlie Brown Jr”, disse. “Fui chamado de ‘vendido’ e olhe que a gravadora nem queria aquela gravação, eu que quis pegar uma música pesada e trazer para um estilo mais lírico, com violões”, afirmou em referência à sua versão de Proibida pra mim.

A rede predileta

Depois de avisar que só responderia “perguntas inteligentes” porque o nome do evento era “InteligênciaPontoCom”, ele abriu a palavra para a plateia. Foi quando entraram em cena temas como o patrulhamento nas redes sociais. “A rede de que eu mais gosto é uma xadrez que eu trouxe do Maranhão”, brincou. “Não entro nessa, podem me chamar de feio e de burro que eu não estou nem aí”.

Provando que as opiniões alheias não têm qualquer interferência sobre as suas escolhas, Baleiro contou que está produzindo um disco da cantora Vanusa. “Para a geração do You Tube, ela será sempre aquela que errou o hino nacional”, disse. “Mas é preciso lembrar que a Vanusa foi uma das primeiras a entoar hinos feministas no Brasil, é uma grande cantora, com uma excelente presença de palco”, afirmou. “Piada velha continuarem dizendo para ela não errar o hino”.

Baleiro: “Podem me chamar de feio e de burro que eu não estou nem aí”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Baleiro: “Podem me chamar de feio e de burro que eu não estou nem aí”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Perguntado sobre o funk, foi direto na resposta: “adoro”. “Acho muito bom o ritmo, as letras são um capítulo à parte, eu adorava o Claudinho e Buchecha”.

Para o cantor, não existe problema algum em apreciar estilos variados. “Eu consigo gostar tanto da música do Lulu Santos quanto do trabalho do Milton  Nascimento”, explicou. “As duas coisas não são excludentes, mas, nos anos 1980, quem tocasse um baião no meio do show era ridicularizado”.

No fim das contas, para Baleiro, o mais importante é ser fiel “à própria verdade” e viver de acordo com o seu tempo. “O artista tem que ser um catalisador da sociedade”.

InteligênciaPontoCom recebe Zeca Baleiro e Patrícia Palumbo nesta terça-feira (25/03)

Agência Indusnet Fiesp

O debate vai ser bom. Nesta terça-feira (25/03), o InteligênciaPontoCom, bate papo mensal organizado pelo Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), recebe o cantor e compositor Zeca Baleiro e a radialista e escritora Patrícia Palumbo. O encontro será realizado a partir das 20h30, no Teatro do Sesi-SP, no prédio da instituição e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista, em São Paulo. Também haverá transmissão online nos sites do Sesi-SP e da Fiesp.

Zeca Baleiro canta, toca violão e já teve as suas composições interpretadas por Simone, Gal Costa, Rita Ribeiro e O Rappa, entre muitos outros. Nascido no Maranhão, assinou a dramaturgia e a direção musical da peça Quem tem medo de curupira?, exibida no Teatro do Sesi-SP e eleita o melhor espetáculo jovem de 2010 pelo Prêmio Femsa de Teatro Infantil e Jovem. Também escreveu o livro Bala na Agulha – Reflexões de Boteco, Pastéis de Memória e Outras Frituras, que reúne textos publicados desde 2005.

Já Patrícia Palumbo começou a sua carreira nos anos1990 criando uma fórmula pioneira ao reunir notícias sobre música e meio ambiente. Também inovou ao apresentar um programa em que alternava música e informações sobre o trânsito nos horários de maior engarrafamento. É a apresentadora do programa Vozes do Brasil, da Radio Eldorado.

Os ingressos para o evento podem ser reservados com antecedência pelo site www.sesisp.org.br/meu-sesi. Haverá transmissão ao vivo pela internet no www.fiesp.com.br/online.

Serviço

InteligênciaPontoCom – Zeca Baleiro e Patrícia Palumbo

Data: 25 de março, terça-feira

Horário:  20h30

Local: Teatro do Sesi-SP – Avenida Paulista, 1313 (Em frente ao metrô Trianon-Masp)

Entrada gratuita

Uma expedição ao lado de Amyr Klink no InteligênciaPontoCom

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

É impossível não viajar um pouco com ele. Basta ouvir o empresário, navegador, escritor e palestrante Amyr Klink falar da Antártica para se sentir um pouco no continente gelado. Foi o que aconteceu, na noite desta terça-feira (10/12), com os participantes do InteligênciaPontoCom, projeto de debates promovido pelo Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) todos os meses em sua sede, na Avenida Paulista, em São Paulo. Em sua apresentação, a mais concorrida do ano pelo Inteligência, no Teatro do Sesi-SP, Klink falou sobre navegação, barcos, magnetismo e até paixão pelo trabalho.

Amyr já realizou cinco grandes expedições pelo mundo e cada uma delas deu origem a um livro sobre as conquistas e dificuldades por ele enfrentadas. Em sua viagem mais famosa navegou, sozinho, aos dois círculos polares da Terra em uma jornada que durou 642 dias, com 50 mil quilômetros percorridos. A saga foi contada na obra “Paratii – Entre dois polos”.

“Eu descobri a Antártica pelos livros, tenho muito respeito pelos livros”, disse.

