Brasil e Argentina querem integração industrial

Mariana Ribeiro, de Mendoza, Argentina, para a Agência Indusnet Fiesp

A integração de cadeias produtivas de Brasil e Argentina é um tema que deverá ganhar força na agenda do Ciesp/Fiesp em 2011. A parceria entre empresas dos dois principais países do Mercosul é tida como uma saída para enfrentar as dificuldades impostas pelo câmbio nas negociações internacionais.

Estudo das entidades industriais demonstra que a moeda brasileira está sobrevalorizada em 40% em relação ao dólar, enquanto o iene está subvalorizado também em 40%, o que derruba os preços do produto chinês no mercado e prejudica a competitividade.

Para dar mais um passo na direção da aproximação comercial, o Ciesp levou um grupo de 15 empresários para uma missão empresarial em Mendoza, na Argentina, que ocorreu do dia 30 de novembro até 3 de dezembro.

A província é importante produtora de vinho e azeite e ostenta a segunda maior refinaria de petróleo do país, em Luján de Cuyo. A delegação participa da primeira edição da Expo Pura Energia, que envolve os setores de petróleo e gás, mineração, energia elétrica e fontes renováveis. A agenda inclui uma série de rodadas de negócios com empresários mendocinos, com o objetivo de buscar afinidades comerciais e oportunidades de parcerias.

O diretor de Comércio Exterior e Relações Internacionais do Ciesp, Ricardo Martins, que acompanhou a missão, espera um aproveitamento mínimo de 50% em negócios reais com as rodadas promovidas pela entidade, em parceria com a Fundação ProMendoza.

“A integração comercial é a forma mais rápida de lograrmos uma competitividade maior e atingirmos terceiros mercados, principalmente no momento em que os mercados emergentes estão sendo dominados por produtos chineses. Talvez desta forma o problema da taxa de câmbio passe a não significar tanto”, afirmou Martins.

Complementação industrial

Um dos objetivos da missão empresarial é justamente ser um facilitador desse processo. Ou seja, colocar em contato o que as indústrias dos dois países têm de melhor. O Brasil abre uma oportunidade de aproximação com a pujante indústria de petróleo e gás, especialmente com o projeto da Petrobras, cujo plano de negócios envolve investimentos de R$ 224 bilhões até 2014.

A ideia é buscar na Argentina a expertise e a tecnologia em máquinas e insumos para a cadeia petrolífera, na figura de parcerias ou joint ventures com as empresas brasileiras, que assim possam se capacitar a fornecer para um terceiro. No caso, a Petrobras.

“Eles (Petrobras) compram muita coisa fora do Brasil porque a nossa indústria não tem, mas não compram da Argentina porque ela não tem preço. O produto chinês tem um custo muito mais baixo. A saída é justamente essa: oferecer know-how e tecnologia para a empresa brasileira, e desta forma aproveitar a oportunidade também como provedor. Ganham os dois lados”, apontou Ricardo Martins.

O diretor calcula que os contatos entre brasileiros e mendocinos na missão podem resultar em negócios da ordem de US$ 500 milhões em potencial, dentro do que é esperado para o fornecedor nacional (30% do valor do orçamento) no plano de negócios da Petrobras.