“População pede atividades de qualidade”, destaca presidente da Fedeesp

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

No terceiro dia do 2º Congresso Ibero-americano de Instalações Esportivas (21/10), a mesa-redonda Programas Escolares e Comunitários recebeu três debatedores para abordar a relação entre esporte e espaços públicos. Mediado por Cíntia da Silva Ferreira, gerente de Esporte de Participação e Escolar do Sesi-SP, o painel mostrou exemplos de aplicações recreativas e desportivas nas cidades.

O presidente da Federação do Desporto Escolar do Estado de São Paulo (Fedeesp), Luiz Delphino, expôs métodos e metodologias do esporte educacional. Ele destacou alguns programas que proporcionam competições escolares, como o programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte.

Além da participação de várias instituições de ensino nas competições, Delphino frisou um case de sucesso da Fedeesp, as Olimpíadas Estudantis. Promovida em parceria com a Secretaria de Educação de São Paulo, o evento contou com 70 mil alunos em 350 escolas. O órgão investe anualmente mais de R$ 3 milhões na capacitação dos professores.

Outra ação de sucesso é o InterCEUs, realizado em 45 Centros Unificados Educacionais. Ele representa a cena esportiva da periferia de São Paulo e integra educação e esporte. “Existe demanda, e a população pede atividades de qualidade. As estruturas precisam estar equipadas e prontas por conta de uma pressão social, pois as maiores competições esportivas mundiais vão ocorrer num ciclo de sete anos”, pontua o diretor da Fedeesp.

Outros países

Representando a Venezuela, a arquiteta Melissa Parra apresentou espaços públicos de uso comum da cidade de Barquisimeto (330 km de Caracas). Mecanismos de integração social, ela afirmou que os parques necessitam da potencialização do seu uso pela falta de planificação de atividades.

Segundo Melissa, em Barquisimeto existem vários espaços recreativos que surgiram nos últimos dez anos, como o Parque Tematico Bosque Macuto. Fruto da recuperação das áreas comuns da cidade, as praças e parques infantis do município fazem parte do plano de assistência integral ao cidadão.

Melissa explicou que o espaço comunitário representa um cenário ideal para as relações do coletivo de um lugar. “As melhorias na integração social dependem das possibilidades dos encontros e intercâmbio entre as pessoas”, afirmou.

Já o chileno Fernando Sotomayor Ganetón, arquiteto em Gestão Esportiva, apontou que nos programas escolares e comunitários de seu país o problema principal é a subvalorização dos espaços. Como marco teórico, ressalta que a macro participação esportiva entre os setores da sociedade e o governo é fundamental para inverter este quadro.

De acordo com Ganetón, 70% das escolas do Chile tem de 1 a 2 recintos esportivos e é necessário aproveitar estes espaços quando ociosos, além de delimitar as áreas para diferentes usos. “O crescimento urbano faz com que a população procure mais áreas verdes para praticar esportes, daí surge a necessidade de aplicar novas tecnologias e reformar instalações existentes”, conclui.

Sedentarismo será a principal causa de morte do século XXI

Elcio Cabral, para a Agência Indusnet Fiesp

Na tarde da quinta-feira (21), o 2º Congresso Ibero-americano de Instalações Esportivas e Recreativas (Cidyr) promoveu no Teatro do Sesi São Paulo a mesa-redonda A Gestão de Espaços e o Ambiente Laboral: Desafios para as empresas no Século.

Convidados para o evento, o médico do trabalho Jorge Miranda, idealizador do programa de qualidade de vida da Arcelor Mittal, chamado Pró-Vida, e a doutora Nair Ackermann Bochard, diretora do Centro Recreativo e Esportivo do Ministério de Turismo e Esporte do Uruguai e coordenadora Regional dos Centros de Atividades dos Bairros da Secretaria de Esportes da Secretaria Municipal de Montevidéu, falaram sobre os problemas ocasionados pelo sedentarismo.

Saúde

Ao abrir sua explanação, o doutor Miranda sublinhou: “Trabalhar com qualidade de vida é trabalhar com comportamento humano”. Ele ressaltou os benefícios de se realizar um programa sério aos funcionários da metalúrgica para a qual trabalha.

O médico apresentou dados de um estudo realizado em 2003 pela a Universidade de Stanford, da Califórnia, nos Estados Unidos. A entidade mapeou os principais fatores que influenciam na causa da mortalidade humana.

Segundo a pesquisa, 53% das causas estão ligadas ao estilo de vida. Ou seja: o sedentarismo, a alimentação incorreta e o uso de drogas como álcool e cigarro. Os outros fatores são: meio ambiente, com 20%; genética, 17%; e qualidade no atendimento da saúde, 10%.

