Autoridades de 12 países debatem na Fiesp a integração da infraestrutura da América do Sul

O bem-estar da população e o pacote de obras de infraestrutura que promova a integração e o desenvolvimento socioeconômico dos países sul-americanos. Estes são os grandes desafios do continente de acordo com o diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Carlos Cavalcanti, em sua apresentação na abertura do Seminário de Infraestrutura da América do Sul – 8 Eixos de Integração, nesta terça-feira (24/03), no Teatro do Sesi São Paulo, na capital paulista.

Participaram do evento a secretária geral da União das Nações Sul-americanas (Unasul), Maria Emma Mejía, e o presidente pro temporedo Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan da Unasul), o ministro Cecilio Pérez Bordón.

“Chegou a hora de encararmos as nossas carências de infraestrutura regional. Não exclusivamente sobre o ponto de vista das agendas nacionais. Precisamos interligar países e regiões fronteiriças, dar eficiência ao transporte de carga e conforto para o transporto de passageiros. Unificar o continente e aproximar, ainda mais, nossos povos. Este é o nosso desafio”, sublinhou o diretor do Deinfra/Fiesp.

Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Deinfra/Fiesp,  na abertura do Seminário da Unasul

Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Deinfra/Fiesp, na abertura do Seminário da Unasul

Segundo Cavalcanti, a realização deste seminário é uma excelente oportunidade para que os 12 países que integram a Unasul possam apresentar, de forma efetiva, sua agenda de projetos para mudar a cara do continente.

Durante o seminário, empresários e representantes de órgãos governamentais da América do Sul discutiram alternativas para ampliar a competitividade dos países da região. Com destaque para a apresentação da agenda de investimentos proposta pelo Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan), da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), que prevê oportunidade de negócios para empresários da região na construção de 31 projetos estruturantes como pontes, túneis, anéis viários, linhas de transmissão, drenagens de rios, gasodutos, hidrovias, rodovias e ferrovias. A estimativa é que a realização dessas obras demande um investimento que pode ultrapassar US$ 21 bilhões.

Além do Brasil, integram a Unasul os seguintes países: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname Uruguai e Venezuela.

Veja aqui a proposta apresentada pela Cosiplan.

Complementariedade energética favorece interconexão na América Latina

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

Eduardo Nery, consultor da Energy Choice

As matérias-primas para produção de energia elétrica se complementam na América Latina, o que representa uma grande oportunidade de diversificação da matriz regional com integração entre os países. Esta foi a conclusão do painel Energia Renovável e Integração: Potencial da América Latina, apresentado por Eduardo Nery, consultor da Energy Choice, no 12º Encontro Internacional de Energia.

O especialista destacou a condição privilegiada da América Latina por seu potencial de geração de energia (particularmente as de fontes renováveis), por sua diversificação, complementaridade e distribuição geográfica. E afirmou que a  “região tem condição de ser autônoma”, porém a integração entre os países é decisiva para criar uma competitividade mais saudável. “Temos o compromisso histórico de desenvolver nossa matriz da maneira mais limpa possível em relação ao que os países ricos fizeram no passado”, destacou.

Nery exemplificou as vantagens naturais do território latino-americano, como a incidência de raios solares, ventos, cursos d’água, cultivos para biomassa, ocorrências de gás e petróleo e reservas de urânio. “Não há grandes superposições, principalmente entre as fontes eólicas e solares. E isso é um ponto extremamente importante a ser explorado, já que favorece enormemente a integração regional”, ressaltou.

Protagonismo

O Brasil, por sua dimensão, está estrategicamente posicionado, não só do ponto de vista geográfico como da oferta de diferentes fontes renováveis e também não-renováveis, avaliou o consultor.

Entre as riquezas naturais brasileiras, Nery destacou os cursos de rios em grandes bacias na Amazônia, enormes áreas de silvicultura que resulta na biomassa, elevada produção de biodiesel, produção de etanol das maiores do mundo, ventos no sul e no nordeste e incidências de fortes raios solares no norte e no nordeste do País – fatores críticos de sucesso em geração energética.

Somam-se a isso as recentes descobertas de petróleo e gás no pré-sal das bacias de Campos, Santos e do Espírito Santo, além das crescentes descobertas de jazidas de urânio, que colocam o Brasil como sexta reserva mundial do mineral.

