14º Encontro de Energia: painel debate soluções de eficiência energética

Patricia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Isac Roizenblatt, da Abilux: tecnologia dos leds vieio para ficar. Foto: Everton Amaro/Fiesp

No segundo dia do 14º Encontro de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), 06/08, o painel sobre “Inovação Tecnológica e Eficiência Energética” reuniu profissionais do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel), do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID),  da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux) e da empresa Expertise, Consultoria e Ordenamento em Energia Eficiente (Ecoee) no hotel Unique, em São Paulo.

Para o diretor da Abilux, Isac Roizenblatt, o sistema de iluminação vai se transformar totalmente. “Temos de investir em iluminação de longa duração, como no Japão, em que 68% da iluminação são com lâmpadas de leds. Isso é uma decisão política rumo à melhoria, além da consciência da população.”

“Os leds estão superando as outras tecnologias. Esta tecnologia veio para ficar na indústria, farmácia, hospitais, iluminação pública, dentre outros lugares. Outra tecnologia que está se ampliando é a isoleds, que tem espessura de uma folha de papel e baixo consumo se comparado com a nível de iluminação”, disse Roizenblatt, para quem o Brasil deve investir mais em iluminação compatível com sustentabilidade e economia.

Cyro Bocuzzi, diretor da Ecoee: "por falta de planejamento da demanda, consumidores comerciais e industriais pagam mais do que necessitam". Foto: Everton Amaro/Fiesp

Segundo o diretor da Ecoee, Cyro Bocuzzi, para que haja inovação tecnológica e eficiência energética, é necessário haver prioridade mundial, progresso tecnológico, equipamentos que usem menos energia, gerenciamento de demandas, dentre outras ações.  “Por falta de planejamento da demanda, muitos consumidores comerciais e industriais pagam mais do que necessitam de energia. É necessário que se faça um enfileiramento digital dos equipamentos para que o uso de energia seja menor”, alerta.

Bocuzzi abordou, ainda, a tecnologia “eCurv”, com patente americana e que deve operar tão logo no Brasil. “Esta tecnologia proporciona inteligência acionável para desempenho aprimorado. Sem contar que os sistemas têm fluxos de informação, análise de ciclo de vida, medições contínuas e elaboração de relatórios em tempo real. Estamos falando de um sistema completamente diferente com integração de software, que pode trabalhar isoladamente ou não, dependendo da demanda. Os resultados principais são: a mudança imperceptível na eletricidade menores custos com serviços elétricos”, concluiu.

Por que inovar?

Enrique Rodriguez Flores, do BID: papel do Energy Innovation Center. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Enrique Rodriguez Flores, especialista regional em energia do BID, disse que a divisão da Energy Innovation Center trabalha para levar acesso às tecnologias e melhorar o mundo. “Temos um banco de dados com 26 países latino-americanos, com sistema de incentivo de energia. Além disso, focamos em publicar nossos estudos tecnológicos modernos na mídia. Nesse sentido, trabalhamos com programas de capacitação em eficiência energética, gás natural, energia marina, dentre outros”, explicou.

Já o diretor geral do Cepel, Albert Geber de Melo, apresentou projeções de pesquisas elétricas do Brasil e do mundo. “Não há desenvolvimento sustentável sem energia sustentável. O desenvolvimento sustentável é o progresso que procura atender às necessidades do presente”, disse.

Albert Geber de Melo: atuação do Cepel. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Geber acrescentou que o Cepel tem reconhecimento internacional pelo seu sistema de planejamento das operações desenvolvidas no Brasil. Ele citou inclusive o caso da hidrelétrica de Itaipu.

“Não basta encontrar uma solução de equilíbrio. Temos de ter soluções com compromisso. Nesse sentido, primeiro temos de reconhecer os recursos e depois ter uma visão de longo, médio e, por fim, curto prazo para planejar as soluções. Ainda temos um grande potencial a ser desenvolvido no Brasil e o Cepel tem trabalhado em pesquisa com otimização de linhas de longa distância.”