Baseado nessas informações, Miranda afirmou que o sedentarismo será a maior causa da redução da expectativa de vida neste século – contando com a iminente queda do tabagismo.

Para concluir, ele destacou a necessidade de se criar metas para os funcionários, ao focar o trabalho da qualidade de vida na empresa. “Quem não cumpre essas metas recebe um valor um pouco menor na participação dos lucros”, explicou.

Experiência uruguaia

Bochard versou sobre o trabalho que desenvolve no país vizinho: o incentivo à prática esportiva, com foco nas crianças, mulheres e pessoas da terceira idade. Segundo a doutora, o pai passa para o filho a conduta que tem em relação à saúde. Por isso, desde 1990 o governo do Uruguai incentiva a prática esportiva essencialmente em crianças promovendo a interação comunitária.

“Não são esportes de alto rendimento ou competição, mas sim atividades físicas que dão prazer e ajudam a manter a saúde”, pontuou.

Como a verba é sempre um problema, Bochard disse que a solução foi utilizar os espaços públicos, como praças, parques, ruas e praias. “Montevidéu tem 25 quilômetros de orla, e nós aproveitamos isso para criar diversas atividades.”

Cidyr

A abertura do Congresso aconteceu oficialmente na terça-feira (19) e o evento se estende até esta sexta-feira (22). Na pauta estão discussões e apresentações de projetos para infraestrutura de megaeventos, como a Copa do Mundo de 2014, que será em diversas cidades brasileiras, e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

Serão cerca de 40 palestras proferidas por profissionais de todo o mundo, que trazem sua experiência para que haja boa orientação de como se deve fazer antes e depois desses eventos.

Para mais informações sobre o evento, clique aqui.

Projeto de Londres transformou aterro sanitário em parque olímpico sustentável

Celso Lopes, Agência Indusnet Fiesp

No último dia do 2º Congresso Ibero-Americano de Instalações Esportivas e Recreativas (Cidyr), que aconteceu na sede da Fiesp, o aguardado tema “Mega Eventos Esportivos” trouxe novas perspectivas para a realização de jogos olímpicos e entusiasmou o público que lotou as dependências do Teatro do Sesi São Paulo.

Para começar, Gustavo Nascimento, especialista em Arquitetura de Instalações Esportivas dos Jogos Olímpicos Rio 2016, explicou que o projeto de um parque olímpico na região ainda encontra-se em fase de análises. Mas adiantou que não apenas as exigências do COI serão atendidas como todas as necessidades dos atletas.

“A partir daí teremos o desenvolvimento do projeto. As obras começarão em junho de 2011 e serão concluídas no primeiro trimestre de 2015”.

Nascimento sublinhou que uma série de fatores está sendo considerada nesta fase de análises: “Temos que estar atentos ao legado que a Rio 2016 pretende deixar à sociedade, mantendo-se sustentável do ponto de vista financeiro, ambiental e operacional até 2050.”

Mensagem

Outro fator é tentar transmitir, por meio do evento, uma ideia de transformação da juventude. Gustavo explicou que, assim como a China mandou seu recado com conteúdo extremamente político a bilhões de pessoas em todo mundo, ao construir um estádio em forma de ninho de ave, o Brasil pretende fazer o mesmo.

“Não estamos tentando representar isso da mesma magnitude, mas da mesma maneira que a China passou essa mensagem nós temos a nossa – uma mensagem de sustentabilidade e de transformação social e do esporte”.

O especialista adiantou que há muitos planos para tornar a Rio 2016 um evento bastante acessível às pessoas: “Existe um projeto de uma ‘trans-olímpica’ com seis faixas e que ligará o centro do Rio à região da Barra da Tijuca, e também funcional, com segurança e qualidade da competição”.

Legado

Medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Caracas (1983) nos 800 e 1.500 metros, Agberto Guimarães, atual diretor de Esportes do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos da Rio 2016, observou que o País ainda não tem um centro de treinamento que abrigue diversas modalidades e possa trocar informações com inúmeros profissionais.

Segundo ele, o grande legado dos Jogos Olímpicos do Rio será a construção de um centro olímpico que resultará em um parque olímpico.

“Para nós que vamos organizar esse megaevento, seria muito simples se nos concentrássemos apenas no planejamento e nas instalações, pensando unicamente nos eventos de 2016. Mas não pretendemos isso. Queremos que nossos atletas treinem no local antes e após os Jogos e tenham o mesmo nível de qualidade de seus adversários. Este é o grande desafio.”

Para Agberto Guimarães, tão importante quanto a construção do centro de treinamento é a qualificação de profissionais que conduzirão esse trabalho.

