China prioriza mercado doméstico para diminuir dependência externa

Agência Indusnet Fiesp 

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Zhang Ping, vice-presidente do Instituto de Economia da Academia de Ciências Sociais da China. Foto: Foto: Mário Castello

No ano em que completa 60 anos de seu regime comunista com ares de capitalismo pós-moderno, a China decide ampliar seu mercado interno para minimizar o peso que as exportações assumiram na composição de seu Produto Interno Bruto (PIB).

De acordo com Zhang Ping, vice-presidente do Instituto de Economia da Academia de Ciências Sociais chinesa, a opção se deve à forte retração que as vendas de produtos do país sofreram no mercado global em função da crise financeira. Somente no primeiro trimestre deste ano, a queda foi de 40%. Tombo grande para um país cujo PIB é 20% formado por exportações – cada ponto percentual do PIB corresponde a 2,5% do fluxo de vendas externas.

Segundo o economista, que participa do Congresso da Indústria, promovido nesta segunda-feira (28) pela Fiesp e o Ciesp, em São Paulo, ao criar um pacote de US$ 600 bilhões para enfrentar a crise, o governo chinês adotou medidas financeiras e monetárias para incentivar o crescimento interno, com foco no setor de construção civil.

“Esses investimentos vão garantir crescimento nos próximos três anos”, afirmou Zhang Ping. “As políticas financeira e monetária vão dar suporte ao crescimento puxado por novas populações urbanas”, garantiu.

O pano de fundo da decisão é que a China registrou média de crescimento do PIB de 8% nos últimos 60 anos, sendo que após a abertura econômica, realizada há três décadas, a média atingiu 9,7%. O problema é que com a queda das exportações o percentual só voltou a pontuar acima de 8% no terceiro trimestre deste ano. “Crescimento abaixo desse percentual é visto como recessão na China e acima de 11%, é superaquecimento”, explicou o economista.

Agora, o governo chinês aposta na infraestrutura como carro chefe de sua economia. A estimava é que o estoque de recursos para financiamento do segmento da construção civil chegue a US$ 1 trilhão em 2010. “Os investimentos nesse setor vão garantir crescimento e puxar o mercado doméstico”, garantiu Zhang Ping.

Mas Pequim deve reduzir o gasto público ao poucos. “O investimento privado está aumentando e conforme o ritmo vai acelerando, o governo vai diminuindo sua participação. O governo está procurando incentivar o investimento privado e diminuir o gasto publico”, indicou o economista.