Klink no Teatro do Sesi-SP: apresentação foi a que atraiu mais público no ano no InteligênciaPontoCom. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Klink: apresentação foi a que atraiu mais público no ano no InteligênciaPontoCom. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

Para o navegador mais famoso do Brasil, cada chegada ao destino é sempre um “momento muito especial”. “É uma sensação de encantamento e alívio saber que os meses de planejamento, dúvidas e medos ficaram para trás”, explicou. “A Antártica tem um magnetismo sobre quem vai para lá: você pode ir muitas vezes, em várias épocas do ano, sempre vai ser diferente”.

Segundo Klink, a Antártica é “um lugar destinado à paz e à ciência”. “Sempre que vou para lá com as minhas filhas, luto pela paz pedindo para elas brigarem menos”, brincou.

Uma diarista para ajudar

Para quem acha que sobra tempo nas jornadas pelo mar, tempo ocioso, ele explica que não faltam atividades para preencher o dia, como cuidar do barco e de si próprio, preparando as três refeições, por exemplo. “Cheguei a pensar que queria uma diarista para me ajudar”, brincou.

O barco Paratii 2, companheiro nessas expedições, com autonomia de dois anos, foi citado com todo o carinho. “O Paratii 2 levou muitos anos para ser feito, tem soluções muito ousadas e é extremamente simples por outro lado”, afirmou. “Foi feito com o conhecimento de quem depende do mar para sobreviver”.

Ainda sobre o tema barcos, Klink destacou que o Brasil tem a “maior diversidade de tipos de embarcações regionais”. “Por isso fizemos o Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul, Santa Catarina”, disse. “Procuramos mostrar a genialidade que há por trás de estruturas aparentemente simples, como uma jangada da Paraíba com dois mastros ou os saveiros do recôncavo baiano, por exemplo”.

Nessa linha, para o viajante, tecnologia “não é um mundo cintilante de coisinhas eletrônicas, mas a capacidade de usar o conhecimento disponível”. “Praticamente para todo o problema que a gente propor tem uma solução, existe um desafio de superação importante para nós hoje”, disse.

Até o último fio de cabelo 

O saldo de tantas viagens? “Construí um currículo do qual me orgulho bastante”, contou. “Nunca cheguei arrebentado no final de uma viagem e isso é fruto desse empenho que a gente tem, de se envolver até o último fio de cabelo”.

Esse envolvimento, para ele, é fundamental para ter sucesso em qualquer carreira.  “O envolvimento emocional com o trabalho é muito importante”, explicou. “Essa é a escolha mais importante que um jovem tem que fazer: trabalhar com aquilo que ama”.

InteligenciaPontoCom promove bate-papo com Amyr Klink

Agência Indusnet Fiesp

Nesta terça-feira (10/12) o InteligênciaPontoCom recebe o empresário, navegador, escritor e palestrante Amyr Klink. Ele falará sobre a diferença entre aventura e planejamento minucioso e entre voluntariedade e consciência crítica diante de tarefas corriqueiras ou cruciais para o sucesso de um empreendimento.

Amyr já realizou cinco grandes expedições pelo mundo e cada uma delas deu origem a um livro que eterniza as conquistas e dificuldades enfrentadas por ele. Na sua viagem mais famosa navegou, sozinho, aos dois círculos polares da Terra em uma viagem que durou 642 dias, percorreu 50 mil quilômetros e é contada na obra Paratii entre dois polos.

Durante o bate-papo no Centro Cultural da Federação das Indústrias do estado de São Paulo (Fiesp), Amyr Klink deve contar algumas de suas experiências e mostrar como é possível concretizas ideias ao invés de sonhar com o impossível, como se pode construir um barco capaz de realizas as maiores travessias e sustentar a vida em ambientes hostis e inóspitos.

Os ingressos para o evento podem ser reservados com antecedência pelo site www.sesisp.org.br/meu-sesi e também será transmitido ao vivo pela internet no www.fiesp.com.br/online.

Serviço

InteligênciaPontoCom – Amyr Klink
Data: 10 de dezembro, terça-feira
Horário: 20h
Local: Espaço Mezanino (Avenida Paulista, 1313, em frente ao metrô Trianon-Masp)
Entrada gratuita

 

InteligenciaPontoCom promove bate-papo com Emicida; evento acontece na terça (26/11) no Centro Cultural Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Emicida é o convidado especial da edição do dia 26 de novembro do InteligenciaPontoCom, evento que promove bate-papos entre o público e grandes nomes da área cultural. O músico será entrevistado por Paulo Terron, editor da revista Rolling Stone Brasil.

Um dos grandes nomes da música contemporânea brasileira, Emicida vai falar sobre sua bem-sucedida carreira musical, além de outros assuntos da atualidade, que são a base das suas letras.

Seu disco de estreia, “Pra quem já mordeu um cachorro por comida, até que eu cheguei longe…”, de 2009, o rapper paulista vendeu mais de 10 mil cópias. Desde então, vieram outra mixtape, EPs e até turnês internacionais. Em 2013, Emicida lançou seu primeiro disco de estúdio, “O Glorioso Retorno De Quem Nunca Esteve Aqui”.

O evento tem entrada gratuita.

Serviço

InteligênciaPontoCom – Paulo Terron entrevista Emicida
Data: 26 de novembro, terça-feira
Horário: 20h
Local: Espaço Mezanino (Avenida Paulista, 1313, em frente ao metrô Trianon-Masp)
Entrada gratuita

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