Incentivos à inovação são tema de workshop na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Workshop realizado na Fiesp nesta terça-feira (30 de outubro) e aberto pelo 2º vice-presidente da entidade, José Ricardo Roriz, detalhou os mecanismos de incentivo à inovação Lei do Bem e Rota2030 (esse específico para o setor automotivo).

A Lei do Bem e o InovarAuto seguiram a Lei de Inovação (lei nº 10.973, de 2004), explicou Francisco Silveira dos Santos, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.

O capítulo 3 da Lei do Bem trata de incentivos à inovação tecnológica, com o objetivo de estimular empresas a realizar atividades de pesquisa e desenvolvimento. É muito simples, disse. Não há anuência prévia, permitindo entrar e sair a qualquer momento, e segue as regras do Imposto de Renda para deduções.

Comparando a Lei do Bem a similares de outros países se vê que ela é muito capenga, segundo Santos. Disso veio a vontade de aperfeiçoá-la. Um exemplo é quando a dedução pode ser usada, no caso brasileiro somente no momento da realização do investimento. E só serve para empresas com lucro real. E no exterior a dedução é maior (na França começa em 65%; no Brasil chega no máximo a 54%).

Cerca de 1.500 empresas utilizaram a Lei do Bem em 2017, e espera-se que 2.000 declarem ter feito uso dela em 2018.

Abrange pesquisa básica, aplicada e desenvolvimento experimental. Em empresas é comum realizar atividades de engenharia, o que a lei não abarca.

É sobre os dispêndios realizados com atividades que tragam riscos tecnológicos que é aplicado o incentivo, não à inovação em si, explicou.

Santos apresentou simulação para o investimento de R$ 100.000 em P&D feito por uma empresa com lucro anual de R$ 1 milhão. A primeira dedução é a do IR; junto com as demais se atinge o total de 54,4% do valor do projeto. Em alguns (pouquíssimos) casos é possível chegar a deduções de 68% do valor do projeto.

A empresa precisa elaborar projeto de P&D&I, ao qual pouquíssimas pessoas têm acesso.

Rota 2030

Wiliam Calegari, da KPMG, explicou que o programa Rota 2030, discutido desde a metade de 2017, perto do fim do ciclo do InovarAuto, tem a meta de trazer mais previsibilidade para a indústria, que precisa disse devido ao longo ciclo dos investimentos.

Lembrou que, sendo multinacionais, todas as fábricas de veículos instaladas no Brasil podem escolher outros mercados caso não sejam oferecidos benefícios tributários significativos.

Não é um benefício, frisou, e sim um incentivo a que as indústrias permaneçam no país.

O apoio à indústria é vinculado a metas como proteção ao ambiente, eficiência energética, qualidade, segurança veicular e mobilidade.

O uso dos créditos deve se dar a partir de 2019, e o acúmulo começou em agosto de 2018.

O uso de biocombustíveis e outras formas alternativas é um de seus pontos. A habilitação para o programa pode ser direta para outras empresas da cadeia produtiva, como as fabricantes de autopeças (diferentemente do InovarAuto). “É bastante amplo”, disse.

É possível em determinados casos usar os incentivos do Rota2030 e da Lei do Bem, gerando economia tributária de 32%, segundo o texto da MP 843. E o Rota2030 não inviabiliza outros programas de incentivo, disse.

Finep

Instrumentos Públicos de Apoio à Inovação da Finep foi o tema da apresentação de Rennys Aguiar, diretor da Diretoria de Inovação da instituição, que atua em toda a cadeia da inovação.

O apoio, disse, é personalizado conforme o grau de inovação e de risco. E se dá inclusive durante os períodos mais críticos. Há empréstimos para startups (Finep Startup), que não são feitos na forma de empréstimos, mas sim de aquisição de direito de compra de participação.

Há funding de R$ 5 bilhões, mais um extra de US$ 1,5 bilhão. O apoio é feito a empresas nacionais de qualquer porte, e a Finep atua no Brasil todo. Suas taxas de juros são as mais baixas, afirmou. E quanto mais inovador o projeto, maior o apoio.

A Finep financia máquinas e equipamentos, mesmo importados, equipe própria etc. Impacto e ineditismo da tecnologia determinam a taxa do crédito.

Inovação, destacou, não é só tecnologia de ponta. Entre os setores prioritários estão saúde e qualidade de vida, química, agronegócio e alimentos, indústria aeroespacial e defesa, óleo e gás – o que importa é que haja inovação.

Abertura do workshop sobre mecanismos de incentivo à inovação realizado na Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Abertura do workshop sobre mecanismos de incentivo à inovação realizado na Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Fiesp debate experiências de propriedade intelectual no Brasil e na Europa

Agência Indusnet Fiesp

Em mais uma ação com foco em inovação, o Comitê de Desburocratização da Fiesp promoveu na última quinta-feira (13/9) um encontro para compartilhar experiências sobre propriedade intelectual corporativa no Brasil e na Europa, especialmente em pequenas e médias indústrias. 

Para o presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp, José Ricardo Roriz Coelho, os empresários devem atentar para a  importância do investimento, desenvolvimento e defesa da propriedade intelectual desde o início dos projetos, principalmente em companhias de perfil exportador. “Atualmente o ciclo de inovação é cada vez mais ágil, e essa rapidez deve ser incorporada no dia-a-dia das empresas”, afirmou durante sua fala de abertura no encontro. 

De acordo com o presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), Luiz Otávio Pimentel, o entendimento sobre o valor deste serviço de defesa de ideias, marcas e patentes contribui para o crescimento da economia e do emprego. Da IP Key América Latina, Mariano Riccheri detalhou o funcionamento do projeto da União Europeia (UE) para a região Sul com o foco de otimizar as condições para o empreendedorismo e para negócios em igualdade de condições.

Também participaram do evento Natalia Barzilai, da IPR Helpdesk América Latina, Begoña Uriarte Valiente, chefe de seção de Operações do Instituto de Propriedade Intelectual da União Europeia (UE), María Coro Gutiérrez, chefe de seção de Apoio às Empresas do Instituto de Patentes e Marcas (OEPM), Henry Suzuki, empreendedor, inventor e membro fundador da Mentores do Brasil, e Daniel Adensohn, primeiro vice-presidente da Associação Paulista de Propriedade Intelectual.

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Especialistas falaram sobre a importância da defesa de marcas e patentes. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Fiesp, Ciesp e Finep promovem capacitação em inovação

Agência Indusnet Fiesp

Para difundir seus instrumentos de apoio à inovação e capacitar competências para estimular empresas a desenvolver seus projetos de inovação, a Superintendência de Inovação da Finep – Financiadora de Estudos e Projetos em São Paulo realizou, em parceria com o Departamento de Economia, Competitividade e Tecnologia da Fiesp e do Ciesp, no dia 01/08, treinamento para os gestores e técnicos da Fiesp, Ciesp e do Senai-SP, na sede das entidades, na avenida Paulista, no evento “Workshop Finep – Capacitando Gestores e Entidades Empresariais”.

O objetivo da Finep ao apresentar suas linhas de apoio à inovação é disseminar conhecimento para que esses gestores e técnicos apoiem as empresas do Estado de São Paulo a elevar seus investimentos em P&D, construindo seus projetos de inovação em busca de maior competitividade no mercado nacional e global.

A Fiesp, o Ciesp e o Senai-SP consideram fundamental o relacionamento com instituições com reconhecida competência técnica para tratar assuntos relevantes para a indústria, como inovação e tecnologia. As entidades acreditam que é fundamental que os gestores e técnicos tenham conhecimento básico para orientar as empresas no acesso a linhas de incentivo e soluções tecnológicas de alto nível em suas regiões.

“É importante que a Fiesp, o Ciesp e o Senai-SP possam atuar no suporte às empresas nas relações dessas com as entidades de financiamento e fomento. E nosso entendimento é que para darmos informações, suporte ou orientações básicas, é necessário conhecer o assunto. Nesse sentido, demos um primeiro passo com o workshop”, destaca José Ricardo Roriz, presidente em exercício da Fiesp, do Ciesp e do Senai-SP.

Segundo a Superintendência de Inovação da Finep em São Paulo, a capacitação é uma importante ação institucional para que gestores de entidades empresariais possam promover a cultura da inovação empresarial, difundindo para suas empresas associadas as normas operacionais da Finep – as novas linhas e suas taxas, os novos prazos e as condições de garantia, de modo a orientá-las e estimulá-las a desenvolver seus projetos de inovação.

O Departamento de Economia, Competitividade e Tecnologia da Fiesp e do Ciesp também tem o objetivo de realizar capacitações semelhantes com outras instituições de fomento como Fapesp, Desenvolve SP, BNDES e EMBRAPII.

Clique aqui e assista os vídeos das palestras.

Confira as apresentações:

01-Institucional –  A Empresa Brasileira de Inovação e Pesquisa

02-Os Instrumentos de apoio à Inovação

03-Cadastrando a Empresa na Plataforma Finep

04-As Premissas para as projeções financeiras

05-Os Requisitos de Garantias para o Financiamento

06-Construindo seu projeto de desenvolvimento de inovação – Guidelines para construir projeto a ser submetido à FINEP 

07-Investimento Direto e Indireto em Empresas

08-Finep Programa Finep Startup

09-Programa FINEP Educação

10-Finep Conecta – Programa de Apoio à Cooperação ICT-Empresa

11-Programa Inovacred e Inovacred Expresso

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Fiesp, Ciesp e Finep promovem capacitação em inovação. Foto: Helcio Nagamine.

Workshop de Inovação Tecnológica: Finep, Desenvolve SP e FAPESP celebram Dia Nacional da Inovação na FIESP

Foi realizado no último dia 19 de outubro na FIESP o Workshop de Inovação Tecnológica na FIESP   A Finep, a Desenvolve SP e a FAPESP trouxeram suas equipes de especialistas à Fiesp que apresentaram as linhas de ação e programas a empresas paulistas interessadas em construir Planos Estratégicos de Inovação.

O objetivo do evento foi celebrar o Dia Nacional da Inovação na Fiesp com o setor industrial e fortalecer ainda mais o Sistema Paulista de Inovação além de impulsionar investimentos privados em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) neste momento em que a economia brasileira começa a dar sinais de retomada do crescimento. A Finep possui recursos de R$ 7 bilhões disponíveis para projetos privados na área.

