Vestido de noiva sustentável vence concurso de moda do Sesi-SP

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

A designer de moda Telma Maria Pereira é a grande vencedora do concurso “Sesi-SP cria moda sustentável”, iniciativa do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) que reúne estudantes e profissionais da área de moda com a finalidade de revelar novos talentos e incentivar a aplicação de conceitos sustentáveis à moda comercial. O resultado foi anunciado na noite desta quarta-feira (26/11), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

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Telma Maria Pereira (à direita), abraçada à modelo que desfilou com o vestido de noiva que criou. A peça valeu à designer o primeiro lugar no concurso do Sesi-SP. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Sem medo do desafio de unir glamour e sustentabilidade, Telma criou um vestido de noiva produzido com técnicas ambiental e socialmente responsáveis. “O concurso foi a oportunidade de mostrar que é possível fazer um vestido de noiva usando tecidos reciclados e com sustentabilidade. Consegui juntar minhas duas paixões.”

No vestido de noiva que Telma apresentou no desfile, a sustentabilidade está em cada detalhe. “No meu look usei as ourelas (sobras de tecido), além dos tecidos reciclados fornecidos pela empresa Etex e, na parte da transparência, pesquisei e encontrei uma empresa do Paraná que trabalha de forma artesanal, que incentiva a comunidade local.”

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Vestido de noiva usando tecidos reciclados e emprega uma transparência produzida por empresa paranaense que incentiva a comunidade local. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Formada em Tecnologia e Design de Moda pela Faculdade Anhanguera, a primeira colocada ganhou um manequim para modelagem Propavit, uma máquina de costura doméstica Janome, um kit de costura e moda e um livro de moda da Sesi-SP Editora.

Como finalista, Telma participou dos workshops oferecidos pelo Sesi-SP e elogiou o conteúdo. “Os prêmios que eu ganhei vão me ajudar no ateliê, mas fiquei encantada com a técnica de modelagem que aprendemos no Sesi-SP. É muito prático e vou usar muito no meu trabalho”, contou a vencedora, que usa o reaproveitamento de tecido e a produção artesanal no dia a dia do seu ateliê, especializado em vestidos de festa.

Foi a primeira vez que ela participou do concurso. “Me chamou a atenção por destacar a sustentabilidade, um conceito que eu acredito muito.”

Em segundo lugar, o premiado foi Alan Alves, do Centro Universitário Senac, que apresentou um macacão desmontável e dupla face, o que permite que ele seja transformado em outras pelas como uma bermuda, uma jaqueta ou um colete. Em terceiro, Camila Monteiro, do Senai-SP Francisco Matarazzo, que criou um colete ecofashion, com tecidos reciclados e retalhos, e uma saia midi, feita a partir de uma peça sem uso. Eles ganharam máquina de costura, kit de moda e livro.


Exposição e palestra

Antes do desfile e da premiação, o público que participou do evento teve acesso a uma exposição que mostrou a evolução das máquinas de costura e reuniu manequins e tecidos sustentáveis.

Além disso, pôde acompanhar a palestra Moda e Sustentabilidade, realizada por Nina Braga, diretora do Instituto-E, organização que busca posicionar o Brasil como o país do desenvolvimento humano sustentável.

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Nina Braga, diretora do Instituto-E: moda só faz sentido se ética e estética andarem juntos. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Ela criticou a tendência do “fast fashion”, impulsionada pela produção asiática. “É uma moda que cria desejos artificiais, sem muita reflexão. É algo compulsivo e descartável. Não é um consumo consciente. Com o barateamento da produção, as pessoas não pensam se a camiseta não vai resistir a várias lavagens ou se foi feita por meio de trabalho escravo.”

Como oposição ao fast fashion ou luxo negativo, que tem como base o consumismo e o esnobismo, Nina apresentou os conceitos da moda sustentável (ou o luxo positivo), que traz refinamento, satisfação e respeito, influenciando na moda.

“Para mim só faz sentido se ética e estética andarem juntos. Não consigo achar bonita uma peça que eu sei que envolveu trabalho escravo ou infantil ou foi feita em um processo extremamente poluente”, afirmou.

Nina também falou sobre os projetos do Instituto-E. Entre eles, a pesquisa de materiais sustentáveis que podem ser usados na moda brasileira, como seda orgânica, algodão reciclado, juta e pele de pirarucu.

>> Galeria: veja as fotos da final do concurso ‘Sesi-SP cria moda sustentável