Seminário na Fiesp debate Plano de Produção e Consumo Sustentáveis

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebeu na manhã desta quinta-feira (06/11) o seminário “Plano de Produção e Consumo Sustentáveis”. O evento tem realização conjunta com o Instituto Cidade Sustentável (ICS), o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI), com apoio da Braskem, Caixa e Syngenta.

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Paulo Dallari, diretor da Fiesp (ao centro): problema da gestão de resíduos é grave. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp


Na abertura do evento, o diretor titular adjunto do Departamento de Meio Ambiente (DMA), Paulo Dallari, alertou que o problema da gestão de resíduos é grave e que, se nada for feito, pode se converter em uma grande preocupação como a crise hídrica que afeta o estado de São Paulo e outras localidades do país. “A Fiesp estará sempre articulada e apoiando qualquer iniciativa nesse sentido”, disse Dallari, referindo-se ao debate sobre soluções.

Um dos objetivos do evento é justamente debater os principais temas que integram o primeiro ciclo de implantação do Plano de Produção e Consumo Sustentáveis (2011/2014) e revisar os temas que farão parte da segunda etapa, que irá de 2015 a 2018.

De acordo com o presidente do ICS, Paulo Sérgio da Silva, o governo está trabalhando no segundo ciclo do Plano. Ele reforçou que nada é mais é mais atual do que discutir sustentabilidade. “Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), de segunda-feira [03/11], estabeleceu que sob hipótese alguma podemos deixar que a temperatura da Terra passe dos quatro graus até 2100”, informou. “Se não tomarmos uma atitude, uma ação, uma providência, de produzirmos e consumirmos produtos que tenham como base a sustentabilidade ambiental, com certeza as próximas gerações vão sofrer.”

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Ariel Pares, do Ministério do Meio Ambiente: governo aposta muito no instrumento do poder de compra do Estado. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Ariel Pares, diretor do departamento de Economia e Meio Ambiente do MMA, afirmou que nos próximos seis anos, em âmbito global, está em jogo o debate de duas questões importantes: os objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que após 2015 irão substituir os atuais Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM), e as discussões sobre Mudanças Climáticas.

Segundo ele, não se promovem mudanças sem estímulos e promoção. “As empresas ganham porque têm mercado  e têm condições de reagir positivamente em função de oportunidades. E nós ganhamos porque elas contribuem com um processo produtivo que é menos impactante. E com isso ganha a sociedade.”

Pares chamou a atenção para três aprendizados necessários: os instrumentos a serem utilizados, os estímulos podem ser dados pelo governo e, por fim, aprender que esse processo envolve o estabelecimento de uma relação de confiança entre setor público e privado. O governo, destacou Pares, aposta muito no instrumento do poder de compra do Estado.

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Sergio Monforte da CNI: é preciso definir critérios em conversas setoriais. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

As compras governamentais são justamente um dos temas de debates que a Confederação Nacional da Indústria (CNI), vem promovendo com federações e com associações industriais, segundo o representante da CNI, Sergio Monforte.

“Um ponto crítico é a definição de critérios. Quais são esses critérios na prática? Critérios que estão relacionados aos produtos eletroeletrônicos são muito diferentes ao de produtos de limpeza”, argumentou Monforte, propondo diálogos setoriais que também tenham como base estudos científicos que deem substância às discussões.

Monforte disse ainda que no cenário internacional discute-se uma norma ISO 20.400 sobre compras sustentáveis. Para elaborar a posição brasileira, uma comissão da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) vai promover uma reunião no dia 4 de dezembro, no Rio de Janeiro.

Convidado do evento, o vereador por São Paulo Gilberto Natalini disse que o estresse ambiental tem causa. “E a causa somos nós. Então somos nós temos que resolver. Sei o quanto a indústria paulista tem se esforçado para ajudar a resolver isso. A palavra que mais resume isso é conversa e diálogo.”

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