Neste encontro foi apresentado o recém-lançado programa Finep Conecta vai além: o prazo de retorno do empréstimo chega a 16 anos. Ao todo, esta iniciativa vai disponibilizar R$ 500 milhões para projetos desenvolvidos em parceria entre empresas e Instituições de Pesquisa Científica e Tecnológica (ICTs). Ocorreu também a Assinatura do acordo de cooperação FINEP e FAPESP O presente Acordo destina-se a estabelecer a cooperação técnica entre os partícipes para promover a atuação conjunta destas instituições com vistas ao desenvolvimento tecnológico, científico e socioeconômico do Estado de São Paulo e do país

Além das linhas de financiamento correntes a FINEP ainda apresentou três novas ações, que serão detalhadas durante o evento: o Finep Startup (cuja primeira chamada vai destinar até R$ 50 milhões a 50 empresas em estágio inicial), o novo programa de telecomunicações (linha de financiamento exclusiva para aquisição de equipamentos de 100% nacionais) e o seguro garantia financeira (alternativa menos custosa para operações de crédito: até 60% inferior ao custo da fiança bancária).

Veja as apresentações Abaixo:

caf fiesp leonardo roriz

decomtec roriz

fapesp_19out2017_pacheco

finep – diretor ronaldo

finep – diretoria de inovacao 2

finep – diretoria inovacao 1

finep conecta – marcos cintra

 

No Dia Nacional da Inovação, Fiesp pede mais ação do governo em prol da tecnologia

Roseli Lopes, Agência Indusnet Fiesp

Em 2016, a Totvs labs, laboratório de pesquisa da maior empresa de software empresarial da América Latina, elegeu a robótica como uma das oito tecnologias que mudarão o mundo até 2020. Mas um estudo, também do ano passado, da Delloite apontou que para cada 10 mil trabalhadores da indústria o Brasil tem apenas 11 robôs. A China tem 36, na mesma base comparativa, a Coreia do Sul, 531, o Japão, 305, a Alemanha, 301 e os Estados Unidos, 176. Por trás dos números há uma mensagem negativa: essa densidade robótica revela a distância do Brasil em relação a países que estão na vanguarda da inovação industrial, afirmou José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na abertura do workshop de Inovação Tecnológica realizado, nesta terça-feira (19 de outubro), na sede da Federação, celebrando o Dia Nacional da Inovação.

Vencer essa distância é, hoje, o principal desafio do Brasil para entrar definitivamente na indústria 4.0, ou quarta revolução industrial, disse Roriz. Para isso, no entanto, o país, ressalta o diretor da Fiesp, precisa de políticas públicas, a exemplo de outros países, que promovam o desenvolvimento da tecnologia e inovação. “Neste momento em que a questão fiscal domina as discussões cabe a todos nós alertar sobre a importância que deve ser dada ao tema inovação e chamar a atenção do governo e da equipe econômica para que não faltem recursos voltados à inovação tecnológica”, disse Roriz. “Apesar da crise econômica brasileira, é fundamental criar condições de investimento sob o risco de agravamento do setor industrial”, falou o vice-presidente da Fiesp, lembrando a política forte do governo dos Estados Unidos voltada à industrialização com manufatura avançada, a estratégia da Alemanha, que investiu 250 bilhões de euros nos últimos 15 anos na inovação industrial e o 1,8 trilhão de euros que está sendo aplicado pela China nos próximos anos, de olho nos desdobramentos e avanços da quarta revolução industrial.

Nesse movimento, Roriz diz que o Brasil precisa acelerar o passo para aproveitar essa oportunidade temporal, para que o país embarque no desenvolvimento tecnológico que tem sido feito no mundo. E quanto antes o Brasil entrar nesse movimento mais terá voz nas questões de regulação e na criação de plataformas que serão organizadas dentro dessa nova indústria, a 4.0, ou quarta revolução industrial, avaliou. “Até 2020, o mundo investirá US$ 907 bilhões em inovação e o Brasil não pode ficar para trás”, disse. Álvaro Sedlacek, diretor financeiro e de negócios da agência de fomentos paulista Desenvolve SP, fez coro dizendo que é preciso que aqueles que governam o país percebam que talvez esta seja a última oportunidade de o Brasil se reinserir no contexto mundial  em relação à inovação industrial, porque está perdendo espaço.

“Não consigo imaginar um país competitivo globalmente que não tenha uma base industrial sólida. “Até os Estados Unidos, que foram a primeira nação que se tornou basicamente um país de serviços, estão revendo um pouco esse conceito. No mundo inteiro a indústria lidera os investimentos em P&D e não podemos perder isso. Temos vários exemplos de países dentro da América Latina que se desindustrializaram de tal maneira que hoje estão reduzidos a farrapos e não queremos isso para o Brasil”, ressaltou Sedlacek.

Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico Administrativo da Fapesp e membro do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Fiesp reforçou a cobrança de mais investimentos lembrando que hoje o mundo assiste a uma transformação gigantesca da indústria, com tecnologias que convergem, que são disruptivas em vários aspectos. Essas rupturas, diz Pacheco, são oportunidades que o Brasil tem de olhar para a frente e ver que rumo tomar, pois as novas tecnologias transformam de forma radical a base técnica da indústria e seus modelos de negócios e nisso o Brasil está muito atrasado, avalia. “Temos um país grande, com um mercado consumidor relevante e portanto pronto para enfrentar esse desafio. O gasto em P&D agregado no estado de São Paulo é de 1,7% do PIB, bem menos do que no Brasil, de menos de 1% em relação a seu PIB. Desse 1,7% do PIB, 60% são gastos privados. diferentemente do resto do Brasil. É o único lugar da América Latina em que o gasto privado é maior do que o público e ainda assim a maior parte desse gasto público é feito com recursos do governo estadual e não federal”, diz o diretor-presidente do Conic.

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Fiesp celebra o Dia da Inovação com debates sobre as oportunidades e os desafios no Brasil e com a assinatura de acordo para o programa de crédito da Finep. Foto: Fiesp

Finep Conecta

Se o índice de utilização de robôs no Brasil é um indicador do atraso brasileiro em relação a outros países, Marcos Cintra, presidente da Financiadora de Estudos e Projetos da Finep chama a atenção para outro fato que considera contraditório e que ajuda a emperrar os programas de inovação no país: “Embora 70% dos investimentos em tecnologia e inovação em São Paulo sejam feitos por empresas, hoje, apenas 26% dos pesquisadores no Brasil estão nas empresas. O restante, 74%, está no setor público. “Apesar de termos quase toda nossa capacidade de trabalho em termos de geração de P&D e inovação concentrada no setor público, essa interação com empresas é muito baixa comparativamente à de outros países, como por exemplo a Finlândia, onde 28% das empresas inovadoras têm profunda interação com universidades ou institutos públicos de pesquisa. No Brasil, são apenas 6%, número que denuncia falta de sintonia entre quem investe e quem gera o conhecimento básico para a sustentação desse investimento.

Pensando em aproximar a empresas e os centros geradores de P&D, que, no Brasil, estão concentrados no setor público ou nas instituições de ensino, a Finep lançou nesta quinta-feira, durante o evento na Fiesp e com a parceria da Federação, o Programa Finep Conecta, para financiar a inovação em empresas paulistas. “Do ponto de vista operacional, o Finep Conecta não tem novidade. É uma operação de crédito, com taxas de juros, carências, um plano estratégico de inovação conhecido. A grande novidade que ele traz é o foco na aproximação das empresas aos centros geradores de P&D, ou seja, as Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs)”, conta Cintra. O objetivo, diz o presidente da Finep, é levar o conhecimento gerado nas ICTs e universidades para as empresas e também fazer com que as ICTs e as universidades desenvolvam linhas de atividade e de pesquisa demandadas pelas empresas. “Queremos proporcionar uma via de duas mãos, que as empresas busquem conhecimento nas ITCs, mas também que as instituições sejam motivadas a atender demandas geradas pelo setor privado para resolver seus problemas específicos.

O volume disponível inicialmente será de R$ 500 milhões, reembolsáveis. O prazo de financiamento é de até 16 anos, com correção dos valores pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais 1,5% ao ano. Vale lembrar aqui que a medida provisória que mudou a TJLP para TLP não inclui a Finep, que pode manter a TJLP em suas operações. Para incentivar o diálogo entre a empresa e as ITCs, a Finep dará incentivos ao tomador do crédito. A empresa que usar 15% dos recursos do financiamento em ações colaborativas com as ITCs ou as universidades terão vantagens relativas às linhas tradicionais. “Se a empresa usar 50% dos recursos em ações colaborativas, além da carência de 6 anos e prazo de pagamento de até 16 anos, a empresa terá correção dos valores apenas pela TJLP. Outro ponto fundamental é que o Finep Conecta é uma linha de crédito de longo prazo, não encontrado no mercado.

“Estamos oferecendo taxa de juros reduzida, longo prazo de carência, longo prazo de amortização e sobretudo a oportunidade de estimular a maior interação entre o setor produto e os ITCs para atender o modelo brasileiro onde existe a assintonia entre quem investe e quem produz conhecimento”, disse Cintra. O programa começou a funcionar nesta quinta-feira, logo após a assinatura do convênio entre a Fiesp e a Finep. “O problema no setor de inovação no Brasil não é desconhecimento, não é estrutura, não é capacidade de investimento nem de mobilização, não é qualidade da mão de obra, de falta de recurso, é puramente institucional. É um problema que precisa ser resolvido junto ás instituições.”, conclui Cintra.


Movimento pela Inovação

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Seminário Movimento pela Inovação realizado pela FIESP – DESENVOLVE-SP em 03/10/2017 no Edifício Sede da Fiesp, teve apresentações e debates com especialistas sobre os programas e incentivo à pesquisa, linhas de financiamento, opções de garantias e estratégias para apresentar o seu projeto de inovação.


Notícias sobre o evento, clique aqui.

Para rever a toda programação realizada, clique aqui.

APRESENTAÇÕES DE PALESTRAS:

  • Financiamentos especiais para Inovação e as vantagens de uma Agência de Desenvolvimento

01 – Eduardo Saggiorato – Superintendente de Negócios da Desenvolve SP

02 – Guilherme Montoro – Chefe de departamento do BNDES

  • Inovação na prática: Como elaborar e apresentar o projeto de Inovação

03 – Eduardo Vaz da Costa Jr – Gerente Executivo do Instituto Euvaldo Lodi (IEL)

  • A Pesquisa nas PMEs: programas e incentivos

04- Fábio Kon – Coordenador Adjunto de pesquisa para inovação da FAPESP

  • Inovação na Indústria

05 – Nanci Gardim- Agente de Inovação do SENAI


Para visualizar ou baixar as apresentações realizadas no dia, acesse o menu ao lado

A importância da inovação para as PMEs é tema de seminário na Fiesp

Roseli Lopes, Agência Indusnet Fiesp

Independentemente do setor em que atuem, inovar, para as micro, pequenas e médias empresas é, hoje, quase uma obrigação para crescer no mercado, afirmou, nesta terça-feira, 03 de outubro, Cláudio Luiz Miquelin, diretor do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Federação da Fiesp na abertura do seminário Movimento pela Inovação, idealizado pela Desenvolve SP e realizado pela Fiesp/Ciesp em sua sede. “A indústria 4.0 para a qual caminhamos ignora totalmente a crise e se não acompanharmos essa evolução seremos ainda mais impactados pela competitividade do resto do mundo. Por isso é fundamental apoiar as pequenas e médias indústrias a investirem para transformar ideias e conhecimentos em produtos e negócios de sucesso, geando crescimento, emprego e renda”, diz Miquelin.