“Isso é fundamental para que possamos competir no mesmo nível de outros países. Existem centros de treinamento que já alcançaram resultados fantásticos, como o Australian Institute of Sport (AIS), em Camberra, Austrália, e o U.S. Olympic Training Center, em Colorado Springs, Estados Unidos. Eles são, de fato, um exemplo”, destacou.

Transformação

O 2º Cidyr foi encerrado em grande estilo, com a presença de Dan Epstein, diretor de Sustentabilidade dos Jogos Olímpicos de Londres.

Segundo ele, os organizadores não idealizaram o evento para durar três semanas. Mas desenvolveram infraestrutura pensando no bem da comunidade mais simples nos próximos 100 anos. “O legado de 2012 será entregue à cidade de Londres”, destacou.

Localizado em Stratford, leste da cidade, na área pobre da capital britânica, o Parque Olímpico de Londres foi criado a partir de um aterro sanitário, onde a população local despejava dejetos e outros lixos em um rio totalmente poluído.

“Era um lugar simplesmente deplorável. Foi um grande desafio”, lembrou Epstein, mostrando um slide de como está o parque hoje: “Lindamente irreconhecível”, ressaltou.

Reciclagem

De acordo com o diretor, 99% do material no parque foi todo reciclado e transformado em matéria-prima. Nada foi desperdiçado. Até a vida animal que havia por lá foi transportada para outro local e depois reposta, após o processo de limpeza e despoluição do rio.

Epstein sublinhou que, para ligar a comunidade com o parque, foram construídas pontes que permitiram a ideia de integração. Além disso, uma empresa privada criou – ao custo de 60 milhões de libras e direito de fornecimento de energia por 40 anos – um centro de energia que dispôs tubos de seis quilômetros de extensão, para fornecimento de água à população.

Dentro do parque está sendo erguido o Estádio Olímpico de Londres, todo ele construído em aço. Terá capacidade para 80 mil lugares durante os Jogos – e 25 mil depois dos Jogos. E estará pronto em 2011.

Conclusão

Atualmente, a capital inglesa concluiu 70% das obras para sediar os Jogos Olímpicos de 2012, e estima o fim do projeto de melhorias para julho de 2011. Conforme Epstein, os custos para a realização dos Jogos (2 bilhões de libras esterlinas) estão sendo financiados a partir da iniciativa privada, através de patrocínios, merchandising, venda de ingressos e de direitos de mídia.

Para ajudar a financiar o custo dos Jogos Olímpicos de Londres, os organizadores acordaram com grandes empresas. Entre elas, Tier One, Lloyds, TSB, EDF Energy, BT, British Airways, BP, Nortel, Adidas, além de uma parceria com o Youtube.

Instalações públicas esportivas no Brasil, Equador e Portugal são debatidas no Cidyr

Celso Lopes, Agência Indusnet Fiesp

O brasileiro Eduardo Castro Mello, o equatoriano Ramon Gomes Castillo e o português Dimas Pinto – três dos maiores especialistas mundiais em instalações esportivas e recreativas com foco em instalações públicas – apresentaram um cenário do setor durante o 2º Congresso Ibero-americano de Instalações Esportivas, realizada na Fiesp até esta sexta-feira (22).

Com inúmeros prêmios no currículo, Eduardo Castro Mello é um dos profissionais em atividade que mais tem se empenhado para que o Brasil desenvolva estruturas sustentáveis voltadas à formação do atleta brasileiro, descartando a necessidade de buscar centros de treinamento no exterior.

Ele mostrou alguns projetos que resultam, atualmente, em obras arrojadas e modernas para a Copa 2014, como o estádio do Maracanã (Rio de Janeiro), a pista de atletismo do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa (São Paulo) e o fitness center do Alphaville Tennis Clube (São Paulo).

O que mais chamou atenção, porém, foi um vídeo sobre o projeto do Estádio Nacional de Brasília, antigo Mané Garrincha, que foi demolido e, desde agosto, está sendo transformado em uma arena multiuso, totalmente sustentável, com capacidade para receber até 76 mil pessoas, seguindo as rigorosas exigências da Fifa.

De acordo com Castro Mello, o estádio cujas obras estão previstas para terminar no final de 2012 será um dos destaques para a Copa de 2014 e mostrará ao mundo que a capital do Brasil é Brasília. “É uma questão de valorização de nosso País”, observou.

Elefantes brancos

O arquiteto equatoriano Ramon Gomes Castillo pontuou sua apresentação com várias críticas à infraestrutura esportiva de seu país: “Mais de 2 milhões de equatorianos precisam de atividade física e não têm espaço adequado para isso.”