 

 

 

Ciesp, Fiesp e Senai iniciam programa de inovação para capacitar 240 empresas paulistas

Odair Souza, Agência Indusnet Fiesp

No intuito de capacitar 240 empresas de micro, pequeno e médio porte, a Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP) iniciam nesta terça-feira (07/08), em Sorocaba, a primeira etapa do Programa de Extensão Tecnológica Fiesp-Ciesp-Senai. Integram o projeto também a Agência USP de Inovação e o Sebrae-SP.

A iniciativa pretende levar aos empresários o conhecimento dos instrumentos de apoio existentes, facilitar o acesso a instituições de pesquisa e desenvolvimento e, principalmente, capacitá-los para a elaboração de projetos de inovação tecnológica conforme requeridos pelas entidades de financiamento e fomento.

A primeira etapa do programa contempla reuniões de sensibilização e mobilização nos principais polos industriais do Estado para o tema inovação. Além das empresas industriais de Sorocaba, o programa vai atender indústrias do ABCD, Guarulhos, Campinas, Piracicaba e Osasco (Cotia e Zona Oeste da Capital).

Assessoria individual

Após outras duas etapas de capacitação de seus profissionais, as empresas contarão com assessoria individual para diagnósticos, elaboração e implementação de seu plano de gestão e elaboração de projetos a serem apresentados às instituições de fomento e financiamento como o Finep, BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento) e Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

O projeto deverá ter 131 horas de serviços de consultoria e capacitação e deve durar entre um ano e um ano e meio, de acordo com a evolução das empresas.

Parceria

O Programa de Extensão Tecnológica foi anunciado no final de maio, quando foi firmada a parceria entre o Ciesp, a Fiesp, o Senai-SP e a Agência USP de Inovação Tecnológica. Estiveram presentes o presidente em exercício (na ocasião) do Ciesp, Rafael Cervone; o 2º vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto; e o pró-reitor de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), Marco Antonio Zago.

Serviço
Projeto de Inovação Tecnológica Fiesp-Ciesp-Senai-SP

Calendário de lançamento

  • Sorocaba: Dia 7 de agosto, às 8h30
    Local: Ciesp Sorocaba
  • Região do ABCD: Dia 9 de agosto, às 8h30
    Local: Teatro da Escola Senai Mario Amato – São Bernardo do Campo
  • Gurulhos: Dia 15 de agosto, às 8h30
    Local: Ciesp Guarulhos
  • Campinas: Dia 21 de agosto, às 19 horas
    Local: Ciesp Campinas
  • Piracicaba: Dia 22 de agosto, às 7h30
    Local: Escola Senai “Mário Dedini”
  • Osasco, Capital e Cotia: Dia 4 de setembro, às 8h30
    Local: Ciesp Osasco

 

Parceria entre Fiesp/Ciesp/Senai-SP e USP capacitará empresários em Inovação tecnológica

Emilse Bentson, Agência Indusnet Fiesp

No intuito de preparar as indústrias paulistas para a inovação tecnológica, a Fiesp, o Ciesp e o Senai-SP, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), anunciam nesta quinta-feira (31/05), uma nova parceria.

As iniciativas incluem dois programas e um curso de pós-graduação. O programa de extensão tecnológica Fiesp/Ciesp/Senai-SP vai atender 240 empresas de diversos setores, em seis regiões do Estado. O programa Nagi P&G (Núcleo de Apoio a Gestão da Inovação Setor de Petróleo e Gás), beneficiará 400 empresas em dez regiões. Já o curso de Aperfeiçoamento em Gestão da Inovação nas Empresas da Agência USP de Inovação Tecnológica é dirigido a empresários de todos as áreas. A pós-graduação oferecerá 500 vagas e terá duração de 204 horas (8 meses).

As iniciativas serão detalhadas na cerimônia de lançamento, a partir das 9h30, na sede da Fiesp, em evento que contará com a presença de João Guilherme Sabino Ometto, 2º vice-presidente da Fiesp, Rafael Cervone Neto, presidente em exercício do Ciesp, e de Vanderlei Salvador Bagnato, o pró-reitor de Pesquisa da Universidade de São Paulo (USP).

O Programa de Extensão Tecnológica tem como proposta informar e ensinar empresários de micro, pequeno e médio porte a inscrever suas indústrias em projetos de inovação tecnológica e buscar as melhores linhas de fomento. A meta é capacitar 240 empresas.