Para que isso aconteça no entanto, segundo o diretor da Fiesp, é necessário que se tenha um ambiente propício, que se facilitem os processos criativos e, principalmente, que haja financiamento. “Nos últimos anos, a Fiesp tem atuado fortemente para melhorar o acesso ao crédito. Não adianta o governo apenas reduzir a Selic (a taxa básica de juros fixada pelo governo que serve como parâmetro para a fixação das taxas cobradas nas operações de crédito dos bancos). Se essa redução não chegar na ponta, não resolve absolutamente nada para as empresas”, disse Miquelin.

Com a finalidade de apoiar a economia do Estado de São Paulo por meio do suporte financeiro às micro, pequenas e médias empresas, surgiu, há oito anos, a Desenvolve SP, agência de fomento por si só já uma inovação uma vez que não tem espaço físico. “Nosso modelo de negócio é inovador porque trabalhamos sob uma plataforma tecnológica, o Portal Desenvolve SP, onde qualquer empreendedor no estado pode, usando essa ferramenta, acessar as linhas de financiamento e fazer a simulação pela internet”, diz, diz. O capital da agência é 100% integralizado pelo Tesouro do Estado de São Paulo. Segundo Santos, já são mais de R$ 2,6 bilhões financiados pela agência nos mais diversos negócios da economia. Apenas na área de inovação a Desenvolve SP já financiou mais de R$ 110 milhões com valor médio liberado variando de R$ 900 mil a R$ 1 milhão. Parte dos recursos, diz Santos, são da Finep, por meio do programa Inova Crédito.

Segundo o presidente da Desenvolve SP, São Paulo tem um ecossistema extremamente favorável. “Temos a Fapesp, quatro universidades, institutos de pesquisa de grande relevância, parques tecnológicos, grandes incubadoras, ou seja, tudo isso permite que trabalhemos com um número grande de pequenos empreendedores. Inovação de processos produtos, de gestão de recursos humanos ou inovação tecnológica, ou solução na área da biotecnologia. O momento é de enxergar as oportunidades tecnológicas nas diversas áreas. Este Movimento de Inovação que realizamos aqui em parceria com a Fiesp, já estivemos em várias cidades de São Paulo onde já atendemos mais de 1500 pessoas empreendedoras buscando algum tipo de orientação de financiamento.”, conta Santos.

O movimento pela Inovação está cada vez mais se espalhando pelo estado de São Paulo e além dos financiamento na área de inovação temos o investimento que fazemos em empresas. Hoje, já são mais de 40 empresas que a Desenvolve SP tem participação societária indiretamente por meio de fundos de investimento. São cinco fundos com patrimônio de mais de R$ 500 milhões prontos para serem direcionados a investimentos nas empresas que apresentarem um modelo de negócio inovador que mostre grande potencial competitivo. “Atuando com financiamento de um lado, com o crédito, ou com private equity e capital de risco na outra ponta, a Desenvolve SP tem procurado,  cada vez mais,que a economia do Estado de São Paulo possa  sair um pouco do modelo convencional e a partir dos financiamentos em inovação se torne mais competitiva”, afirmou o presidente da agência.

Indústria 4.0

Falando sobre a inovação nas PMEs e os impactos da Indústria 4.0, Francisco Jardim, sócio-fundador da SP Ventures, com foco em investimentos em venture capital, o executivo citou o Fundo de Inovação Paulista, idealizado e criado pela Desenvolve SP, do qual a SP Ventures é gestora. “Foi um consórcio que a Desenvolve SP juntou os principais agentes de financiamento em inovação das PMEs do país, todos capitalizaram esse fundo em R$ 65 milhões, trouxemos mais R$ 40 milhões da iniciativa privada e investidores internacionais e fechamos 2014 com R$ 105 milhões no fundo”, diz Jardim.

Jardim disse também por que o momento é o melhor para as PMEs inovarem e empreenderem, apesar da crise econômica. Diz que, para as pequenas e médias empresas, o momento para inovar é uma oportunidade para ocupar espaço. “Quando pensamos que a capacidade de processamento de um chip de computador dobra a cada 18 meses, que essa rapidez viabilizou toda a revolução computacional que a gente está vivendo hoje, impactando especialmente em setores com potencial de crescimento em tecnologia – inteligência artificial e robótica, biotecnologia, bioinformática, nanotecnologia e novos materiais e redes e sistemas computacionais – percebemos a importância do financiamento”, afirmou. “E o que financia hoje a inovação”, questiona.

Segundo Jardim, “são necessários, hoje, dois agentes fundamentais que até recentemente não se tinha no Brasil e que São Paulo é pioneiro e talvez o único na robustez que ele tem: primeiro financiando ideia e pesquisa de base, que hoje só a Fapesp consegue ter conhecimento, expertise de selecionar projetos de conhecimento cientifico de forma eficiente. Depois desse processo entra o capitalista de risco. Muitas empresas, nesse começo de projeto exigem predominantemente private equity na plataforma. Por isso a Desenvolve SP, da qual somos parceiros, que consegue ter um leque abrangente de produtos acaba suprindo toda a estrutura de capital que uma PME precisa para ir da ideia, concepção, validação de uma nova ideia até ir a mercado”, diz.

“Como isso vai impactar na manufatura 4.0?”, diz. Já impactou, segundo ele. “Em 2013, a quantidade de robôs na Amazon era de menos de 4 mil. No ano passado, chegou a 45 mil. A velocidade de robotização e inteligência artificial integrada a uma cadeia de suprimentos  que a indústria está adotando, barateando sensores, integrado com sistemas avançados de simulação,está colocando a indústria local onde ela nunca esteve”, fala Jardim. O executivo lembra que todos os pilares que sustentam a indústria 4.0 são alicerçados pela revolução das tecnologias exponenciais mostrando que a indústria 4.0 veio para ficar e quem quiser ficar vivo dentro do setor industrial tem de adotar alguns parâmetros. E rápido.

Ainda sobre financiamentos para a inovação, Eduardo Saggiorato, superintendente de Negócios da Desenvolve SP, diz que a agência de fomento tem três opções de fundos para financiar a inovação. Uma com recursos próprios da Desenvolve SP , outra com repasses da Finep, por meio da linha Inova Crédito e uma terceira com recursos do BNDES. As linhas de financiamento têm juros a partir de zero, com atualização apenas do IPCA e prazo de até 10 anos, com carência de 24 meses. “É o conceito do crédito sustentável”, conta.

Dentro da linha de financiamentos especiais, Guilherme Montoro, chefe de Departamento do BNDES, diz que o banco de fomento, dentro do financiamento à inovação, apoia operações associadas à formação de capacitações e ao desenvolvimento de ambientes inovadores com o intuito de gerar valor econômico ou social e melhorar o posicionamento competitivo das empresas, contribuindo para a criação de  empregos de melhor qualidade e sustentabilidade”.

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Instituições debatem na Fiesp financiamento e apoio à inovação para as micro, pequenas e médias empresas paulistas. Foto: Hélcio Nagamine/Fiesp

Projetos

Quanto aos projetos de inovação, Eduardo Vaz da Costa , gerente executivo do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), falou do Inova Talentos, uma demanda, conta, que surgiu de uma mobilização empresarial pela inovação em São Paulo para trabalhar com recursos humanos que pudessem disseminar a cultura da inovação nas organizações. “Na prática, isso é uma grande necessidade, pois no Brasil muitos de seus pesquisadores ainda estão dentro das universidades e precisamos  transformar a pesquisa básica em receita”.

Ele conta que as empresas apresentam proposta de projeto de inovação que pode ser para melhoria de processos ou ganho de produtividade. O programa coloca recursos humanos dentro das  empresas trabalhando projetos de inovação. “A empresa submete um projeto de inovação e, se aprovado, ganha o direito de ter  um bolsista que tocará o projeto por 12 meses, podendo ser renovado  por mais 12.

“Para a empresa, a vantagem é que o bolsista não tem vínculo empregatício, não tendo portanto custo trabalhista para a empresa, que conta com um profissional altamente gabaritado”, diz Lodi. Hoje, muitas empresas aceitam pagar a bolsa para o bolsista uma vez que o CNPq, com a crise, suspendeu o pagamento. Hoje, são 500 bolsistas atuando nos diversos segmentos de empresas.

Fábio Kon, da Fapesp, diz que as oportunidades que a Fapesp tem para a pesquisa são imensas. Citou o programa PIPE – Pesquisa Inovadora para Pequenas Empresas. “Temos 62 instituições com missão de orientar atividades de pesquisa e quase 15 mil empresas no estado de São Paulo que fazem algum tipo de inovação”, diz, que usam esse programa. Os recursos da Fapesp são voltados à pesquisa que gera conhecimento novo. “Essa pesquisa tem de trazer um potencial de retorno comercial, trazer aumento da competitividade da empresa e estimular a cultura de inovação permanente dentro dessas empresas”. O programa existe há 20 anos. “Recebemos  pouco mais  de 800 projetos por ano e no último ano temos aprovado pouco mais de 200. Em 2016, foi o recorde  de R$ 60 milhões só no PIPE e neste ano temos chance de bater o recorde, só precisamos de bons projetos.”, fala

Bons projetos exigem bons profissionais, boas cabeças. Nanci Gardim, agente de inovação do Senai SP, diz que o Senai vai muito além das parte de formação profissional para as empresas. Temos um trabalho bastante amplo, voltado para as soluções tecnológicas. “Desde  2016 já participamos do movimento pela inovação junto com a Desenvolve SP. Visitamos várias cidades do estado, especialmente voltada para os pólos tecnológicos. Uma coisa importante é que a Desenvolve SP possibilita  às empresas uma solução financeira. Nós do Senai temos a capacidade fornecer a solução tecnologia para a empresa, ajudar a empresa no desenvolvimento  de seu P&D. Geralmente as pequenas e medias empresas não têm como internalizar uma infra-estrutura de P&D. O Senai auxilia nesse sentido.”, fala. Hoje, são 57 institutos Senai de tecnologia espalhados pelo Brasil afora.

Hitendra Patel fala sobre inovação e competitividade a empresários na Fiesp

Para discutir estratégias de promoção das empresas e dos produtos brasileiros nos Estados Unidos, o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp realizou nesta segunda-feira (18) o seminário “Internacionalizando sua empresa – Conheça o novo mercado dos Estados Unidos” com palestra do renomado conferencista global Hitendra Patel.

O especialista americano falou aos empresários brasileiros sobre a velocidade das mudanças do mercado corporativo mundial, a importância da inovação nas empresas e como implementar essa mentalidade com metas concretas mesmo em organizações complexas.