Segundo ele, algumas instalações foram mal planejadas para uso social após os eventos e se tornaram elefantes brancos. “Existe uma desproporção significativa em relação ao uso dessas instalações pela população e seus usuários”, sublinhou.

Castillo contou que, durante os anos 80, foi gasto muito dinheiro na construção de mais de cem coliseus que se transformaram em verdadeiras “bombas de tempo” nas últimas décadas. “Esses espaços ficam parados, sem utilização, e ilustram falta de planejamento. Muitos deles já entraram em colapso há muito tempo.”

Na avaliação do arquiteto, muitas das obras para fins esportivos realizadas no Equador foram concebidas sem análise prévia de objetivos finais ainda na fase de planejamento, revelando criatividade bastante escassa quanto ao projeto em si. E complementou que 80% da infraestrutura esportiva do país ficou concentrada em Guayaquil, Quito e Cuenca, setores urbanos.

Castilho criticou também a iniciativa privada que apenas investe em futebol: “Prefiro não me estender nesse assunto. Futebol é uma empresa, um tipo de negócio e atrai mais os empresários.”

Segundo o arquiteto equatoriano, o regime atual de governo está gerando leis que causam alguns empecilhos para a mudança do quadro que se apresenta. “Estamos à espera de uma regulamentação definitiva para o setor de infraestrutura esportiva”.

Mas ele acredita que a situação pode melhorar com a transferência do aeroporto de Quito para a cidade de Tababela, transformando-se em um grande parque e pulmão verde para a cidade. “É um grande estímulo, e pode gerar novas propostas para infraestrutura esportiva no Equador.”

Cauda da Europa

Dimas Pinto iniciou sua apresentação afirmando que, apesar da importância do aumento significativo do número e variedade de instalações esportivas, Portugal continua na “cauda da Europa” no que se refere à participação no esporte.

Ele mostrou dados para corroborar sua tese: “Cerca de 32% da população pratica esporte, no entanto, apenas 9% o fazem com regularidade e, o mais alarmante, 55% dos portugueses estão totalmente inativos.”

O vice-presidente da Associação Portuguesa de Gestão de Desporto sublinhou que o problema português não é a falta de equipamentos desportivos e, sim, a de praticantes.

Em relação à necessidade da construção de instalações sustentáveis no país, Dimas Pinto considera que isso é fundamental para seu país, especialmente dos pontos de vista econômico, social, ambiental e cultural.

O problema, segundo ele, porém, tem estado na construção de instalações muito formatadas nas práticas esportivas tradicionais, nem sempre de dimensões adequadas à procura local e à evolução do esporte. Faltam estratégias e programas que utilizam de forma sustentável as condições naturais existentes”, alertou.

De acordo com Dimas Pinto, não existe uma política esportiva governamental clara e com objetivos concretos a curto, médio e longo prazos em Portugal.

Para ele, a regulamentação da edificação e o uso dos espaços e infraestruturas para as atividades físicas e esportivas, assim como as políticas de financiamento, não têm sido suficientes para garantir uma política integrada, com base em critérios de distribuição territorial equilibrada, de valorização ambiental e urbanística e de sustentabilidade econômica, visando à criação de um parque esportivo diversificado e de qualidade para a população.

Dimas observou, ainda, que faltam especialistas para acompanhar todas as fases de planejamento das infraestruturas desportivas. E isso é um dos fatores que mais preocupam.

É preciso utilizar o tempo livre em práticas esportivas e na formação da pessoa

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

“O tempo livre é um container a ser preenchido”, disse Geoffrey Godbey, da Penn State University (Estados Unidos), professor e consultor, ao tratar do tema Instalações de Esporte e Lazer para Todos, na continuidade dos trabalhos do Cydir – 2° Encontro Ibero-Americano de Instalações Esportivas e Recreativas realizado na Fiesp.

Godbey criticou o sedentarismo e o fato de o homem ser cada vez mais espectador em jogos esportivos. Ele defendeu a formação de um cidadão complexo, capaz de responder a diversas ações. E lembrou a frase ouvida certa vez de um técnico brasileiro: “Não é dar o que as pessoas querem, mas sim o que podem aprender a querer”.

O professor citou um caso de sucesso ocorrido na Filadélfia, quando afro-americanos passaram a praticar tênis ao invés do basquete, exemplificando a importância do espelhamento, ou seja, perceber que aquela modalidade esportiva também era apropriada para si mesmo.

Em termos de inclusão, alertou o quanto é fundamental incluir as mulheres nas atividades e por dois bons motivos. Primeiro, elas são cada vez mais presentes nas universidades e no mercado de trabalho. E, em segundo lugar, geralmente levam o marido para as práticas físicas. A atenção também deve se voltar os mais idosos, pessoas portadoras de necessidades especiais e minorias.

