Sesi Catumbi apresenta alternativas de moda sustentável

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

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Leticia Diniz: 'Na moda não há um parâmetro correto para o gerenciamento dos impactos ambientais'. Foto: Helcio Nagamine

Aumentar o tempo de vida útil dos insumos têxteis, adaptando as peças com a inclusão de cores, aviamentos e pedrarias que sejam compatíveis com as tendências da moda. Esta é, na avaliação da designer de moda Letícia Diniz, uma das alternativas que contribuirá para o consumo consciente e, também, para a sustentabilidade do planeta.

O tema foi discutido durante o seminário Sesi-SP Cria Moda Sustentável, realizado nesta terça-feira (13/11) no Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso com a participação de cerca de 120 estudantes do ensino médio da unidade do Sesi Catumbi, em São Paulo.

De acordo com Letícia, o ser humano descarta em média 24,5 quilos de roupa por ano, o que, no seu entendimento, compromete a sustentabilidade do planeta, tendo em vista que uma peça de poliamida (mais conhecida como elastano), por exemplo, demora em média 30 anos para se decompor.

“Na moda não há um parâmetro correto para o gerenciamento dos impactos ambientais”, observou a designer, ao enfatizar o aumento da preocupação dos consumidores com o impacto que determinado produto pode ocasionar ao meio ambiente.

Como exemplo, Letícia apresentou cases de indústrias que adotam práticas sustentáveis no processo de produção.

“O comércio justo visa isso [sustentabilidade], uma abordagem do consumo interligado à postura ética adotada durante todas as etapas do processo de produção”, destacou. E completou: “Quando a gente escolhe uma camiseta made in Brasil, a gente está dando emprego para o cidadão daqui, auxiliando no desenvolvimento do design e da indústria têxtil nacional”.

Empresário consciente

O gerente de resíduos têxteis do Sindicato das Indústrias Têxteis do Estado de São Paulo (Sinditêxtil-SP), Sylvio Tobias Nápolis Júnior, apresentou o projeto Retalho Fashion – iniciativa promovida pelo Sinditêxtil, que promove a coleta de resíduos têxteis das confecções instaladas no bairro do Bom Retiro.

Segundo ele, o material é utilizado por comunidades de catadores da região na confecção fios, forração de automóveis, tecidos, tapetes, sacolas de supermercados, bolsas e roupas.

“Os empresários precisam ter uma mudança de postura. O Brasil não dá valor a nenhum recurso natural. A gente desperdiça água, energia elétrica e todos os recursos naturais”, afirmou.

Nápolis Júnior acredita que o projeto Retalho Fashion é uma resposta antecipada do setor às regras da Politica Nacional de Resíduos Sólidos, que entrará em vigor para as empresas do setor têxtil a partir de 2014.

“Se as empresas não se adaptarem a dar um destino perfeito ao descarte de material, serão multadas. Por isso, é muito importante que estas empresas se preparem”, salientou.

O seminário foi encerrado com a apresentação da 2ª edição do Desfile Eco-Literário, com peças confeccionadas pelos alunos do ensino médio do Centro de Atividades (CAT) do Sesi Catumbi, a partir de conceitos como ecologia, arte, moda, literatura e sustentabilidade.