Anac: novas concessões de aeroportos devem estimular melhores práticas da Infraero

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Presidente da Agência Nacional de Aviação (Anac), Marcelo Pacheco Guaranys

Presidente da Agência Nacional de Aviação (Anac), Marcelo Pacheco Guaranys

“Nós esperamos que já no médio prazo isso gere uma absorção de melhores práticas. Ou seja, a Infraero vai poder, observando o que virá com os aeroportos concedidos para os novos parceiros, implementar algumas medidas”, afirmou Guaranys.

O presidente da Anac participou do painel “Oportunidade e Desafios nas Novas Concessões”, no segundo dia (22/05) da agenda do 7º Encontro de Logística e Transportes, promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Melhorias no serviço

Guaranys espera que os passageiros dos aeroportos concedidos percebam alguma melhora da qualidade do serviço já no curto prazo. “Os investimentos vão demorar pelo menos um ano para ter algum efeito na qualidade, algo natural para qualquer investimento em infraestrutura, mas queremos que no curto prazo os passageiros tenham uma percepção da qualidade. Ou seja, as empresas podem adotar medidas de alteração na gestão, trazer uma nova visão”, afirmou o presidente da Anac, acrescentando que as concessionárias devem começar a operar os aeroportos a partir do final de outubro.

O grande desafio, destacou Marcelo Guaranys, é o gerenciamento dos contratos de concessão dos aeroportos. “No longo prazo, esperamos um novo modelo de gestão aeroportuária no Brasil. A gente espera realmente ter uma mudança de paradigma, isto é, ter concorrência fato. Esperamos um novo mundo de aeroportos para o país, e que a infraestrutura de fato atenda ao crescimento da nossa demanda”, concluiu.

As concessões

As ofertas vencedoras do leilão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília somam R$ 24,5 bilhões, segundo informações da Bolsa de Valores de São Paulo. O aeroporto de Guarulhos foi arrematado pelo consórcio Invepar por R$ 16,2 bilhões, enquanto a concessão de Viracopos, em Campinas, ficou com o consórcio Aeroportos Brasil, que ofereceu R$ 3,8 bilhões.

Já o terminal de Brasília ficou com o consórcio Inframérica Aeroportos por R$ 4,5 bilhões. A Infraero, responsável pela administração dos aeroportos leiloados, terá uma participação de 49% em cada um dos três consórcios vencedores.

Mercado brasileiro cresce mais que o da China

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Jaime Parreira, diretor da Infraero, durante reunião do Coinfra/Fiesp

O diretor de engenharia da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), Jaime Parreira, participou nesta quinta-feira (6), da reunião do Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra), da Fiesp. Durante o encontro, ele detalhou o plano de obras estruturais de 15 aeroportos nacionais, entre os quais o de Viracopos (Campinas), Cumbica (Guarulhos), Galeão (Rio de Janeiro) e Confins (Minas Gerais).

As reformas são essenciais para suprir o aumento de demanda que será causado pela Copa (2014) e Olimpíadas (2016), porém, algumas mudanças já se fazem necessárias para atender ao crescimento da procura doméstica, especialmente na aviação civil comercial e executiva. “Tivemos nesses últimos anos uma alteração muito importante no acesso da população ao transporte aéreo, o que acarretou na transformação de todo planejamento feito ao longo dos últimos anos”, disse Parreira.

Segundo o diretor, a média de crescimento, que circulava na faixa de 7% a 9% ao ano, em 2004 e 2005, saltou para 25% no último triênio. A China, por exemplo, apresentou alta de 16% neste mesmo período. “Nossos índices de crescimento são superiores aos chineses. É claro que isso refletiu em todo o complexo que temos no Brasil”, explicou o diretor. “[Por isso] temos que acelerar os processos de investimento e de infraestrutura, além de melhorar a gestão dos aeroportos.”

“Puxadinhos” para agilizar a otimização

Um meio de agilizar a otimização dos aeroportos é a construção de terminais remotos e módulos operacionais, conhecidos popularmente como “puxadinhos”. Parreira esclareceu que essa é uma boa solução para “trocar o pneu com o carro andando”, ou seja, dar início a obras que atendam à necessidade factual e instantânea, sem com isso atrapalhar a movimentação e atividades diárias.

De acordo com a Infraero, esse é um recurso largamente utilizado em vários aeroportos do mundo. São investimentos menores em complexidade e de execução rápida, na qual o metro quadrado custa 30% a menos do que a de um terminal definitivo, pré-moldado.

No entanto, o diretor alertou que é apenas uma solução momentânea, para dar fôlego e permitir que a expansão ocorra dentro de seu tempo. “Alguns módulos operacionais com vida útil de 10 a 15 anos não serão desfeitos, ao contrário de outros que serão desmontados para dar origem à expansão definitiva”, finalizou.

Coinfra

O Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra) é um órgão técnico estratégico da Fiesp coordenado pelo Instituto Roberto Simonsen (IRS), e tem por objetivo debater, realizar estudos e propor políticas na área de infraestrutura, promovendo, assim, a permanente interação das entidades com o setor. Mensalmente, os membros do conselho – presidido pelo empresário Fernando Xavier Ferreira – se reúnem com o intuito de discutir os principais assuntos relacionados ao segmento.