Integração da Infraestrutura na América do Sul é discutida na Fiesp

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Projetos de infraestrutura que interliguem os países sul-americanos já estão em andamento, afirmou ministro João Mendes Pereira, coordenador-geral econômico da América do Sul do Ministério das Relações Exteriores, durante reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, nesta terça-feira (9).

A ideia de interligação física entre os países vem sendo discutida há dez anos pela Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), porém, segundo o ministro, sem muitos avanços. “O fórum forneceu um bom diagnóstico e criou uma cartela de projetos necessários e viáveis, mas não foi capaz de oferecer mecanismos efetivos para viabilidade financeira dos projetos”.

Pereira destacou a atuação recente do Conselho de Infraestrutura e Planejamento da Unasul  (com a participação de ministros dos setores de Infraestrutura e Minas e Energia dos países membros), que tem chamado a atenção dos presidentes das nações para busca de soluções conjuntas e provocado uma benéfica mudança de foco. “Ao invés de pensarmos em construir corredores para a exportação, estamos agora pensando em projetos que provoquem o desenvolvimento sustentável de todos os países envolvidos”.

Participação nacional

Entre os projetos que terão participação brasileira, o ministro destacou: o Guiana-Suriname-Venezuela, o corredor ferroviário biocenânico Brasil-Paraguai-Argentina-Chile, o corredor rodoviário Brasil Bolívia e Chile e o corredor interoceânico Brasil Peru.

Com a pavimentação de estrada Lethern-Linden, na integração Guiana-Suriname-Venezuela, o trajeto para exportação diminuiria de 1.800 km a 500 km. Para a região também estão previstos projetos de aproveitamento hidrelétrica, construção de portos, melhoria na estrada Boa Vista-Caracas e intercâmbio de energia, o que traria novo dinamismo na economia da região, inclusive para o Norte do Brasil.

O corredor ferroviário Brasil-Paraguai-Argentina-Chile é um dos projetos que trará o desenvolvimento do agrobusiness de todos os países, mas tem como maior desafio o alto investimento (cerca de US$ 2 bilhões) demandado no trecho paraguaio.

O embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex Fiesp, relembrou a importância dessa união sul-americana. “É comum ouvirmos críticas ao Mercosul no aspecto comercial, mas, paralelamente, estamos avançando de uma forma estratégica por meio desse programa, que vai além do aspecto comercial, pois tem uma preocupação com o desenvolvimento sustentável e melhorias para as populações locais”.

Barbosa enfatizou que só poderemos enfrentar o medo da “invasão chinesa”, que tem intensificado investimentos na América do Sul, por meio do aumento da nossa competitividade, o que exige a solução de uma série de problemas que enfrentamos internamente.

Câmbio e competitividade

A reunião do Coscex contou também com a participação da professora Vera Thorstensen, diretora do Centro de Comércio Global e do Investimento da FGV-SP. A especialista apresentou um estudo sobre o câmbio praticado por vários países, inclusive pelas grandes potências como Estados Unidos e China, que coloca o Brasil numa posição extremamente desfavorável. Os conselheiros ficaram de analisar o documento, que servirá de apoio ao governo brasileiro para enfrentar a briga nas rodadas da Organização Mundial do Comércio (OMC).