Nos últimos cinco anos, ele ajudou a construir a maior aceleradora de startups do mundo para jovens empreendedores sociais, em cooperação com o ex-presidente americano Bill Clinton e sua equipe. Patel também é professor universitário, diretor-executivo do Center of Innovation (IXL) e cofundador do Global Innovation Management Institute.

Segundo o diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, os empresários brasileiros têm um crescente interesse sobre o mercado externo, sobretudo pelos Estados Unidos. No último ano, a Fiesp promoveu pelo menos 15 eventos com este formato, com a presença de mais de 1,5 mil pessoas.

“O Brasil está entrando em uma nova fase e sua integração com o mundo é uma realidade, especialmente com os Estados Unidos. Há um interesse prático em investimentos de todos os tamanhos”, afirmou o diretor. Zanotto lembrou ainda que a balança comercial entre os brasileiros e americanos soma cerca de US$ 50 bilhões por ano, com equilíbrio e foco em produtos manufaturados, de alto valor agregado.

No período da tarde, os empresários participantes ainda tiveram suas dúvidas respondidas pelo Serviço Comercial dos Estados Unidos para temas como processo de abertura de empresas nos EUA, importação e exportação, como negociar no mercado americano através das grandes cadeias de varejo, como encontrar compradores e fornecedores, além de inovação com foco em crescimento no mercado interno.

Também participaram do encontro o diretor titular adjunto do Derex, Antonio Bessa, o cônsul-geral dos EUA em São Paulo, Ricardo Zuniga, e o diretor executivo da consultoria IXL Center, Manuel Mendes.

Ontário mostra na Fiesp atrativos para investimento em inovação em saúde

Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp recebeu nesta terça-feira o cônsul canadense Todd Barrett, responsável pela promoção do comércio entre a província de Ontário e o Brasil. No evento, conduzido por Eduardo Perillo, diretor titular adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde e Biotecnologia da Fiesp (ComSaude), Barrett destacou vantagens competitivas locais, salariais e tributárias, e descreveu o Discovery District, considerado muito importante pelo Canadá. Tem excelência em pesquisa, com citações acima da média mundial. É muito forte em células-tronco e medicina regenerativa.

Fica no Discovery District o MaRS, que segundo Barrett é o maior centro de inovação da América do Norte. Há cerca de 300 startups com escritórios lá, local da sede também de empresas multinacionais e fundos de risco. Iniciado 15 anos atrás por um grupo de médicos para ser um centro de inovação na área de saúde, passou a receber empresas de outros setores.

Em 2016 foram investidos em saúde 3,7 bilhões de dólares canadenses de capital de risco. É a área com maior crescimento virtual (29% a mais de 2015 para 2106), segundo o cônsul. As faculdades se abrem mais para o empreendedorismo, e a presença de empresas perto da Universidade de Toronto favorece o investimento.

Segundo Barrett, a carga tributária em Ontário é competitiva (26,5% de imposto de renda para pessoa jurídica, contra em média 39% nos EUA). O custo para P&D em Ontário é 23,9% mais vantajoso que nos EUA. Há incentivos fiscais para investimento em P&D, com crédito nos impostos que pode devolver 45% para as empresas em geral, e quase 58% quando as despesas são feitas dentro de institutos de pesquisa específicos.

Além disso, o Canadá incentiva a imigração e recebe entre 250.000 e 300.000 pessoas por ano.

Claudio Terra, diretor de Inovação do Hospital Albert Einstein, relatou na reunião viagem organizada pelo governo de Ontário, que permitiu conhecer o sistema local de saúde e a estrutura de pesquisa na área.

Terra trabalhou no Canadá antes da existência do MaRS, que classificou como espetacular, com uma incrível densidade de hospitais ao seu redor. O sistema público canadense tem atendimento semelhante ao dos melhores hospitais brasileiros, afirmou. E é muito forte o investimento em pesquisa. Toronto tem centro muito adensado e depois se espraia, com alta qualidade de vida.

O hospital Albert Einstein foi a Toronto para se inspirar e para conhecer startups, com a possibilidade de atrair algumas para parcerias com a instituição, que trabalha para criar um ecossistema de inovação na área de saúde, explicou.

O corredor da avenida Paulista e Vila Mariana, disse Terra, tem densidade de hospitais comparável ao entorno do MaRS, e lá pode ser buscada a inspiração para a Fiesp, em sua busca por um ecossistema semelhante.

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Reunião na Fiesp em que o cônsul Todd Barrett falou sobre investimentos em inovação no setor de saúde em Ontário. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

APRESENTAÇÕES – SEMINÁRIO DE ECONOMIA CIRCULAR – UM MODELO DE ECONOMIA AMBIENTAL


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Acesse as apresentações realizadas no  “Seminário de Economia Circular – Um modelo de Economia Ambiental ”, realizado dia 06 de junho aqui na Fiesp.


Rumos para uma Economia Circular

Carlos Roberto da Silva Filho, Vice-presidente The International Solid Waste Association – ISWA


Economia Circular – O caminha da inovação

Aldo Roberto Ometto – Depto. de Engenharia de Produção – EESC (Escola de Engenharia São Carlos) – USP


Boomera

Guilherme Brammer- Boomera


Economia Circular – MALHA

Luísa Santiago, Fundação Ellen MacArthur

INICIATIVAS SUSTENTÁVEIS: BASF – INOVAÇÃO E SUSTENTABILIDADE

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Por Karen Pegorari Silveira

Segundo dados do Estudo “Integração dos ODS na Estratégia Empresarial”, elaborado pelo Comitê Brasileiro do Pacto Global, metade das 21 empresas pesquisadas já considera os ODS como referência em suas atividades cotidianas para a condução dos negócios, seja na gestão, seja na estratégia. E outras 20% declaram que usarão os ODS no futuro.

A BASF é uma das empresas que já integra alguns dos ODS em seu negócio, como a meta 9 – investindo em Pesquisa & Desenvolvimento para criar produtos que contribuam cada vez mais com a sustentabilidade. Além disso, a empresa tem metas para o uso de recursos, de gerenciamento de resíduos e de diversidade e inclusão de pessoas, bem como de alcance para projetos de engajamento social.

Buscando equilibrar os pilares da sustentabilidade (econômico, social e ambiental), a BASF analisou mais de 60 mil produtos e soluções do seu portfólio e as classificou de acordo com sua contribuição para a sustentabilidade. Só as soluções mais inovadoras, que contribuem de forma significativa para sustentabilidade em toda a cadeia de valor, representaram 27,2% das vendas globalmente (em 2016).

A companhia também apoia globalmente a Organização das Nações Unidas (ONU) na implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e, na América do Sul, participa das discussões referentes à adoção e às práticas voltadas ao atingimento dos ODS.  No Pacto Global (2000) a BASF ocupa a presidência da diretoria do Comitê Brasileiro do Pacto Global desde 2015 e teve o mandato renovado por mais três anos, em eleições realizadas em 2016. Também participam nos quatro Grupos Temáticos (GTs) criados para aplicar os 10 princípios e implementar os valores do Pacto Global: Anticorrupção; Energia e Clima; Direitos Humanos e Trabalho; Alimentos e Agricultura.

Com relação a gestão energética, o complexo químico de Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, é um bom exemplo. Na unidade, a eficiência energética aumentou 40,3% entre 2002 e 2015. Além disso, o consumo de energia elétrica por tonelada produzida foi reduzido em 12,4%, e o de água em 72,7% no mesmo período. Esse resultado foi possível pela aplicação do projeto Triple E (Excelência em Eficiência Energética), que tem como principal objetivo aumentar a competitividade por meio de uma melhor eficiência energética.

Lançado em dezembro de 2015, na América do Sul, o Triple E contribui para as metas ambientais da empresa. Para seu desenvolvimento foi criado um time multifuncional para gestão das ações, que tinha como missão avaliar oportunidades e fomentar melhorias nas práticas para a gestão de energia nos processos. Entre as medidas adotadas está a norma internacional ISO 50001, que auxilia as empresas a estabelecer práticas mais eficientes e modernas no uso desse recurso. A BASF foi a primeira entre as grandes indústrias químicas a receber essa certificação e o complexo químico de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, foi o primeiro da América do Sul.

O objetivo da ISO 50001 é permitir que a organização estabeleça sistemas e processos necessários para melhorar o seu desempenho energético, incluindo a eficiência energética, uso e consumo de energia primária. Na BASF a energia primária corresponde a todo e qualquer tipo de energia utilizada, como a elétrica, de combustíveis, vapor, ar comprimido, etc.

O projeto Triple E apresentou bons resultados e deverá ser colocado em prática em outras localidades, sendo que a ISO 50001 será implementada nas unidades fabris que apresentam maior consumo de energia, como São Bernardo do Campo (SP) e Camaçari (BA), no Brasil, e Concón, no Chile.

O gerente de Sustentabilidade da BASF, Emiliano Graziano, conta ainda que “além dos aspectos econômicos, a redução no consumo de energias possibilita o decréscimo na emissão de gases causadores do efeito estufa, pois menos combustíveis são queimados, por exemplo. Além disso, a aplicação de tecnologias limpas é estudada, como a utilização de painéis solares para aquecimento de água”.

Hoje, na fábrica da BASF em Guaratinguetá são produzidos 1.500 tipos de matérias-primas para as mais diversas aplicações. Trata-se da maior unidade da BASF na América do Sul, com capacidade de produção de mais de 320 mil toneladas anuais de produtos. A planta tem uma área total de 380 hectares (ou 3,8 milhões de metros quadrados), sendo 10% de área fabril e 324 hectares de áreas verdes e reserva ambiental.

Um dos exemplos de aplicação das soluções da BASF que contribuem para a sustentabilidade em outras fábricas é a Casa Granado. Para a construção de sua nova fábrica em Japeri (RJ), a empresa utilizou duas soluções da BASF. Uma delas é o piso de alto desempenho, chamado Ucrete. Além de não conter solvente, a solução tem como principais benefícios a grande resistência química, e mecânica e facilidade de limpeza, características essenciais em uma fábrica que lida com produtos químicos e tráfego de empilhadeiras e carrinhos.

A outra solução são os painéis isotérmicos para sistemas construtivos, que tem como principal atributo o conforto térmico.  O uso do sistema isotérmico substitui vigas, pilares, telhas, tijolos e argamassa por painéis que se encaixam numa estrutura autoportante, que permite construir com mais rapidez, eficiência, economia e maior durabilidade. Por meio de um parceiro, as peças são encomendadas na medida do projeto, garantindo baixa geração de resíduos, com uma taxa de desperdício de apenas 0,5%, o que representa oito vezes menos perdas do que o método convencional. Além disso, não é utilizada água em todo o processo produtivo, desde a fábrica até a instalação no local da obra, reforçando a proposta sustentável da edificação.