Até o momento, 40 funcionários da Fiesp/Ciesp/Senai-SP já foram preparados. Os formandos no programa irão disseminar conhecimento nos núcleos de inovação das entidades em seis localidades: Guarulhos, Osasco, Grande ABC, Sorocaba, Campinas e Piracicaba.

 

Parceria entre Fiesp/Ciesp/Senai-SP e USP capacitará empresários em Inovação tecnológica

Emilse Bentson, Agência Indusnet Fiesp

No intuito de preparar as indústrias paulistas para a inovação tecnológica, a Fiesp, o Ciesp e o Senai-SP, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), lançam nesta quinta-feira (31/05) dois programas e um curso de pós-graduação:

  • Programa de Extensão Tecnológica Fiesp/Ciesp/Senai-SP;
  • Programa Nagi P&G (Núcleo de Apoio a Gestão da Inovação Setor de Petróleo e Gás);
  • Curso de Aperfeiçoamento em Gestão da Inovação nas Empresas da Agência USP de Inovação Tecnológica.

 

As iniciativas serão detalhadas na cerimônia de lançamento, a partir das 9h30, na sede da Fiesp, em evento que contará com a presença de Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp/Senai-SP, e de Vanderlei Salvador Bagnato, coordenador da Agência USP de Inovação.

O Programa de Extensão Tecnológica tem como proposta informar e ensinar empresários de micro, pequeno e médio porte a inscrever suas indústrias em projetos de inovação tecnológica e buscar as melhores linhas de fomento. A meta é capacitar 240 empresas.

Até o momento, 40 funcionários da Fiesp/Ciesp/Senai-SP já foram preparados. Os formandos no programa irão disseminar conhecimento nos núcleos de inovação das entidades em seis localidades: Guarulhos, Osasco, Grande ABC, Sorocaba, Campinas e Piracicaba.

Confira aqui a programação do evento.

Fiesp apoia inovação tecnológica para implantar plano nacional de resíduos sólidos

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Eduardo San Martin, diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, fala durante abertura da 3º Audiência Pública sobre Resíduos Sólidos

 

 

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) é sede da terceira audiência pública do Plano Nacional de Resíduos Sólidos, Região Sudeste, que acontece até esta terça-feira (11). Durante a abertura, a entidade reforçou seu apoio ao plano que prevê ganhos não só para a sociedade, mas também para o setor produtivo com a redução de gastos.

“Nosso papel é orientar sobre o que a lei estabelece e envolver todos os setores neste processo”, afirmou Eduardo San Martin, diretor de Meio Ambiente do Ciesp e diretor-titular adjunto do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp. “Hoje, jogamos dinheiro no lixo. O cumprimento da lei será um ganho”.

San Martin alerta que um ato como diminuir o tamanho das embalagens dos produtos pode ser uma atitude que tanto reduz os custos de produção quanto favorece a nova política de resíduos sólidos.

“A quantidade de resíduos que se joga fora aumentou em relação ao passado por conta do formato das embalagens. Os setores produtivos precisam pensar em outra forma de embalar seus produtos”, disse San Martin. “Isso é inovação tecnológica. É isso o que a Fiesp apoia”, acrescentou.

Nesta segunda-feira (10), houve a apresentação da versão preliminar do Plano Nacional de Resíduos Sólidos e durante a tarde, grupos discutirão estratégias gerais, diretrizes, metas e temas transversais, como educação ambiental, logística reversa e instrumentos econômicos.

No segundo e última dia de debates, terça-feira (11), será dada continuidade às atividades dos grupos e, ao final da tarde, acontece uma plenária para apresentação das contribuições. O documento estará disponível para consulta pública na internet até 7 de novembro, a fim de receber contribuições.

Novo plano

Nabil Bonduki, secretário do Meio Ambiente (à esq.), e Eduardo San Martin, diretor da Fiesp

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, criada pela Lei 12.305 de 2010,instituiu como um de seus principais instrumentos o Plano Nacional de Resíduos Sólidos e, conforme previsto em lei, terá vigência por prazo indeterminado e horizonte de 20 anos, com atualização de quatro em quatro.

Uma das metas propostas pelo plano e prevista na lei é eliminar totalmente os lixões até 2014 e mantê-los nesta condição até 2031.

