Lixo é alternativa para geração de energia e de lucro

Agência Indusnet Fiesp,

“O uso de lixo para a geração de energia térmica e elétrica é um assunto fascinante”, na avaliação do diretor do Departamento de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Arnaldo Azevedo.

Ele coordenou o painel “Aproveitamento Energético de Resíduos Sólidos Urbanos” durante o 11º Encontro Internacional de Energia, realizado nesta terça-feira (10) pela Fiesp, que apresentou várias propostas para o aproveitamento do lixo doméstico como fonte de energia. Segundo Azevedo, todos as alternativas se harmonizam.

O diretor do Departamento de Limpeza Urbana (Limpurb) da Prefeitura de São Paulo, Danilo Eleutério Filho, explicou como é a gestão dos resíduos sólidos na cidade de São Paulo, que movimenta diariamente cerca de 18 mil toneladas de resíduos sólidos, dos quais 10 mil de lixo domiciliar.

Eleutério Filho explicou que a cada quadrimestre é feita uma análise da composição dos resíduos para avaliar as condições de formação de biogás em aterros sanitários, que será usado para a geração elétrica.

Segundo ele, hoje há dois aterros sanitários em funcionamento na cidade, que produzem juntos 15 mil metros cúbicos diários de biogás, o que permite o funcionamento de duas usinas térmicas de 20 MW cada (uma em cada aterro), que geram um total de 5 milhões de créditos de carbono (cada crédito equivale a uma tonelada de CO²).


Aterros sanitários
Antonio Bolognesi, diretor-presidente da Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae) da cidade de São Paulo, observou que o esgotamento de aterros sanitários aponta para a solução de uso dos resíduos para a geração de energia.

Conforme Bolognesi, como cada brasileiro produz 1,15 quilo de lixo por dia em núcleos urbanos (em números de 2008), uma família de três pessoas gera cerca de uma tonelada de resíduos sólidos por ano, montante que tem o poder energético de 520 kWh, o equivalente a um barril de petróleo.

“Uma gestão avançada de resíduos sólidos, que combine aproveitamento térmico e reciclagem de resíduos, pode se tornar um rentável empreendimento de geração de energia”, argumentou o diretor-presidente da Emae. O lucro, complementou, viria da venda de energia e de créditos de carbono, além da renda com taxas pagas pela prefeitura pela gestão do lixo.


Cenários para 2030

O engenheiro sanitarista e professor da Unicamp Marcos Cunha falou sobre cenários de baixo carbono para 2030. Para ele, a melhor alternativa combina uma série de medidas, como a redução da produção de lixo, a reutilização de alguns resíduos e a reciclagem de outros (como a retirada de todos os resíduos plásticos e do lodo produzido pela compostagem).

Assim, o uso de biogás de aterros sanitários ainda representa um baixo aproveitamento energético diante de outras alternativas, como a biodigestão anaeróbia de resíduos com 100% de reciclagem de plásticos, vidro e metais; ou da incineração dos resíduos com 100% de reciclagem.

Cunha lembrou que a incineração de plástico, que é material extraído do petróleo, gera a emissão de CO2 fóssil e, por isso, deve ser evitada.