Envelhecimento populacional

O convidado internacional questionou se os países realmente se preparam para o futuro, quando a população será majoritariamente idosa e precisará preservar a mobilidade e independência.

Assim, as instalações e práticas esportivas e de lazer para todos deveriam ser reposicionadas como um serviço de saúde não só em função do envelhecimento, mas também devido à obesidade, ao sedentarismo, tabagismo, uso de drogas ilegais e Aids.

Quanto aos jovens, revelou que a média norte-americana é de 40 horas semanais em frente a algum tipo de tela – computador, TV, celular –, por exemplo, esquecendo-se a importância de brincar com parentes e vizinhos.

“O lazer se dá cada vez mais de forma individualizada. Somos escravos da mídia eletrônica, apesar de se pregar uma revolução no campo do conhecimento”, avaliou.

Para encerrar, o especialista em esportes defendeu a epigenética – ciência que estuda a remodelação dos genes em função do comportamento humano em seu dia a dia.

Nesse sentido, o “bem-estar” incorpora o psicológico, intelectual, social e espiritual, bem como o físico. “Quem ajuda o próximo e mantém o bom humor celebra mais a vida”, encerrou.

Falta de planejamento a longo prazo prejudicará o lazer em 40 anos

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

O lazer deverá ganhar tratamento de mercadoria em 40 anos, conforme defendeu o consultor Antonio Carlos Bramante. Ele participou nesta quarta-feira (20) do 2º Congresso Ibero-Americano de Instalações Esportivas (Cidyr), que o Sesi e a Associação Internacional de Infraestruturas Desportivas estão realizando até sexta-feira (22), em São Paulo.

“O lazer idealizado de hoje dará lugar ao ‘mercolazer’, conforme defendem alguns teóricos”, disse Bramante. “É crescente o esvaziamento de pessoas nos espaços de lazer”, disse.

O consultor lembrou que Brasil está se tornando um país totalmente urbano, com 80% da população morando em cidades. Entretanto, mesmo com a tendência de ocupação das zonas urbanas, Bramante acredita que os espaços para lazer deverão diminuir.

Diversão

A arquiteta Patrícia Totaro, especialista em ambientes de academias de ginástica, aposta que até 2054 – ano que foi desenhado para a palestra, quando São Paulo completará 500 anos – a proposta de diversão vai superar o exercício físico nestes estabelecimentos.

Ela defende que nos próximos 40 anos, as academias levarão em conta aspectos tecnológico e social e a sustentabilidade em seus negócios. “É possível que até 2054 a energia dos prédios seja gerada por meio dos próprios exercícios físicos”, pontuou.

O debate foi coordenado pelo diretor de operações do Sesi, César Callegari, destacou que a proposta do painel é “avaliar nossas possibilidades e desafios nos próximos 40 anos”. Segundo ele, é preciso ter a perspectiva de pensar políticas públicas e envolver a participação do setor privado.

Brasil investe em infraestrutura esportiva, mas gargalo está na gestão dos equipamentos

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Sediar as Olimpíadas em 1976 levou Montreal a arcar com um déficit de US$ 223 milhões, zerado apenas no ano de 2000. Desta forma, a gestão eficiente dos equipamentos é fundamental quando se trata de grandes eventos esportivos.

A opinião partiu de José Montanaro, Gestor Técnico de Voleibol do Sesi-SP, que supervisiona as categorias de base e integrou a equipe brasileira nos Jogos Olímpicos de Los Angeles (1984). O esportista participou do 2º Congresso Ibero-Americano de Instalações Esportivas e Recreativas (Cidyr), na quarta-feira (19).

Como mediador da mesa-redonda Planejamento e administração esportiva e recreativa–Foco na gestão dos serviços em consonância com a construção de instalações, Montanaro questionou as condições atuais dos equipamentos após o Pan de 2007, no Rio de Janeiro: “faltam escolas no entorno dos aparelhos projetados para esportes de alto rendimento”.

Já Alexandre Pflug, à frente do Departamento de Esportes e Lazer do Sesi-SP, frisou a necessária adaptação da metodologia às especificidades de cada região com foco na qualidade dos serviços oferecidos.

Pflug citou como exemplo o Programa Atleta do Futuro (PAF), idealizado pelo Sesi em parceria com a Unicamp, em 1991, e remodelado com a Unesp, em 2002. O resultado atual, além da forte parceria estabelecida com diversas prefeituras, é o atendimento de 40 mil alunos, na faixa de 6 a 17 anos, em 53 unidades do Sesi-SP e em 82 cidades paulistas, envolvendo 60 empresas industriais. Pflug dimensionou o maior ganho do projeto: envolvimento da comunidade e inclusão devido às práticas esportivas.

