No Conselho Superior de Economia da Fiesp, cientista político Carlos Melo faz análise da crise

Agência Indusnet Fiesp

A reunião desta segunda-feira (11/4) do Conselho Superior de Economia da Fiesp (Cosec), presidido por Delfim Netto, teve como tema “O Brasil e seu Labirinto”, com apresentação a cargo do cientista político Carlos Melo, professor do Insper e autor do livro “Collor: o Ator e Suas Circunstâncias”.

Melo analisou a situação do Brasil em caso de impeachment da presidente Dilma Rousseff ou de continuidade do governo atual.

Melo disse que a crise política não cessará se o impeachment for rejeitado. Dilma não conseguirá, por exemplo, recompor maioria na Câmara.

Caso o vice-presidente Michel Temer assuma o Governo, sua experiência na Câmara tende a ser um trunfo, mas Melo lembra que ele vai enfrentar logo de cara uma grande disputa pelos cargos. E não se sabe ainda se Temer tem capacidade de persuasão, necessária para obter apoio.

“Suspeito”, disse Melo, “que hoje as reações na rua ao não impeachment seriam maiores que ao impeachment”.

Na opinião do professor do Insper, é preciso evitar uma escalada de crises, para que o país não vá por um caminho do qual não seja possível escapar. É imperioso pacificar o país e retomar o diálogo, disse.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539641313

Reunião do Conselho Superior de Economia da Fiesp com a participação de Carlos Melo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

‘Poucos realmente inovam’, afirma professor do Insper em painel do VIII Congresso da Micro e Pequena Indústria

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539641313

Marcelo Nakagawa, professor e coordenador do Centro de Empreendedorismo do Insper. Foto: Renan Felix/Fiesp

O painel “Inove e não dependa do desconto para vender”, parte da agenda do VIII Congresso da Micro e Pequena Indústria, realizado quinta-feira (10/10), no Hotel Renaissance, em São Paulo, contou com a participação de Marcelo Nakagawa, professor e coordenador do Centro de Empreendimento do Insper.

O Congresso é uma iniciativa do Departamento de Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp).

Segundo Nakagawa, a ideia da inovação está sendo mais debatida do que nunca. “Empresas só evoluem através da inovação. Hoje ela é fundamental, devido à alta competitividade e os custos altos”.

Para ele, a inovação deve ser vista como uma vantagem competitiva. Entretanto, segundo Nakagawa, poucas empresas realmente são inovadoras.  “Existe uma confusão quando falamos de inovação”, explica.

O que é inovação?

“Muitos falam de inovação. Mas, de verdade, poucas empresas são inovadoras”.  A razão principal para isso, segundo Nakagawa, é a falta de disciplina. “O problema é saber o que de fato é inovação”.

Nakagawa explica que, para uma corporação, é preciso “haver inovação na estratégia da empresa, inserida em um contexto corporativo”. “Inovação na captação de recursos, dentro de um contexto nacional, e na inovação jurídica, no contexto legal”, explicou.

De acordo com o acadêmico, o principal aspecto da inovação é que ela tem que se tornar prática, ser implantada. Nesse sentido, a inovação transformacional, por exemplo, é a criação de um produto que não existia e cria um mercado totalmente novo.

“Precisamos saber por que queremos inovar. Qual o interesse real do esforço? Tem que ser mensurado, imaginado dentro de um processo maior”, completou.

Melhorias de processos e produtos

Nakagawa chamou a atenção para uma importante característica da inovação: a cópia. Para ele, qualquer processo inovador, passou, em algum momento, pela observação de produtos ou serviços já entregues.

“Alguns afirmam que todas as inovações foram copiadas, curiosamente. As empresas não têm que ver a cópia como algo negativo. Isso faz parte do processo evolutivo. Mas não copie de pessoas ou empresas próximas”, alertou.

Buscar situações distantes, disse, pode ser benéfico para as corporações. “A Apple fez isso durante muito tempo e hoje tem uma capacidade criativa imensa”, opinou.

Caminho para a superação de obstáculos

O encontro foi mediado por Carlos Bittencourt, diretor do Dempi na Fiesp.

“Existem formas de sobreviver diante da alta tributação e da dificuldade de gestão. Precisamos de inovação para superar todas essas barreiras”, afirmou. “Pensar na sobrevivência de uma empresa é pensar em inovação e buscar a excelência”, disse.

Inova Senai

Imagem relacionada a matéria - Id: 1539641313

Ricardo Terra, diretor técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Foto: Renan Felix/Fiesp

Participou também do painel Ricardo Terra, diretor técnico do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP). Ele falou sobre os movimentos voltados para inovação dentro da instituição, ressaltando o papel do programa Inova Senai, de estímulo a projetos inovadores dentro das escolas  e centros da rede.

“O Inova Senai promove o pensamento da inovação. Para entrar no campo da inovação, precisamos saber gerir, dando atenção ao aporte de recursos e à propriedade intelectual”, afirmou Terra.

No Senai-SP, explicou ele, “olha-se para o mundo e procura-se entender como a inovação está sendo organizada, sabendo que é importante trabalhar a formação de um empreendedor tecnológico”.

“Além disso, nossa infraestrutura foi modificada para apoiar o processo de inovação junto às indústrias e para investirmos em pessoas que se dedicam exclusivamente ao nosso modelamento inovador”, concluiu.

Marcos Cintra, sub-secretário de Ciência e Tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento do Governo do Estado de São Paulo, e Eugenia Regina de Melo, superintendente nacional de Micro e Pequeno Empreendedorismo da Caixa Econômica Federal, também participaram do painel.

Milton Luiz de Melo Santos, presidente da Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP), fechou o debate. “Para competitividade, precisa de produtividade e isso passa pela ação dos inovadores e daqueles que pensam na inovação e no aprimoramento de produtos e serviços”, disse.