Já foram realizadas audiências em Campo Grande (MS) e em Curitiba (PR). As próximas acontecem nos dias 13 e 14/10, em Recife (PE), e 18 e 19/10, em Belém (PA). O encontro nacional está marcado para dezembro, na Capital Federal, nos dias 30/11 e 1º/12/11.

Intensificação da produtividade pecuária pode liberar até 70 mi hectares para agricultura

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Arnaldo Carneiro Filho, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (no destaque), durante reunião do Cosag/Fiesp

A atividade pecuária é o último setor produtivo a passar pela transformação e inovação tecnológica, afirmou Arnaldo Carneiro Filho, da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, nesta segunda-feira (1º). Este redesenho da produção pode liberar mais de 70 milhões de hectares para a agricultura, incluindo a indústria de floresta plantada, principal fonte de celulose e carvão vegetal.

“Setor que vive hoje enorme transformação é a pecuária, e vai disponibilizar território para novos investimentos”, disse Carneiro Filho durante reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, nesta manhã na sede da Federação.

Ele citou a meta do Conselho Nacional de Pecuária de Corte (CNPC) de aumentar o rebanho bovino de 193 para 220 milhões de cabeças, com uma redução da área de pastagem de 220 para 150 milhões de hectares no curto prazo, deixando 70 milhões de hectares para a produção agrícola do País.

“Todo o esforço recai sobre a pecuária, que vive um processo de intensificação. Temos uma sobra de terras que é colossal no Brasil”, avaliou o assessor sobre promover o rearranjo de terras para incrementar produção de outras importantes culturas no País, como soja e grãos, cana de açúcar e florestas plantadas.

Indústrial Florestal

A intensificação da produtivididade pecuária é a aposta para evitar novos desperdícios de terra e estimular a indústria florestal, que, segundo Carneiro Filho, vive um apagão atualmente.

De acordo com a publicação Florestas Independentes no Brasil, a demanda potencial por produtos da indústria de florestal, como celulose e carvão vegetal, vai aumentar a área de 716,3 mil hectares em 2010 para 1,6 milhão de hectares em 2020.

“Somos hoje o país que tem a melhor tecnologia para floresta plantada e, curiosamente, temos um apagão florestal. Nova atividade hoje se traduz em floresta, pelo excedente de terras. Onde há forte presença da indústria é onde há os melhores indicadores de produtividade”, explicou Carneiro Filho.

Para gerir o gargalo da indústria florestal, o assessor informou que Secretaria tem trabalhado em diretrizes para estruturar uma política nacional de florestas plantadas. O objetivo é criar o projeto “até o final do ano.”

Radiografia territorial

A modelagem espacial desenvolvida pela Secretaria de Assuntos Estratégicos vai mapear o território brasileiro e as áreas produtoras. O modelo tem como objetivo reproduzir a vida real da produção agropecuária e vai priorizar as culturas com mais rentabilidade.

Carneiro Filho acrescentou que as sugestões de rearranjo produtivo propostas pelo modelo “buscam uma aproximação com a indústria porque ela é que rege as condições para o mercado.”

Guia de Instrumentos de Apoio ao Desenvolvimento Industria (ABDI)

Este guia é uma ferramenta de consulta aos instrumentos de apoio ao desenvolvimento industrial de acordo com o perfil e a demanda da sua empresa, com informações atualizadas que poderão contribuir para o aumento da competitividade, como apoio financeiro, apoio técnico, defesa comercial, incentivos e desonerações, apoio à inovação e à exportação.

Para navegar neste Guia online acesse o site: http://guia.abdi.com.br/default.aspx

Insegurança jurídica dificulta utilização de incentivo, afirmam especialistas

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

Susy Hoffman, diretora-titular do Departamento Jurídico do Ciesp

Em 2009, apenas 542 empresas brasileiras fizeram uso de incentivos fiscais à inovação tecnológica da Lei do Bem. A baixa procura, de acordo com o Grupo de Trabalho em Inovação da Fiesp, é atribuída principalmente à obrigatoriedade de que a empresa declare pelo lucro real, o que representa somente 7% das empresas brasileiras, e também à inexistência de critérios legais específicos para comprovação dos dispêndios.

“As empresas receiam serem multadas por terem dúvidas do que pode ou não ser entendido como inovação. É preciso reunir forte documentação para sustentar despesas”, explicou a diretora-titular do Departamento Jurídico do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Susy Hoffman.