O arquiteto urbanista Juan-Andrés Hernando López, envolvido com o novo Módulo Desportivo do Centro de Alto Rendimento de Sant Cugat del vales (Barcelona/Espanha), lembra que os problemas de gestão não estão restritos ao Brasil. Na Espanha também se investe pouco em manutenção. “Nós comemos todos os dias e a instalação também se desgasta” e precisa de atenção permanente, disse López, fazendo uma analogia.

Nos últimos oito anos, o governo federal investiu cerca de R$ 2,9 bilhões em infraestrutura esportiva, segundo informou Ricardo de Avellar Fonseca, gerente de ação de implantação de Centros de Treinamento do Ministério do Esporte.

O gargalo, segundo o especialista, está na gestão e capacitação de profissionais, apesar do potencial competitivo e de marketing que o esporte oferece. Outro problema detectado é o comprometimento da sustentabilidade do equipamento construído, além dos serviços oferecidos aos usuários.

“Copa do Mundo vai além dos estádios”, afirma jornalista especializado

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Que o futebol é o esporte mais popular do mundo, não há dúvidas. Entretanto, a pergunta que paira no ar é: o Brasil, país-sede da próxima Copa do Mundo, estará preparado para receber o mundial em 2014?

Para analisar esta e outras questões relativas ao tema, o 2° Congresso Ibero-Americano de Instalações Esportivas e Recreativas que acontece até sexta-feira (22), convidou duas autoridades em futebol para o painel Mega Eventos Esportivos – Copa do Mundo.

Sérgio Miranda Paz, doutor em Turismo e pesquisador de futebol, e o jornalista e criador da publicação Máquina do Esporte, Erich Beting, falaram sobre suas experiências em Copas do Mundo nas quais estiveram presentes e revelaram detalhes estruturais do maior evento do esporte do mundo.

Pedaladas

Se na Copa da Alemanha em 2006 o atacante Robinho não anotou nenhum gol, quem pedalou de verdade foi Sérgio Miranda Paz. Torcedor presente às últimas quatro Copas, decidiu pela primeira vez levar uma bicicleta para se locomover nas cidades alemãs durante o mundial, tendo repetido o feito sobre duas rodas também na África do Sul.

De acordo com ele, ao contrário da Alemanha, o transporte urbano nas cidades sul-africanas é muito deficiente. “A população local utiliza majoritariamente os carros”, frisou. Mas isso não foi obstáculo para ele, que pedalou 700 quilômetros pelo país durante a Copa.

Sérgio chama a atenção para a utilização dos estádios após o término da competição, já que a maioria foi construída especialmente para a competição. Construídos com verbas federais, os municípios não querem arcar com o ônus da manutenção das arenas. “Como alternativa, elas são utilizadas também para eventos, como casamentos e aniversários”, revela o pesquisador.

Além da bola

Com a experiência da cobertura jornalística das últimas duas Copas, Erich Beting sinaliza que por conta do evento, a economia dos países-sede cresce muito mais que o previsto.

Em 1997, a Alemanha já projetava para a Copa de 2006 cerca de 340 mil turistas. Eles injetariam 1 bilhão de euros em consumo ao longo do mês do mundial e, nos setores de construção e turismo, outros 3,5 bilhões de euros.

Pelo fato de o país já ter estrutura para receber o evento, em 2007 vem a constatação: 3,5 milhões de turistas e 3,4 bilhões de euros de receita, muito acima do esperado.

Já a África do Sul estimava investimentos de 3 bilhões de dólares para investimentos em estádios e mais 23 bilhões de dólares para infraestrutura geral. Na realidade, foram gastos 6 bilhões de dólares na construção dos campos esportivos. “Além disso, houve problemas graves com o cronograma de entrega das obras, principalmente as de infraestrutura das cidades”, afirmou Beting.

Brasil 2014

Para a próxima Copa, a projeção atual de investimentos é de 9,5 bilhões de dólares. Erich Beting destacou que este valor será maior e poderá chegar a 18 bilhões até 2014 em aportes esportivos e locais, com recursos do Governo Federal: “A estimativa é que 75% desta conta sejam pagas pelos cofres públicos”, prevê. Ele afirma que ainda há muitos gargalos em relação à infraestrutura no Brasil.

Problemas como rodovias esburacadas, aeroportos sucateados e déficit da rede hoteleira devem ser sanados o quanto antes. “O mundial vai além dos estádios, pois serão necessários também 32 centros de treinamento para as seleções, que atendam às exigências da Fifa”, frisa o jornalista.