Sobre a Basf

Mais de 3920 colaboradores formam a equipe no Brasil, com vendas, de aproximadamente, 2,1 bilhões de Euros. As fábricas da companhia estão localizadas em Guaratinguetá, São Bernardo do Campo, Indaiatuba e Jacareí, todas no Estado de São Paulo. Seu portfólio de produtos vai desde químicos, plásticos, óleo e gás, até a agricultura.

Internet das Coisas como alavanca de inovação

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

A Internet das Coisas (IoT) guarda relação direta com a inovação, pois permite de forma rápida a integração de tecnologias e o desenvolvimento tecnológico, promovendo modelo de negócios para a indústria. “O empreendedor precisa tomar riscos”, de acordo com Patrícia Peck Pinheiro (docente de Direito Digital da FIA e vice-presidente jurídica da Associação Brasileira dos Profissionais e Empresas de Segurança da Informação – Asegi) moderadora de um dos painéis do III Congresso de Direito Digital da Fiesp e do Ciesp, realizado em 17 de maio.

“Somos imigrantes digitais”, afirmou Giuseppe Sidrim Marrara (diretor da Cisco do Brasil e da Comissão de IoT da Associação Brasileira da Industria Elétrica e Eletrônica – Abinee) ao se referir à geração que ainda nasceu no tempo do analógico. “A nova geração tem outros requisitos e não aceita limites, quer ter acesso em todos os lugares. Nosso conhecimento agora é cumulativo não só em termos da quantidade de dados baixados, mas também a forma, a velocidade”, explicou.

Esses fatores levam a algumas conclusões: aplicar as regras do passado nesse novo cenário não terá eficácia em termos de regulação. Marrara questionou como lidar com isso no que diz respeito ao talento e à educação se a previsão é que, em 2025, metade dos empregos existentes será substituída por computadores e máquinas – e com uma população que envelhece rapidamente. “Antes, ter a informação tornava um profissional valioso, mas hoje ela é encontrada na Internet. O que irá funcionar é ter expertise, extrair lógica dos dados, big data analytics. Se é possível criar conhecimento com a informação, o processo, há um valor agregado, uma sabedoria que antecipa o que irá acontecer. E a indústria vai inovar muito mais rápido com ganho de produtividade e logística, como predizer fraudes no sistema de óleo e gás, o monitoramento de pressão e vazamentos”, exemplificou. Para ele, todo esse processo trará impacto para a vida das pessoas com a possibilidade de incremento de empregos mais qualificados, economia de 50% de água e 30% de energia, além da oferta de educação e saúde a valores infinitamente menores ao elencar os aspectos positivos dessa ruptura.

Por isso mesmo, Lucas Pinz (especialista em tecnologia e diretor da Logicals) disse que as startups são fundamentais para a inovação e a IoT. “Temos sensores transferindo dados, e é preciso pensar no uso de informações de modo inteligente para a tomada de decisão em tempo real”, afirmou, ao exemplificar que, em São Paulo, foram instalados dispositivos em 110 bocas de lobo. O objetivo é monitorar a quantidade de lixo acumulada em bueiros, pois 60% dos que são abertos para limpeza não necessitam do serviço. Essa tecnologia avisa quais bocas precisam ser efetivamente limpas, o que reduz alagamentos na cidade, salvando vidas, carros e com impacto nos custos de manutenção.

Compliance e segurança

O painel seguinte debateu compliance e segurança. Como fica a proteção de dados pessoais? Quais os aspectos de conformidade regulatória e as necessidades de segurança da informação para IoT para que se garanta a proteção de dados e a privacidade de informações pessoais, que devem fazer parte de qualquer solução que a indústria apresente ao mercado?

A partir de dados do Big Data é possível reunir características de uma pessoa quanto às suas preferências individuais, de religião, personalidade, realizar essa psicometria, revelou Alexandre Zavaglia (diretor executivo do Instituto de Direito Público de SP-IDP) que questionou o uso desses dados quando bilhões de dispositivos estiverem conectados à internet. “O fato envolve inevitavelmente a responsabilidade de todos nós, das empresas e do pessoal da área de direito também”, disse o expositor.

Sobre o futuro da privacidade, ele comentou que é possível realizar, via programa, uma escuta ambiental: por meio de imagens de câmera é possível revelar o que duas pessoas estão falando na rua. “Com esse programa, acaba a profissão de tradutor, dublador”. Outro exemplo diz respeito ao IBM Watson News Explorer que faz buscas em 6 segundos, reunindo informação de clientes, notícias contidas em jornais, cruzando todos os dados, inclusive por relevância e em quais países. E apontou ainda uma outra situação: uma empresa pequena de aplicativos de jogos é vendida para outra, e os dados dos clientes são transferidos. Qual a garantia possível quanto à privacidade?

Para Cristina Moraes Sleiman (docente da pós-graduação em Direito Digital e Compliance da Faculdade Damásio), há muitas leis em discussão nesse sentido, incluindo o marco civil da internet. “As leis estão preparadas para essa transformação?”, questionou. “O que a empresa pode fazer para se prevenir? As empresas têm responsabilidade objetiva e há consequências”, avaliou.

“Mesmo quando se diz que seus dados não serão armazenados, é possível recuperá-los”, alertou Rogério Winter (coronel do Exército brasileiro). Aumenta a área de ataque com tantos dispositivos disponíveis, em sua avaliação, e é preciso questionar o que o usuário entende como privacidade e qual sua reação a isso. A criptografia é uma solução, mas se adquirirmos equipamentos que vêm de fora, ela estará subordinada às leis desses países. “Quem programa? Quem testa e faz a validação? A certificação e a auditagem?”, perguntou.

Há outro risco, na visão do coronel: o time to marketing, pois são lançados produtos novos agora que serão substituídos por outros em seis meses apenas. Assim, é preciso ter uma visão sociotecnológica, e não apenas tecnológica, considerando o ambiente onde ocorre o evento, os processos, as pessoas envolvidas. Ou seja, revisão da segurança e suas políticas.

Smart cities

Há uma oportunidade aberta para o empresário de microeletrônica para garantir segurança para IoT, um mercado para players industriais fazendo inovação, na análise de Johnny Doin (da Frente Parlamentar Mista em Apoio às cidades inteligentes e humanas da Câmara dos Deputados). As smart cities se confundem com IoT (com dados que podem estar na nuvem) mas naquela se envolve a estrutura física das cidades e também a segurança física, pois elas são vulneráveis a ataques e é preciso pensar na arquitetura voltada para a guerra cibernética. “Quem não enfrenta o processo com requisitos bons terá passivos no futuro”, alertou, enfatizando a necessidade do direito à segurança cibernética que deveria ser tratado como direito do cidadão, pois segurança é pública, e o cidadão deveria se sentir seguro nas ruas da cidade também.

Na opinião de Jeferson D’Addario (Daryus Consultoria), há uma falta de gestão de TI, o que possibilitou o ataque de vírus de resgate na semana passada (ransomware).“Os hackers acham tudo isso inútil, equivocado, que não serve para nada [sobre a nossa realidade], aprendem tecnologia de ponta, mas isto não vale nada”, concluiu.

Experiências do mercado e dispositivos IoT conectados

O objetivo desse painel foi promover sólida visão de casos práticos já em pleno uso de IoT, no Brasil e no mundo, além de seus impactos regulatórios, legais e de segurança, de forma que se possa entender os desafios das soluções de dispositivos já implantados.

“Precisamos de algumas regras, pois um ponto em comum de todos esses dispositivos é a programação, e aí se encontram as vulnerabilidades, mas quem opera é um ser humano”, pontuou Renato Opice Blum (docente do Insper e vice-presidente da Comissão de Direito Digital e Compliance da OAB-SP).

O crime tem usado muito a IoT. Exemplo é o ataque de 9 de abril quando, em Dallas, todas as sirenes de emergência foram disparadas por duas horas exatamente por tudo estar conectado, ilustrou Thiago Bordini (New Space Prevention Inteligência Cibernética e membro da Comissão de IoT da Abinee). Em São Paulo, um pesquisador alertou que o sistema de metrô poderia ser paralisado por conta de uma vulnerabilidade e foi constatado, no seu manual, que a criptografia vinha desativada por questão de segurança.

Para isso é preciso política de Estado, e não de governo, para que muitas coisas saíam da burrice natural e migrem para a inteligência artificial, observou Eduardo Oliva (consultor independente). E citou como exemplo o uso de drones na agricultura para alcançar microrregiões.

As ações para desenvolvimento de IoT são incentivadas com recursos do governo, em sua maioria, e por projetos de cooperação público-privada. As soluções para smart cities têm claros benefícios econômicos e sociais, como o caso da Indústria 4.0. Essas observações partiram de Francisco Giacomini Soares (diretor da Comissão de IoT da Abinee). Ele elencou os principais impactos de IoT esperados para o Brasil: legislação, regulação, mercado, tecnologia e recursos humanos.

Há diversos projetos mundiais em andamento para smart cities. Na Europa, trabalha-se nesse sentido desde 2011 com investimentos de 7 bilhões de euros a fundo perdido em pesquisa e IoT. O mesmo acontece no Japão. Na China, há um grande projeto sendo desenvolvido a fim de transformar quantidade [de produtos] em qualidade, e a IoT é compreendida como oportunidade. O mesmo se dá no Japão também e no Reino Unido, contando-se inclusive com consórcio de empresas privadas, informou o representante da Abinee.

Investigação forense

Um painel específico do III Congresso de Direito Digital foi focado em Investigação Forense e IoT, a fim de compreender problemas relacionados à investigação criminal, que deve ser conduzida em análise de casos que envolvam esse tipo de sistema, suas particularidades, dificuldades na coleta de vestígios de evidencias e indícios sob a ótica ética e lógica. O mediador foi Adriano Valim (perito forense computacional e docente no Mackenzie e Unip).

As câmeras de segurança podem ser invadidas, e esses dispositivos, hackeados, alertou Fernando Carbone (diretor de investigação cibernética na Kroll). Assim, é possível visualizar as imagens na casa da pessoa que tem esse dispositivo. O wireless também presta informações valiosas, segundo explicou o expositor.

Também integra a responsabilidade social da empresa se ela presta informações que ajude na esfera forense a esclarecer crimes. A observação feira por Marcos Tupinambá (docente da Academia de Polícia do Estado de São Paulo) foi ilustrada com o caso de lâmpadas inteligentes que foram “atacadas”, eram ligadas e desligadas remotamente, e essa falha precisou ser corrigida.

Para João Roberto Peres (professor e consultor da FGV), a IoT promove uma expansão para as pontas, com os sensores, e de outro lado, quando liga tudo isso a uma rede. Assim, cria-se um espectro mais vasto de análise de dados com a consequente ampliação da investigação, disse, na conclusão do painel.