De acordo com informações do Grupo de Trabalho da Fiesp, a Lei do Bem, criada em 2005, beneficiou:

  • 130 empresas em 2006;
  • 300 empresas em 2007;
  • 460 empresas em 2008;
  • 542 empresas em 2009.

 

Deste montante, apenas 323 empresas se utilizaram mais de uma vez dos incentivos fiscais e 567 delas fizeram uso da Lei apenas uma vez. “Queremos a extensão dos benefícios e segurança jurídica”, explicitou a diretora.

Outras frentes

Carlos Henrique de Brito Cruz, presidente do Contec

Embora a discussão tenha focado o aspecto da insegurança jurídica da Lei do Bem, o presidente do Contec, Carlos Henrique de Brito Cruz, lembrou que a Fiesp tem outras frentes de atuação, que visam ao aperfeiçoamento da lei e, como consequência, à ampliação do número de empresas incentivadas.

O vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, destacou a importância do assunto no discurso feito pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, durante a crise de 2008, de que a inovação seria a saída para a economia daquele país.

Ometto disse também que o número de empresas beneficiadas pela Lei do Bem é muito pequeno e que o Brasil precisa pensar grande.

Inovação tecnológica busca maior representação empresarial

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Carlos Calmanovici, Anpei. Foto: Pedro Ferrarezzi

Como as empresas devem ser incluídas na governança e na gestão dos instrumentos de fomento e políticas públicas de inovação? Esta e outras questões relativas ao tema foram analisadas na reunião do Conselho Superior de Tecnologia e Competitividade (Contec) da Fiesp, realizada na sexta-feira (8).

O convidado para discorrer sobre o fortalecimento da inovação tecnológica no Brasil foi Carlos Calmanovici, presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei).

Ele destacou atividades da entidade, como a X Conferência Nacional de Inovação Tecnológica, que em abril deste ano reuniu em Curitiba cerca de 500 pessoas em 65 mesas de debate.

“A Anpei tem atuado intensamente na formulação, proposição e análise das políticas para a renovação tecnológica no Brasil”, afirmou Carlos Henrique Brito Cruz, presidente do Contec.

Estímulos

Carlos Henrique Brito Cruz, pres. do Contec. Foto: Pedro Ferrarezzi

Para Calmanovici, é fundamental que se criem fóruns permanentes de incentivo à inovação, como o aumento da representação empresarial na elaboração de leis e estruturação dos fundos públicos.

Além disso, ressaltou a importância da criação de linhas de crédito específicas para projetos e instalações pré-industriais, alinhadas aos mecanismos contínuos de acesso a estes incentivos.

Estas ações voltadas às circunstâncias mais desafiadoras do setor elevariam o patamar das empresas. “Para uma inovação mais ousada de ruptura, é necessária a busca de outros instrumentos que permitam trabalhar em situação de maior risco, como a garantia da segurança jurídica dos incentivos fiscais”, sinalizou o presidente da Anpei.

Clique aqui para ver a íntegra da apresentação.

Inovação precisa entrar na pauta das micro e pequenas empresas

Agência Indusnet Fiesp

Teatro do Sesi São Paulo lotado durante a 24ª Convenção Anual do Ciesp. Foto: Vitor Salgado

O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) iniciou na tarde desta sexta-feira (30) uma ampla discussão sobre inovação tecnológica, como parte de sua 24ª Convenção Anual.

Mais de 700 empresários de todas as regiões paulistas lotaram o Teatro do Sesi São Paulo, na Capital, para debater com os governos federal e estadual, institutos de pesquisa e universidades como colocar a inovação na pauta de investimentos da micro, pequena e média indústria.

Uma pesquisa recente do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp resumiu a realidade enfrentada hoje por esse segmento: nas chamadas públicas de subvenção econômica da Finep, com recursos a fundo perdido, a taxa de projetos aprovados em relação à demanda caiu de 13%, em 2006, para 10% no último ano.

Além disso, as empresas de grande porte recebem a maior parte do financiamento destinado à inovação, cerca de 84% dos recursos disponibilizados nos últimos anos pela Finep e o BNDES. E na soma de 2006, 2007 e 2008, apenas 567 empresas utilizaram os incentivos fiscais à inovação, o que corresponde a 0,6% do total de empresas do País.

