Estabelecimento de marco legal enfrenta dificuldade devido à grande diversidade brasileira

Agência Indusnet Fiesp 

Como vamos reduzir as emissões globais de carbono, em 2009, do patamar de 49 para desejáveis 44 bilhões de toneladas, em 2020, sem o comprometimento da China e dos Estados Unidos?

Este foi um dos questionamentos feitos pelo ex-presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Roberto Messias Franco, e ex-secretário geral da WWF (em Brasília), que também atuou junto ao PNUD e ao Banco Mundial.

Na pauta da reunião do Conselho Superior de Meio Ambiente (Cosema) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada nesta quarta-feira (27), licenciamento ambiental, o custo energético da humanidade e aquecimento global.

Ao tratar da legislação e da sua aplicabilidade, Franco opinou sobre os absurdos que acontecem por falta de conhecimento da realidade brasileira e sua escala grandiosa.

“O Brasil é extremamente diverso. Lidar com a problemática ambiental, social e econômica de São Paulo, Rondônia e Rio Grande do Norte é muito díspar. Quando fazemos um marco legal, conceitual, para o controle ambiental brasileiro, é a coluna vertebral que pode ser mantida para todo o País e com as especificidades que devemos ter. É um grande desafio”, concluiu.

Para Franco, há um passivo importante a ser debatido: os termos de compromisso com o futuro. Para ele, toda atividade humana causa impacto. E exemplificou com números baseados no consumo energético per capita/dia:

  • Homem pré-histórico – 8 mil calorias/dia
  • Agricultor (época de Cristo) – 12 mil calorias/dia
  • Século XIX, com o advento da máquina a vapor – 75 mil calorias/dia
  • Século XX – 250 mil calorias/dia
  • Cidade como São Paulo – 1 milhão calorias/diaO consumo cresce exponencialmente atrelado ao crescimento populacional que se concentra cada vez mais nas cidades. Em 1800, apenas 3% da população mundial viviam em áreas urbanas. No Brasil, 30% da população residiam nas cidades, por volta de 1940, e, no ano 2000, este índice alcançou 82% do total, esvaziando o campo.