Delegado da PF explica atuação do Sisvant no combate ao contrabando

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

O combate ao contrabando também serve para atingir o tráfico de drogas. A afirmação é de Adriano Barbosa, delegado de Polícia Federal (PF) e professor da Fundação Brasileira de Ciências Policiais. Ele participou do seminário “Rastreabilidade de produtos – A ilegalidade e seu impacto na competitividade da indústria brasileira”, realizado nesta quarta-feira (22/10) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544869562

Adriano Barbosa: produto de maior volume de apreensão na Tríplice Fronteira são os pacotes de cigarros. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Com o tema “A repressão à criminalidade organizada transacional: o emprego do Sisvant no combate ao contrabando e ao descaminho”, o especialista apresentou a atuação do Sistema de Veículos Aéreos Não-tripulados (Sisvant) da PF, desde as características de aeronaves até as operações executadas nas fronteiras.

“Nosso objetivo estratégico é prover apoio de inteligência policial. O Vant não é uma ferramenta ostensiva, mas sim de busca de dado negado, de prospecção de dado de inteligência”, explicou Barbosa. “Temos foco na macrocriminalidade, a organizada, que tem tentáculos transnacionais e atinge a indústria.”

Segundo o delegado, a atividade principal da aeronave é buscar e coletar dados e promover vigilância (seguir) e contra-vigilância (ver se está seguindo alguém) de alvos. Essas informações abastecem as equipes operacionais e de análise.

A atuação do Sisvant, com voos iniciados em agosto de 2013, é concentrado na região da Tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai). “Nosso foco principal é repressão ao contrabando, descaminho, tráfico de drogas e de armas.”

Ele destacou que a rota do contrabando é a mesma rota do tráfico. “Por vezes, o mesmo agente criminoso que promove a transnacionalidade do crime de contrabando também vende sua força criminosa para o tráfico de drogas”, afirmou o delegado, apresentando na sequência dados que apontam os pacotes de cigarros como o produto de maior volume de apreensão na fronteira.

“Quando a gente reprime o contrabando e descaminho, não só salvaguarda a indústria nacional e o Tesouro, mas também vidas.”

Barbosa disse que o valor das mercadorias apreendidas em janeiro deste ano, por meio do Vant, totalizou US$ 1.379.000. “O valor mensal de manutenção da aeronave é menos de R$ 500 mil, o que mostra que o investimento compensa”, declarou.

“O estado brasileiro tem ferramental tecnológico necessário para o combate ao crime. Não é suficiente, mas é necessário. Dentro das nossas limitações, estamos avançando e colaborando, para a prevenção e repressão da criminalidade que atinge tão fortemente a economia nacional.”

O seminário “Rastreabilidade de produtos – A ilegalidade e seu impacto na competitividade da indústria brasileira” é organizado pelo Departamento de Segurança (Deseg) da Fiesp.