Cultura da inovação

Paulo Skaf, presidente da Fiesp/Ciesp, durante abertura da Convenção. Foto: Vitor Salgado

Para o presidente do Ciesp e da Fiesp, Paulo Skaf, investimentos em tecnologia podem fazer a diferença na competitividade global. Neste aspecto, considerou que os gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D) precisam estar presentes na cultura empresarial.

“Nossos investimentos são acanhados em relação aos principais países do mundo. Na década do Brasil, a cultura voltada à inovação e tecnologia precisa ser ampliada, simplificada e estimulada”, avaliou o dirigente, referindo-se à década esportiva que se inicia para o País, com Copa das Confederações, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.

A Fiesp prevê um dispêndio privado de 0,58% do Produto Interno Bruto (PIB) para 2010, ou R$ 18,4 bilhões, abaixo da meta da Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), de 0,65%.

Outra dificuldade para investir em P&D, segundo os empresários, é que somente as empresas de lucro real podem se beneficiar da renúncia fiscal sobre o valor total do investimento, ou seja, 7% das empresas nacionais. Em 2008, o incentivo fiscal à inovação tecnológica correspondeu a 0,05% do PIB, enquanto a carga tributária arrematou uma parcela de 35,8% da economia brasileira.

Investir em P&D é ‘decisão política’

Eduardo Moreira da Costa, diretor de Inovação da Finep. Foto: Vitor Salgado

Para o diretor de Planejamento do BNDES, João Carlos Ferraz, a agenda de inovação do governo federal é prioridade e demanda o protagonismo do setor privado. Ele reconhece as dificuldades do industrial brasileiro, que gastou quase sete vezes mais com juros do que com pesquisa e desenvolvimento em 2008.

Mas o BNDES garantiu que não faltarão recursos para bons projetos inovadores. “É uma decisão política que está tomada, e os aportes aumentarão sempre que forem necessários”, disse Ferraz.

Segundo Eduardo Moreira da Costa, diretor de Inovação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a subvenção econômica, trazida pela Lei de Inovação (n°. 10.973/2004), foi um avanço nesse processo. Mas a maior dificuldade é fazer a informação chegar na ponta. Atualmente, a Finep destina R$ 4 bilhões por ano à inovação, metade para as empresas, mas o montante ainda é pouco diante da demanda.

“Pela primeira vez, o orçamento [para Ciência e Tecnologia] não é contingenciado. São R$ 2,7 bilhões. É uma boa notícia, porém, isso significa também que batemos no teto. Agora, do ponto de vista dos recursos, temos que canalizar os fundos setoriais, até mesmo de outras áreas que não são utilizados, para o esforço da inovação”, afirmou o diretor da Finep.

Inovação para MPEs

João Carlos Ferraz, diretor de Planejamento do BNDES. Vitor Salgado

Apesar de todas essas garantias, o 2° vice-presidente do Ciesp, Fausto Cestari, observou que, quando uma empresa emergente vive a realidade das MPEs no Brasil, descobre que está fora de qualquer incentivo à inovação.

“Qualquer estatística setorial mostra um nível significativo de empresas, e isso é acima de 90%, com alguma pendência tributária, e por isso estão completamente fora desse processo. A construção de políticas públicas de incentivo à inovação nestas condições tem pouca chance de prosperar”, ressaltou Cestari.

João Carlos Ferraz, do BNDES, lembrou que 39% dos desembolsos do Banco são destinados a micro, pequenas e médias empresas, mesmo que de forma indireta, por meio das instituições financeiras.

Segundo ele, o Programa de Sustentação de Investimento é um exemplo concreto desse processo: o financiamento de máquinas e equipamentos por meio do Finame saltou de R$ 150 milhões, em 2008, para R$ 220 milhões com o PSI, que diminuiu o custo para aquisição de bens de capital.

Criado em junho de 2009 e inicialmente previsto para terminar em um ano, o programa foi prorrogado até 31 de dezembro e tem o objetivo de estimular a antecipação de investimentos por parte das empresas.

Para acessar a pesquisa do Decomtec, clique no link (arquivo em pdf): Obstáculos da Inovação