Aproximação entre empresas e universidades é tema do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

José Eduardo Krieger, pró-reitor de Pesquisa da USP, explicou nesta sexta-feira (7 de abril) em reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp (Conic) o Mapa da Ciência de São Paulo, que idealizou durante seu período na presidência da Academia de Ciências do Estado de São Paulo.

O Mapa da Ciência de São Paulo se baseia nas 15 mesorregiões do Estado e se propõe a mostrar onde está o conhecimento e sua evolução, com indicadores como número de citações de artigos. É uma foto, comparou Krieger, que mostra instantes, e a ideia é transformá-lo num filme, tornando-o dinâmico.

A melhor maneira de agregar valor é ter os centros de P&D das empresas se aproximando das universidades, disse Krieger. O estoque de conhecimento das universidades, afirmou, precisa ser colocado à disposição das empresas, o que ainda é dificultado por problemas regulatórios.

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), segundo seu diretor, Gonçalo Pereira, não enfrenta os problemas regulatórios das universidades públicas e consegue fazer acordos rapidamente com a iniciativa privada, recebendo um prêmio, depois reinvestido em pesquisa, caso o produto seja bem-sucedido no mercado.

Comparando os rankings de produção acadêmica e de inovação, a conclusão, disse Pereira, é que o setor privado não conversa com as universidades. A Fiesp, disse, é a instituição que pode ajudar a mudar essas coisas. “Tem que haver a força econômica para fazer essa pressão.”

Pereira fez apresentação sobre a ponte entre a ciência e o setor produtivo. Começou destacando o potencial do Brasil, graças à biomassa, de capturar e transformar CO2. Explicou que a cana-de-açúcar tem alta eficiência na conversão de fótons em açúcar. E a seleção de variedades levou à criação de cana-energia, altamente produtiva. Com sua cultura e sistemas de segunda geração de produção de etanol, é possível aproveitar áreas degradadas e aumentar enormemente a produção.

Defendeu que as termelétricas atualmente queimando combustível fóssil usem biomassa. Outra tecnologia para a qual é preciso prestar atenção, segundo Pereira, é a de células a combustível, para geração de eletricidade.

Para fazer projetos como o da usina de segunda geração da Granbio, que ajudou a fundar, é preciso que o setor privado atue junto com a academia, disse Pereira.

Rodrigo Loures, presidente do Conic, destacou que os temas da reunião se alinham com a bioeconomia, principal interesse do Conic, em sua preparação para os grandes eventos programados para este ano, entre eles o que vai discutir a sustentabilidade do agronegócio na Amazônia.

Loures explicou também o conceito São Paulo 4.0. Ele surgiu a partir da constatação de que três áreas podem mover a retomada da economia: o agronegócio, a área de saúde e as cidades inteligentes. Pensou-se especificamente na região metropolitana de São Paulo. Se o ecossistema de inovação e empreendedorismo da região se tornar de classe mundial, disse, seu crescimento teria o poder de fazer avançar a economia brasileira como um todo.

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Reunião de 7 de abril do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Indústria 4.0 é tema de debate em reunião do Conic

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Todas as oportunidades são abundantes. Todos estão cientes de que temos de aprender, porque a velocidade é a regra do jogo. Com esse foco, foi realizada, na manhã desta sexta-feira (24 de março), na sede da Fiesp, reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da federação. O debate foi focado nas oportunidades de alavancagem do ecossistema de inovação de São Paulo com o projeto SP 4.0 e a relação com a Prefeitura de São Paulo.

Segundo o conselheiro Paulo Roberto Barreto Borbhausen, temos uma nova perspectiva em executar as coisas. “Para a indústria 4.0 ser uma realidade, temos que trabalhar em tecnologias em conjunto. Neste processo todos têm de ver as qualidades e defeitos um dos outros”, disse.

Ainda durante a reunião foi discutida pelos conselheiros a agenda da Bioeconomia para 2017. Também foi apresentada a agenda do Simpósio Clean Cities, que será realizado em abril deste ano, em São Paulo.

Integraram também a mesa principal da reunião Roberto Aloísio Paranhos do Rio Branco, vice-presidente do Conic; o conselheiro do Conic e do Conjur, Paulo Roberto Barreto Bornhausen; o coordenador do Comsaúde, Eduardo Giacomazzi; o conselheiro do Conic e professor da FGV Wilson Nobre e o empreendedor Celso Barbosa.

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Reunião em 24 de março do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp busca inspiração no Vale do Silício

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

“Este é um ano de grande crise no Brasil, e a crise é uma oportunidade para inovação”, disse Rodrigo Loures na abertura, nesta sexta-feira (10/2) de reunião do Conselho Superior de Inovação e Competividade da Fiesp (Conic, presidido por ele). Loures explicou a intenção do Conic de se aprofundar no estudo de ecossistemas de inovação e propôs um encontro paulista para discutir o tema.

A reunião do Conic teve como tema o Silicon Valley Institute for Business Innovation (SViBi), representado por seu diretor no Brasil e América Latina, André Cherubini Alves, e de cujas atividades participaram outros três palestrantes do evento – entre eles, José Eduardo Mendes Camargo, vice-presidente do Ciesp e diretor do Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro).

Cherubini Alves lembrou que a Fiesp foi uma das primeiras instituições visitadas por sua organização. O Silicon Valley Institute for Business Innovation, explicou, é uma iniciativa primordialmente acadêmica, mas com foco na execução, ideia de David Teece, professor conceituado em inovação, especializado em capacidades dinâmicas. A abordagem busca a junção entre academia, empresas e instituições interessadas em ir além da sala de aula, aplicando e levando para dentro das empresas conceitos, práticas e conhecimento sobre inovação. Um dos objetivos do instituto é criar o engajamento de longo prazo entre especialistas em inovação, universidades e empresas.

O SviBi pretende ser uma comunidade global de inovação, com foco em preparar as empresas para atuar no século 21, disse Alves. É uma startup, porque o Svibi está aprendendo com a experiência.

Professores brasileiros poderão integrar a rede de inovação, que em seu início teve Harvard, Stanford, Berkeley, Universidade de Chicago e outras referências no ensino de economia.

A primeira etapa da atividade (chamada de jornada) oferecida pelo SviBi, a un-conference, teve lugar de 10 a 12 de janeiro, na Califórnia. Entre as empresas brasileiras participantes estiveram a Embraer, o Itaú-Unibanco, o grupo Boticário, a QueenNut, a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.

Na abertura da un-conference, David Teece explicou que o Vale do Silício não é simplesmente um local – é um estado de espírito que abraça a diversidade, questiona o status quo e procura soluções inovadoras para problemas da sociedade. Essa busca leva à formação de grandes empresas, afirmou. Também falou sobre o emprego da teoria das capacidades dinâmicas na análise da prosperidade das empresas no longo prazo.

Outra apresentação foi de Michael Tushman, sobre ambidestria estrutural, ou seja, o que fazer para cuidar dos negócios atuais e ao mesmo tempo gerar inovação. Clayton Christensen descreveu quatro tipos de inovação: do tipo get the job done, a de eficiência, a sustentável e a disruptiva.

Gary Hamel apresentou os desafios do século 21 e falou sobre a necessidade de levar para dentro das grandes corporações o espírito do Vale do Silício, com abordagens gerenciais mais diretas, abertas, horizontais, simples e livres.

Daniel Diermeier, cofundador do SviBi, falou no terceiro dia, sobre os desafios da gestão em lidar com a reputação ao longo do processo de inovação e como aproveitar uma crise para fazer a coisa certa e melhorar a imagem da empresa no mercado.

Nos encontros one-on-one as equipes empresariais conversaram com os professores, em diversas reuniões, sobre seus principais desafios em relação à inovação e sobre um plano de inovação a ser executado ao longo de 12 meses.

O próximo passo da jornada estende-se por 12 meses, com a elaboração pelos participantes de uma carta representando um plano de execução da inovação.

Gabriel Cherubini, CEO da P&C Arte Mobili e participante da jornada, disse que os conceitos de capacidades dinâmicas e ambidestria mereceram sua atenção. A questão hoje está em criar o envolvimento de todos, em todos os níveis da empresa, afirmou. Em sua opinião, todas as pessoas na empresa são estratégicas e devem pensar em inovação.

José Eduardo Mendes Camargo, vice-presidente do Ciesp e diretor do Deagro, disse que foi levado a participar da jornada da SviBi por ter vontade permanente de inovação. Antes, visitou o Napa Valley, outro ecossistema de inovação. Ali foi criado um espírito de parceria, destacou.

O curso, sob um olhar empresarial, foi muito interessante, disse. Há no Silicon Valley uma sistematização. A criação de uma rede, envolvendo empresas, universidades e consumidores, faz parte disso.

E o cliente é olhado de forma diferente, uma lição bem ensinada por Steve Jobs, da Apple, que observava atentamente seus possíveis consumidores e ia além do que eles queriam, explicou Camargo.

Questionar o status quo faz parte do segredo das empresas inovadoras. Culpa não faz parte do vocabulário delas, mas velocidade sim. Nos riscos é possível criar hedge, mas para as incertezas isso não ocorre, disse, e isso é um conceito mostrado no curso. Preparação para reagir rapidamente frente a um problema pode até levar a ganho de prestígio numa crise, em vez de perda. Olhar para dentro, sem esquecer de olhar para fora, foi outro conceito importante transmitido, na opinião de Camargo.

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Reunião do Conic que teve como tema o Silicon Valley Institute for Business Innovation. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Mudança à vista

Também palestrante na reunião do Conic, Humberto Humberto Pereira, vice-presidente de Engenharia e Tecnologia da Embraer, considerou muito interessante o curso, com o cumprimento de toda a agenda e a logística bem resolvida. O contato com pensadores da área e o tratamento dos dilemas empresariais foram destaque.

A ambidestria, a capacidade de tocar a operação e enxergar opções, segundo Pereira, é importante e deve ser seguida na composição do conselho de uma empresa.

Pereira ressaltou que a velocidade de mudança é alta. Para breve deve haver uma disrupção no setor de energia. Empresas de petróleo, lembrou, investem em sistemas de armazenamento, em baterias. Eder Trevisan, diretor do Dempi, pediu comentário adicional sobre isso. Pereira exemplificou com a rendimento energético da cana, de 1%, o que já é atingido por células fotovoltaicas. As baterias estão ganhando capacidade e diminuindo de preço de forma exponencial, disse.

Na opinião de Pereira, não vamos replicar aqui em curto prazo o ambiente do Vale do Silício. Perdemos o tempo, não temos a ciência básica. O mesmo acontece em hardware, e talvez nos reste ter papel importante como integradores, em vez de ser integrados. É preciso ter foco nesse cenário, disse o diretor da Embraer.