Beting conclui que os Jogos Militares, os Jogos Mundiais dos Trabalhadores e, principalmente a Copa das Confederações em 2013 servirão de termômetro para o evento do ano seguinte. ”Haverá nos próximos quatro anos um tsunami de acontecimentos no Brasil para a Copa do Mundo e que servirão também aos Jogos Olímpicos”.

Profissionalização de ex-atletas de alto rendimento é discutido em congresso

Celso Lopes, Agência Indusnet Fiesp

Giovane Gávio, bicampeão olímpico e mundial de voleibol, e José Alves dos Santos Neto, auxiliar técnico da seleção brasileira masculina de basquete, participaram nesta quarta-feira (19) da mesa redonda sobre Planejamento e Administração Esportiva e Recreativa. O foco do debate foi a profissionalização de ex-atletas e o tema é parte do 2º Congresso Ibero-americano de Instalações Esportivas e Recreativas, que acontece na Fiesp até sexta-feira (22).

Gávio, que começou a atuar como técnico a partir de 2005, após um período bem-sucedido de conquistas na seleção brasileira, acredita que a valorização desses profissionais no mercado é de extrema importância, pois não são apenas ex-atletas, mas pessoas com uma extensa bagagem prática no esporte e que podem agregar conhecimento teórico por meio de faculdade ou cursos.

Neto concorda com o colega e acrescenta que o governo deve potencializar condições para que o atleta possa ter conhecimento teórico a fim de seja um profissional do esporte em sua totalidade.

Giovane observa que a profissionalização é uma iniciativa própria do atleta. Complementou dizendo que órgãos como o Ministério dos Esportes e o COB vem desenvolvendo ferramentas que viabilizam oportunidades a esses profissionais: “É fundamental para o futuro do atleta ter uma formação de base. Assim ele colherá frutos do seu esforço”.

Formação

Questionado sobre seu futuro daqui a dez anos, Giovane disse que pretende continuar atuando como técnico, porém com maior experiência teórica embasada pelo curso de educação física que faz atualmente na faculdade paulista Uninove:

“Conhecimento é um fator que precisa constantemente ser adquirido, independentemente de idade e da atividade que desenvolvemos. Com certeza, o curso me proporcionará mais segurança nas questões técnicas que aparecerão a todo momento. Eu aprenderei muita coisa que ainda não vi por meio da universidade. Importante é investir em si mesmo, sempre”.

Evolução das instalações esportivas é tema do 2º Cidyr

Elcio Cabral, para a Agência Indusnet Fiesp

O vice-secretário da Federação Francesa de Atletismo e arquiteto do Ministério Francês da Saúde e do Esporte, François-Emmanuel Vigneau apresentou, na manhã da quarta-feira (20), a palestra Tendências da Gestão das Instalações de Esporte e Lazer, no 2º Congresso Ibero-americano de Instalações Esportivas e Recreativas (Cidyr), no Teatro do Sesi.

Vigneau versou sobre o progresso das instalações esportivas do país europeu desde o final do século XVIII, com a finalidade de “compreender o esporte e entender as perspectivas de sua evolução”.

Características

O Vigneau afirma que o esporte tem por característica evolução e diversificação. No século passado, o público praticante era de jovens do sexo masculino, voltado à competição. Hoje a preocupação é disponibilizar estrutura adequada em todas as faixas etárias, desde crianças até terceira idade, sem se esquecer dos deficientes físicos.

“Crianças e idosos são mais frágeis, e os equipamentos destinados a eles tem de ser mais seguros”, ressaltou. “Estimamos que, atualmente, metade da população francesa pratica algum tipo de esporte”, concluiu o vice-secretário. Ele informou também que o esporte é responsável por 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) e por cerca de 375 mil empregos diretor e indiretos.

Passado e futuro

Nos anos 60, o governo francês percebeu a necessidade de criar espaços de convivência voltados ao lazer e esporte, principalmente nas periferias. Ele aproveitou a geografia local e usou lagos para desportos aquáticos, cercados com aparelhos destinados a outros tipos de atividade, como quadras e raias para corrida. “Eram parques de diversão seguros, voltados para a família, com atividades variadas.”

Mas, segundo o arquiteto, com o passar do tempo o esporte saiu de prédios específicos e se adaptou à vida urbana. Ele citou como exemplos a patinação, a corrida, o jogging e o skate. Ao mesmo tempo, a cidade foi se adaptando. “Em alguns locais as vias férreas foram transformadas em ciclovias e estacionamentos são usados para a prática de hóquei sobre patins (…) Hoje, o esporte ocupa um tempo cada vez maior na vida dos cidadãos, então temos de evoluir e nos adaptar de acordo com isso”, apontou.

