Especialistas e empresários debatem Infraestrutura e sustentabilidade no Humanidade 2012

Agência Indusnet Fiesp 

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Paulo Skaf abre as discussões sobre Infraestrutura e Sustentabilidade no Humanidade 2012.


Os desafios que o Brasil e o mundo enfrentam para alcançar o desenvolvimento sustentável foram o centro do debate no painel “Infraestrutura e Sustentabilidade”, uma das agendas deste sábado (16/06) no evento Humanidade 2012, no Rio de Janeiro.

Ao abrir o evento, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, destacou a importância da ação conjunta de todos os setores da sociedade para se alcançar o desenvolvimento sustentável: “Quando governo, sociedade, indústria e trabalhadores se unem, é evidente que as coisas vão caminhar bem”.

Os debates tiveram a moderação de Benjamin Steinbruch, 1º vice-presidente da Fiesp, e de Fábio Feldmann, ex-secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Steinbruch disse que sempre vale a pena envolver a indústria no debate. “Tem acontecido uma mutação muito rápida na maneira de pensar em meio ambiente”, observou. O 1º vice-presidente da Fiesp propôs à presidente do conselho do Greenpeace internacional, Ana Toni, uma colaboração entre as instituições para estudar possíveis campos de atuação conjunta.

Veja um resumo do debate:

Tasso Azevedo (ministério do Meio Ambiente) – O consultor do ministério do Meio Ambiente afirmou que o primeiro desafio do desenvolvimento sustentável é a erradicação da miséria total no mundo. Outros dois desafios igualmente urgentes, destacou Azevedo, é oferecer componentes materiais menos impactantes para infraestrutura e reduzir as emissões de CO². “Desde 1992 as emissões de CO² aumentaram mais de 40%. No mundo existem pelo menos 2,6 bilhões de pessoas sem acesso a saneamento básico, 800 milhões sem acesso a água potável e pelo 2 milhões que vivem com menos de U$ 2”, apontou o consultor do ministério do Meio Ambiente.

Marilene Ramos (Inea) – A presidente do Instituto Estadual do Ambiente do Rio de Janeiro (Inea) salientou que o governo tem o poder controlador e o papel de punir aqueles que não cumprem a lei, mas também tem o papel de incentivador. “Este é o papel mais adequado quando se trata de promover um desenvolvimento sustentável mais inclusivo”.

Ana Toni (Greenpeace) – A presidente do conselho do Greenpeace internacional disse que são os governos que têm o papel de assegurar a regulamentação ambiental. “Mas percebemos que deveríamos também ir em direção às empresas, para que elas percebam a urgência do que estamos falando”, comentou Ana Toni.

Julio Lopes (Governo o Estado Rio de Janeiro) – Ao falar de mobilidade, o secretário de Transportes Julio Lopes ressaltou que sustentabilidade “é o pilar central” do governo carioca e pontuou ações bem-sucedidas como a retomada pelo poder público de alguns bairros da capital fluminense, por meio das Unidades Pacificadoras (UPPs). O secretário destacou também melhorias realizadas no transporte público, que, segundo ele, levou mais segurança e conforto à população que antes viajava “na pirataria” e era exposta a riscos de assalto e morte. E afirmou: “Em 2014, 65% estarão em transportes de alta capacidade”, referindo-se a metrô, trens, ônibus e embarcações.

Mathis Wackernagel (Global Footprint Network) – O presidente da Global Footprint Network, classificado por Steinbruch como uma das pessoas mais empreendedoras do mundo, deu ênfase à necessidade de conscientização de que o maior problema é que os países consomem mais do que têm e, por isso, os recursos naturais estão se esgotando. “Como ser bem sucedido num mundo de recursos limitados, em que as pessoas não param de consumir?”, questionou. Refletir sobre a comparação entre o quanto os países consomem versus o quanto eles têm, destacou Wackernagel, é uma condição necessária para resolver os atuais problemas financeiros dos países desenvolvidos. “A palavra que devemos focar é ‘recursos’”, ressaltou. O presidente da Global Footprint Network disse que talvez o mundo não tenha um problema global, mas uma tempestade. “E nós somos os barcos. A pergunta é: estamos prontos para enfrentar essa tempestade?”, interrogou.

Mauro Viegas Filho (Firjan) – Ao analisar o setor de demolições e resíduos de obras, o presidente do conselho de Infraestrutura da Firjan observou que falta uma legislação para proibir a chegada desses materiais aos lixões e estimular sua reutilização, medida já adotada em algumas indústrias. “Neste processo de ampliar e sustentar, precisamos contar com apoio das autoridades públicas para penalizar e cada vez usar mais a inovação para esse processo.”

Ricardo Abramovay (USP) – Na visão do professor-titular do Departamento de Economia da FEA e do Instituto de Relações Internacionais da USP, sustentabilidade “não pode ser apenas conversa de professor universitário, mas tem de ser uma decisão empresarial”. E ressaltou: “Esta é a razão fundamental para esse momento [humanidade] existir.”

Caio Koch Weser (Deutsche Bank/ONU) – “Concordamos que é necessário haver mais liderança no processo de desenvolvimento sustentável, mas a ONU não consegue fazer isso sozinha”, disse o vice-presidente do Deutsche Bank e membro do grupo de finanças do clima da ONU. “Se houvesse um pequeno núcleo de setores empresariais com metas ambiciosas de transformação, e também dinheiro na mesa para financiar projetos pilotos, seria mais produtivo do que o documento [das Nações Unidas para a Rio+20] que está sendo elaborado esta semana.”

Robert Socolow (Universidade de Princeton) – O professor da Universidade de Princeton disse que “esta é uma grande semana para o mundo inteiro”, ao se referir à Conferência das Nações Unidas sobre Sustentabilidade (Rio+20). Na visão do professor, o Brasil se tornou um líder nas questões que estão sendo discutidas. E argumentou que não importa as diferenças entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento. “Nas questões ambientais, estamos todos no mesmo barco”, assinalou.

Humanidade 2012

Humanidade 2012 é uma realização da Fiesp, do Sistema Firjan, da Fundação Roberto Marinho, do Sesi-SP, Senai-SP, Sesi-RJ e Senai-RJ, com patrocínio da Prefeitura do Rio, do Sebrae e da Caixa Econômica Federal. O evento acontece no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, entre os dias 11 e 22 de junho. O espaço de exposições é aberto ao público e a agenda completa de eventos pode ser consultada no site www.humanidade2012.net.

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