Criar mercados, ser disruptivo, é o que gera valor, foi uma das lições aprendidas. Apenas se manter competitivo num mercado não basta. E também a educação, necessária, não é mais suficiente. Necessário fazer a integração de tecnologia. E está nas startups, dentro ou fora da empresa, a inovação necessária, está em sua natureza empreender e gerar valor.

O tema despertou o interesse dos conselheiros do Conic e outros participantes da reunião. A plateia estava lotada, e os participantes se manifestaram. Roberto Paranhos do Rio Branco, vice-presidente do Conic, disse que os depoimentos reforçam que falta ao Brasil levar às indústrias de menor porte a noção de que há caminhos, que é possível inovar.

Donizete Duarte da Silva, diretor do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp (Dempi), lembrou a falta de capital intelectual nas fábricas brasileiras, especialmente nas micro, médias e pequenas, que são maioria. Algo promissor, em sua opinião, são as impressoras 3D, que ameaçam a manufatura, e que são fabricadas por poucas empresas. A indústria brasileira deveria se mobilizar para fabricá-las, disse.

Marco Antonio dos Reis, diretor titular adjunto do Dempi, explicou o empenho do departamento em levar as indústrias de menor porte a inovar.

Inovação é coisa difícil, disse Russ Rosenzweig, CEO da SviBi, que entrou via Skype. A difusão do conceito de inovação, explicou, é um dos objetivos das un-conferences. E a ida dos executivos ao Vale do Silício é outro, para que eles respirem o ar local, sintam o ambiente.

Os três pilares do curso são conteúdo, encontros diretos com os professores e a formação de grupos de pares não concorrentes.

Para criar um ecossistema de inovação os países emergentes precisam cuidar da difusão do conhecimento, os conceitos essenciais da inovação, que podem ser aprendidos, afirmou. Um grupo de empresas inovadoras pode tomar a frente. Há literatura sobre a criação desses ecossistemas, e isso pode ser conseguido no Brasil. “Não é copiar o Vale do Silício.”

Adriana Baraldi, conselheira do Conic, pediu comentário sobre capital humano, as pessoas, que Rosenzweig considera que devem ser transformados em empreendedores. A disseminação disso na empresa inteira é possível, havendo literatura disponível, estudos de caso. Há diferenças culturais não apenas entre países, mas entre empresas, e isso deve ser considerado, aconselhou.

O conceito essencial do Vale do Silício é criar e disseminar conhecimento. No Brasil, as empresas tendem a não se comunicar, a não interagir, lembrou André Alves.

‘A escola terá de ousar para ensinar melhor’, diz superintendente do Sesi-SP em Congresso do CJE

Rosângela Gallardo, Agência Fiesp Indusnet

Para atender às novas necessidades do mundo do trabalho no século XXI, educadores e instituições de ensino precisarão ousar. A opinião é unanimidade entre os especialistas da área de educação reunidos hoje no Congresso do Conselho dos Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp para apresentar iniciativas inovadoras na área. O evento foi realizado ao longo desta terça-feira (01/11), na sede da federação, em São Paulo.

“O Brasil tem muito diagnóstico sobre educação, mas pouca solução”, pontuou Walter Vicioni, superintendente do Sesi-SP e diretor regional do Senai-SP.

Para ele, é preciso fazer rupturas para conseguir resultados diferentes. “Entendemos que as entidades educacionais da indústria precisam de uma formação básica sólida para formar os novos profissionais, por isso optamos por um modelo que estimule o aluno a construir o conhecimento e a empreender”.

Para alcançar esse objetivo, a rede Sesi-SP passará, a partir do próximo ano, a conectar as disciplinas a partir de eixos integradores, uma forma de relacionar diferentes conteúdos e aproximá-los do cotidiano do aluno. Na outra ponta, a entidade pretende investir fortemente na formação do docente. Tanto que criou, recentemente, a Faculdade Sesi-SP de Educação, no bairro da Vila Leopoldina, na capital, para formar professores por área de conhecimento e incentivar a prática de ensino.

“Nossos estudantes terão a oportunidade de realizar residência educacional de 20 horas por semana, o que sintetiza a essência do ‘fazer educacional’. Ao final do curso, poderão ser integrados ao corpo docente da instituição”, explica o superintendente do Sesi-SP. A criação de um laboratório de fabricação digital, o Fab Lab Escola Sesi-SP – conectado a uma rede com outros 60 espaços similares espalhados pelo mundo – e a difusão da ciência e tecnologia por meio da robótica e torneios locais e internacionais completam as recentes novidades implementadas pela instituição.

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Vicioni: disciplinas organizadas a partir de eixos integradores em nome do futuro da educação. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Eduardo Gomide, cofundador do Grupo Educacional Weducation, com escolas em São Paulo e São José dos Campos, destacou que os ambientes pedagógicos necessitam motivar alunos com grandes habilidades digitais, mas pouca paciência para aulas expositivas tradicionais. “A educação pressupõe metodologia pedagógica, por isso adotamos tecnologia sofisticada em sala de aula”, explicou Gomide. Junto com a Google, o grupo redefiniu os ambientes pedagógicos para integrar o conhecimento às novas ferramentas digitais.

Na opinião de Alexandre Campos Silva, Education Partner Manager no Google for Education, a tecnologia necessita ser integrada ao ambiente escolar porque sua massificação é um fenômeno mundial, que nasceu da proximidade com a academia. “Nem todos sabem, mas o Google nasceu de um projeto de doutorado de dois engenheiros da Universidade de Stanford, na Califórnia, que desejavam juntar todo o conhecimento do mundo em um buscador”, contou Silva. “E só deu certo porque o orientador acreditou que a ideia, inicialmente maluca, era inovadora”, completou.

Segundo ele, o grande desafio do futuro – que está bem próximo – será formar jovens que irão trabalhar em carreiras que ainda nem existem hoje porque o mundo está em permanente transformação.


Reunião do Code discute projeto para inovação no esporte brasileiro

Amanda Demétrio, Agência Indusnet Fiesp

Com o objetivo de conhecer as necessidades e definir as diretrizes do esporte no Brasil, para uma possível ascensão do país no cenário mundial, o Projeto Referências, da pesquisadora e professora Maureen Flores, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi o tema, na tarde desta segunda-feira (29/8), da reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto da Fiesp (Code).

Com previsão de término para o final de 2017, o projeto, que tem como parceiro o Ministério do Esporte, é um grande banco de dados, onde todas as informações, desde gestão até a infraestrutura, estão sendo compiladas. O número e detalhamento das modalidades olímpicas e paralímpicas, a quantidade de atletas praticantes e os materiais necessários para cada segmento são algumas das informações que completam e dão referências para um trabalho de inovação.

“Inovação não é uma boa ideia, inovação tem que estar na economia e gerar recursos. Só é inovação aquilo que está no sistema econômico e gera riqueza. Se não estiver dentro desses parâmetros é apenas uma boa ideia. Além disso, em todos os países, a inovação no esporte é catalisada pelo alto rendimento. Enquanto a gente não tem dados do alto rendimento, a gente não catapulta o setor econômico, que baliza o esporte, a indústria, o equipamento, material e tecnologia”, comentou Flores.

Segundo as pesquisas de doutorado da pesquisadora, o Brasil só conseguirá evoluir e catapultar indústrias se vincular os dados do alto rendimento com investimentos na exportação e acrescentar o esporte na agenda econômica. Exemplo desse crescimento no cenário mundial é a Grã-Bretanha, uma das maiores exportadoras. Enquanto o esporte cuida da política de alto rendimento, a estratégia de medalhas nestes países é 100% vinculada a uma estratégia de exportação.

“Para que tudo isso aconteça, para esse pulo que o Brasil possa dar, vamos ter que ter um comitê de qualificação. Enquanto a gente exportar pouco, a gente importa muito. O que nós precisamos é uma articulação, combinar projetos com base de dados e a criação de uma ponte que ligue o nosso sistema produtivo do esporte a uma política de exportação. Esse é o segredo da mina já traçado por outros países, como a Holanda, que exporta 3 bilhões de euros em material esportivo por ano.”

Apresentado o projeto, Maurren abriu a discussão para possíveis questionamentos e apoios. “Estamos aqui no templo da indústria, então a inovação do esporte vai passar por aqui. Se existe um comitê aqui dentro que fala de esporte, as ações terão que passar por esse centro. Então trouxemos o tema aqui hoje, para estudar os próximos passos”, finalizou.

Sob o comando do coordenador do Code, Mario Frugiuele, a reunião ainda contou com a apresentação de Edgar Corona como o novo presidente do Conselho. Emerson Fittipaldi permanece no Comitê, mas deixa a presidência após assumir outros compromissos fora do país.

Antes de finalizar a reunião, Frugiuele, comentou o sucesso do Projeto Campus Itália, que contou com o apoio e parceria do Code e do Sesi-SP e ressaltou o feedback positivo que teve dos atletas olímpicos do atletismo italiano que participaram da interação com os alunos do Sesi-SP.

Frugiuele também fez breve balanço dos Jogos Olímpicos Rio 2016. “O Brasil, sediando a olimpíada como evento, foi bem. O país criou um componente fundamental para reverter o jogo, gerou uma questão de confiança e motivação. A população, o empresário, precisa acreditar em si e o evento gerou isso. A gente já detectou uma reação positiva nas pessoas em relação ao evento olímpico.”

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Reunião do Code, da Fiesp, com a participação da pesquisadora Maureen Flores. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Pesquisa da Fiesp mostra aumento no investimento em P&D e gestão e queda em inovação

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

A indústria brasileira deve investir R$ 6,8 bilhões em pesquisa e desenvolvimento (P&D) este ano, 4,9% a mais do que os R$ 6,5 bilhões de 2015.  Também se espera um crescimento de 5,6% no investimento em gestão, de R$ 8,5 bilhões para R$ 9 bilhões, e redução de 8,6% no investimento em inovação, de R$ 11,5 bilhões para R$ 10,5 bilhões. Somando os três itens, estima-se queda de 0,8%, de R$ 26,5 bilhões em 2015 para R$ 26,3 bilhões em 2016. Os resultados, divulgados nesta quinta-feira (25/8), são da Pesquisa Fiesp de Intenção de Investimento em Inovação 2016.

“Em linhas gerais, nossa avaliação é de que, diferentemente do que se esperava para um cenário de grave crise econômica, que era uma redução dos investimentos em todas essas modalidades, os investimentos em gestão e P&D mostraram o contrário, e isso é positivo, pois reforça o aprendizado das empresas quanto à importância desses investimentos para a competitividade”, explica o diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp (Decomtec), José Ricardo Roriz Coelho.

A queda de 8,6% no investimento em inovação está relacionada tanto ao caráter mais flexível das atividades que a compõem quanto ao fato de ter o maior investimento absoluto entre as três modalidades, o que permite trabalhar com corte de custos.