Leia mais:

Acompanhe a cobertura do 12º Encontro Internacional de Energia

É preciso melhorar planejamento estratégico na integração sul-americana, diz Teitelbaum

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Joal Teitelbaum, do Comitê Rotas de Integração da América do Sul, debate logística intermodal na América Latina

Joal Teitelbaum, presidente do Comitê Rotas de Integração da América do Sul, destacou nesta quarta-feira (15) que está faltando qualidade de pensamentos no planejamento estratégico para a integração sul-americana na infraestrutura de transportes.

Teitelbaum participou do segundo e último dia do 6º Encontro de Logística e Transportes promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “É preciso pensar. Nós estamos, neste momento, necessitando daquilo que é mais importante no planejamento estratégico: a qualidade de pensar”, disse o presidente do Comitê durante mesa de debate sobre logística intermodal na América Latina.

Ele insistiu em um planejamento estratégico compartilhado entre o governo e o setor privado, uma vez que empresas e investidores em infraestrutura precisam de regras transparentes enquanto as agências reguladoras estatais devem cumprir efetivamente o papel de regulação, como acontece no sistema logístico da Inglaterra.

América Latina em último

Teitelbaum citou um estudo comparativo do World Economic Forum (WEF) sobre infraestrutura física no mundo, que mostrou a região sul-americana em penúltimo lugar na logística de rodovias, aeroportos, portos e energia e em última colocação no ranking mundial de ferrovias. “Nós não encaramos isso somente como uma carência, mas como o maior desafio que enfrentaremos na América do Sul.”

Os avanços na integração energética da América do Sul são temas de debate

Agência Indusnet Fiesp,

Planejamento estratégico e investimentos nas matrizes energéticas dos países sul-americanos foram os temas discutidos no painel Integração Energética da América do Sul, durante o 11º Encontro Internacional de Energia Fiesp/Ciesp, realizado nesta segunda-feira (9), em São Paulo.

Carlos Arturo Flórez Piedrahita, secretário executivo da Organización Latinoamericana de Energía (Olade) lade, apresentou um balanço da produção energética dos países sul-americanos, é de 4.520.578 mil barris equivalentes de petróleo (kbep)/ano, sendo as principais fontes de energia o petróleo e derivados (53%), biomassa (15%), gás natural (14%), hidráulica (9%), carvão e derivado (8%) e nuclear (1%), com possibilidades de crescimento nos próximos anos.

“Os países da América do Sul não fazem bom proveito de suas matrizes energéticas”, afirmou o Piedrahita. As soluções apontadas pelo especialista são a criação de benefícios fiscais para as indústrias do setor e a realização de acordos bilaterais entre os países da região.

O desenvolvimento de projetos conjuntos entre Brasil e Bolívia foi o tema apresentado por Carlos Alberto França, ministro conselheiro da Embaixada do Brasil na Bolívia.

O programa prevê a construção de hidroelétricas – partes delas localizadas na fronteira com o Brasil –, que possibilitará a utilização de todo o potencial energético do país, de 40 gigawatts (GW), do qual apenas 1% é utilizado no momento. “O desenvolvimento energético na Bolívia gerará um excedente de gás natural que poderá ser exportado para outros mercados, como o Brasil”, explicou França.

Sinval Zaidan Gama, Superintendente de Operações no Exterior das Centrais Elétricas Brasileiras (Eletrobras), destacou que a América do Sul é a única região do mundo autossuficiente em recursos energéticos.

Segundo ele, para que esse potencial seja utilizado de forma adequada, é necessário que os governos regionais elaborem planos de ações que auxiliem o desenvolvimento do setor, proporcionando a simetria do mercado. “Se os investimentos corretos no setor de energia tivessem sido feitos, a conta de luz dos países da América Latina teriam uma economia de 1 milhão de dólares”, observou.


Cenário internacional
Na palestra sobre o crescimento do setor energético brasileiro, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Adilson de Oliveira, lembrou que a riqueza das bacias hidrografias, a produção de energia renovável e as reservas de pré-sal garantem ao País um papel destaque no cenário internacional. E sugeriu: “O dinheiro arrecadado com a venda de recursos energéticos para outros países do mundo poderia ser revertido em projetos de melhorias sociais”.

Uma forma de facilitar essas negociações, na avaliação do especialista, é estabelecendo regras claras para o valor da venda e o cumprimento total das cláusulas contratuais. “Os países precisam elaborar um documento institucional que garanta ao investidor o cumprimento integral do contrato de serviço independente do campo político”, concluiu.