Cidyr

O Congresso foi aberto oficialmente na terça-feira (19) e ocorrerá até sexta-feira. Na pauta estão discussões e apresentações de projetos para infraestrutura de megaeventos, como a Copa do Mundo de 2014, que será em diversas cidades brasileiras, e os Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

Serão cerca de 40 palestras ministradas por profissionais de todo o mundo, que trazem experiência para boa orientação de como se deve fazer antes e depois desses eventos.

Para mais informações sobre o evento, clique aqui.

Congresso discute criação de infraestrutura esportiva para megaeventos no País

Celso Lopes, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Skaf, presidente da Fiesp, abre o 2º Congresso Ibero-americano de Instalações Esportivas e Recreativas. Foto: Kenia Hernandes

 

 

No início desta manhã, foi aberto oficialmente o 2º Congresso Ibero-americano de Instalações Esportivas e Recreativas, que se estende até sexta-feira (22). Na pauta, discussões e apresentações de projetos para infraestrutura de megaeventos, como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos, que acontecerão no País nesta década.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp, do Ciesp, do Sesi-SP e do Senai-SP, sublinhou a importância estratégica do congresso e da realização das principais competições esportivas mundiais.

De acordo com ele, a Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos serão oportunidades valiosas para o País incrementar seu polo turístico e apresentar ao mundo uma grande infraestrutura para acolher esses megaeventos em São Paulo e em outros estados brasileiros: “É fundamental que se faça de forma bem planejada, sem desperdício e pensando no pós-evento.”

Skaf destacou que tão importante quanto apresentar uma grande estrutura para os megaeventos é o aproveitamento desses espaços criados pelo atleta: “Caso contrário, a exemplo do que já se viu em muitas partes do mundo, acabam virando verdadeiros elefantes brancos, desperdiçando milhões de dólares”.

Ele reforçou: “Serão 40 palestras de profissionais brasileiros e internacionais, que trazem sua experiência para que haja boa orientação de como se deve fazer antes e depois desses eventos. A ideia é aproveitar o máximo de recursos, para que tudo seja revertido ao bem da sociedade. Não nos passa pela cabeça construirmos coisas que não sejam redimensionadas da melhor forma possível.”

Skaf encerrou seu discurso pedindo ao superintendente operacional do Sesi-SP, Walter Vicioni, projeto com as principais alternativas abordadas no evento para, posteriormente, encaminhar ao ministro dos Esportes Orlando Silva e aos governos estaduais diretamente envolvidos com a infraestrutura da Copa de 2014 e os Jogos Olímpicos.

Iniciativas

Juan Andrés Hernando, presidente da Associação Ibero-americana de Infraestruturas Desportivas e Recreativas (AIIDyR), contou sobre a primeira bem-sucedida edição do evento, ocorrido em Barcelona no ano passado, e o modo como envolveu diversas organizações que investiram em espaços para a realização de grandes eventos esportivos.

Hernando atribuiu a necessidade da prática de esportes a esta iniciativa e revelou que o congresso abriu novas perspectivas para arquitetos que trabalharão no reaproveitamento de espaços criados.

Valter Gonçalves Nunes, superintendente Regional da Caixa Econômica Federal, destacou que a instituição está intimamente ligada às instalações esportivas, seja na transferência de recursos da União para implementar quadras esportivas, seja por meio de grandes intervenções que vão acontecer no tocante aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, e também às doze sedes da Copa do Mundo.

Segundo Nunes, existe uma estimativa de aporte do governo federal através de financiamentos, em torno R$ 2,8 bilhões apenas em infraestrutura. “Há 20 dias, assinamos os investimentos de R$ 1 bilhão para o monotrilho, que interligará os aeroportos da capital paulista com as estações do metrô”, disse.

José Benedito Pereira Fernandes, secretário de Estado de Esporte, Lazer e Turismo de São Paulo, também elogiou o evento e pontuou que o governo paulista tem se empenhado em investir em infraestrutura esportiva.

Fernandes lembrou que São Paulo lançou, em 1º de junho, o projeto que visa à construção do Centro de Treinamento de Alto Rendimento da Zona Norte, contemplando 23 modalidades.

O secretário também salientou que, em 5 de agosto último, iniciou-se uma reforma no complexo olímpico do Ibirapuera ao custo de R$ 36 milhões. “Isso fará com que o grande templo do atletismo nacional esteja operante no primeiro trimestre de 2011”, ressaltou.

Fernandes finalizou sua apresentação informando que, em 1º de julho, foi assinado um convênio para que o Centro Mané Garrincha, na Vila Maria, zona norte de SP, seja reformado e ampliado para também contemplar modalidades paraolímpicas.