A pesquisa foi realizada entre os dias 14 de março e 22 de abril de 2016 com a participação de 1.120 empresas, sendo 534 pequenas, 405 médias e 181 grandes. Todos os setores da indústria de transformação foram considerados, exceto fabricação de coque e produtos derivados do petróleo. Os resultados foram expandidos pela Pesquisa Industrial Anual (PIA/IBGE), que permite a análise nacional.

De acordo com o levantamento, os investimentos em gestão deverão aumentar em 23,6% nas grandes empresas, mas serão reduzidos em 31,8% pelas pequenas e 48,6% pelas médias. Já em inovação, serão reduzidos em todos os portes: 17,7% nas pequenas, 38,6% nas médias e 1,4% nas grandes. E os investimentos em P&D deverão aumentar 25% nas pequenas e 11,3% nas grandes, mas serão reduzidos em 31,4% pelas médias.

Pela primeira vez, a pesquisa foi dividida em duas partes. A primeira, divulgada em junho, contemplou o investimento fixo da indústria de transformação (máquinas, equipamentos e instalações). Esta segunda parte avalia exclusivamente o investimento em gestão, inovação e P&D.

Segundo o estudo, os R$ 9 bilhões que serão investidos em gestão serão compostos por 69% de recursos próprios, 24% de recursos de terceiros privados e 7% de recursos públicos. Com relação a 2015, isso significa uma queda de 17 pontos percentuais (p.p.) na utilização de recursos próprios, um aumento de 16 p.p. nos recursos de terceiros privados e de 1 p.p.nos recursos públicos.

Os R$ 10,5 bilhões investidos em inovação serão compostos por 71% de recursos próprios, 17% de recursos de terceiros privados e 12% de recursos públicos. Com relação a 2015, isso representa a manutenção do nível de utilização dos recursos próprios, a redução de 5 p.p. do uso de terceiros privados e aumento de 5 p.p. de recursos públicos.

Os R$ 6,8 bilhões que serão investidos em P&D serão compostos por 72% de recursos próprios, 13% de recursos de terceiros privados e 15% de recursos públicos. Com relação a 2015, isso representa uma queda de 12 p.p. na utilização de recursos próprios, um aumento de 5 p.p. de terceiros privados e 7 p.p. de recursos públicos.

Segundo Roriz, é preocupante o aumento esperado para os recursos de terceiros privados e públicos, pois, no tocante ao crédito privado, os recentes aumentos na taxa de juros, acompanhados da restrição de crédito e escassez de recursos, representam grandes obstáculos a serem superados. “E o processo de austeridade fiscal, que aos poucos é implementado no governo, já impacta sobremaneira as principais agências de fomento do país”, afirma.

Em 2015, os desembolsos do BNDES para inovação diminuíram 9% na comparação com 2014, saindo de R$ 6,5 bilhões para R$ 6 bilhões. Na Finep, os desembolsos foram reduzidos em 50%, saindo de R$ 5,3 bilhões para R$ 2,6 bilhões. Acompanhando essa tendência, a demanda por crédito para inovação na Finep despencou de R$ 19 bilhões em 2013 para R$ 3,6 bilhões em 2015.

Outro instrumento de apoio que também se tornou vulnerável em razão da crise econômica é o incentivo fiscal à inovação previsto na Lei do Bem (Lei nº 11.196/2015). De 2013 a 2015 seu crescimento se manteve estável na casa de 1% ao ano. Além disso, a Medida Provisória nº 694/2015, que tentou suspendê-lo, caducou, mas deixou como legado o aumento da insegurança jurídica, e, por consequência, um desincentivo ao investimento em P&D.

“Para reverter esse cenário, é preciso reconhecer a necessidade de se construir uma agenda de longo prazo combinada com o uso estratégico dos recursos públicos”, afirma Roriz, ressalvando que não se pode desconsiderar o contexto atual de austeridade econômica.

Indústria 4.0 é questão de sobrevivência

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Por que implantar a Indústria 4.0? Para que efetivamente se garanta a sobrevivência da empresa. A pergunta e a resposta foram formuladas nesta sexta-feira (12/8) durante reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp (Conic) por Carlos Alberto Schneider, presidente do Conselho da Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi). Ele fez apresentação em conjunto com Ronald Dauscha, presidente do Centro Latino-Americano de Inovação, Excelência e Qualidade (Claeq).

Schneider e Dauscha explicaram sua proposta para criar no Brasil uma iniciativa avançada em Indústria 4.0, a exemplo do que já têm Alemanha, China, Estados Unidos e França. Há vários movimentos de Indústria 4.0 no Brasil, explicou, com diferentes nomes. Citou oito – e também instituições que atuam em relação ao tema.

Dauscha destacou a estagnação brasileira em produtividade, o que é um desafio para a competitividade. Há necessidade de eficiência e de competitividade no mercado mundial, afirmou. Flexibilidade, inovação, sustentabilidade, produtividade e qualidade são as características que as empresas devem ter. Em todas essas frentes deve haver ganhos com a Indústria 4.0 – que, na definição de Schneider, é automação com uso do computador e com uma inteligência própria, com máquinas dotadas de sensores que lhes permitem decidir por mudanças nos processos.

Claeq e Certi propõem um processo chamado Rumo a I-4.0, que começa por um diagnóstico inicial em seis itens, já sabendo onde se quer chegar: planejamento estratégico; gestão da qualidade e processos; engenharia, pesquisa, desenvolvimento e inovação; logística e pós-venda; fornecedores; tecnologias para a Indústria 4.0.

Completado o diagnóstico, é iniciada a implementação, com novas rodadas periódicas para continuar o avanço. O programa Rumo a I-4.0 prevê três etapas.

Um ponto destacado na apresentação foi a mudança de perfil nos recursos humanos, com menos trabalho físico e mais trabalho intelectual, com necessidade forte de formação de CdO (cabeças de operação). RH, defenderam, é muito importante na Indústria 4.0.

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Reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp, com Indústria 4.0 entre seus temas. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Schneider traçou o histórico das eras industriais, até chegar à Indústria 4.0. No novo paradigma da Fábrica 4.0, explicou, há um processo de automação em toda a fábrica e fora dela, incluindo os fornecedores, e em muitos casos, com interação com os clientes.

Tecnologias necessárias incluem a computação em nuvem, a Internet das Coisas, Big Data e outras, incluindo redes sem fio, RFID, virtualização (capacidade de rodar diferentes sistemas numa máquina). Fora isso, é preciso usar coisas como técnicas modernas de gerenciamento em todas as etapas do negócio, os preceitos de controle de qualidade total (QTC).

Dauscha explicou as razões para o lento avanço da Indústria 4.0 no Brasil e derrubou mitos. Não é complexa, não precisa ser implementada de uma vez, não é simples compra de tecnologia, nem todas as tecnologias estão maduras e disponíveis.

Sugere que as empresas parem, questionem e reflitam sobre, por exemplo, se há uma estratégia voltada à Indústria 4.0. Dauscha disse que se quisermos mudar de forma drástica a indústria brasileira, é preciso fazer algo semelhante ao que foi apresentado.

Vale do Silício

Na reunião, conduzida por Rodrigo Loures, presidente do Conic, André Cherubini Alves, diretor no Brasil e América Latina do Silicon Valley Institute for Business Innovation (SViBi), explicou que o programa é um projeto em construção, liderado por David Teece. É um instituto no Vale do Silício e um programa exclusivo para empresas com foco em inovação.

Seu objetivo é criar oportunidade de engajamento para empresas com interesse em inovação. Ideia é convidar equipes de até 3 pessoas responsáveis por pensar em inovação nas empresas. Elas devem ir em janeiro de 2017 para Mountain View, na Califórnia, para 3 dias de imersão. Depois as empresas se comprometem a criar e implementar ao longo de 12 meses um plano de inovação. Custa US$ 11.995.

O momento do Brasil, disse Alves, é de incerteza, de repensar as empresas, para reposicionamento e busca de novos mercados. Mais do que nunca é momento de pensar e agir, de levar a inovação para dentro das empresas.

Ao apresentar Cherubini Alves, Loures lembrou a importância de criar no Brasil ecossistemas de inovação de classe mundial. E ressaltou que o país vem perdendo competitividade.

Loures destacou também a necessidade de avançar na discussão de uma nova institucionalidade para a área de ciência e tecnologia no Brasil e apresentou um diagnóstico dos problemas do país na área. Em relação ao Conic, disse que há ausência de seus agentes em projetos ativos de inovação em empresas, escolas e movimentos. Pode ser um agente de mudança, disse, levando os demais atores a sair da zona de conforto. Para isso o Conic precisa criar uma estrutura, com participantes que integrem vários outros grupos relevantes na questão. Ronald Dauscha, presidente do Claeq, ficou encarregado de sistematizar a proposta, a ser apresentada ao Ministério das Comunicações, Ciência e Tecnologia.

Roberto Paranhos do Rio Branco, vice-presidente do Conic, e Paulo Bornhausen, conselheiro, também estavam na mesa principal da reunião.

Fiesp recebe inscrições para a 8ª edição do concurso que aproxima startups de grandes investidores

Agência Indusnet Fiesp

Com o objetivo de incentivar o empreendedorismo inovador e de aproximar projetos e empresas de investidores, a Fiesp recebe até dia 15 de junho inscrições para a 8ª edição do Concurso Acelera Startup. Podem ser efetuadas inscrições de projetos ou de empresas, tanto pré-operacionais (sem faturamento) quanto operacionais (que já tenham faturamento), nas categorias geral; comunicação; fintech; têxtil, moda e beleza.

Serão selecionados os 200 melhores projetos e/ou empresas, que terão a oportunidade de participar de palestras, mentorias e avaliações classificatórias. A divulgação dos projetos e empresas escolhidos acontecerá no dia 28 de junho.

Os mais bem avaliados chegarão como finalistas do evento, podendo apresentar seu negócio, no modelo de elevator pitch (até 3 minutos de exposição), à banca de investidores mais seleta do mercado. Pela primeira vez, serão premiados projetos e empresas inovadoras tanto em fase pré-operacional quanto operacional.

Além de aproximar os empreendedores de potenciais investidores, a Fiesp espera colaborar com a difusão do tema no meio empresarial. O evento acontece nos dias 5 e 6 de julho, no edifício-sede da Fiesp.

Nas últimas edições do evento, foram recebidas mais de 11.500 inscrições de todo o Brasil e participaram mais de 300 mentores e mais de 250 investidores. Somando as edições anteriores (2011, 2012, 2013, 2014 e 2015), o evento já gerou investimentos de mais de R$ 5 milhões.

As inscrições vão até o dia 15 de junho e podem ser feitas na página do evento http://hotsite.fiesp.com.br/acelera/

Serviço:

Concurso Acelera Startup

Data: 5 e 6 de julho (inscrição até 15 de junho)

Local: Edifício-sede da Fiesp.

Endereço: Avenida Paulista, 1313, São Paulo

Inscrições: http://hotsite.fiesp.com.br/acelera/